Whiplash.NetMenuBuscaReload

Orquídea Negra: "Somos Frutos de Muita Teimosia, Muitos Sonhos"

 Compartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Por Carlos Garcia, Fonte: site Road to Metal
Enviar correções  |  Comentários  | 

Comemorando 30 anos de estrada, o Orquídea Negra vem tendo seus 3 primeiros álbuns relançados pelo selo Dies Irae, em edições com muitos bônus e encartes especiais. Além disso, a banda está preparando um documentário sobre sua história. Um pouco dessa história o baixista Robson Anadon contou em entrevista ao site Road to Metal, onde fala sobre esses 30 anos, e em uma frase sintetizou a história da grande maioria das bandas de Metal: "Somos frutos de muita teimosia, muitos sonhos".

Metal Catarinense: 10 bandas para se conhecer [Parte 1]Traduções: Letras de rock relacionadas a ocultismo e satanismo

Confira trechos da entrevista, e conheça um pouco mais desta pioneira e grande banda do Heavy Metal nacional, a primeira banda do estado de SC a gravar um LP de Metal.

RtM: Para começar, vamos falar dos primeiros álbuns, que estão sendo relançados, inclusive o debut pela primeira vez em CD, e com vários atrativos. Vamos começar com o “Who’s Dead” (lançado em LP originalmente em 1992, pelo selo Acit), que já está disponível, e muitos poderão ter contato com esse trabalho, que na época vendeu cerca de 5 mil cópias. Descreva pra gente, como foi a sensação de realizar o sonho de gravar o primeiro trabalho, e se vocês esperavam a repercussão que teve na época?

RA: A sensação da primeira vez, seja no que for, é sempre maravilhosa e muito gratificante. Foi algo muito animador para a banda, pois nunca tínhamos entrado num estúdio de verdade antes. Então você pode imaginar uma galerinha nova, cheia de vontade, cheia de sonhos, começando a gravar seu primeiro LP. Coisa antes que só tínhamos em mãos, os dos nossos ídolos, e agora teríamos o nosso!!! Com nossas próprias músicas, que tanto ensaiamos, dia após dia, todas as noites na casa do Boca (vocalista). Foi algo que certamente nos deixou muito felizes, ainda mais por que estávamos em São Paulo, onde tudo acontecia no metal nacional. Sem falar que estávamos sendo produzidos pelos Mário e Wally Garcia, da banda Garcia e Garcia que faziam uma sonzeira infernal na época.

RtM: Conte-nos um pouco mais dessa primeira experiência em estúdio, das gravações, que ocorreram em São Paulo. Como eram as condições?

RA: Fomos para São Paulo, em fevereiro de 92 , passar umas semanas. Ficamos num hotel em Pinheiros (se é que podíamos chamar de hotel), os 5 da banda mais um amigo todos no mesmo quarto, com apenas duas camas. Não lembro em qual bairro ficava o estúdio Macan que era da Márcia Casanova. Era um estúdio de 16 canais, era simples, porém eficiente. Íamos de ônibus todos os dias pela manhã para o estúdio. Fazíamos um lanche por lá mesmo na hora do almoço. Não tínhamos a mínima noção de como era o processo de gravação, se fosse hoje, certamente a sonoridade teria saído um pouco melhor.

Imagem

RtM: Dificuldades bem típicas da época. E apesar disso você acredita que conseguiram reproduzir no álbum o que vocês queriam e eram em termos de sonoridade?

RA: Tivemos que alugar uma bateria por lá mesmo, que não era de muita qualidade, era super caseira, mas deu para quebrar o galho. As guitarras não foram gravadas com amplificadores (o que não repetiríamos hoje, certamente) foi gravada com um Zoom, que era um pedal de efeitos que nosso guitarrista Vinícius usava na época, que era acionado por um controlador grudado ao corpo da guitarra. Funcionava como um pré amp, pois você podia colocar um fone de ouvido e usá-lo. Ele foi ligado diretamente na mesa. Em termos de sonoridade não posso afirmar que era bem o que queríamos, mas em termos da composição em si, ficou exatamente como queríamos.

RtM: Falando um pouco mais do retorno do “Boca”, como foi que se deu essa volta, e acredito que também tenha sido um dos fatores pra trazer um novo ânimo, reativando o núcleo criativo do início, e que culminou no novo disco? E se houve desavenças no passado, foram superadas, e reacendendo a velha química!

RA: Certamente!!! A volta dele nos deu um grande ânimo, pois é um grande compositor. Ele não pode nos ouvir fazendo algum riff que já vem com uma letra e já começamos a compor algo novo, o que é algo natural para nós. O que acontece praticamente em todos os ensaios. Nesse momento já estamos com algumas músicas novas prontas, que serão gravadas em breve, pois a química que rola entre nós é incrível. Todo ensaio rola algum esboço para uma nova música. A entrada do novo baterista (Raphael Marini) também deu uma grande oxigenada na banda, influenciando muito nas novas composições, pois ele vem de uma escola um pouco diferente da nossa, além de ser o mais novo, trouxe muito gás à banda. E sobre desavenças do passado, nunca houve, a amizade entre o André e a banda sempre existiu.

RtM: Fiz uma resenha do “Blood of the Gods”, e coloquei que foi “uma espera que valeu a pena”, porque realmente é um álbum que tem muitas músicas muito boas, daquelas que dá vontade de colocar no “repeat”, e que ficam na cabeça. Você acredita que esse tempo somente compondo e amadurecendo as músicas contribuiu para isso? Somada a vontade da banda em voltar a gravar coisas novas?

RA: Só temos a te agradecer pela excelente resenha, super detalhada. Até nós já estávamos loucos para ter um CD novo em mãos, para podermos ouvir. Pois como disse uma vez em entrevista numa rádio, somos a nossa maior influência. Sobre as músicas novas, na verdade compusemos acho que em questão de meses. Logo após o retorno definitivo do André à banda, já começamos a compor as músicas e a tocá-las ao vivo. Assim como já estamos tocando material novo nos shows, para que o público já vá se acostumando com essas novas músicas. Eu acho que a vontade que estávamos de gravar coisas novas nos fez trabalhar bastante nessas músicas, pois sempre vamos polindo com o tempo, acertando detalhes aqui e ali, vendo o que funciona bem, o que nos agrada. Até que decidimos que estamos todos satisfeitos, que está ok, aí não mexemos mais.

RtM: 30 anos de carreira, qual o sentimento por alcançar essa marca? E o que você acha que poderiam ter feito de diferente, que talvez pudesse ter sido melhor para a carreira da banda?

RA: Pois é, 30 anos não é pouca coisa lutando na independência. Estamos aí, pois somos frutos de muita teimosia, de muitos sonhos. Acredito que logo que lançamos o primeiro trabalho, se tivéssemos nos mudado para um centro maior como São Paulo, e tocado bastante por lá, muita coisa certamente teria sido diferente para nós. Mas acredito que tudo acontece ao seu tempo. Se não aconteceu nada ainda de grande para nós, ou não é para ser, ou ainda está por vir. Vamos continuar na luta.

Confira a entrevista na íntegra no site Road to Metal:

http://roadtometal.com.br/2017/01/entrevista-orquidea-negra-...

Quer ficar atualizado? Siga no Facebook, Twitter, G+, Newsletter, etc

GosteiNão gostei

 Compartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Metal Catarinense
10 bandas para se conhecer [Parte 1]

Metal Catarinense
10 bandas para se conhecer [Parte 1]

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Todas as matérias da seção EntrevistasTodas as matérias sobre "Orquídea Negra"

Traduções
Letras de rock relacionadas a ocultismo e satanismo

Queen
A declaração musical de ódio de Freddie Mercury

Roda de Pogo
No show punk o objetivo é dançar uma dança peculiar

Dave Mustaine: a história por trás de "The Four Horsemen"Álbuns: os vinte piores discos de todos os temposMegadeth: o guitarrista que poderia ter ficado com a vaga de KikoMustaine: por que ele perdeu seu emprego no Metallica?Cuidado, Batman: Ozzy Osbourne está por pertoMetal: os 20 melhores discos de 2016 na opinião do PopMatters

Sobre Carlos Garcia

Antes de tudo sou um colecionador, que começou a cair de cabeça no Metal e Classic Rock quando o Kiss esteve no Brasil em 1983, a partir daí não parei mais. Criei fanzines, como o Zine Barulho, além de colaborar com outros zines e depois web zines e sites, como os saudosos Metal Attack e All the Bangers. Atualmente sou um dos editores e redator do Road to Metal. O melhor de tudo são as amizades que fazemos, além do contato e até amizade com alguns de nossos heróis.

Mais matérias de Carlos Garcia no Whiplash.Net.

Link que não funciona para email (ignore)

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em agosto: 1.237.477 visitantes, 2.825.604 visitas, 7.034.755 pageviews.

Usuários online