Desde que Elvis Presley deu as suas primeiras reboladas o rock se mostrou um campo fértil para o nascimento de ídolos capazes de mexer com a imaginação das mulheres como nunca havia se visto no universo da música. Mas até onde vai a adoração do sexo feminino pelos astros de rock? No caso de Pamela Miller a veneração ia até a cama do músico que cruzasse a sua frente e lhe parecesse sexy ou que no momento estivesse em ascensão, lotando estádios durante os shows e vendendo discos como se fossem água.

Dona de um comportameto capaz de fazer corar os mais conservadores ainda nos dias de hoje, Pamela Miller pode ser considerada uma das mulheres pioneiras da revolução sexual ocorrida na década de 60 nos Estados Unidos. É claro que o fato de ela ter vivido na Califórnia durante o auge do movimento hippie e do espírito então reinante do "faça amor não faça guerra" ajudou-a a encarar muitas caronas, viagens além-mar e muitas portas na cara somente para encontrar e "entreter" seus ídolos da música.
Mas não são apenas com suas peripécias sexuais que estão recheadas as 270 páginas do livro "Confissões de uma Groupie". A partir de anotações de seus diários, cartas e de um grande esforço de escavação da memória, Pamela Miller traz à tona suas impressões e comentários sobre como era a vida nos bastidores do rock numa época em que a música pop ainda não estava tão contaminada pelo "bom mocismo" que impera hoje na indústria fonográfica.
Relatos de brigas entre artistas, de festas invejáveis e de abusos no uso de drogas não faltam. Há também comentários sobre a performance (no palco, que fique claro) de muitos artistas em pleno auge. "O Led Zeppelin ao vivo era um evento sem igual na história da música. Eles tocavam mais e com mais vontade que qualquer outro grupo já tinha feito, mudando totalmente o conceito de shows de rock", escreve a groupie mais famosa do planeta com a autoridade de quem viu muitas apresentações da banda sentada sobre os amplificadores de Jimmy Page.
É claro que a vida de "garota que sai com caras de bandas de rock" (uma definição curta e grossa do termo groupie) nem sempre era tão colorida. Afinal, correr atrás dos seus ídolos exigia um tempo desgraçado, o que impedia a nossa heróina de ter um emprego fixo o que resultava na óbvia falta de grana - problema que era amenizado com a confecção de camisas de cowboy que eram vendidas para músicos de Hollywood ou trabalhando como babá na casa de Frank Zappa.
Com ou sem grana, Pamela Miller (que virou Pamela Des Barres, depois de se casar com Michael Des Barres no final da década de 70), construiu uma das biografias mais polêmicas, extravagantes e controvertidas da história do rock, onde também tentou deixar a sua marca com a banda de groupies GTO - que acabou dando em nada.
Para muitos, a vida de Pamela Miller poderia ser considerada uma sucessão de contatos íntimos com falos de roqueiros famosos. Porém, ela não aceita essa condição e na sua autobiografia deixa claro que na sua vida não existe espaço para arrependimentos: "eu me considero uma feminista verdadeira do início dos direitos das mulheres, porque estava fazendo exatamente o que queria. Eu amava a música e os homens que a faziam (...). Eu queria estar perto dos homens que me faziam sentir tão bem, e nada ia me impedir". E de fato ninguém impediu, já que nem o mais resistente zíper foi capaz de conter o ímpeto de Pamela em mostrar aos músicos todo o seu amor ao rock 'n' roll, agora revelado para os brasileiros neste imperdível "Confissões de uma Groupie".
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