Carl Casagrande: brasileiro faz carreira na terra da Rainha

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Carl Casagrande: brasileiro faz carreira na terra da Rainha


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O cantor e compositor CARL CASAGRANDE, natural do Rio Grande do Sul, ex-vocalista da banda gaucha SCELERATA e atual STORMBORN, em entrevista exclusiva para DAIANE GOMES, fala sobre sua vida, carreira e projetos. Confiram a entrevista na integra:

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DAIANE: Antes de tudo queria agradecer a você Carl por ter dado está entrevista falando um pouco sobre sua carreira no Brasil e agora aí no exterior.

DAIANE: Bem, para começarmos, há quanto tempo você mora na Inglaterra, e o que lhe fez ter deixado sua carreira no Brasil e ir morar aí?

CARL: Já moro em Londres a quase 5 anos (april ’13 completo 5 anos aqui). Eu já conhecia Londres, onde estudei quando tinha 18 anos. Sempre tive amigos aqui, o que facilitou muito na decisão em 2008. Infelizmente no Brasil sofremos muito de falta de informação (mesmo na era digital que vivemos) e principalmente sofremos com a ignorância do povo e da nossa própria cultura, a qual é o total oposto da cultura inglesa ou européia quando em questão a arte, a musica. Viver e pagar as contas no Brasil com a musica, é muito difícil. Eu mesmo tentei e fui feliz em muitos momentos, porém como tudo na vida, as vezes precisamos mudar. Somos do tamanho dos nossos sonhos e por meus sonhos e objetivos serem imensos, resolvi mudar o rumo da minha vida a alguns anos atrás.

DAIANE: Você ficou muito conhecido no Brasil por seu excepcional trabalho como frontman da banda gaúcha SCELERATA nos álbuns “Darkness And Light” de 2006 e “Skeletons Domination” de 2008. Quais os “bons frutos” que você colheu no seu tempo de Scelerata e qual o real motivo de sua saída da banda?

CARL: O Scelerata foi o ar que respirei, a comida e a bebida que ingeri durante 6 anos. Com 22 anos eu gravei o “Darkness and Light”, álbum que foi lançado mundialmente e por “lançado mundialmente”, me refiro a ter fechado contratos de lançamento e distribuição do disco em todos os 4 cantos do planeta. Hoje em dia, você lança mundialmente algo através do iTunes, os tempos são outros e as mudanças não param. No Scelerata, além de cantor e compositor lírico, eu cuidava de toda parte executiva da banda, tendo eu sido o responsável pelas negociações e acertos de absolutamente todos os contratos de licenciamento de ambos os discos citados acima e responsável por absolutamente todos os shows que a banda fez em suporte de ambos, que incluíram diversas apresentações com o Angra, shows com Deep Purple, Edguy, Gamma Ray, Roy Z entre muitos outros. Em 3 anos, gravamos 2 discos onde tivemos participações especiais e produtores renomados trabalhando junto da banda, fizemos diversos shows com muitos de nossos heróis e deixei a banda em uma situação extremamente estabilizada, a qual o Scelerata ainda hoje respira e vive através.

Tivemos ofertas de tournes na Europa com artistas como Jon Oliva e Primal Fear, porém os altos custos, principalmente por não estarmos na Europa, tornou estas oportunidades inviáveis.
Em 2008, após eu fazer a promo trip de lançamento do “Skeletons” no Japão, resolvi ficar em Londres por alguns meses, onde tinha como objetivo alinhavar coisas para o Scelerata e em meio a esta transição, resolvi fixar residência em Londres e deixar o Scelerata seguir com todo o trabalho executivo pronto e montado para seu futuro o qual trabalhei anos e anos em cima. Fico feliz que, meus ex companheiros estão seguindo com a banda, com os contatos adquiridos principalmente durante meus anos na banda e que continuam sonhando alto!

DAIANE: Após um longo tempo sem um vocalista, o SCELERATA grava um novo trabalho tendo agora Fabio Juan como novo vocal, intitulado “The Snipper”, tendo como participações especiais de Andy Deris (Helloween) e Paul D’ianno (ex- Iron Maiden). Você chegou a ouvir alguma coisa do “The Snipper”? E qual sua opinião sobre a nova fase da banda?

CARL: Escutei sim e achei a produção, como sempre, muito boa! Eu havia começado os contatos com o Charlie Bauerfeind em 2007 e depois de meses de troca de figurinhas, consegui colocar ele dentro do projeto do nosso segundo álbum, culminando com ele mixando e martirizando o segundo disco da banda. Eles mantiveram o Charlie neste novo trabalho.
Os músicos da banda são muito talentosos e capazes. O novo vocalista soa muito bem no álbum e acho que a banda esta muito bem estruturada para seguir sonhando alto! Desejo toda sorte do mundo a eles!

DAIANE: Atualmente você ocupa o posto de vocalista juntamente com Laurence Armitage (guitar), David Viner (guitar), Simon "Steve" Ball (bass) e Andy Felton (drum) na banda inglesa STORMBORN. Gostaríamos que nos contasse como foi a sua entrada na banda e sobre o novo trabalho de vocês, o auto-intitulado “Stormborn”.

CARL: Eu estava tocando com os ingleses do Dangerous Breed, com a qual eu gravei um álbum “Reprogram Yourself” com o renomado produtor Chris Tsangarides. Fiz tours na Inglaterra porém não estava completo da forma com a qual eu visualizei desde minha chegada na Inglaterra.

Em outubro 2011, conheci David, Andy e o Laurence, gurizada de 21 e 23 anos, os quais me mostraram algumas demos, nas quais trabalhamos juntos por 1 semana, onde escrevi letras e gravei vocais. Em novembro, estávamos com 5 das 8 faixas que fazem parte do álbum, prontas, porém não tínhamos baixista. Em novembro encontramos o Steve, baixista e pessoa que fechou de forma mais que perfeita com nossa idéia de banda e com a musicalidade também. Em dezembro comecei tratativas com produtores variados do mundo inteiro para a produção do nosso disco. Fechamos com Matt Hyde, o qual gravou e trabalhou em mixagens recentes do Slipknot, Bullet For My Valentine, Machine Head, Trivium etc. Sabendo bem como queríamos soar, gravamos o disco entre janeiro e março de 2012, mesmo tendo tido apenas um ensaio com a formação completa, tamanha a química e a qualidade dos músicos!

Passamos 2012 tocando em todas as casas de shows possíveis de Londres e culminou com o convite para tocarmos no Bloodstock Festival 2012 ao lado de Alice Cooper e Machine Head!

DAIANE: E quanto sua família, todos moram no Brasil? Como é ficar longe das pessoas que você gosta? E a saudade, pode ser compensada com seu reconhecimento – agora também internacional – como um grande vocalista de Heavy Metal?

CARL: Esta questão não é fácil não. Mudar de país e começar uma vida em um lugar onde você não tem seus amigos de infância, sua família para te dar suporte, é bem complicado. Você começa do zero, literalmente, pois quando cheguei a única coisa que eu tinha era um grande amigo o qual me acolheu e dinheiro para sobreviver por 1 mes e nada mais! Você começa pegando qualquer trabalho que aparece e agarrado em sonhos, metas e objetivos claros, você tira forças para enfrentar tudo e todos.

Eu sempre soube muito bem o que queria para mim e, mais ou menos, também sempre tive uma idéia bem clara do que teria que fazer para, quem sabe, um dia alcançar e viver meus sonhos os quais posso dizer que, com as dificuldades e alegrias sempre presentes, como em qualquer vida ou lugar do mundo, vivo diariamente todos meus sonhos. Sem sacrifício, você não chega a lugar algum e tenho certeza que a distancia ira cada vez ser menor.

DAIANE: Você pensa em voltar para o Brasil? E por quê?

CARL: Nunca diga nunca para absolutamente nada, porém não tenho planos muito menos objetivo de voltar a viver no Brasil. Eu além de brasileiro, carrego a herança familiar de ser Italiano também e nos próximos meses vou me naturalizar britânico. Adoro absolutamente tudo aqui no Reino Unido e mesmo quando faço viagens dentro da Europa, sempre que retorno a Londres sinto aquela sensação boa e alivio de ”UFA! Estou de volta em casa!”. Existem pessoas que não fecham, não se adaptam. Eu sinto que é como se eu já tivesse vivido aqui em vidas passadas. Aqui É casa para mim porém nasci a alguns milhares de km’s de distancia 

DAIANE: O que você acha atualmente da cena do Heavy Metal no Brasil, com todos os acontecimentos e repercussões com eventos mal sucedidos como o Metal Open Air e os depoimentos de muitos músicos sobre a falta de apoio ao gênero e até mesmo de fans?

CARL: Olha, é uma questão complicada. Sempre vi a cena brasileira como “O importado é melhor”. Já dividi palco com artistas internacionais muito ruins. Já assisti apresentações muito ruins de artistas que vão tocar no Brasil para algumas centenas de pessoas que pagam ingresso para ver tais nomes, porém não paga para assistir bandas como Hibria, na minha opinião, melhor banda de Heavy Metal do Brasil a muitos anos, e o próprio Scelerata. Não existe a cultura e, na minha opinião, se isso um dia mudar, não estaremos mais aqui para ver acontecer. Admiro demais as bandas, os músicos, que não desistem e que seguem sonhando e trabalhando, bancando suas bandas com trabalhos diversos para poderem continuar gravando e lançando material de qualidade. O mais importante é sempre manter a chama dos sonhos acesa, pois através dela você tem força para levantar e encarar o que for em busca dos seus objetivos! Músicos os quais não apenas sonham, mas concretizam sonhos gravando discos, lançando seus trabalhos, tocando com ídolos e etc, são pessoas extremamente felizes ou, pelo menos deveriam ser, pois vocês todos assim como eu, tem sonhos, tem uma razão maior para encarar o mundo e, eventualmente, fazê-lo um lugar melhor para todos nós!

DAIANE: E como é a cena do Heavy Metal aí na Inglaterra?

CARL: O Heavy Metal é gigantesco em todos os 4 cantos do planeta. Se você assistir aos filmes e documentários do Sam Dunn, terás uma idéia do quão importante é o estilo/gênero. O Reino Unido tem vários festivais como Download, Bloodstock, Hard Rock Hell, Reading etc etc etc. As pessoas se programam com meses de antecedência para irem aos festivais de verão. Faz parte da cultura daqui e posso garantir que, é algo extremamente singular passar um final de semana em Donington com seus amigos, conhecendo outros “brothers of metal” andando para cima e para baixo assistindo em 5 palcos diferentes desde bandas novas a bandas mega reconhecidas mundialmente. Tudo em clima de paz, tranqüilidade e alegria. Todos os shows que ocorrem por aqui, sempre, se não lotação completa pelo menos 70-80% das casas cheias. Aqui não existe divisão, ou preconceitos ridículos. Ninguém vai te julgar se você esta vestido todo de preto, com crucifixo virado ou de spandex amarelo. Aqui o fã de Cradle of Filth e Cannibal Corpse, toma cerveja com o fã de Twisted Sister e Steel Panther, e isso demonstra a capacidade e a cultura do povo, muito diferente de países como o Brasil.

É mais fácil de você se apresentar pois tem muitas casas de show, muitos promotores e muuuitas bandas. Todas casas, seja um pub ou um club para 300 pessoas, tem o PA Básico, sistema de iluminação Básico. Equipamento é acessível seja novo ou segunda mão. O músico aqui não é questionado “Ok, mas no que você trabalha mesmo?!”, pois artista em geral, seja musico, pintor, ator ou o que for, tem seu valor e é muito apreciado. Isso se chama riqueza de cultura.

Posso garantir que, o Heavy Metal esta cada vez mais forte, cada vez com mais fãs e vamos viver nos próximos 10 anos uma grande mudança na cena geral mundial, com dinossauros do rock e do metal aposentando-se e uma nova geração vindo atrás.

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DAIANE: A STORMBORN tem alguma previsão de ir ao Brasil para divulgar o trabalho da banda?

CARL: Eu tenho estado bem ocupado. 2012 foi um ano sensacional, pois além de termos começado o Stormborn, gravamos disco, fechamos com empresas de management e booking e agora estamos não somente lançando o álbum, como também fechando contratos de endorsement com companhias como Seymour Duncan, ENGL, Faith Acoustic Guitars, Chapman Guitars, Dunlop entre outras, tudo isto em preparo para a gravação de nosso primeiro vídeo clip em janeiro e uma UK Tour que começa em fevereiro e vai até março, a qual com 3 meses de antecedência já esta totalmente agendada!!

Tem sido um período muito gratificante e intenso, onde tive o prazer de trabalhar com a Lauren Harris, viajando para shows e festivais na Inglaterra e na Europa, com Griffin Dickinson, o qual tem sua marca de roupas Griffin Allstar Clothing e esta me vestindo durante os shows, apresentações e turnês, fazendo inúmeras e incontáveis novos amigos e recebendo o carinho e reconhecimento de pessoas que, um dia, pareciam estar tão distantes da minha realidade e que hoje fazem parte do meu dia-a-dia. Stormborn no Brasil? Se Deus quiser, tenho certeza que em algum momento no futuro, estaremos por ai.

DAIANE: E por último, gostaríamos que você deixasse uma mensagem a todos os seus fans e amigos aqui do Brasil. E dizer que estamos muito felizes por você ter conquistado esse merecido espaço, não só aqui no Brasil, mas também aí no exterior, e agradecer de todo coração sua disponibilidade em nos conceder esta entrevista, desejar a você cada vez mais sucesso na sua vida pessoal e profissional e que você tenha um 2013 de conquistas ainda maiores, saúde e muito Heavy Metal... Sempre!

CARL: Eu que agradeço o carinho de vocês nesta entrevista e o interesse em minha carreira. Eu ainda recebo inúmeras pessoas me adicionando em facebook e twitter, as quais perguntam do Scelerata, muitos achando que ainda canto na banda. Isso apenas demonstra o quão bacana foi o trabalho feito anos atrás com a banda. Gostaria de agradecer a cada um que me escreve; que me adiciona e que escreve cartas para minha residência no Brasil (incrível, mas ainda rola isso!!).Espero que vocês escutem e façam parte do junto comigo do STORMBORN! Nunca deixem de sonhar, de viver e respirar positividade. Sejam felizes hoje e não percam muito tempo pensando no ontem ou muito preocupados com o amanhã, pois a única coisa que temos é o AGORA! Grande abraço a todos, com muita luz e carinho,

Carl Casagrande
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Sobre Daiane Gomes

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