Silent Cell: achou uma merda? Apague e não encha o saco

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Silent Cell: achou uma merda? Apague e não encha o saco


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O Heavy Metal Alternativo geralmente causa ojeriza entre o público da velha geração, mas o Silente Cell acabou de estrear com um excelente disco que pode mudar algumas concepções por aí... “The Absence Of Hope” é um dos álbuns mais interessantes lançados por uma banda brasileira do gênero nos últimos anos e o Whiplash.Net foi conhecer melhor esse pessoal de Bragança Paulista. Confiram aí, que a barulheira é boa!

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Whiplash.Net: Olá pessoal. Vocês estão na ativa há pouco tempo e acabaram de lançar seu primeiro álbum. Que tal começarmos com uma breve biografia do Silent Cell para o público conhecê-los melhor?

Silent Cell: Olá a todos! Somos uma banda de metal alternativo de Bragança Paulista (SP), e acabamos de lançar nosso primeiro álbum, intitulado “The Absence Of Hope”, no qual estamos trabalhando arduamente para chegar aos ouvidos do mundo. E, apesar de nossa historia ser curta como Silent Cell, tocamos juntos há muito tempo em outras bandas, e somos amigos há mais tempo ainda.

Silent Cell: Outro ponto importante é que gostamos de cerveja!

Whiplash.Net: Vocês se mostraram focados ao tocar música pop nos finais de semana, visando arrecadar verba para a materialização de “The Absence Of Hope”. Quais foram os maiores problemas ao longo do caminho, e como estes foram sendo contornados?

Silent Cell: Eu acho que o nosso maior problema como uma banda pop sempre foi o volume e repertório. A verdade é que o projeto existiu inicialmente só por diversão e para fazer um dinheiro extra, mas eventualmente se tornou o carro forte que fez a Silent Cell sair do papel. Com isso dito, a banda tinha que agradar a todos. E o público de balada em geral não curte metal, ou até rock. Então rolava muita coisa que ninguém da banda gostava de tocar, e rolava muita coisa que o público não queria ouvir.

Silent Cell: E outra, se você coloca quatro caras que passaram a vida inteira tocando hard rock e thrash para tocar Maroon 5, as chances de sair um monte de pedal duplo e distorção no meio do bolo são bastante altas, rs!

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Whiplash.Net: Ainda que calcado na cena alternativa dos EUA, “The Absence Of Hope” está muito longe de ser uma mera cópia, e sua fórmula realmente possui impacto. Afinal, ao trabalhar com tantos elementos, como funciona o processo de composição entre vocês?

Silent Cell: A primeira coisa que fizemos na hora de compor foi não colocar nenhum tipo de barreira. Se soava bem, a gente gravava! Sem idiotice de querer agradar a um público específico ou de tentar ser ‘true’ e só compor porrada. Deixamos tudo isso de lado e criamos um tipo de música que nós mesmos gostaríamos de ouvir.

Silent Cell: Todos na banda gostam de metal, mas todos trouxeram influências muito distintas para dentro do pote. O Marcelo (guitarra), por exemplo, passou a vida toda tocando grind, o Adonai (baixo) é fanático por Prog, e por aí vai. Cada um adicionou um elemento diferente na hora da composição, e esse foi um fator chave para o nosso som não ficar repetitivo, e ter o maior impacto possível.

Whiplash.Net: O baterista Marco ‘Horror’ assumiu as rédeas de todo o aspecto visual do Silent Cell. Qual foi o ponto de partida para transformar o contexto do disco nesta atmosfera tão densa e sombria, tendo na cor branca um elemento tão importante?

Marco: Eu acho que o ponto de partida foi o que eu enxerguei dentro de mim na hora de começar a escrever as letras. Eu tentei encarar tudo o que eu sentia como um reflexo da sociedade em que eu vivo. A palavra ‘esperança’ ficava sempre aparecendo na minha mente, sempre martelando lá no fundo por algum motivo bizarro. Eu comecei a me interessar bastante pelo significado dessa palavra, e pelas consequências que ela pode trazer para um indivíduo que pendura a sua vida nela. Logicamente, os temas abordados acabaram sendo extremamente pessoais, coisas que eu guardava no fundo da alma, a sete chaves. Foi meio assustador no começo, mas hoje me sinto mais leve por ter compartilhado sentimentos tão profundos com o mundo. Só espero que outros entendam os significados e tirem algum tipo de força da mensagem toda.

Marco: Em relação às cores e a atmosfera do CD em geral, isso vem do meu interesse pessoal por contrastes e elementos conflitantes, eu acho que por ser uma pessoa que vive em conflito, isso veio com bastante facilidade. O lance de usar a cor branca para representar um elemento sombrio, ou uma melodia limpa em cima de uma rítmica pesada e cheia de fúria me fascina.

Marco: Tem um trecho da música tema do álbum, “The Absence Of Hope”, que resume bem o que eu quero dizer: “Hope has turned me into a spoiled mess”. Ou seja, no meu caso, ela se tornou uma doença.

Whiplash.Net: “Devoted” foi uma ótima escolha para se transformar em seu primeiro vídeo. Como rolou toda a experiência com a Triton Filmes? Os efeitos ficaram bem legais...

Silent Cell: A escolha da “Devoted” foi fácil. Queríamos uma música que chamasse atenção instantaneamente, e que representasse melhor a banda como um todo. E essa música tem um pouco de tudo, tem peso, groove e um refrão bem marcante.

Silent Cell: O Fernando da Triton fez um trabalho excepcional na gravação e edição do clipe. Chegamos até ele com a ideia do projeto e alguns clipes de outras bandas como referência, ele abraçou a ideia na hora e já partiu pra cima. Levando em conta que tivemos pouco tempo pra gravar, e o nosso ‘budget’ na época era bem limitado, eu diria que o resultado ficou excelente!

Whiplash.Net: No Brasil, são poucas as bandas que se sobressaem executando uma proposta moderna e com efeitos eletrônicos como o oferecido em “The Absence Of Hope”. Considerando a tendência mais tradicional de nosso público, vocês estão sendo alvos de algum preconceito?

Silent Cell: A verdade é que nós sofremos preconceito desde que começamos a tocar pop rock pelas baladas, há oito anos atrás, então isso não é algo tão novo pra gente.

Silent Cell: E analisando friamente, o preconceito sempre vai existir. Não importa se você é o cara mais underground do mundo, e se sua banda faz o som mais extremo e técnico imaginável, sempre vai ter um neguinho lá no meio da plateia, ou em alguma rede social que vai te chamar de ‘vendido’, ‘bicha’, ‘poser’, etc. Eu acredito que o lance é você não deixar isso te abalar como um artista, e seguir em frente com honestidade, perseverança e coração, que eventualmente, o seu trabalho e esforço vão dar retorno.

Whiplash.Net: “The Absence Of Hope” também está disponível no site do iTunes, Amazon e Emusic. Levando em conta o alcance que arquivos digitais podem ter, e os famosos downloads ilegais, como as coisas estão neste sentido?

Silent Cell: A gente enxerga da seguinte forma: baixe o CD e ouça inteiro. Gostou? Acha que a banda merece o seu dinheiro? Compre e ajude. Achou uma merda? Apague e não encha o saco. Simples.

Silent Cell: Não tem muito que reclamar hoje em dia. A indústria fonográfica tomou um soco na cara, e o que era convencional há dez anos não é mais. A pirataria sempre vai existir, e o que as bandas devem fazer é mudar a mentalidade das pessoas e convencê-las de que o seu trabalho vale a pena, e não agir como crianças petulantes reclamando e fazendo birra. Isso é ridículo.

Silent Cell: Até então, a internet e os downloads ilegais tem ajudado imensamente na propagação da nossa música pelo mundo, coisa que há alguns anos não seria possível. Portanto, fiquem a vontade pra baixar, distribuir, xingar, o que for. Somos uma banda nova e qualquer tipo de divulgação é bem vinda.

Whiplash.Net: Sua biografia afirma que o Silent Cell quis, desde sempre, atingir o mercado externo. Que estratégias vocês estão traçando para que isso se efetive?

Silent Cell: Remetendo à pergunta anterior, a nossa principal estratégia é a internet. Estamos trabalhando pesado nas redes sociais, youtube e outros. O resultado tem sido muito maior do que qualquer um de nós esperava. Já passamos dos 30.000 likes no facebook, o que pode não parecer muito para algumas bandas, mas para a gente já é monstruoso.

Silent Cell: Fora isso, estamos planejando uma turnê europeia pra 2013, temos shows no México e Chile engatilhados em abril e alguns shows com bandas internacionais aqui no Brasil também. Se tudo der certo, 2013 será o nosso ano.

Whiplash.Net: Curiosidade final: como dito, o Silent Cell possui grande preocupação com o visual. Assim, qual o significado por trás de seus uniformes?

Silent Cell: Tem a questão estética, que dá um ponto a mais de distinção para quem estiver vendo a banda pela primeira vez. E é também uma forma a mais de mostrar para a plateia que trabalhamos como uma unidade, que no palco não tem distinção entre membros, somos todos iguais, temos o mesmo propósito e estamos passando a mesma mensagem. Somos um time.

Whiplash.Net: Pessoal, o Whiplash.Net agradece pela entrevista e deseja boa sorte em sua trajetória. O espaço é do Silent Cell para os comentários finais, ok?

Silent Cell: Primeiramente, agradecemos imensamente pela oportunidade. É uma honra imensa poder dedicar uma entrevista exclusiva ao site que é, sem dúvida, o maior portal de metal e rock do país. Segundo, para quem quiser conhecer melhor o nosso trabalho, visitem nosso site abaixo, curtam a banda no face e ouçam nossas músicas, mesmo não gostando do estilo. Apoiar o rock nacional nunca é uma má ideia. Valeu!

Contato:
http://www.silentcell.com

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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