HIM: existe um limite para a escuridão de Ville Valo?

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HIM: existe um limite para a escuridão de Ville Valo?

Traduzido por John Wins | Fonte: Push To Fire

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O blog Push To Fire, conduzido por Meghan Player, teve acesso ao frontman do HIM para algumas perguntas, o sempre simpático Ville Valo respondeu tudo sobre uma diferente visão de como é compor algo tão universal e pessoal ao mesmo tempo.

Durante os últimos 20 anos, HIM tem mostrado o seu próprio estilo Love Metal para todo o mundo - inspirando uma legião de fãs e tatuagens de Heartagram ao longo do caminho. Com poucas semanas faltando para o lançamento de 'Tears On Tape', nós nos sentamos nas primeiras horas da manhã para conversar com o vocalista Ville Valo sobre a morte, amor e tudo mais.

No ano passado, a banda comemorou 20 anos com o lançamento de sua segunda coletânea 'XX: Two Decades of Love Metal' - um olhar retrospectivo para o passado versátil da banda. Enquanto para os fãs a compilação comemorava o quão longe a banda tinha chegado e crescido, a experiência para o vocalista Ville Valo parece ter sido muito mais difícil.

"Foi muito doloroso e chato", ele ri. "Você geralmente ouve apenas os erros quando se está na banda, então nós dizíamos 'oh, merda, por que fazemos isso todo dia?'"

"As músicas que tocam na turnê ficam mudando o seu significado para cada membro na banda", ele continua. "Às vezes eu acho que a ingenuidade é uma coisa boa também - é como olhar para uma antiga faixa a partir de um novo ângulo. Não é necessariamente uma coisa ruim. Mas depois há aquelas músicas que não tocávamos ao vivo, algumas delas soam muito estranho."

Apesar da relutância da banda e mesmo sendo embaraçoso revisitar o passado, Valo reconhece que o álbum foi uma celebração da carreira da banda, e um testemunho de sua longevidade.

"Como um bloco de trabalho, acho que a única coisa interessante é a forma como nós conseguimos ficar juntos por esse período de tempo, o que é quase metade de nossas vidas", explica. "É muito extraordinário ainda estarmos trabalhando com música, e ainda ficar animado sobre isso. Isso é muito selvagem."

Talvez uma motivação para continuar a história do HIM e certamente sua jornada, a banda está atualmente pronta para lançar seu oitavo álbum de estúdio, "Tears On Tape'' no final do mês.

Uma festa para os ouvidos e alma, o álbum mais uma vez, engloba a "assinatura" da banda - a relação entre amor e morte - dois assuntos em que Valo continua a encontrando inspiração renovada.

"O amor, em si, faz o mundo girar - e é a causa de muitos debates políticos e religiosos também. Há muito poucos temas para cantar de qualquer maneira", explica o cantor. "Você pode cantar sobre drogas, sexo, carros, política e religião - e eu acho que é sobre isso. Eu prefiro escolher as mais interessantes. Que é o amor, a morte do amor, o sentimento de saudade de perder e recuperar - o que pode ser interpretado como sendo parte de morte também. Eu gosto um pouco do drama. Eu acho que se a música e letra estão tão perto no dia-a-dia, eventualmente será algo chato. Eu gosto de coisas para serem maiores que a vida."

Sem dúvida, dois assuntos que têm constantemente inspirado o cantor, Valo admite que a "consistência" dos temas manteve seu processo criativo sem mudar drasticamente ao longo dos anos.

"Graças a Deus. Sempre foi sobre a auto-dúvida, a pressão terrível e muitas noites sem dormir", ele brinca. "É sempre um aborrecimento. Sempre tem seu preço, tanto fisicamente e mentalmente - e essa é a maneira que deve ser. Tem que ser um alívio uma vez que o álbum está pronto. Se você olhar para ele como um sentimento de rotina, então seria uma coisa completamente negativa."

Uma das características da banda, os contrastes entre melodias surpreendentes também permaneceram com "Tears On Tape'. Guitarras estrondosas abrindo caminho para compassos infatis - contrastes brilhantes entre luz e sombra. Para uma banda que, aparentemente, dançou na escuridão com o passar dos anos, ele, sem dúvida, levanta a questão - o quanto mais profundo e mais escuro Valo pode ir?

"Que pergunta", ele ri. "Existe um limite para a escuridão? Não, eu não vou limitar a minha escuridão, e felizmente o abismo que eu estou olhando não é muito superficial. É mais como um ato de equilíbrio, mais ou menos. Eu acho que ainda é importante para a nossa banda fazer música que você pode 'bangear', agitar seus quadris ou apenas se divertir - mas ainda tentar ter uma qualidade de cinema vindo junto. Ele está tentando combinar todos os elementos de nossos ídolos e rock em geral, que adoramos desde que éramos crianças - tentando colocá-lo todos juntos e descobrir isso. É importante levar a sério o que você faz e derramar algumas lágrimas, com suor e sangue, enquanto você faz isso -, mas, é muito importante não se levar muito a sério. Você pode levar o trabalho a sério, mas não a si mesmo."

"No final do dia, nós somos apenas cinco caras que cresceram ouvindo Black Sabbath e é isso", continua ele. "E, fomos tremendamente sortudos ao longo dos ano por viajarmos o mundo passando alegremente a mensagem do Black Sabbath".

Com a escuridão e passado em mente, é impossível ignorar a progressão do som da banda no novo album. A mistura de guitarras acústicas sendo batidas por pegadas elétricas é alucinante - um som que a banda estava ansiosa para experimentar desta vez.

"Eu acho que é um processo contínuo. É bom considerar o estúdio como um parque ou jardim de infância ou de uma loja de doces. É importante ser apenas livre, como uma criança selvagem. Dá uma sensação de espontaneidade", explica ele. "Eu acho que o rock que é importante, porque estes dias com todas as mídias de gravação digital e outras coisas, torna-se realmente estéril. Nós estamos tentando trazer um pouco da atitude desvairada de volta, o máximo que pudermos, sem destruir tudo."

Seja como for, a banda não perdeu nenhum do lirismo profundamente belo, que marcou toda a sua carreira - uma poesia inconfundível que continua a inspirar os corações e mentes de seus fãs. Curiosamente, apesar do conteúdo das letras do Valo, ele continua muito inflexível quanto a nunca cutucar sua própria vida.

"Ainda não", ele ri. "Liricamente, eu raramente tento ser muito franco sobre qualquer coisa. Para mim, [quando a música é] necessária para a minha vida é, na verdade, quando fico sem as palavras - como quando eu tenho um sentimento por dentro ou um problema existencial que eu não posso colocar em palavras. Isso é geralmente quando aparecem as melodias e riffs e ideias para a música. Para mim, é a maneira mais fácil de expressar as coisas através da música, em seguida, através de letras ou conversas - é a terapia sonora das sortes. Eu tento não ser demasiado directo ou direto com as letras - Eu acho que é muito chato e duas dimensões. Um pônei de um truque só. Você tem que deixar espaço para a imaginação, especialmente para a imaginação da banda. Que nos permite tocar músicas antigas também. Eles não são tão ligados a uma área específica do momento em que a canção foi concebido, mas pode ser interpretado por nos também de maneiras diferentes."

Enquanto a banda ainda está ouvindo sentando e ouvindo com calma o CD inteiro ["... estamos ouvindo as prensagens do teste do vinil e fazendo alguns ajustes finais para a arte da capa, assim tem sido nosso laboratório de trabalho ... "], Valo reconhece sua ligação com uma determinada música no álbum.

"Muitas das faixas que eu acho que são importantes para mim não é necessariamente importante para nós, para a música, mas mais por causa do processo", explica. "Como não existe uma faixa chamada 'All Lips Go Blue'". Esta foi a primeira em que todos nós trabalhamos juntos, e foi a primeiro que conseguimos concluir - que por sua vez abriu passagem em relação ao resto do álbum. Fomos capazes de trabalhar o equilíbrio entre a melancolia e as melodias, os riffs de guitarra e todas essas coisas. Essa foi a força de ignição".

Inevitavelmente, o lançamento do álbum vai de mãos dadas com turnês - cujos detalhes estão sendo trabalhados como nós falamos. Embora eu sugeri uma volta para a Austrália, Valo também não descarta a possibilidade de a banda abrindo aqui no início de 2014, como parte do Soundwave. Uma coisa é certa, inegavelmente, onde quer que a estrada leve a banda, "Tears On Tape" mostrará mais uma vez que a banda atingiu os seus fãs em todo o mundo com o seu lançamento. Enquanto Valo é visivelmente humilde sobre o impacto da banda e é sua música, suas idéias sobre como ele gostaria que o álbum fosse recebido são bastante simples.

"Se alguma coisa puder dar ao ouvinte algo fora desse mundo pop McDonald musical, eu acho que já é um bônus. Eu não acho que há uma mensagem escondida em qualquer lugar. Só espero que pelo menos uma em cada dez pessoas fique nua e dance na rua ", ele ri.

Tears On Tape, o oitavo disco de inéditas do HIM, tem produção de Hilli Hiiesmaa e mixagem de Tim Palmer. O CD sai no dia 26/04 na Finlândia, 29/04 na Europa e 30/04 na América do Norte.

Para mais informações acesse: HIM Brasil
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Sobre John Wins

John Winston (John Wins) nascido no ano de 199? no estado do RS, é um desconhecido jornalista, escritor, desenhista e jedi. Viciado em Séries, Cinema, HQ's, Livros e Música. Colecionador de CD's, sabe cantar mais de 40 músicas da Legião Urbana e colaborador do HIM Brasil. Ouvinte do metal brasileiro/finlândes. Para mais informaçõe acesse twitter.com/johnwins.

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