Lynyrd Skynyrd, Ronnie Van Zant and Me... Gene Odom - Scott Coner

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Lynyrd Skynyrd, Ronnie Van Zant and Me... Gene Odom - Scott Coner


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O show do LYNYRD SKYNYRD no SWU 2011 provou o quanto os fãs da banda permaneceram (e ainda permanecem) desamparados no Brasil. O grupo nunca havia se apresentado na América Latina e os seus discos – considerados clássicos definitivos sob a tutela de Ronnie Van Zant e que contam atualmente com o suporte de grandes gravadoras – enfrentam a mesma dificuldade para entrar no país. Portanto, os que apreciam o maior expoente do southern rock norte-americano precisam procurar material sobre a banda no exterior. O livro “Lynyrd Skynyrd, Ronnie Van Zant and Me... Gene Odom” é apenas mais um exemplo do que existe sobre a banda sem versão para o mercado nacional.

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O tamanho minúsculo de “Lynyrd Skynyrd, Ronnie Van Zant and Me... Gene Odom” – menos de cem páginas de texto – deixa claro que o livro não pode ser considerado uma biografia da banda e tampouco uma do seu ex-líder. Na verdade, a obra é apenas um pequeno conjunto de memórias do desconhecido compositor Scott Coner, que cresceu ao som dos clássicos do LYNYRD SKYNYRD e por muito tempo foi próximo de Gene Odom.

Para quem não sabe, Gene Odom era o road manager da banda e o melhor amigo de Ronnie Van Zant. Os dois cresceram no mesmo bairro em Jacksonville (Flórida) e estudaram no mesmo colégio – juntamente com Garry Rossington – além de estarem no mesmo bimotor Convair 240 na fatídica tarde do dia 20 de outubro de 1977. O que Scott Coner faz em “Lynyrd Skynyrd, Ronnie Van Zant and Me... Gene Odom” é contar um pouco da história do seu parceiro com o LYNYRD SKYNYRD como pano de fundo.

A obra é dividida em capítulos curtíssimos e que não ultrapassam três páginas cada. A estrutura dinâmica é um inusitado facilitador para quem ainda enfrenta certa resistência para ler em inglês. Porém, o livro peca por dois motivos: por ser rasteiro demais e por possuir um tratamento gráfico muito feio. A capa desenhada pela filha de Scott Coner se mostrou inadequada para o projeto, assim como a fonte que foi escolhida para o texto interno.

Embora possua uma versão em capa dura, “Lynyrd Skynyrd, Ronnie Van Zant and Me... Gene Odom” deve ser apontado apenas como um bom item para colecionadores. O livro não é recomendado para quem almeja conhecer a fundo a carreira do LYNYRD SKYNYRD ou para quem apenas quer enfeitar a sua estante com mais uma biografia. O trabalho de dois anos do autor provavelmente deve decepcionar os mais fanáticos pelo conjunto norte-americano.

O prólogo de “Lynyrd Skynyrd, Ronnie Van Zant and Me... Gene Odom” evidencia que pouco o LYNYRD SKYNYRD vai de fato aparecer no relato de Scott Coner. Como o autor indica, o tema do livro é a amizade. As histórias de bastidores – e dos abusos mencionados na contracapa – aparecem apenas por cima. Porém, o que pode parecer banal na vida de qualquer pessoa ganha importância na de Gene Odom por causa de Ronnie Van Zant. Os dois cresceram juntos em Jacksonville e saíam com frequência para pescar e jogar futebol americano. Por muito tempo, Ronnie sempre considerarou o sucesso um sonho distante. Porém, muita coisa mudou quando Gene Odom um dia ouviu “The Ballad of Curtis Loew” na rádio de um supermercado. O seu melhor amigo era de faoto uma das maiores estrelas do rock norte-americano e tinha a popularidade suficiente para se candidatar a governador da Flórida. O road manager do LYNYRD SKYNYRD acreditou que isso aconteceria no futuro.

A vida pessoal de Gene Odom é o que ganha o foco principal na maioria dos capítulos. A infância humilde de Gene era praticamente o oposto da vida tranquila da família Van Zant. Como metalúrgico e soldador profissional, Gene Odom precisava sair de casa sempre cedo. Para ele, era um pouco estranho ouvir a banda do seu amigo no rádio. O ano era 1972 e o LYNYRD SKYNYRD deixava de ser apenas um sonho de Ronnie para ser tornar um dos principais expoentes do southern rock nos Estados Unidos. Entretanto, o vocalista sempre encontrava uma brecha na agenda para retornar a Jacksonville e para sair para pescar com Gene Odom. Por isso, não foi de se estranhar o dia em que Gene foi convidado para ser o guarda-costas da banda e road manager da turnê do disco “Second Helping” (1974). Os dois pareciam que nunca mais se separariam.

A única história verdadeiramente curiosa de “Lynyrd Skynyrd, Ronnie Van Zant and Me... Gene Odom” envolve Ronnie Van Zant e a sua mãe. O adolescente David Tarter se tornou um dos fãs mais notáveis da banda ao ponto de se corresponder por carta com a matriarca Marion Van Zant. Em uma surpresa arquitetada por Marion e Gene, a banda visitou o jovem em Richmond (Virginia) em meio a turnê de “Gimme Back My Bullets” (1976). Porém, os problemas internos do LYNYRD SKYNYRD eram visíveis desde que o disco ao vivo “One More from the Road” (1975) foi gravado um ano antes. O excesso de álcool e de drogas – que infelizmente não é explorado por Scott Coner apesar de saber muita coisa a respeito do assunto – indicava que a banda precisava de uma nova postura se quisesse seguir adiante. O divorciado Gene Odom foi morar com Leon Wilkeson e a dupla Ronnie Van Zant & Gary Rossington prometeu abusar menos da sorte. O resultado do comprometimento foi o aclamado disco “Street Survivors” (1977). O LYNYRD SKYNYRD vivia o seu auge no ano em que adquiriu o seu bimotor Convair 240 particular.

A virada que “Lynyrd Skynyrd, Ronnie Van Zant and Me... Gene Odom” dá a partir do acidente aéreo que matou Ronnie Van Zant e o guitarrista Steve Gaines – além de Cassie Gaines e de outros dois membros da equipe – é impressionante. O sentimento de culpa de Gene Odom é uma coisa que provavelmente poucos imaginavam. Na noite anterior ao acidente, o motor direito do Convair 240 deu o primeiro indício de que o desastre aconteceria ao iluminar o céu de Greenville (Carolina do Sul) com uma bola de fogo. Os momentos de pânico da tarde do dia 20 de outubro de 1977 certamente correspondem ao ápice do livro. Com detalhes, Scott Coner conta que Gene foi à cabine para buscar detalhes sobre o pouso de emergência que era programado e que o road manager precisou acordar Ronnie Van Zant para contar o que estava acontecendo. Em um primeiro momento, o vocalista achou que tudo não passava de uma brincadeira.

O que Scott Coner deixa claro é que Ronnie Van Zant poderia ter sobrevivido ao acidente se não estivesse na parte da frente do Convair 240 junto com Steve Gaines e próximo ao piloto e ao copiloto da aeronave. O vocalista foi o primeiro a morrer – antes mesmo da chegada do resgate – que demorou impressionantes quarenta e cinco minutos até o local da queda. O baterista Artimus Pyle e outros dois roadies do grupo foram os únicos que não precisaram de auxílio médico. A dupla de guitarristas Gary Rossington e Allen Collins – juntamente com Gene Odom – necessitou ser encaminhada de helicóptero para um hospital mais distante por causa da gravidade dos ferimentos. Como no livro, a história de Ronnie Van Zant se encerra tragicamente às seis e meia da tarde do dia 20 de outubro de 1977.

O restante da obra aborda os dias difíceis de Gene Odom após o acidente. Ele precisou ficar meses internado em um hospital por conta de inúmeras fraturas e queimaduras. O road manager do LYNYRD SKYNYRD – que mais tarde excursionaria novamente com a banda em uma espécie de tributo ao amigo Ronnie Van Zant – perdeu o olho esquerdo no acidente. Embora o grupo tenha retomado as atividades sob o nome ROSSINGTON COLLINS BAND e posteriormente mais uma vez como LYNYRD SKYNYRD, Gene Odom se sentiu por muito tempo predestinado a sofrer. Como Allen Collins que faleceu em decorrência de um acidente automobilístico nos anos oitenta, Gene quase morreu por conta de uma espécie de toxoplasmose mal diagnosticada. O rompimento com a esposa Lori Odom também o acertou em cheio: Gene Odom precisou ser internado em um hospital psiquiátrico após tentar assassinar a ex-mulher. Ele ainda precisou se aposentar precocemente por invalidez após um acidente de trabalho no início de 1990.

Com o complemento de poemas escritos por Gene Odom e onze páginas de foto de Ronnie Van Zant e do LYNYRD SKYNYRD, “Lynyrd Skynyrd, Ronnie Van Zant and Me... Gene Odom” encerra com a tentativa de mostrar o quanto Gene é uma boa pessoa – apesar de todos os conflitos internos e problemas recentes. O autor confessa também no último capítulo a infeliz falha da sua obra. Por saber muita coisa, Scott Coner afirma que selecionou apenas um pedacinho de cada coisa para incluir no livro e preferiu preservar o que existia de mais polêmico. Porém, ele toma as dores do amigo e revela a mágoa por Garry Rossington nunca ter procurado Gene Odom nos últimos trinta anos. O livro “Lynyrd Skynyrd, Ronnie Van Zant and Me... Gene Odom” saiu em 2011 pela editora norte americana IUniverse e pode ser encomendado na Livraria Cultura por R$ 39,90 ou adquirido na Amazon por US$ 12,95. Para quem quiser conhecer Gene Odom, é o ex-road manager é quem explica como aconteceu o acidente aéreo do LYNYRD SKYNYRD no vídeo abaixo:


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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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