O meu primeiro contato com o rock foi similar ao de milhares de jovens brasileiros da década de oitenta. O primeiro Rock In Rio, aquele realizado em 1985, abriu os meus olhos, e principalmente os meus ouvidos, me apresentando dezenas de grupos que iriam me acompanhar por toda a vida. Sempre gostei de música, desde pequeno, e esta paixão pelo rock e pelo heavy metal já estava acesa desde a primeira vez que ouvi o solo de Eddie Van Halen na música “Beat It”, do Michael Jackson, presente no primeiro vinil que ganhei na vida, o multiplatinado “Thriller”. Este foi apenas o ponto de partida de uma viagem sem fim, sem limites e repleta de experiências pelos caminhos da música.

Foi o primeiro disco que comprei com o meu dinheiro. Este EP do AC/DC foi também meu primeiro álbum de rock, e até hoje tenho um carinho especial por ele. Foi ouvindo suas cinco faixas que percebi que o rock estaria sempre na minha vida.

Ganhei de presente de uma tia, a mesma que havia me dado o álbum do Michael Jackson. Tive um choque ao ouvir Iron Maiden pela primeira vez. Aquele estilo, aquelas guitarras, aquele vocalista, tudo me cativou. Isso sem falar da capa, que passava horas procurando detalhes escondidos. Até hoje o Iron Maiden é o meu grupo preferido, e isso se deve, em grande parte, à “Somewhere In Time”.

Sempre fui muito de fases. Todo mundo falava de uma banda, e eu nem dava bola, até o momento em que este grupo “batia” em mim, e eu saía enlouquecido comprando tudo que encontrava pela frente. A primeira vez que isso aconteceu foi com o Black Sabbath. O impacto do riff de “Paranoid” sobre um garoto de apenas quatorze anos foi gigantesco. Resultado: resolvi que ia ser músico, comprei uma guitarra e montei uma banda, mas esta história fica para outro dia.

Sempre fui um cara quieto. Não sei se era por isso, e nem se acontecia só comigo, mas volta e meia ficava viajando com riffs de guitarra imaginários na minha cabeça. Pois bem, este álbum do Metallica entra nesta lista por um motivo bem simples: suas faixas soavam exatamente como as guitarras imaginárias que compunha dentro da minha cabeça. Por isso, a primeira vez que eu escutei foi como se a minha visão particular do heavy metal tivesse se concretizado ali, bem na minha frente. Hoje o grupo já não me atrai, mas isso não diminui em nada o impacto gigantesco que este disco teve na minha vida.

Eu já era um garoto fissurado por Iron Maiden quando descobri este disco. Ele me ajudou a descobrir que, ao contrário do que eu imaginava, o mundo não se resumia ao grupo de Steve Harris. Já tive contato com dezenas de álbuns ao vivo, mas até hoje “Unleashed In The East” ocupa um lugar especial na minha coleção. Um álbum obrigatório para quem busca compreender melhor o que significa o heavy metal.

Li na extinta revista Metal que Ronnie James Dio estava produzindo um álbum beneficiente, nos mesmos moldes do “USA For Africa”, só que com a participação exclusiva de artistas de heavy metal. Fiquei louco, e saí com tudo atrás do disco. Consegui achá-lo, e a música “Stars” tocou tanto no meu som que chegou a ficar desgastada pela agulha. Ficava ali, com o encarte na mão, identificando os vocalistas e os solos de cada guitarrista, por horas a fio. Maravilhoso.

Sempre gostei de álbuns ao vivo. Este do Purple me foi apresentado por um amigo. Gravei todo ele em uma fita cassete e escutei muito, mas muito, todo o disco, centenas de vezes. Sabia de cor o solo quilométrico de Jon Lord em “Child In Time”, as falas de Ian Gillan entre as músicas, a introdução de Ritchie Blackmore em “Smoke On The Water”. Por estas e outras considero este álbum o melhor ao vivo já lançado. Apenas isso.

Como disse antes, sempre fui fascinado por álbuns ao vivo. Tinha um carinho especial com os clássicos, e obrigatórios, “duplos ao vivo” lançados por praticamente toda grande banda. Este do Rush foi especial porque me apresentou um dos melhores grupos que já ouvi. A influência foi tanta que o considero o ponto inicial da minha admiração pelo prog metal, um dos meus estilos preferidos desde sempre.

As bandas nacionais nunca me atraíram muito. Para falar bem a verdade, até hoje não me atraem. É claro que grupos como Angra, Sepultura e outros estão entre meus favoritos, mas os coloco em um outro nível. Estou falando das bandas nacionais de rock, puro e simples. Mas com o Made In Brazil foi diferente. “Mickey Mouse, a Gata e Eu”, “Jack O Estripador”, “Uma Banda Made In Brazil” e a autobiográfica “Minha Vida É Rock And Roll” marcaram a minha adolescência, e eram hits certos nas festinhas particulares em que discotecava, lá nos anos oitenta, no interior do Rio Grande do Sul. Um ótimo disco.

Mais um duplo ao vivo nesta lista. No início fui atraído apenas pela magia do formato, mas foi só colocar o disco para isso mudar. Costumo dizer que o Led Zeppelin foi o grupo mais impressionante que já ouvi, e esta opinião se mantém até hoje. Ele marcou uma descoberta importante para mim: de que havia vida fora do heavy metal. Com este álbum me transformei de um headbanger radical em um colecionador e, até certo ponto, pesquisador de rock and roll. Ouvia ele no carro, em uma fita cassete, passeando com meus irmãos menores enquanto viajávamos para outro mundo com “No Quarter”. Com o passar dos anos solidifiquei a opinião pessoal de que nada que o grupo produziu chegou perto do ápice alcançado em “Physical Graffiti”, mas isto é assunto para outra lista.

Nunca havia ouvido falar deste grupo quando comprei este disco. Gostei da capa, mas o que me fez adquiri-lo sem ao menos ouví-lo foi a foto da banda no encarte. Eu e meus amigos olhávamos para o rosto dos caras e brincávamos falando “olha a cara deste, é muito louco”, “este já morreu”, entre outras coisas. Mal sabíamos que estávamos certos... Este é o último álbum do grupo com a sua formação clássica, e foi durante a sua tour que ocorreu o acidente que vitimou seus integrantes. Um álbum excepcional. Para vocês terem uma idéia, “That Smell” até hoje me faz tocar guitarra imaginária...

O Led Zeppelin abriu a minha cabeça, e um dia resolvi descobrir porque os Beatles eram, afinal de contas, os Beatles. Fui em uma loja e comprei toda a coleção do grupo, de uma só vez. Ouvi todos os discos em sequência. O que mais gostei foi o segundo, “With The Beatles”. A energia e o frescor de músicas como “Roll Over Bethoven” e “All Your Loving” ma cativaram de imediato, e eu encontrei, enfim, a resposta para a minha pergunta: havia descoberto porque os Beatles eram, afinal de contas, os Beatles. O tempo passou e, um certo dia, lá pela metade dos anos noventa, coloquei o “Abbey Road” para ouvir sem nenhuma pretensão, e tive o meu segundo choque causado pelo Fab Four. Mas esta história eu conto outro dia.

Morei onze anos em uma cidade gaúcha chamada Passo Fundo. Foi lá que fiz faculdade e me formei em Publicidade. Falo isso porque esta cidada talvez tenha a maior concentração de fãs desta banda americana em todo o Brasil. Até banda cover dos caras havia por lá ... Um amigo, que infelizmente já faleceu, me apresentou este disco, e eu fiquei absolutamente fascinado pelo som de Johnette Napolitano e companhia. Até hoje o Concrete Blonde é uma das minhas bandas preferidas. Para quem não conhece o grupo, indico este álbum como porta de entrada.

Talvez este tenha sido o álbum que eu mais ouvi na vida. Deixa eu contar para vocês: como sempre acontece em todas as cidades onde morei, sempre sou um dos principais clientes das lojas de CDs. Lá em Passo Fundo era cliente de uma loja e fiz uma grande amizade com um dos vendedores. O nome dele era Beto, e hoje ele é vocalista da Cachorro Grande. Pois bem, ele me falava um monte do Oasis, e eu não ia com a cara da banda, principalmente por causa da arrogância dos caras. Quando “Be Here Now” saiu acabei comprando por insistência do Beto, e meu queixo caiu. Acho que passei uns quatro meses apenas escutando este disco, não conseguia parar de ouvir. Hoje não acompanho mais a carreira do Oasis, mas este álbum em especial me marcou bastante.

Este álbum me marcou muito por um motivo bem simples: eu o considero, com larga vantagem, o melhor álbum produzido por um artista brasileiro que eu já ouvi. O olhar para frente, para o futuro, ligado intrinsicamente com o passado dos integrantes da banda de forma perfeita, gerou um disco originalíssimo, e com um padrão de qualidade poucas vezes alcançado na música. Além, é claro, de ter influenciado praticamente todo o rock brasileiro, além de respingar também em outros estilos (como o metal, por exemplo), após o seu lançamento.

Aqui a situação foi mais ou menos a mesma que havia ocorrido antes com os Beatles. Ouvia e ouvia os álbuns de Eric Clapton e não entendia, de maneira alguma, porque as pessoas o consideravam um gênio da guitarra. Comprando este disco entendi. Isso sem falar que a segunda guitarra foi gravada por ninguém menos que Duane Allman. Clássico.

Passei um tempo afastado da música pesada, e foi este álbum que me trouxe de volta. A união de Bruce com Adrian Smith produziu um dos mais belos trabalhos da história do heavy metal. O meu preferido até hoje na carreira de Bruce.

Já conhecia o som do grupo, mas fui cativado definitivamente com este disco. Talvez este tenha sido o último grande álbum que ouvi. Cada nova audição é uma nova experiência para mim. Influenciadíssimo pelo Pink Floyd da fase “The Wall” e passando por uma fase de turbulências que quase gerou o fim da banda, o Dream Theater concebeu um dos álbuns mais impressionantes que eu conheço.

Posso dizer que Ben Harper é a minha última grande descoberta sonora. Ouvi o cara pela primeira vez através do álbum “The Will To Live”, mas foi apenas recentemente que entendi o som por inteiro. Este disco marca a nova e maravilhosa fase que estou vivendo, casado com a minha pequena Carlinha e degustando os melhores dias da minha vida. Acho que isso é motivo suficiente para colocá-lo nesta lista.

A minha relação com “The Black Halo” é similar com a que tenho com o “Accident Of Birth”. Em uma época que os meus ouvidos começavam a dar sinais de cansaço com o bom e velho heavy metal, este álbum renovou a minha fé, a minha paixão e a minha crença no estilo. Considero este disco um dos trabalhos-chave para entender o presente e, principalmente, o futuro do estilo.
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Ricardo Seelig é editor do blog Collectors Room - www.collectorsroom.blogspot.com - e colaborador das revistas poeira Zine e Rolling Stone. Escreve para o Whiplash desde 2005.
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