A Chave do Sol: "o cão São Bernardo que curtia Blues"

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A Chave do Sol: "o cão São Bernardo que curtia Blues"


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Comemorando 30 anos de sua fundação, a pioneira banda do hard rock brasileiro A CHAVE DO SOL esboçou um retorno aos palcos me meados de 2012, porém só um "pocket show" ocorreu. O que teria acontecido com a banda? Para exclarecer essa pergunta que tira o sono dos amantes do metal nacional e resgatar algumas "curiosidades histórias", Willba Dissidente bateu um papo (por e-mail) com o guitarrista e membro original Rubens Gióia.

A entrevista, intitulada "O cachorro que curtia blues, o que é e o que passou" foi publicada originalmente no blog: A CHAVE DO SOL, site destinado a reunir o material de acervo da banda e também divulgar as novidades do conjunto. Confira abaixo!

Rubens Gióia no Victoria Pub em 1983.

Quando a banda carioca METALMORPHOSE voltou à ativa em 2009, comemorando os 25 de seu primeiro disco, eu conversei – informalmente – com o baixista André Bighinzoli, que me contou sobre os planos do grupo de relançamentos e gravação de material inédito. Ao longo destes 03 anos, muito do que ele me contou realmente aconteceu. Então, eu pergunto, quais são os planos de retorno d' A CHAVE DO SOL? Em boas palavras: o que devemos esperar dessa volta?

Rubens Gióia: A expectativa era grande... mas tanto o Zé hoje no VIOLETA DE OUTONO e o Luiz na banda PEDRA inviabilizam... quase aconteceu, mas como estão trabalhando ativamente não foi possível. Com a aquiescência deles montei uma nova formação, até porque A CHAVE DO SOL é uma franquia minha, criada quando eu tinha 14 anos, e está em estudos... quem sabe em algum momento uma reunião seja possível, nos damos bem.

Cada uma das vezes que A CHAVE DO SOL retornou, você trouxe consigo uma nova formação, sempre com músicos expressivos e experientes em rock pesado. Como foi o processo de seleção do time atual d' A CHAVE DO SOL?

Rubens Gióia: Respeito musical e amizade... basicamente... e respeito à essência da Chave.

Rubens ao vivo no Clube Sete Praias, em Interlagos (São Paulo), durante o "Outubro Music Festival", 1986.

A CHAVE DO SOL é um grupo que passou por muitas mudanças de estilo dentro do rock pesado, indo da linha do jazz-rock ao hard rock mais comercial, por vezes em músicas com aura de heavy metal; alterando, gradualmente, as composições do português para o inglês. Com que temática, estilo e língua você preferiria compor músicas novas com a banda?

Rubens Gióia: A Chave mais notória, que se pautava pelo perfeito entendimento do Zé, mais jazzista, e o Luiz, um músico completo e eclético... acho que o peso vinha das minhas mãos...

Quando você não quis mais continuar com a banda em 1987, o sucederam guitarristas que se tornaram muito famosos no metal nacional – Eduardo Ardanuy (DR. SIN) e Kiko Loureiro (ANGRA). Estes músicos, entretanto, são de outros gêneros musicais de metal, enquanto que você manteve-se no ‘mesmo estilo de som’ na PATRULHA DO ESPAÇO e no YANKEE. Você nunca cogitou fazer um outro estilo de mais aceitação comercial para atingir maior sucesso?

Rubens Gióia: Nunca entendi arte como comércio, apesar de querer subsistir dela... saí justamente porque A CHAVE DO SOL estava tomando rumos mais mercadológicos que artísticos.

O grupo mineiro HOLOCAUSTO fez um disco, Campo de Extermínio (1987), abordando o nazismo de maneira que há muitos que o acuse de apologia ao regime de exceção. A CHAVE DO SOL possui músicas que tem postura política oposta à citada, denunciando desigualdades sociais e a opressão. Quem assistiu o documentário “Ruido das Minas (2009)” viu o HOLOCAUSTO afirmar que apenas contava uma história da Segunda Guerra Mundial e não apoiava o Reich. E A CHAVE DO SOL, uma música como Sun City somente conta a história da lutas dos negros, ou a banda acreditava na mensagem passada?

Rubens Gióia: No nosso caso acreditávamos e certamente acreditamos... sempre achamos que a arte é uma arma poderosa... temos posições humanísticas e achamos que pudéssemos ser um instrumento de conscientização...não panfletária nem partidária, mas a serviço de levar opinião e esclarecimento... quem foi às nossas gigs no Lira Paulistana viu uma mistura de som, performance, literatura e atitude... creio...

A CHAVE DO SOL clássica, antes da gravação do primeiro compacto. Zé Luis (bateria), Luiz Domingues (baixo) e Rubens Gióia (guitarra).

Conversando com Nivaldo da loja STAND UP, galeria do rock de São Paulo, ele me contou que quando tocava com a banda SUBURBIO (que incluiu o guitarrista Edgar Scandurra, do IRA) fez um show com A CHAVE DO SOL na Av. Ibirapuera numa casa chamada APonto. Isso ocorreu entre 1978 e 1980, época que o grupo contava com Dedé e Silvio, antes do início oficial da banda em 1982. A CHAVE SOL antes do Luiz Domingues e do Zé Luis era o mesmo grupo? Há alguma estória interessante dessa época que você queria contar ao blog?

Rubens Gióia: Tá bem informado, hein? Realmente... foi uma das casas mais bacanas que conheci... Aponto... como falei, A CHAVE DO SOL foi um sonho meu de adolescência... nesta busca entrei na SANTA GANGUE e lá conheci estes tipinhos que compraram meu sonho... posso dizer que A PATRULHA DO ESPAÇO, na pessoa do Jr (nota: Rolando Castello Júnior), foi o Grande padrinho... o conheci neste bar e ele abriu a casa dele pra que eu assistisse ensaios e até emprestar equipamento pra essas gigs no bar... vale ressaltar uma vocalista que tivemos, a Verônica... uma moça de 1.80 modelo loira com a voz da Tina Turner, que eu conheci num bar chamado Deixa Falar, antes Be Bop A Lula, que lançou MUTANTES e TERÇO... aliás, palco da primeira jam da CHAVE DO SOL mais conhecida... a primeira vez em que tocamos juntos eu, Zé e Luis, compusemos 18h, que seria nosso primeiro “hit”. Além de Scandurra, neste bar eu vi o grande guitarrista Renato Ribeiro e o embrião do ULTRAJE À RIGOR, entre outros... O Aponto bar virou uma segunda casa pra mim... conviver com músicos desse naipe foi determinante... interessante é que havia um São Bernardo, o cão mesmo, que só saía da casinha dele quando se tocava blues... o palco era suspenso e ele se posicionava em baixo e à frente uivando... AUUUUUUUUUUUUUUUUUU!!!!... tempos bons, honestos e livres...

Willba Dissidente agradece aos amigos Rubens Gióia, pelo tempo e atenção, e Luiz Domingues, que cedeu as imagens que ilustram essa matéria.

Sites relacionados (em português):

http://achavedosol.blogspot.com.br
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Sobre Willba Dissidente

Willba Dissidente é fã das bandas de hard rock dos anos 70 e 80 e de metal oitentista dos mais variados países. Quem quiser saber mais deve acessar seu canal no youtube. Obrigado! Stay Hard (True As Steel)!

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