Steve Grimmett: primeira entrevista para o Brasil após amputação da perna

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva, Fonte: Daniel Tavares
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Steve Grimmett, vocalista do GRIM REAPER (ou do Steve Grimmett's Grim Reaper, como a banda tem se chamado por questões legais) passou por um dos momentos mais difíceis de sua vida recentemente. Diabético, Steve teve parte da perna esquerda amputada em janeiro devido a uma forte infecção diagnosticada após um show na cidade de Guaiaquil, no Equador. De volta à Inglaterra e sempre acompanhado da esposa, Amelie Grimmett (que muito gentilmente nos ajudou com esta entrevista exclusiva, lendo as perguntas para Steve e gravando suas respostas), Steve começa a se preparar para os novos desafios que a vida de amputado trarão, inclusive deixando conselhos para os diabéticos: "não neguem a doença, os remédios não são milagrosos". Mas não deixa a música de lado: "espero que não demore muito pra voltar, pois eu quero ver vocês", disse na entrevista que você lê agora.

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Daniel Tavares: A primeira e mais importante questão neste momento: como você está?

Steve Grimmett: Estou muito bem, obrigado, considerado o que aconteceu, estou indo bem.

Daniel Tavares: Como você se sente ao estar de volta à Inglaterra outra vez?

Steve Grimmett: Bem, de modo que agora posso falar com minha família, ver minha família. E isso ajuda muito.

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Daniel Tavares: Como foram estes dias no Equador? Não apenas sobre o Hospital, mas quanto à hospitalidade do povo no Equador, como você foi tratado? Fiquei feliz quando vi uma foto sua em uma loja de artigos de rock.

Steve Grimmett: A hospitalidade do povo do Equador foi fantástica. Eu não posso reclamar disso. Olhando ainda agora, os fãs foram absolutamente brilhantes, os caras que estavam cuidando de mim, especialmente o pessoal da embaixada, foram fantásticos. Eles foram tão entusiásticos. E eu estou falando dos fãs, do pessoal do hospital, dos doutores, eles foram absolutamente fantásticos, me tratando tão bem. Foi inacreditável. Eu nunca fiquei desassistido por qualquer período de tempo. [Foram] Ótimos, brilhantes.

Daniel Tavares: Como sua vida será no futuro próximo? Como você vê as próximas semanas em casa? Vocês já estão procurando uma prótese, pensando nas adaptações à sua casa, um novo carro, etc?

Steve Grimmett: Sim, obviamente minha vida vai mudar. E já mudou. Uma perna protética é inevitável e eu já comecei o treinamento para isso, mas não estou realmente certo exatamente de quando vou poder usar. Esperançosamente vou encontrar uma logo. Então, vai ser diferente, vai ser muito duro conseguir. Então, mantenham as orações por mim porque eu sei que não vai ser fácil, de forma alguma.

Daniel Tavares: Muitos artistas muito conhecidos, Gary Holt (SLAYER, EXODUS) Tim Ripper Owens (ex-JUDAS PRIEST), DORO Pesch, Lips (ANVIL), Neil Turbin (DEATHRIDERS), Bobby Blitz (OVERKILL), John Gallagher (RAVEN), Mantas (VENOM) e, por último mas não menos importantes, Sy Keeler (do ONSLAUGHT, uma banda em que você já tocou no passado), Blaze Blayley (que cantou para o IRON MAIDEN, uma banda em que você poderia ter tocado) e seu amigo Nick Bowcott (que começou o GRIM REAPER com você) estarão tocando uma canção do GRIM REAPER como uma iniciativa para levantar fundos para o seu tratamento. Como você vê a iniciativa e que novidades você tem sobre ela. Especialmente sobre estes três últimos nomes que citei, o que você pode dizer sobre estes amigos? [Nota: Steve preferiu não falar sobre as companhias de seguro saúde, que segundo notícias veiculadas teriam se negado a pagar pelo tratamento]

Steve Grimmett: Falando honestamente com você eu me sinto lisonjeado por toda a coisa, porque a primeira coisa em que pensei foi, bem, a primeira coisa que pensei foi que não sabia que gostavam tanto de mim, através de todo o negócio. Então, este foi o primeiro choque que tive. E não tenho nenhuma novidade para você porque eu não tenho nada a ver com isso, de qualquer forma. São três canções, para ser justo, são três canções. Isso eu sei, que canções são. "See You In Hell", "Fear No Evil" e "The Show Must Go On". Eu sei que existem algumas outras pessoas que estão realmente envolvidas, mas quando elas se envolveram eu não sei. O que está acontecendo é que será um EP de sete polegadas e haverá um número limitado delas, serão setecentos EPs e então, depois disso, eu acho que você pode adquirir a versão em download. É fantástico saber que esses caras se juntaram por mim e, sabe, eu tiro o chapéu pra eles e se precisarem de algo de volta, podem contar comigo. É fantástico. Obrigado.

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Daniel Tavares: Sobre música agora, as pessoas esperaram uma vida inteira por um novo álbum do GRIM REAPER e poucos meses depois do lançamento de "Walking in Shadows", esta situação aconteceu. Entretanto, como você viu a reação a este álbum tão aguardado do GRIM REAPER? E você tem alguma previsão de quando estará pronto para reiniciar a turnê?

Steve Grimmett: O lançamento do álbum foi, sim, absolutamente fantástico. E a recepção, as resenhas, tudo tem sido absolutamente fantásticos, eu não tenho visto nenhuma ruim, pra ser bem sincero. Então, sim, foi muito aguardado. E sim, foi desapontador que a turnê tenha chegado a um fim, mas eu acho que pensávamos em seis meses pra continuar, talvez menos que isso, eu não sei. E a resposta sobre quando poderíamos recomeçar é, realmente, eu não sei, por que eu não sei quanto tempo vai levar para que eu aprenda a andar com uma prótese nova, porque até lá é só dor. Então eu não sei o quanto eu vou aguardar, então essa vai ter que ficar em aberto. Eu tenho fé que não leve tanto tempo, porque tínhamos um monte de shows agendados e, sabe, eu quero ver vocês.

Daniel Tavares: O que você diria para todo mundo que tem diabetes? Alguma mensagem, alguma palavra? Minha irmã também tem diabetes. Nós descobrimos no final do ano passado. Ela ainda está se adaptando a uma nova rotina.

Steve Grimmett: Sim. Tomem nota do que disserem os médicos e de todos os conselhos que vocês tiverem, porque [suspiros] eu sabia que eu era diabético. Sabe, você pode viver em negação. E este é o tempo em que você não pode viver em negação. Este é o tempo que você tem que fazer algo sobre isso. Eu sei que muitos de vocês, caras, neste momento estão dizendo: sim, eu estou fazendo isso, tomando aquilo, fazendo isso, tomando aquilo, e sabe, no fim do dia pensam que os remédios são uma coisa milagrosa. E, sabe, eles não são. Você tem que sair de si mesmo e, sabe, sair dessa negação, porque ela está matando você.

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Daniel Tavares: Vamos fazer uma entrevista curta. Prepare-se para uma maratona de 20 questões em, digamos, daqui a 365 dias, ok? Por favor, deixe uma mensagem para todos os seus fãs brasileiros que rezaram por você (quaisquer que sejam as suas religiões) ou que o mantiveram no pensamento e lhe desejam uma plena e rápida recuperação de todos esses problemas. Por favor, também nos diga como podemos ajudar. E, pessoalmente, eu estou honrado de falar com você e desejo que você mantenha o seu espírito elevado como tem demonstrado até aqui. Tudo de bom, de Fortaleza e do Brasil.

Steve Grimmett: Tudo o que posso dizer é que vocês tem sido tremendos em seu apoio e eu não posso lhes agradecer o suficiente. Tudo o que eu posso lhes pedir é para ser pacientes um pouco mais e nós vamos voltar para vê-los em breve. Muito obrigado novamente. Nós amamos vocês, todos vocês. Cuidem-se.

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Agradecimentos: Amelia "Millie" Grimmett, que nos ajudou na condução desta entrevista.

Créditos das fotos: divulgação ou Facebook do próprio Steve Grimmett

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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