Tão cedo o rock começou a aparecer na minha vida quanto as vontades de sair atrás das garotas. Sim, já com 12 anos, as letras divertidas dos Raimundos e a explosão musical que foi o Green Day na década de 90 com seu “seminal” Dookie (bendita hora que fui ouvir em uma fita k7 Billie Joe cantar "Welcome To Paradise"), me convenceram que no mundo, há um lado paralelo difícil de largar. A galera de escola, sempre gostou mais de batidas eletrônicas, mas o que me fez dizer: “é isso que quero”, foi quando vi pela primeira vez, um lunático Freddie Mercury gritando "I Want It All" seguido de solos rápidos e velozes de Brian May.
Não cheguei a fazer parte da geração de adoradores do Black Sabbath, Deep Purple ou Led Zeppelin. Muito menos Pink Floyd ou The Doors. Mas alguns dos períodos mais felizes da minha vida tiveram ótimas trilhas sonoras, recheadas de riffs e batidas frenéticas na bateria. Minha história como rockeiro é relativamente curta e um tanto quando mal aproveitada, mas aos poucos vou pegando o jeito nas maravilhas que a vida ainda pode me proporcionar.

“Basket Case”, “When I Come Around” e “Welcome To Paradise” eram realmente as músicas que todo mundo tinha. Afinal, quem da turma mais “jovem” não possuía pelo menos uma fitinha com esses registros lá por 1995, estava realmente perdido. Não por moda, mas por ser bacana demais. Alegre, jovem e de apego aos jovens, o Green Day foi minha formação, e acho que de muita gente da turma que assistia “X Tudo” na TV Cultura, também.

Meu Pai do Céu! Esse CD eu realmente fiz mais dois buraquinhos, de tanto que ouvi. Se não fosse a genialidade de Brian May em “I Want It All” e o uso mais que bem vindo das harmonias de “I Want To Break Free”, não sei o que seria do mundo. Só de ver aquela imagem no encarte de um helicóptero sobrevoando um campo recheado de gente aguardando os ingleses para um show já me dava arrepios. Esta coletânea me fez entender o porquê de unir as melhores músicas em um CD.

Comecei com Ramones pelo fim. Na verdade fiquei no “começo do fim”. Sempre tive a mania de ouvir a música que mais gostasse dez milhões de vezes e esquecer o restante do disco. E foi assim com “I Don't Want To Grow Up”. Alegre, rápida e de uma levada simplória e mágica, foi esta canção que me fez enxergar além de “Pet Cemetery”. Talvez este foi um disco não tão valorizado pelos verdadeiros amantes do grupo. Mas o quarteto conseguiu ganhar um fã tão rápido quanto se fala one two tree four...

Um disco único, com uma música única e um significado também único. ”Full Circle” significa para mim a amizade. E basta escutar e entender o por que da canção “Bro Hymn Tribute” para saber que a música cria vínculos afetivos tão importantes quanto qualquer relacionamento entre amigos. Foi divertido conhecer os primeiros acordes na guitarra através desta canção.

Dou risada ao lembrar desse disco. Recordo-me da primeira namorada e das tardes perdidas na frente do computador quebrando a cuca no mais célebre jogo de futebol já inventado. Elifoot! Essa linhagem musical tão influente nos primeiros anos de rock na minha vida me norteou para outro estilo, passando do punk rock rápido e agitado para umas canções mais cadenciadas e trabalhadas, bem como foi este disco.

Foi a turma do Steve Harris que me fez entender que Heavy Metal é mais do que um aglomerado de barulhos. Um vizinho apresentou-me a esta coletânea, que de tão folheado o encarte, durex e fita isolante apagavam um pouco da imagem cômica que o Eddie me provocava. A música “The Number of The Beast” me lembrava uma corrida, e foi realmente dela que saltei para a estrada definitiva do Heavy Metal.

Outro amigo, outro encarte detonado, outro CD incrivelmente riscado. Que tempo bom. Apesar de fazer um pouquinho mais de tempo que “Holy Land” fora lançado, o primeiro registro ao vivo do Angra foi para mim um soco em cheio nas costas. “Escuta essa última música, e vê que legal”. “Carry On”? Que é isso? E que bom que não era só ela. “Nothing To Say” soava incrivelmente boa e “Carolina IV” mesmo ao longo de tantos minutos, fez me acreditar no metal melódico e na entonação aguda de André Matos.

Um CD mediano da carreira da Donzela foi a minha primeira aquisição Heavy Metal. “Fear Of The Dark” marca pela mudança no direcionamento profissional da minha vida e também o início de compromissos sérios com uma garota especial. Coisas da jovialidade indo pro saco mesmo.

Hoje muita gente mete pau, mas lá pelo ano 2000, não foram poucos os que ficaram boquiabertos com o refrão magistral de “Emerald Sword”, entoado por Fabio Lione e as patadas velozes nos bumbos de Danielle Carbonera. Essa eu também ouvi pela primeira vez em uma fita K7, e ficou marcada como uma canção pra colocar o pé no Metal. O tempo começou a pesar, e com ele a responsabilidade, o primeiro emprego e o primeiro salário, gasto neste CD que lembra um período muito bom.

Um dos muitos registros ao vivo do Black Sabbath que foram marcantes. Uma que Ozzy no palco é uma figura (e fora dele também), mas a atitude da banda em tocar tantos clássicos foi um absurdo de bom. Nunca fui dos maiores fãs de Sabbath, mas venho destacar que eles realmente me ensinaram que o Heavy Metal não era simplesmente gritar e fazer músicas na velocidade da luz. Começava aí uma nova consciência, e disciplina musical. Por isto, este CD continua sendo um dos meus preferidos.
São vários os discos marcantes. Alguns por fazerem parte da trilha sonora de momentos importantes da minha vida ou por serem realmente de uma sonoridade mágica. O punk rock, hard core, ou o underground, como bem queiram, foi a pegada inicial. E vendo hoje com o gosto musical que tenho, tenho muito que me orgulhar. As influências dos amigos foram infinitas, e ainda são. Acho importante essa troca de idéias e informações. Porém, o gosto musical de cada um é sempre discutível. Entenderia perfeitamente se o leitor risse de mim por algumas escolhas, mas ficaria ainda mais feliz se pudesse compartilhar também, um pouquinho dos motivos que te levaram a realimente, gostar de rock.
Um abraço, e nos vemos nos shows por aí!
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Clóvis Eduardo Cuco é catarinense, jornalista e metaleiro.
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