Lothlöryen: de Tolkien à Loucura

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Lothlöryen: de Tolkien à Loucura


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Os mineiros do Lotlhöryen completaram 10 anos de carreira em 2012 e chegaram ao seu terceiro disco. "Raving Souls Society" foi lançado no início do ano e trouxa à tona uma mudança drástica na temática das letras. Deixando de lado as influências líricas de J.R. Tolkien, a banda passou agora a investir em temas menos fantasiosos e mais intrigantes, porém mantendo a sonoridade de sempre. Falamos com os guitarristas Leko Soares, que é o principal compositor da banda, e Tim Alan Wagner - completam o time Daniel Felipe (vocal), Marcelo Godde (baixo) e Marcelo Benelli (bateria) e Leonado Godde (teclado) - sobre essa nova fase lírica, o último trabalho e muito mais.

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"Raving Souls Society" pode ser considerado um divisor de águas na carreira da banda? Afinal, a partir deste álbum vocês deixaram de lado as temáticas relacionadas às obras de J.R. Tolkien.

Leko Soares (guitarrista): A intenção desde o início das gravações era de fato tornar o "Raving Souls…" nosso cartão de visitas, o álbum que apresentaríamos às pessoas quando perguntassem que tipo de som faz a banda. Portanto, acredito que não só a mudança da temática, mas a sonoridade do álbum como um todo, representa um novo marco na nossa carreira, que pretendemos usar como referência para os próximos trabalhos.

Tim Alan Wagner (guitarrista): Acredito que sim, pois em "Raving Souls Society" ocorreram várias mudanças, tanto na parte sonora quanto na parte lírica. E tem também o lance da troca de vocalistas. Muitas bandas tem seu frontman como uma espécie de marca registrada, então só o fato de mudar o vocalista já o torna de certa forma, um divisor de águas.

Por que vocês decidiram abandonar esse tipo de temática de Tolkien?

Leko Soares: Porque muitas bandas já fazem isso. Quando começamos a abordar a temática relacionada à Terra Média, não fazíamos ideia de quantas bandas já exploravam o tema. Nós queremos criar algo novo, ter liberdade para inovar e o fato de todo álbum ter algo relacionado ao Tolkien, de certa forma, estava começando a nos prender e esse tipo de enclausuramento artístico é algo de que não precisamos.

Tim Alan Wagner: Acho que faz parte de uma progressão natural, não nos sentamos em um determinado momento e dissemos: "não vamos mais usar o mundo de Tolkien nas letras". Existem diversos temas legais sobre os quais podemos escrever e acho muito importante para qualquer banda ter liberdade acerca dos conceitos líricos. Se fossemos obrigados a escrever sobre Tolkien, pode ter certeza que o resultado não iria ficar legal.

"Raving Souls Society" possui um conceito baseado nas diversas manifestações de loucura que influenciou em processos históricos e até mesmo no cotidiano das pessoas. É uma mudança drástica de temática, como chegaram até esse tema e explique-nos melhor a mensagem por trás do novo trabalho.

Tim Alan Wagner: Creio que em principio, alguns episódios ocorridos com nosso ex vocalista foram o pontapé inicial para o uso desse tema. Mas também tem a ver com o fato de que tanto o Daniel (Felipe - vocalista) quanto o Leko (Soares - Guitarrista) são fascinados por história (inclusive o Leko é professor de história). Eles desenvolveram os temas para as músicas com muita fluência e criatividade, deixando o álbum com uma temática sombria, mas ao mesmo tempo extremamente cativante.

Partindo para a sonoridade da banda, o som de vocês soa mais denso no novo trabalho, com menos passagens Folk e mais Metal e peso. Isso se relaciona a essa nova temática?

Leko Soares: Com certeza. Quando se trata de temas como loucura, insanidade, lunatismo, não vejo outra forma de transmitir a mensagem que não seja aliada ao peso e a um som mais denso. O fato do álbum ser menos Folk não foi proposital. Notamos isso quando o material já estava sendo mixado e resolvemos não forçar a barra, pois esse lado mais pesado era exatamente o que refletia melhor o momento da banda.

Tim Alan Wagner: Sim e não (risos). Acho que temas mais sinistros realmente precisam de um quadro sonoro mais denso para serem musicados, mas a mudança ocorreu naturalmente e não nos focamos em deixar a música mais direta e pesada, esse é o som do Lothlöryen hoje. É diferente do que fizemos no passado, e nada garante que faremos iguais no futuro. Mas várias caracteristicas da banda, como as melodias de guitarra, ainda estão presentes.

Enfim, como foi o processo de composição de "Raving Souls Society"?

Leko Soares: O esqueleto do álbum foi todo pré produzido na minha própria casa. Gravei as linhas principais em um Home Studio e já fomos pro estúdio tendo uma noção melhor do que queríamos fazer. A maior parte das letras e linhas de voz foram finalizadas enquanto a parte instrumental era gravada. Foram dois anos desde o início das composições até a finalização do álbum, mas apesar do enorme tempo e esforço despendidos, considero um processo antes de tudo, prazeroso e inspirador.

Tim Alan Wagner: Assim que o Daniel foi efetivado no posto de vocalista, o Leko começou a compor material novo. Ele é o principal responsável pelas composições na banda e faz isso com uma facilidade que chega a ser desleal (risos). Então conforme ele as ia gravando, passava para a banda dar uma ouvida, colocar os arranjos e assim as canções foram tomando forma.

Mesmo com esse direcionamento mais pesado e direto, as características da banda continuam intactas. Vocês concordam com isso? A que acham que deve este fato?

Leko Soares: Concordo. Mudamos, mas a essência continua a mesma e essa sempre foi a nossa intenção. Não esperem dois álbuns parecidos do Lothlöryen, pois não vai rolar. Mas a essência que liga e define nossa sonoridade, essa vai permanecer com certeza. Acho que o fato de as características da banda continuarem intactas é que mesmo mudando, eu sempre compus a maior parte do material e tento moldar as ideias da galera para que soem como Lothlöryen. Felizmente, tem dado certo e acredito que já temos a receita pronta para que as características que definem nossa identidade sempre se façam presentes no nosso som.

Tim Alan Wagner: Acredito que a banda continua preservando algumas de suas características pois a maior parte do material ainda é escrito pelo Leko, e isso acaba trazendo coisas que você vai escutar e dizer: "é diferente, mas ainda é Lothlöryen!"

O álbum contou com diversas participações, dentre elas as de Héverton Souza (Eternal Malediction) e Helena Martins (Ecliptyka). Com surgiu a escolha e como foi trabalhar com esses músicos?

Leko Soares: O Héverton é brother da banda desde a época do "Some Ways back no More" (2008). Ele era o vocalista do Eternal Malediction, ex-banda do nosso produtor, Augusto Lopes. Durantes as gravações do "Some Ways" participamos de alguns churrascos na casa dos amigos do Lopes e aí conhecemos o Héverton e a galera do Eternal Malediction por lá. O convite foi automático, pois precisávamos de um vocal gutural para aquela parte da música e na minha opinião, o Héverton é de longe um dos maiores vocalistas de Black Metal do Brasil, pois além de "urrar", tem personalidade.

Tim Alan Wagner: Já a Helena, havíamos tocado junto com o Ecliptyka em um festival, e o Daniel a conhecia. Daí pintou o convite e ela topou.

A produção do disco ficou por conta de Raphael Augusto Lopes (Hangar, Dr. Sin, Baranga). Como chegaram até ele e como foi trabalhar com Raphael?

Leko Soares: Digamos que o Lopes já é o sétimo integrante do Lothlöryen (risos). Ele também foi o produtor do CD anterior que, embora por uma série de coisas, não tenha chegado 100% à sonoridade que buscávamos, nos ajudou e muito a começar a partir dali a criar uma identidade para a banda. O Lopes é essencial para nosso crescimento e amadurecimento musical. Nos mostrou possibilidades que a gente nem tinha noção que podíamos explorar e isso foi primordial para reafirmarmos nossa parceria para o "Raving Souls Society".

Outro aspecto que chama atenção pela beleza é a arte da capa. Como foi a concepção dela e como chegaram até Marcos Lorenzet?

Leko Soares: A capa foi concebida a partir de conversas minhas com o Marcus. Queríamos exatamente aquilo que ele expressou. Um manicômio no meio do nada, com um ar de contos de terror e na frente, vários personagens que expressassem a sociedade dos loucos que imaginamos. O Marcus foi certeiro e o melhor, foi surpreendentemente rápido na entrega do material, o que é uma grande vantagem em se tratando de designers (risos).

"Raving Souls Society" foi lançado no início do ano. Qual a repercussão do trabalho até então? Como ele tem sido aceito pelo público e pela mídia?

Tim Alan Wagner: Tanto o público quanto a mídia receberam muito bem nosso álbum. Superou muito nossas expectativas, foi tão bem recebido que fizemos vários shows após seu lançamento, recebemos ótimas criticas e fechamos um contrato, licenciando o álbum para fora do Brasil.

Leko Soares: Não poderia ter sido melhor. A velocidade na distribuição do material pela Shinigami Records contribuiu e muito para a rápida repercussão do trabalho. Em termos de notas, o Raving Souls Society atingiu nota máxima em vários veículos e o mais legal é que a grande maioria das resenhas foi feita por pessoas que de fato ouviram e compreenderam a intenção do álbum. Lógico, sempre tem um ou dois ouvidos limitados, que se prendem ao timbre do vocalista, ouvem o álbum uma ou duas vezes e ficam nos enchendo o saco com comparações aqui e ali, mas em geral, estamos mais do que satisfeitos com a repercussão.

Quais canções do novo trabalho tem se destacado nos shows? Aliás, como anda a agenda da banda?

Leko Soares: Estamos tocando 5 músicas ao todo. Metade do álbum. Acredito que a recepção tem sido a melhor possível para todas elas. Em alguns shows, a galera pira mais na Burning Jacques, em outros na Face your Insanity, mas no geral, a receptividade tem sido a mesma para todas elas, o que nos deixa de fato, lisonjeados e surpresos pela compreensão do novo material por parte do público.

Tim Alan Wagner: A recepcão tem sido ótima, o público tem se identificado bem com as músicas do novo álbum. Temos feito vários shows, voltamos a tocar uns 6 meses antes do lançamento de "Raving Souls", e até hoje fizemos quase 40 shows, uma ótima média para uma banda no Brasil.

Vocês chegaram a lançar o trabalho no exterior? A Lothlöryen tem intenção de excursionar fora do país?

Tim Alan Wagner: O álbum será lançado pela Power Prog na Europa e na América do Norte, no dia 30 de novembro, ou seja essa semana. A banda tem planos para shows fora do país, mas só vamos divulgar com exatidão, de preferência quando já estivermos lá fora (risos).

São 10 anos de carreira e 3 discos na bagagem, além de um nome consolidado no cenário metálico nacional. Não seria, em um futuro breve, uma boa pedida lançar um trabalho ao vivo e até um DVD? Quais os planos da banda daqui em diante?

Tim Alan Wagner: Estamos em processo de filmagens para um futuro documentário sobre a banda. No momento, estamos coletando registros de shows e várias filmagens "on the road". Quem sabe não gravamos um show completo e lançamos junto ao documentário?

Parabéns pelo belíssimo trabalho, muito obrigado e podem deixar uma mensagem aos fãs e leitores.

Tim Alan Wagner: Agradecemos a todos que apoiam hoje e sempre a cena Heavy Metal no Brasil, sem vocês um trabalho como o nosso jamais seria possível.

Um abraço a todos!

Leko Soares: Agradeço a oportunidade. Esse espaço que os blogs e sites nos cedem é precioso demais pois é a partir daí que entramos em contato com novos fãs e conseguimos exprimir melhor nossas ideias através das entrevistas. A mensagem que deixo é: Apoiem as bandas nacionais, comprem os CDs. Se não der pra comprar, baixe o trabalho em alta qualidade. Escute várias vezes antes de dar sua opinião. Antes de criticar, lembre-se que as bandas gastaram muito tempo e dinheiro até o trampo chegar aos seus ouvidos. Foram meses, às vezes anos, até que o material estivesse finalizado, portanto, reflita e depois escreva, nunca o contrário (risos). Compareçam aos shows, curta as fan pages das bandas que você gosta. Enfim, se você quer que o Metal nacional cresça, faça sua parte, pois as bandas em geral tem feito a parte delas, e muito bem, diga-se de passagem. FOLK YOU!!!

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Sobre Vitor Franceschini

Jornalista graduado tem como principal base escrever sobre Rock e Metal, sua grande paixão. Ex-editor do finado Goredeath Zine, atual comandante do blog Arte Metal, além de colaborador de diversos veículos do underground.

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