Orphaned Land: "Israel é mais que ódio, morte e guerras"

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Orphaned Land: "Israel é mais que ódio, morte e guerras"


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Quem acompanha o Whiplash.Net sabe que recentemente cobrimos o show da banda israelense ORPHANED LAND, quando passaram pela capital paulista precisamente no dia 30 de maio. Para a minha sorte fui responsável por escrever sobre aquele que foi para este que vos escreve um dos momentos mais especiais desde que me iniciei por aqui. Inclusive, quem estiver a fim de relembrar basta acessar o link logo abaixo.

Orphaned Land: em uma palavra? Memorável!

Pois bem, recentemente fomos bater um papo com a banda e saber alguns detalhes sobre seu mais recente trabalho de estúdio, “All Is One”. Aproveitamos e perguntamos acerca das impressões sobre o Brasil, a situação política e religiosa entre seu país e os árabes, bem como algumas outras curiosidades. Acompanhe nas palavras do simpaticíssimo guitarrista Chen Balbus.

Recentemente o Orphaned Land veio em turnê à América do Sul. As coisas funcionaram do jeito que esperavam?

Chen Balbus: Nos apaixonamos pelo Brasil e por toda a América do Sul. Foi uma experiência realmente memorável e uma das melhores turnês dentre as quais fizemos. Recebemos tantos presentes de fãs tão amáveis e provamos comidas maravilhosas. Uma pena não termos tido a chance de conhecermos mais lugares. Ficará para a próxima vez.

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Vocês acabaram de lançar “All Is One”, porém já gostaríamos de saber se é possível medir os prós à banda desde que o material chegou às prateleiras.

Chen: Até agora os comentários sobre “All Is One” foram fantásticos! As pessoas realmente acham que nos superamos e já o chama de “obra-prima”, veja você (risos). Eu sempre acreditei que este álbum iria nos abrir diversas portas, pois é menos complexo e possui um som mais “na cara”. Sendo assim os fãs puderam captar melhor nossa mensagem, bem como as músicas em si e as letras, naturalmente.

Penso que “All Is One”, mesmo menos rebuscado como você mesmo colocou, possui por outro lado um leque bem maior de texturas se comparado aos discos anteriores. Seria isso culpa sua e do Matan Shmuely (baterista), já que ambos chegaram recentemente?

Chen: Concordo com o que disse, inclusive sobre ser um pouco nossa “culpa” essa sonoridade mais ampla, digamos assim. Com a nossa entrada demos à banda todo um mundo de novas possibilidades musicais. Trouxemos bastante de nossas influências para “All Is One”, assim como todos ali. Pode ter certeza de que é um disco feito inteiramente com o coração, até porque estávamos tão motivados. Citando nomes, o álbum é bem Kobi (Fahri, vocalista), Uri (Zelha, baixista) e eu. Pré-produzimos do zero em meu estúdio caseiro, sendo que os dois me enviavam dezenas de e-mails todos os dias dizendo o que gostariam de modificar ou manter. No final tínhamos umas 15 versões de cada canção!

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Impressionante! Por falar nisso, “All Is One” foi gravado em três países diferentes: Turquia, Suécia e Israel. Por que tantos lugares? Alguma razão especial para tamanho serviço?

Chen: Três países com três supremacias religiosas distintas. A maioria das partes acústicas e os convidados foram registrados em Israel, pois não haveria como levar todos os músicos envolvidos à Suécia. A orquestra turca foi naturalmente gravada na Turquia, em especial para capturarmos aquela atmosfera deles que tanto buscávamos. Finalmente, mas não menos importante, guitarras, baixo, bateria e vocais foram feitos no Fascination Street Studios, na Suécia, onde pudemos contar com a ajuda do mestre Jens Bogren (nota do entrevistador: proprietário do estúdio, local que já abrigou bandas como Opeth, Kreator, Katatonia, Soilwork, Paradise Lost, Symphony X, Amon Amarth, Turisas, Draconian e diversas outras), que nos ajudou a conseguir o melhor som que o Orphaned Land já obteve até hoje. Se observar o título do disco, “All Is One”, nada melhor que unirmos tão distintas culturas já na concepção e registro do mesmo, concorda?

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Concordo plenamente. Deixa-me explorar um pouco mais esse tema sobre a concepção do trabalho em estúdio e perguntar como funciona o processo de composição no Orphaned Land.

Chen: Claro! Geralmente todos trazem ideias, incluindo algumas coisas gravadas nos aparelhos celulares, tipo quando cantarolamos alguma melodia, sabe? Tudo pode gerar algo bacana quando nos juntamos em uma sala, então tentamos evitar desperdícios. Mais tarde passamos a peneira em tudo e separamos o que de fato é possível trabalhar em cima, sendo que é permitido cada um comentar sobre as criações alheias. Chamamos isso de “Método Quebra-Cabeças” (risos), pois ao final é tudo uma compilação de pequenas partes oriundas de toda a banda. Você lembra quando eu comentei das 15 versões de cada canção mais acima? Vem disso... (mais risos).

Gostaria que comentasse sobre a relação do Orphaned Land com religião, seja ela qual for. Algumas pessoas erroneamente até tentam enquadrá-los no cenário white metal, algo sobre o qual discordo.

Chen: Não sou religioso, acredito que o poder esteja dentro de cada um e que ele é capaz de mudar o que está ao seu redor, por isso não gosto de imputá-lo a um ídolo ou algo assim. Como dissemos em uma de nossas canções, “somos o messias” (nota do entrevistador: Chen refere-se a “Our Own Messiah”, do novo disco). As religiões geralmente são mal interpretadas e basicamente promovem o ódio às diferenças. Mas não é este o propósito delas, pois são apenas um guia para aquela busca individual de evolução diária. Portanto, não interessa no que acreditemos, acima de tudo somos pessoas que precisam respeitar e amar uns aos outros, não importando o quão diferente possamos ser.

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Vocês são de Israel, mas é incrível a base de fãs árabes que admira o Orphaned Land. Isso não lhe parece insano?

Chen: Completamente insano, cara! Nossa história é uma das mais importantes de todo o Oriente Médio, se não do mundo. Na verdade esta banda tenta sempre mostrar que há mais que ódio e guerras em nossa região, enquanto os meios de comunicação preocupam-se em falar apenas de morte. Música é o mais forte poder que temos ao nosso lado nessa missão. Olha o nome aí de novo, “All If One”, casando perfeitamente com esta colocação. Uma única mensagem para unir os povos!

Sempre quis perguntá-los sobre a situação da banda dentro de Israel e arredores, bem como saber se o governo local já causou algum problema ao Orphaned Land.

Chen: Em geral, os israelitas não tem permissão de entrar na maioria dos países árabes, até porque eles nos consideram inimigos. Ambos os lados preocupam-se em defender-se ao invés de acharem soluções reais no intuito de resolver de uma vez por todas esse impasse. Acredito que quando pudermos visitar outros locais assim, que não só a Turquia, iríamos fazer isso no ato por conta dos fãs que temos naqueles lugares. Até tentamos conseguir vistos turcos na tentativa de alcançarmos essas pessoas. Aqui em Israel temos total apoio à nossa música, incluindo do governo, até porque vivemos em um país democrático, daí não ser tão complicado tocar metal por esses lados de cá.

Ainda sobre Israel, que bandas por aí chamam sua atenção?

Chen: Temos algumas bem legais que vem crescendo e realizando até tours, tipo Hammercult, The Fading, Salem e diversas outras, todas ajudando a espalhar o nome de nossa terra além das fronteiras.

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Vocês já experimentaram situações negativas com outras bandas ao redor do mundo?

Chen: Felizmente não, cara. Pelo menos nunca sentimos isso por parte de nenhum grupo. Pelo contrário, sempre que excursionamos recebemos toneladas de carinho por parte de todos, inclusive em apoio às mensagens que passamos.

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Alemanha, país onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar um Scum do Napalm Death, seguido de Substance do New Order ou Black Celebration do Depeche Mode, daí viajar no tempo com Stormbringer do Deep Purple, se acabar ao som do Bounded By Blood do Exodus e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo. Simples assim.

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