Mármore de Carrara: banda autobiografa os sons em novo CD

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Mármore de Carrara: banda autobiografa os sons em novo CD

Postado por Breno Airan | Fonte: Rock na Velha

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Rock N’ Roll. A parede da sala condena que ali vive alguém desmembrado de qualquer música fútil. Condenado, não. Talvez escolhido.

O termo não importa tanto. Mas, sim, o fato de já na capa, assinada pelo ilustrador Felipe Moreno, a banda MÁRMORE DE CARRARA estampar que não está para brincadeira.

Uma mulher deitada, extasiada a ouvir um violão de nylon, fica embrenhada num sofá carcomido, só curtindo talvez uma “Perfumaria”.

O som que sai do cubo – que faz vibrar o gelo e a bebida quente provisoriamente encimada no local – faz a garota se contorcer, à luz de uma lua cheia, sob os estalos da chuva forte.

É nesse clima que o quarteto de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, quer ganhar os olhares do mundo. E os ouvidos também.

Este, muito embora, não é o debut deles, que estão na ativa desde 2003. O grupo ficou, no entanto, “em coma” por um bom tempo.

Nesse ínterim, a essência deles foi reformulada, acabando de ser lançada no dia 13 de outubro durante festival na cidade natal da Mármore.

Esse show de promoção do álbum “Rock N’ Roll” foi espetacular, nas palavras do vocalista LUCAS “PATROPI” VETORASSO.

Ele explica que, ao longo do caminho da banda até este momento, houve algumas deserções, até que ele, o único fundador da banda ainda presente, se reuniu aos amigos TIAGO PAGANINI (guitarrista), RAPHAEL LANFREDI (baixista) e STEVE ROCK (baterista), ressurgindo assim, com força total.

Em entrevista à revista Rock Meeting, Patropi fez seus apontamentos.

- Rock Meeting: A banda existe desde 2003. Vocês mudaram a formação alguma vez?

Lucas Vetorasso: Sim. Da formação original, apenas eu permaneci. Tivemos algumas deserções, algumas desistências de sonhos. Afinal, “it’s a long way to the top if you wanna rock and roll”, certo? Mas a Mármore sempre manteve a sua linha. Por exemplo, sempre fomos banda autoral. É óbvio que fazemos alguns covers nos shows, mas eles sempre ganham a nossa cara, o nosso jeito de fazer.

- Logo naquele ano, o que vocês começaram, o grupo alçou voos que não imaginaria tão cedo ao lançar seu primeiro CD, conseguindo até emplacar uma música na MTV. Que canção foi? Falem sobre o processo de composição dela.

É verdade. Mesmo sem pretensões, porque éramos todos muito meninos na época, conseguimos uma visibilidade muito grande. Na verdade, foram dois videoclipes seguidos. A primeira canção se chamava “Bem-Aventurados” e a seguinte “Corre, Vem Ver”. A segunda, sem dúvida, deu uma repercussão maior. O processo de composição dela foi como todos os outros. A música está presente em todo lugar, em toda situação. Só nos resta abrir os ouvidos e escutá-la. É assim com todas as nossas canções; elas simplesmente nascem. Agora, se você me perguntar sobre o significado, eu posso ser mais específico. “Corre, Vem Ver” é uma canção que retrata aqueles momentos em que caímos na real, sabe? Ela diz “Corre, vem ver, estão todos sozinhos, vem me dizer se se parecem com você”. É como uma conversa no espelho.

- Qual foi a sensação de estarem sendo vistos e ouvidos Brasil afora?

Muito massa. Principalmente no início de carreira, você se prende muito nisso, né? É preciso tomar muito cuidado para não esquecer a arte que você está ali pregando. Mas claramente as portas se abriram de uma maneira diferente. Você ver pessoas cantando músicas que você fez na escuridão do seu quarto é sempre estranho. Ainda não me acostumei (risos).

- Mas por que houve esse hiato tão grande de sete anos do registro em estúdio de um álbum para outro?

Realmente, houve esse coma. Aconteceu algo muito triste. Eu perdi um grande amigo e baixista da banda na época. E isso acabou desmotivando todos. Os sonhos se misturaram aos pesadelos e cada um foi para o seu lado. A Mármore nunca acabou oficialmente, mas esteve ‘em coma’. Uma das motivações para o retorno é a sede que fica. Você não se sente completo sem estar no palco. As músicas continuam nascendo e não são mostradas, não são tocadas – isso chega a ser sufocante.

- Como os novos integrantes pegaram o fio de meada? Digo, eles tiveram que entrar no grupo já com uma história anterior e acompanhá-la, pondo suas idiossincrasias.

Sim. O fato de já termos história não atrapalha em nada. Muito pelo contrário. Eles já conheciam as canções e foram grandes incentivadores do retorno. Mas cada um colocar a sua cara nas canções e na musicalidade da banda em si só ajuda. Creio que as influências da Mármore nunca mudaram de forma radical, mas irrefutavelmente amadureceram. E, mesmo se fossem todos os integrantes da primeira formação, esse crescimento é inevitável.

- Como se deu a criação desse segundo CD? Quem compôs as canções?

Todas as canções deste álbum são de minha autoria, exceto um trecho de “Árvore no Deserto” que tem a coautoria de um velho amigo, Marcus Camolezi Jr. [que foi da primeira formação da Mármore]. Este trecho estava guardado há tempos, e pedia pra ser gravado; não resisti. Qualquer compositor que diga que não há autobiografia em suas músicas é um belo mentiroso. É óbvio que as canções nascem de situações em que vivemos, misturadas com sentimentos e loucuras que passamos. Mas, de uma maneira geral, a forma de transcrever isso tudo, no meu caso, é quase psicografado. Elas são sussurradas aos meus ouvidos. Simplesmente nascem.

- Vocês desde o começo da banda optaram por criar tudo em português? Afinal, há bandas que acham mais fácil “cantar em inglês”, indo por outra via.

Sim. Essa é fácil... Moramos no Brasil. As nossas mensagens são muito mais importantes do que a facilidade de fonética. Isso é até uma vergonha. Na hora de estudar guitarra por horas e horas a fio, ninguém se importa. Ler um livro de vez em quando é tão difícil assim? (risos)

- A banda se autointitula como sendo “de Rock”, sem rotulagens. Por quê?

Fazemos Rock N’ Roll. Pura e simplesmente. O mesmo Rock que acabou com preconceitos e transformou gerações. Rock, Hard, Heavy, Punk, Progressivo... são nomenclaturas que só servem pra prender a banda musicalmente. Preferimos nos libertar disso.

- Vocês foram considerados, no entanto, a Maior Banda de Hard Rock do Brasil por um por site especializado, não? Qual foi ele?

Sim, na época se chamava Club do Rock. Não sei nem se ele existe, pra ser sincero. Mas é como disse na pergunta anterior... Agradecemos demais esse título, mas preferimos não nos prender a isso. E, além do que, acho até hoje que foi nos dois anos em que o Dr. Sin ficou sem lançar nada (risos).

- Em outra entrevista, você falou que “não fazemos Rock Colorido, nem Rock Demagógico; nós fazemos Rock pra gente grande, Old School, tocado e sentido”. É essa basicamente a essência da banda? O que vocês procuram retratar nas letras das músicas?

Cara, é essa a nossa essência. Eu quero o público gritando ao nosso lado. Chorando, rindo, sentindo. Eu não quero agradá-los. Eu quero ser a voz deles, estar ao lado deles. As nossas canções falam sobre tudo... Falam sobre a minha vida, a sua vida, as nossas vidas. Nós estamos ligados e muitas vezes nem percebemos isso. Mas, com a música, conseguimos permanecer juntos, unidos, nem que seja por quatro minutos de pura loucura.

- Como foi o show de lançamento do segundo trabalho de vocês, o “Rock N’ Roll”? E como se deu a bela capa?

O show foi um espetáculo. Não apenas pelo show delicioso, mas pelas grandes parcerias. Tivemos Sara Winter abraçando a canção “O Poema de um Assassino” como hino do Femen, em um “quase” ritual conosco no palco. Tivemos pole dance também! Tivemos drama, comédia, tivemos de tudo. A galera cantando ao nosso lado, como sempre. Foi tudo perfeito. E a capa do álbum foi feita pelo artista Felipe Moreno, que devo dizer, é genial. Nós enviamos algumas prévias, sem mixagem, sem nada, e uma semana depois, a capa estava na caixa de entrada do e-mail da banda. E a usamos sem alterações. Ele retratou o sentido de Old School, de intimidade e de explosão de sentimentos, tudo ali, em 12x12.

- O novo álbum tem a produção fonográfica de Juliana Primo, mixagem de Alessandro Sá e produção musical da própria Mármore. Há duas canções já disponibilizadas para audição no portal de compartilhamento Youtube: “Mas aí” e “Perfumaria”. Qual a resposta do público?

A resposta do público foi espetacular. O pessoal sabe de cor e pede todo show. “Mas aí” e “Perfumaria” eram duas canções que não entrariam no álbum, sabe? Após ter composto, eu decidi gravar e chamei os rapazes pra fazer comigo. Mas talvez fosse algo pra matar essa sede, não tinha certeza que elas entrariam no álbum. Mas depois de tamanha resposta do público, e do Raphael me chamar de “maluco” por querer deixar elas de fora, elas entraram. E, agora, vejo que estava errado. Elas compuseram bem o CD.

- Do interior de São Paulo para o mundo? É essa a meta maior de vocês?

Sim. Sem dúvida. Não em uma questão de fama vazia. Absolutamente. Mas estamos aqui com uma mensagem maior. Por isso, não tenho vergonha de dizer que nossos sonhos sempre foram grandes, como tenho certeza que é o sonho de cada um dos seus leitores. Viemos para pregar o Rock N’ Roll e, se pudermos gritar isso quanto mais alto, melhor.

Além desta entrevista exclusiva, feita pela Rock Meeting, o leitor pode conferir o conteúdo gratuito da revista clicando no link abaixo:

http://migre.me/cH1Rx

E para fazer o download da edição de número 40:

http://migre.me/cH1bN

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Sobre Breno Airan

Acima de tudo, um forte. Ser roqueiro no Nordeste é estar cercado de olhares de soslaio. Mas ele sabe ser simpático. Começou a escutar Heavy Metal ainda na barriga da mãe. A seu pai, uma verdadeira enciclopédia do estilo, deve tudo. Aos 14 anos, pediu para uma tia R$ 12 de presente de Natal, foi a uma loja de CDs usados e catou logo o "Rust in Peace", do Megadeth - em perfeito estado, inclusive. Daí por diante, a paixão só vem aumentando. É editor do blog Rock na Velha, integrante do blog Combe do Iommi e colaborador da revista alagoana Rock Meeting. Ainda tem tempo para ser jornalista e de tocar baixo em sua banda de Hard Rock, a Azul Manteiga.

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