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Entrevista: The Answer

Postado por Carlos Lopes | Em 21/07/09 | Fonte: O Martelo
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A resposta às suas preces chegou e se chama “A resposta”. Esse quarteto irlandês lançou um primeiro disco arrasador chamado “Rise” que deixou a imprensa inglesa de calças arriadas e cabelos em pé. Rock clássico setentista com uma pegada de led zeppelin em seus melhores momentos de fúria. Precisa dizer mais? Cormac Neeson (vocalista), Paul Mahon (GUITARRA), Micky Waters (baixo) E James Heatley (BATERIA) compõem esse grupo que certamente dará muito o que falar. O GUITARRISTA conversou CONOSCO SOBRE TUDO E ALGO MAIS.

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A Irlanda ficou conhecida pelos trabalhos do Thin Lizzy e Rory Gallagher (não esquecendo do U2 é claro) ambos vindos de uma tradição blues e hard rock setentista. Vocês se vêem como a prova viva de que o rock é um estilo atemporal e que a chamada “música antiga”, reconstruída com talento e paixão continua sendo o que há de melhor?

Acredito que qualquer música feita com talento e paixão é boa. O gênero musical é uma questão de gosto pessoal. Poderíamos tomar como exemplo John Lee Hooker, John Coltrane, Led Zeppelin ou os Beatles. A música que mais nos agrada é uma mistura de hard rock e blues. Acredito que a perpetuação do rock clássico aconteceu porque foi feito com talento, por amor à música, não somente para vender discos, o que parece ser o caso de muitos estilos musicais hoje em dia.

Quando você ouve a palavra “rock” quais são as suas melhores recordações?

A minha lembranca mais antiga de “rock” que tenho é meu irmão tocando “Whole Lotta Rosie” do AC/DC. Eu pirava. Comprei o disco “High Voltage” logo depois. Ainda me recordo de ter ouvido Aerosmith, Motley Crüe e Mettalica e ter ido comprar os discos.

Por que os críticos de música são tão relutantes em se expressar favoravelmente quando se deparam com termos como Clássico, Rock, Solos de Guitarra e Tradição?

Para certos críticos essas expressões são antiquadas. Eles as associam com o rock clássico do passado, sem vê-las como algo vibrante e vivo. Na verdade eles só têm interesse pelo  punk rock do final da década de 70 ou pelo movimento New Wave. Eles só querem escrever sobre as bandas atuais que reproduzam este perfil.

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Você concorda com a teoria que diz que uma capa nova pode vender uma revista velha?

Eu acredito firmemente que a forma jamais poderá esconder o conteúdo. Pode enganar alguns por algum tempo, mas a verdade sempre vem a tona de um jeito ou de outro.

Como foram as gravações no Olympic Studios (Stones, Zeppelin e Hendrix) e no Monnow Valley (Sabbath e Judas Priest)? Li que vocês sentiram alguma presença fantasmagórica?

As gravações foram excelentes, estávamos super-inspirados no Olympic, que é um estúdio fenomenal. Você pode sentir a alma da música que foi feita por lá. No primeiro dia que fui no estúdio 1, vi onde os Stones gravaram Sympathy for the Devil.  Imagina, Led Zeppelin e Jimi Hendrix... Com certeza os espíritos nos deram uma forçinha.

O Monnow Valley tambem é legal, mas é definidivamente mal assombrado. Alguns dos meus companheiros sentiram a presenca de espíritos e não quiseram ficar lá. Eu vi a lareira (que o Ozzy supostamente atacou com um machado) quando esteve por lá na década de setenta

Você acredita que as inúmeras críticas favoráveis ao disco “Rise” criaram uma boa expectativa em torno do próximo album? Vocês se sentem obrigados a produzir um álbum ainda melhor?

Certamente expectativas foram criadas. Nós queremos progredir sempre, fazer com que o os discos sejam cada vez melhores que os anteriores. Desde que gravamos o Rise, evoluímos muito enquanto banda.  Aperfeiçoamos as letras e a produção, viajamos bastante, tocamos em diferentes países.  Com certeza o próximo disco será melhor e mais abrangente que o o Rise.

Vocês tocam classic rock, tem cabelos compridos e provavelmente são colecionadores de vinil.  Então como foi viver na década de noventa?

Os 90 não foram favoráveis a um gosto como esse, eu suponho. Os anos noventa comecaram bem em termos de rock. A era grunge foi boa.  Bandas como Soundgarden, Nirvana, Alice in Chains, Janis Addiction e Red Hot Chilli Peppers, todos desta época, fizeram um somzão. Com o passar dos anos a coisa mudou mas os movimentos posteriores Britpop e Nu-metal deixam muito a desejar.

Vocês estão planejando conquistar a América em breve ou você acredita que existe algum tipo de maldição contra os irlandeses neste país? O Thin Lizzy lutou muito mas nunca conseguiu vencer esta batalha.  Você acredita que que as bandas britânicas são tão peculiares que jamais serão digeridas inteiramente pelo povo americano?

Eu acho que o tipo de música que fazemos será muito bem aceita na América por causa das nossas raizes bluesísticas. Na verdade o bom rock and roll é universal. Participamos do Festival South by Soutwest no Texas e obtivemos uma reação favorável do público. Gostaríamos de voltar.

Eu li isso em uma entrevista na revista Classic Rock: “Na primeira aula da escola de música eles nos deram instrumentos para tocar, e para relaxar. Me deram um instrumento brasileiro muito estranho com quatro cordas (declaração de Cormac).” Provavelmente samba, o nosso ritmo popular. Você se lembra dessa matéria?

Engraçado... Era um cavaquinho mesmo!  Estudávamos música brasileira, e tocávamos com um grupo uma vez por semana. Às vezes arriscávamos uma bossa-nova.

“Você precisa acreditar, você tem que acreditar” é um refrão de uma de suas composições. Quais são os seus votos e sugestões para que as pessoas sejam mais felizes?

Desejo saúde a todos para que encontrem algo que gostem de fazer e que ponham toda a sua energia nisso. Gostaria que as pessoas fossem mais gentis umas com as outras, que ajudassem o próximo. Eu sugiro que todos assistam a um show do Answer que a vida será melhor, nem que seja somente por algumas horas.

Na sua opinião qual é a melhor banda britânica, irlandesa e americana de todos os tempos?

A melhor banda irlandesa é o Thin Lizzy, britânica o Led Zeppelin e americana o Aerosmith.

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Sobre Carlos Lopes

Carlos Lopes é jornalista, músico, produtor e escritor. No início dos anos 80, ele fundou uma das bandas de metal mais populares do Brasil, a Dorsal Atlântica, onde era guitarrista, compositor e vocalista. Foi a primeira banda da América do Sul a fundir punk e metal. Entre 1981 e 2001, gravou oito discos com a Dorsal, sendo o último produzido na Inglaterra. Em 2005 regravou o primeiro álbum da Dorsal (Antes do Fim), que foi eleito pelos leitores da revista Rock Brigade como um dos melhores trabalhos da temporada. Há seis anos comanda duas bandas de rock, a Mustang e a Usina Le Blond, cada uma já com três CDs de estudio. Como jornalista e escritor, colaborou desde cedo com desenhos e textos para várias publicações e fanzines. Formou-se em Jornalismo na Faculdade da Cidade no Rio de Janeiro. Desde 2006, edita o site www.omartelo.com.

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