Zombie Cookbook: banda fala sobre novo álbum e peculiaridades

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Zombie Cookbook: banda fala sobre novo álbum e peculiaridades


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Já entrevistamos orcs e agora chegou a vez dos 'zumbis' do Zombie Cookbook. Essa banda catarinense tem estremecido o underground com seu som que mescla Goregrind, Death Metal e Thrash Metal, além de ter feito um enorme estardalhaço com seu novo trabalho "Outside The Grave". Falamos com todos os integrantes sobre o novo álbum e vários assuntos peculiares que circundam a banda em uma interessante entrevista.

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"Outside The Grave", além de ser o primeiro álbum, gerou bastante expectativa antes do seu lançamento. Houve uma divulgação maciça na internet, inclusive com vídeos. Como foi todo o processo de produção desse trabalho? Após toda essa pré-divulgação as expectativas de vocês aumentaram?

Dr. Stinky (vocal) – Pô, o "Outside…" está saindo muito melhor do que a gente esperava. Acho que o apelo visual que ele tem no encarte, a produção mais sujona (clássica em primeiros álbuns) dá esse requinte (ou a falta de requinte... risos). Desde o começo não queríamos algo limpo, com super arranjos, nem nada disso, queríamos tocar Death Metal, colocar nossa podridão ali.

Guinea Pig (guitarra) – As pessoas já sabiam do que se tratava o Zombie Cookbook. Muitas delas estavam esperando por esse lançamento. Isso nos deixou empolgados pra dar um gás na produção e lançar esse material.

Dr. Freudstein (bateria) – A expectativa já nasce com as composições. E é bom quando o retorno é positivo, mas há possibilidade que isso não aconteça. Então o negócio é focar no som mesmo.

Hellsoldier (baixo) – Bah! Sempre aumenta, sempre queremos mais... A zumbizada aqui é sedenta por Rock pauleira e miolos!!!

Inclusive, antes do lançamento, vocês soltaram em streaming duas faixas para audição no Soundcloud. São elas Feasting Humans At Dusk e Harvest Of The Damn. Qual foi o critério de escolha em liberar primeiramente essas duas composições?

Dr. Stinky – Então, a Feasting… é a que abre o CD. Na nossa cabeça ela chama atenção pra caralho e ela já estava no "Cinetrash" (EP lançado em 2011). Mudamos uma coisa aqui ou ali nela e resolvemos postar pro povo ver, até pra ter uma noção da evolução das coisas, saindo do "Cinetrash" e entrando no "Outside…". E a Harvest… por ser uma música nova mesmo, que não tinha saído em compilação ou no "Scared Stiff" (Single lançado em 2012), basicamente é isso.

Guinea Pig – Harvest of the Damn também marca uma transição na banda, em que começamos a trampar mais nos arranjos com duas guitarras, solos, etc.

Apesar da temática gore, o som do Zombie Cookbook não se restringe ao Goregrind muito comum quando se aborda esses temas. Na sonoridade da banda podemos encontrar influências que vão do tradicional Death Metal até nuances de Thrash Metal. Fale-nos um pouco mais sobre isso.

Dr. Stinky – Cara, quando montamos a banda colocamos na cabeça que iriamos tocar o tal do Splatterthrash que é um tipo de som que mistura bem o Thrash na linha do Megadeth, Anthrax, Metallica. Enfim, toda a galera da Bay Area com Gore/Splatter. Mas aí a gente pegou umas velharias Death Metal pra ouvir e não adianta, o nariz sempre vai apontar pra esse lado (risos) começamos a ouvir uma suecagem desgraçada (Death Breath, Tormented, Murder Squad, Bloodbath, etc) e aí deu nisso.

Guinea Pig – No final sempre acabamos caindo no bom e velho Death Metal. Não conseguimos fugir disso.
Horace Bones (guitarra/vocal) – O Death Metal está nas veias, com o ZCB também acabamos voltando as nossas raízes, tudo o que a gente começou escutando há muitos anos atrás. Mas, acredito que não soamos como uma banda de Death Old School, mas sim como o Zombie Cookbook.

Dr. Freudstein – Estilo ou você cria ou você copia. Quando se cria, toda a experiência que você teve converge num único ponto, e aí a loucura vai longe.

Hellsoldier – É Desgraceira, podreira, Death Metal, Thrash, Grind, Splatter, Rock...

"Outside The Grave" conta com um encarte em formato de história em quadrinhos onde é relatada uma história da banda (N.E.: compre o álbum e saiba o final). O trabalho foi feito pelo artista Charles da Silva. Como foi trabalhar com Charles e como surgiu a ideia de utilizar esse tipo de arte pro encarte?

Dr. Stinky – Foi muito legal, desde as fotos, a definição do conceito, os story boards. Foi algo que trabalhamos muito pra ter o resultado que queríamos e no final, quando fomos buscar os CD's prontos, abrimos a primeira cópia e vimos ele pronto foi do caralho!!

Guinea Pig – A arte gráfica remete a tudo que mais curtimos. A morte num tom tosco e divertido.
Horace Bones – Quadrinhos de terror são simplesmente fantásticos, a gente tinha que usar isso de alguma forma, e na verdade esse era para ser o primeiro release da banda, mas na época acabou não rolando. Enquanto a gente pensava no que fazer para a capa a ideia ressurgiu, voltou a vida!! E foi legal, muito divertido todo o processo por trás da arte. Acabou que nos envolvemos 100% com a arte e o Charles está de parabéns!!!

Dr. Freudstein – As ideias surgiram no ensaio, na bebedeira, cagando ou tomando banho e o Charles é um cara muito tranquilo.

Como tem sido a repercussão de "Outside The Grave" por parte de público e crítica até então?

Dr. Stinky – Cara, pra mim é tudo novidade. Pelo que escuto dos meus amigos e parceiros bangers mais experientes o resultado está sendo muito bom. Estamos conseguindo divulgar bem ele com mídia, anúncios, etc. Acho que até agora está tudo dentro do esperado, até melhor do que esperávamos.

Guinea Pig – Ainda estamos no início do lançamento, mas tudo está indo muito bem.

Horace Bones – Já tenho experiência com lançamentos, vendas, distribuição e as coisas estão caminhando muito bem, a procura está sendo ótima, a venda em shows está superando as expectativas. Como é um material independente ainda temos que melhorar a distribuição, mas a gente chega lá. Tem um lado bom do CD também que a arte por si já é um bônus.

Dr. Freudstein – Putz, geralmente alguém me pede as baquetas, o que dá um furo no orçamento (muitos risos). Crítica pra mim é quando alguém fala mal, e até agora só falaram bem, então está ótimo.

Não tenho dúvidas o quanto levam a sério a sonoridade da banda. Mas, acredito que vocês levam com muito bom humor as letras de suas músicas. Falem-nos um pouco sobre elas e como surge essas ideias insanas na hora de escreve-las?

Dr. Stinky – (gargalhadas) Nossa parte Thrash do bagulho é também nas letras sabe… Tentamos sempre levar a coisa no bom humor. O terror em si tem sua ligação com o humor, eu vejo por esse lado. Chega a ser meio demente até as vezes, acho que se fosse pra escrever algo ultra-sério eu não me daria bem, talvez mais pra frente, quem sabe.

Guinea Pig – Esse humor todo faz parte da nossa personalidade também. Quem nos conhece, sabe que somos um bando de maluco! (risos)

Horace Bones – Diria que é a nossa parte Thrash e trash.... É o Terror anos 80 gritando!!! Legal que não é nada forçado, as ideias se formulam muito bem para as letras. Todos aqueles filmes que viemos assistindo desde crianças contribuíram para isso!!!
Dr. Freudstein – Só sei que é uma gritaria...

Fico curioso para ver como é uma apresentação da banda. Como está a agenda da banda? Algo relacionado aos quadrinhos do encarte pode ser representado ao vivo?

Dr. Stinky – A agenda por enquanto está aberta. Fizemos o último show de 2012 em Curitiba agora dia 08 de dezembro e para o ano que vem temos confirmado o Storm Festival em São Leopoldo (RS) para o dia 09 de março. De resto estamos livres, quem tiver interesse é só escrever para [email protected] Ao vivo a gente leva algo da representação sim, mas nada muito teatral, fazemos nós mesmos os make-ups, jorramos sangue na galera, e por aí vai, agora com algum retorno financeiro estamos investindo mais em cenário de palco, mas é algo delicado, pois nem sempre você consegue levar e usar em todo lugar que você toca, então optamos pelo simples pra que os shows tenham uma homogeneidade.

Horace Bones – Temos muitas ideias para o palco, mas por enquanto não temos como colocar em prática, mas com certeza aos poucos vamos aperfeiçoando, ensangüentando, estripando...

Hellsoldier – Ao vivo sempre nos empenhamos ao máximo em primeiro deixar a parte do som, da música falar e acho q o visual é um complemento ao som. Inclusive, teve alguns shows que esquecemos o "kit-visu" em casa e tivemos q tocar de cara limpa, foram dois shows até agora, tomara que não aconteça mais. O Stinky e o Bones que cuidam dessa parte e os dois são uns cabeça de 'porongo' pra lembrar das coisas e aí deu nisso (risos).

A cena que envolve o Splatter, o Goregrind, o Grindcore é muito prolífica no Brasil. Porém, há pouca divulgação na mídia especializda e o gênero vive no extremo underground. Vocês concordam? O que podem nos falar a respeito disso?

Dr. Stinky – A meu ver é um estilo que gosta do underground em si, não gosta muito da mídia nem nada, a galera se sente bem ali do jeito que está, saca? Pra mim os shows de Gore/Grind/Splatter são os mais divertidos de todos, quem ainda não foi num show desses está perdendo diversão garantida!

Horace Bones – Eu ví surgir e crescer esse movimento no Brasil, estou dentro dele já faz uns 20 anos. No começo era algo bem marginal digamos assim, mas que veio conquistando seu espaço. Acho até por estar fora das mídias ele foi desde o começo mais pé no chão, fazendo o pessoal correr atrás mesmo. Se você ver é tudo muito organizado, muitos selos, muitas bandas surgindo e gravando, o intercâmbio e a troca de material é muito acessível, as coisas realmente acontecem. A mídia especializada acaba não fazendo falta.

Dr. Freudstein – O que eu penso é que bem divulgadinho vai. Ter o maior número de contatos também ajuda.

Hellsoldier – Nós sempre tamos junto com os caras do Gore, Grind, Splatter. Eles são nossos irmãos, trocamos material, curtimos os shows, é sempre um prazer tocar junto com eles. Fizemos baita shows com eles e queremos fazer muitos ainda.

Quais os planos da banda? Um clipe caracterizado seria bem vindo hein?

Dr. Stinky – A curto prazo é terminar nossos compromissos do Split com a Offal (acalmem-se que falta pouco, risos). Tem outro Split que estamos planejando também que é com a Rancid Flesh de Fortaleza-CE, as duas bandas são de grandes Brothers, então vai ser muito foda pra nós lançar isso em conjunto com eles. A longo prazo, temos o clip que está sempre em pauta. Outra coisa que queremos é o lançamento do "Outside" em 12", estamos trabalhando em conjunto pra várias coisas.

Horace Bones – Um clipe casaria bem bom o ZCB. As idéias para clipes que já tivemos daria até roteiro de filme. São muitas mesmo. Mas queremos fazer algo legal, cuidar bem da fotografia, da produção, do roteiro, fazer alguma coisa realmente legal e digna de um George Romero!!! Alguma coisa simples e exagerada ao mesmo tempo!!!

Muito obrigado, parabéns pelo trabalho. Podem deixar uma mensagem.

Dr. Stinky – Nós é que agradecemos. Continuem fazendo o trabalho de vocês, está sendo muito gratificante pra nós ver a quantidade de zines e blogs que estão nos ajudando, vocês não imaginam a diferença que vocês fazem pra nós e pra outras bandas do underground nacional. Está sendo do caralho mesmo! Logo logo teremos mais novidades do mundo dos mortos!!

Guinea Pig – Muito obrigado a todos que vão aos shows, curtem e nos apoiam. É muito bom saber que nossa música deixa as pessoas felizes (risos).

Horace Bones – Um gore abraço a todos os freaks que gostam da música do submundo. Lembrem-se que quando não tiver mais lugar no inferno, os mortos andarão pela Terra. E enquanto isso não acontece vocês podem assistir aos filmes do Rodrigo Aragão e do Petter Baiestorf.

Dr. Freudstein – Valeu a fé. E não exagerem nas drogas.

Hellsoldier – MIOOOOOOLOOOOOSSSSSSSS!!!!!!!!!!!!!

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Sobre Vitor Franceschini

Jornalista graduado tem como principal base escrever sobre Rock e Metal, sua grande paixão. Ex-editor do finado Goredeath Zine, atual comandante do blog Arte Metal, além de colaborador de diversos veículos do underground.

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