Originalmente um capítulo do livro “Country”, lançado em 1977 e inédito no Brasil, “Criaturas Flamejantes” (Conrad), de Nick Tosches, resgata a origem marginal do rock numa viagem aos confins dos Estados Unidos do final do século XIX até meados da década de 1950.

O que se sabe é que antes de Bill Haley e Chuck Berry havia Fats Domino e Hank Williams – e antes desses, muitos outros que emergiram do R&B e da country music, mas que não faziam exatamente nem uma coisa nem outra: honky-tonk, hillbilly boogie, jump blues e boogie-woogie eram desdobramentos que prenunciavam um novo tipo de música incendiária.
Se no início do século XX o jazz era considerado “música indecente, viciosa e com potencialidade de dano enorme”, conforme trecho de um artigo de 1917 citado no começo do livro, o que viria depois causaria um “estrago” permanente nas gerações seguintes. E se havia um personagem que incorporava esse espírito transgressor nos anos primordiais do rock, seu nome era Jerry Lee Lewis.
Depois de Elvis, Lewis foi o artista mais bem sucedido da Sun, gravadora que também revelou Johnny Cash. De fato, não era apenas o estilo musical do intérprete de “Great Balls Of Fire” que representava uma ameaça aos bons costumes; seu perigo era real, inclusive com inúmeros episódios de tentativa de homicídio. Até o rei do rock foi alvo do ímpeto desenfreado de Lewis, que também tinha (ou ainda tem) uma rixa histórica com Chuck Berry (em 1982, Tosches lançou “Hellfire”, biografia de Jerry Lee Lewis, também inédita por aqui).
Mesmo publicado parcialmente, “Criaturas Flamejantes” dá boas pistas para quem quer saber um pouco sobre a gênese do rock e sobre a música popular estadunidense de modo geral – uma história com muitos anti-heróis e poucos mocinhos, da qual o autor, além de investigador, também é testemunha ocular.
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Genilson Alves é jornalista e autor do blog Radio Sehnsucht.
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