No ano em que os Rolling Stones completam meio século de estrada, as prateleiras das livrarias e as lojas virtuais são tomadas por uma avalanche de títulos dedicados à banda. Muitos lançamentos – como duas biografias de Mick Jagger, escritas por Bob Spitz e Christopher Andersen, respectivamente – e outras obras não tão recentes despertam a curiosidade dos fãs e do público em geral. E graças ao destaque que a celebração ganhou na mídia, ainda há espaço para os oportunistas de plantão, que buscam lucrar em cima de qualquer produto relacionado ao grupo.

No geral, o livro nada mais é do que uma compilação de frases do músico transformadas em “ensinamentos”, o que já fica claro no primeiro capítulo, “Os 26 Dez Mandamentos de Keith Richards”. E é tudo mais ou menos nessa linha: “O que Keith faria?”, “Keith e Nietzsche”, “A perspicácia e a sabedoria de Keith Richards”, e assim por diante. À primeira vista parece divertido, mas a leitura vai se tornando maçante a cada página, justamente por essa forçada de barra da autora em laurear qualquer coisa dita (ou mesmo não dita) pelo rolling stone, por mais que o intento aqui seja soar caricato. Provavelmente o próprio Keith não aprovaria a ideia de ser um exemplo a ser seguido.
Depois é apenas enchimento de linguiça, como uma lista de curiosidades (a maioria inútil) sobre Keith Richards e uma retrospectiva de sua vida e obra, fechando com a receita do prato favorito (?) do inspirador do personagem hollywoodiano Jack Sparrow.
Temos, portanto, mais um artigo destinado apenas aos colecionadores, e, mesmo assim, está longe de ser um item obrigatório. Ainda que de forma involuntária, há algo em comum entre “O que Keith Richards faria em seu lugar?” e a literatura de autoajuda: trata-se do tipo de obra que não mudará a vida de ninguém – e engordará a conta bancária de quem escreveu.
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Genilson Alves é jornalista e autor do blog Radio Sehnsucht.
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