Fates Prophecy: um dos principais nomes do Heavy brasileiro

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Fates Prophecy: um dos principais nomes do Heavy brasileiro


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Com mais de 20 anos de carreira e quatro álbuns lançados, a banda paulista Fates Prophecy pode ser considerada um dos principais nomes do Heavy Metal tradicional brasileiro. Sempre com um trabalho honesto, fiel e sem seguir tendências, o grupo já passou por todos os percaCom mais de 20 anos de carreira e quatro álbuns lançados, a banda paulista Fates Prophecy pode ser considerada um dos principais nomes do Heavy Metal tradicional brasileiro. Sempre com um trabalho honesto, fiel e sem seguir tendências, o grupo já passou por todos os percalços que uma banda poderia passar, mas nunca esmoreceu e sempre continuou na ativa. Falamos com o membro fundador e líder Paulo Almeida (guitarra) sobre tudo que circunda o Fates Prophecy, além da produção, divulgação e repercussão de seu mais novo álbum "The Cradle Of Life" (2013), que quebra o silêncio da banda após oito anos sem lançar um full-length. Completam a formação: Ricardo Perez (vocal), Sandro Muniz (bateria), Rodrigo Brizzi (baixo) e Ivan Santos (guitarra)

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Enfim, por que oito anos para lançar um novo full-length?

Paulo Almeida: Não sei explicar para falar a verdade. As coisas foram acontecendo devagar, compomos o material com calma, mas com bastante critério, nada que não nos deixasse 100% satisfeitos não era levado adiante, depois o período de gravação também foi feito em um prazo bem longo, de acordo com nossas agendas. Foi um período que foi bom nos mantermos um pouco longe para trabalhar e lançar o álbum que fizesse certa diferença na nossa carreira, não queríamos apenas colocar algo novo no mercado, e sim elevar mais nossos padrões, queríamos dar um álbum excelente aos nossos fãs!

"The Cradle of Life" foi composto durante este período? Enfim, como foi o processo de composição deste novo álbum?

P.A.: Não demorou este tempo todo para compor e gravar, mas demorou metade disso, 4 anos! O maior problema neste processo foi a produção, porque pela primeira vez em toda nossa carreira não usamos um produtor e o mínimo que poderíamos fazer seria manter o nível, então começamos primeiramente compondo o melhor material possível e já pensando como funcionaria cada música na hora da gravação, gravamos mais demos de todas as músicas do que fizemos nos outros álbuns, então isso ajudou bastante na escolha de timbres, volumes, arranjos, etc...

Acredito que "The Cradle Of Life" seja o trabalho mais pesado e variado do Fates Prophecy, você concorda com isso? A que acha que deve este fato?

P.A.: Para falar a verdade eu não acho o mais pesado não, mas o mais variado e o mais diferente da nossa carreira sim. Acredito que nosso segundo álbum "Eyes Of Truth" (2002) é o mais pesado e com climas sombrios, talvez a diferença de uma gravação feita há 10 anos atrás não soe tão pesado como o que fizemos agora. Mas em questões de composições creio ser o mais pesado, acho até que "The Cradle Of Life" é um álbum com uma carga emocional diferente, não é um álbum tenso de se ouvir, por mais que tenham músicas pesadas como a Primitive Man, ele não é um álbum negativo e tenso, mas esta é minha visão, talvez cada um tenha uma impressão diferente ao ouvi-lo...

Outro fator percebido, apesar de mantido, é o distanciamento das influências de Iron Maiden e NWOBHM, além de uma pegada mais Prog Metal.

P.A.: Sim, isso foi um pouco natural e um pouco "forçado" também. Claro que passando a vida inteira ouvindo bandas da NWOBHM e principalmente Iron Maiden faz com que naturalmente siga neste estilo, porém neste álbum queríamos algo diferente então deixamos fluir mais outras influências que sempre tivemos, mas que não eram tão presentes, mas ao mesmo tempo mantendo a característica da banda. Acredito que por mais diferente que esteja é possível perceber nitidamente que é Fates Prophecy, simplesmente agora temos uma identidade mais própria mesmo.

Falando nisso, o Fates Prophecy é um dos principais nomes do Metal Tradicional do país. Apesar de ter um público fiel ao estilo, acreditam que houve uma queda na aceitação por parte do público mais jovem? A que você acha que se deve isto?

P.A.: Eu acredito que houve muitas mudanças para melhor e outras tantas para pior. Na época do lançamento do nosso primeiro álbum em 1998, nós já lançamos um álbum com alto padrão de qualidade para a época, investimos muito tempo e dinheiro gravando em um estúdio de ponta, hoje grava-se rapidamente com a mesma qualidade fazendo tudo em casa, em home studio, ou seja, aumentou bastante o número de bandas e lançamentos. Com este aumento o público não consegue acompanhar mais e comprar tantos CDs, além de um desinteresse mesmo. É um assunto muito complexo que envolve fatores econômicos e culturais, bem difícil de encontrar uma solução. Mas, minha opinião é que uma grande parte do público deveria ficar menos tempo na internet "falando e criticando" música sentados nos sofá e comparecer mais aos shows, porque ultimamente nem shows internacionais tem um público grande, com exceção aos realmente gigantes.

Voltando ao novo álbum, a temática abordada é focada na evolução da espécie humana, pra ser mais direto. Fale-nos um pouco sobre isso.

P.A.: Na verdade a história do álbum é mais uma ficção do que algo baseado em experiências. Imaginamos se o primeiro homem poderia ter surgido no continente Sul Americano, se poderiam existir outras teorias além do Criacionismo e a Teoria da Evolução, talvez um envolvimento com extraterrestres, afinal a maioria das pessoas creditam tudo que não se tem explicações aos deuses ou aos ETs... (risos). Mas na verdade, a mensagem do álbum é que algumas respostas não devem ser encontradas, existem mistérios da nossa criação que não precisam ser revelados e é assim que deve permanecer...

A produção de "The Cradle of Life" ficou a cargo de você e do novo guitarrista Fernando Poles. Você já tinha trabalhado na produção de um álbum?

P.A.: Desde nosso primeiro álbum eu sempre estive envolvido em tudo, sempre gostei de observar como nossos produtores trabalharam, e a forma diferente que cada álbum foi concebido, de como mudou a sonoridade com o tempo. Então achei que trabalhando muito eu conseguiria juntamente com o Fernando, que possui um conhecimento mais técnico, ter um bom resultado na produção. Assim como nos outros álbuns acho que poderia ser melhor, mas estou bem satisfeito com o que conseguimos, mais ainda no sentido musical do que técnico.

Aliás, Fernando gravou o disco e foi substituído por Ivan Santos (Land Of Imperia, ex-Poseidon). Afinal como se deu a saída de Poles e como chegaram até Ivan?

P.A.: Estávamos tendo alguns problemas de agenda com a maioria das pessoas da banda, tivemos este problema para gravar e depois do álbum pronto não estávamos conseguindo nem mesmo manter um ritmo de ensaios para conseguirmos excursionar com o álbum. Então, decidimos o melhor para a banda que quem não pudesse estar comprometido 100% no momento não seria justo com a história da Fates Prophecy e assim infelizmente acabaram saindo o Fernando e o Alexandre (baixista). Então anunciamos que estaríamos recebendo material para audição e futuramente faríamos um teste com os escolhidos, então foi assim que entraram Ivan Santos (guitarra) e Rodrigo Brizzi (baixo) e já estão completamente adaptados a banda.

Este é o primeiro trabalho com o vocalista Ricardo Peres (ex-Seventh Seal). Como se deu a entrada de Ricardo e como tem sido a contribuição dele na banda?

P.A.: Nós tínhamos um amigo em comum (Dney) e quando ele soube que estávamos procurando vocalista, entrou em contato comigo e me disse que o Ricardo não estava contente em sua banda e que gostaria de fazer um teste. Como já conhecíamos o Ricardo, acabou sendo tudo bem natural, ele gravou uma música apenas para vermos como soaria a voz dele conosco, nós gostamos e aí estamos até hoje! Ele contribuiu bastante, apesar de não ter composto nenhuma música, mas as melodias das musicas são na maioria dele.

A arte da capa de "The Cradle Of Life" foge um pouco dos padrões da banda e, de certa forma, é inovadora. Como ela foi desenvolvida?

P.A.: Esta era a ideia! Como fã de Metal estou meio cansado de pegar nas mãos, sei lá, 5 álbuns e ver que são praticamente 5 capas iguais, no caso do Brasil muitas vezes além das capas serem iguais ainda são feitas pelo mesmo artista. Então a ideia era ter uma capa diferente e que fizesse sentido com a história do álbum e principalmente com a música dele, na dúvida do artista que poderia fazer algo diferente é que resolvi eu mesmo fazer a capa. Depois de quase 6 meses trabalhando em várias ideias, cheguei nesta ideia e queria que tivessem cores, que fosse algo que vibrasse como uma foto de uma bela paisagem, acho que valeu a pena depois de tanto trabalho, porque foi algo exclusivo para a banda.

Como tem sido a divulgação do novo álbum e como anda a agenda da banda?

P.A.: Estamos no momento somente ensaiando um novo setlist, vamos tocar 80% do álbum novo e ainda estamos negociando com um selo o seu lançamento, ele foi disponibilizado gratuitamente no dia 25 de janeiro, menos de dois meses e chegou aos 3 mil downloads, mas será ainda mais legal ter o lançamento físico, por isso estamos concentrados nisso e começar uma divulgação mais forte assim que for lançado.

São mais de 20 anos de carreira, 4 álbuns lançados e um nome consolidado no cenário nacional. Quais foram os altos e baixos da carreira do Fates Prophecy?

P.A.: Geralmente tudo que dura tanto tempo tem muitos altos e baixos mesmo, eu acho que o melhor é se manter vivo fazendo o que gosta mesmo com dificuldade de que ter um sucesso repentino e estrondoso que dure apenas 2 ou 3 anos, algo que é bem comum no mercado musical. Nós nunca tivemos o sucesso que desejamos, mas estamos aí fazendo música até quando tivermos prazer nisso. Indiscutivelmente a pior coisa que aconteceu com a banda foi o falecimento do André (Boragina, falecido em 2002 vítima de câncer), porque além de vocalista ele era um verdadeiro irmão. Levando-se em conta um acontecimento destes, nada pode ser pior, mas mesmo assim nos mantivemos nos trilhos, e acho que os pontos altos sempre foram os lançamentos dos álbuns, do primeiro até o novo,"The Cradle Of Life", só tivemos boa receptividade, então acho que isso é o que mais conta como sucesso quando olho para trás e penso em nossa carreira

Muito obrigado, pode deixar uma mensagem.

P.A.: Nós da Fates Prophecy agradecemos muito a você, Vitor, ao Blog Arte Metal e todos seus leitores, a todos os nossos fãs e todos os fãs de Heavy Metal que continuam curtindo o bom e velho estilo que tanto amamos!Obrigado por poder falar um pouco da banda e principalmente do nosso novo álbum "The Cradle Of Life", logo nos veremos todos por aí na estrada! Abraços!

http://www.fatesprophecy.com/

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Sobre Vitor Franceschini

Jornalista graduado tem como principal base escrever sobre Rock e Metal, sua grande paixão. Ex-editor do finado Goredeath Zine, atual comandante do blog Arte Metal, além de colaborador de diversos veículos do underground.

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