Influências, turnê pelo país, composições, novidades e muito country/hardcore. O guitarrista do Matanza, Maurício Nogueira, concedeu uma entrevista exclusiva para o Guitar Talks, e esses foram os assuntos da conversa. A banda é destaque na cena alternativa nacional e, no clube deles, quase todos os canalhas são bem vindos. Assim como Erasmo Carlos, eles também têm de manter a fama de mau.
Guitar Talks - Vocês tem um instrumental forte e pesado e foram inventores desse estilo country/hardcore. Quais são as influências do Matanza no country (Além do Johnny Cash) e no hardcore?
Maurício Nogueira - Bom valeu! Mas em primeiro lugar, não sei se inventamos esse lance, mas no country tem Willie Nelson e bandas como a Irish. No hardcore/metal tem o Slayer, Exploited e o Motorhead.
Guitar Talks - Quais as dificuldades que vocês encontraram ao longo da carreira, até conseguirem se estabilizar como uma das maiores bandas no cenário alternativo nacional?
Maurício Nogueira - Eu entrei na banda há 5 anos, então não peguei a banda no inicio, mas já estive em outras bandas e pelo que conversamos as dificuldades são as mesmas. Acho que estamos nesse bom patamar por que trampamos muito sempre, com projetos, lançando discos e nunca paramos de fazer shows. Isso cria um vínculo com a galera que sabe que vamos estar no palco tocando a “porradaria” pra eles.
Guitar Talks - Você acha que é difícil fazer rock do jeito que vocês fazem no Brasil hoje? Por quê?
Maurício Nogueira - Hoje não está muito difícil. Existem muito mais meios de divulgação, tanto quanto instrumentos e gravação têm uma qualidade maior, com facilidades e com preço bem melhores que há 20 anos. Quando comecei, reconheço que foi complicado conciliar o trampo com a banda, família, tudo. É certo que tem que, tipo, viver na estrada. Esse é o lance, trabalhar em todas as frentes para a banda rolar.
Guitar Talks - Quem é que pode, e quem é que não pode entrar no “Clube dos Canalhas” pro Matanza?
Maurício Nogueira - Todos os canalhas e, principalmente, as canalhas de bom gosto que sacam o que isso significa: churrasco, cerveja, velocidade, festa, ressaca. Agora canalhas do lado negativo tem mais é que se foder! (risos)
Guitar Talks - O último disco de vocês (Odiosa Natureza Humana - 2011) foi gravado em fitas de rolo, sem nenhuma interferência digital. Por que vocês preferiram essa opção de gravação?
Maurício Nogueira - A gravação analógica é muito mais fiel ao som original que sai da bateria, do amplificador e, principalmente, não tem edição nem truques de computador. Foi tudo feito ao vivo em três dias direto e reto, por isso ficou bom, sabe? Sem frescuras e muita produção. Soa como a banda é ao vivo.
Guitar Talks - Como surgiu a ideia do Matanza Fest?
Maurício Nogueira - Bem, é um lance que a gente ficou a fim de fazer para realizar uns shows com estrutura legal, bebida barata e um monte de banda de camarada. Nós estamos produzindo tudo, sabe? Ás vezes nós pegamos produções complicadas daí, como já temos uma experiência e uma equipe muito boa, decidimos fazer um show em que gostaríamos de tocar, com estrutura boa, som bom para as bandas, tudo com tempo correto e, principalmente, para a galera que vai ver ter um puta show a um preço honesto, com algumas coisas pra curtir por lá também.
Guitar Talks - O Donida é o compositor das letras do Matanza e vocês as interpretam muito bem. Vocês concordam com tudo que ele escreve? São pensamentos e ideologias que vocês também possuem?
Maurício Nogueira - Cara, o Donida foi o primeiro cara que eu conheci da banda e ficamos um tempo tocando juntos para ele me passar as músicas e tudo. Aí saquei todo o lance, sabe? Não há como não concordar com as coisas que ele escreve. O Matanza é tipo uma história com vários capítulos que a cabeça dele vai criando.
Guitar Talks - Ano passado vocês tocaram no Rock in Rio para um público enorme ao lado do B. Negão. Como foi aquela experiência? O Rock in Rio começou a divulgar as primeiras bandas confirmadas para o evento. Essa é uma dose que vocês gostariam de repetir?
Maurício Nogueira - Muito foda! Fomos a primeira banda do dia com a galera a mil, isso é que foi foda! A molecada com sede de som, porrada e curtir muito. Ter o B. Negão junto foi foda. Ninguém esperava, mas o B. é respeitado por todos pelo trampo de qualidade que faz e foi tudo ali dentro do contexto do palco e do show. Se rolar de novo será melhor ainda!
Guitar Talks - O que podemos esperar do Matanza nesse final desse ano e em 2013?
Maurício Nogueira - Bem agora em novembro sai o novo disco Matanza, “Thunderdope”, com regravações antigas de músicas cantadas em inglês e com muito hardcore, metal e country pra galera. Tá muito bom o play. Fora isso, temos o Matanza Fest que percorrerá muitos lugares com as melhores bandas da região para todo mundo encher a cara e vomitar tranquilo! (risos) Temos mais alguns projetos paro o ano que vem, mais ainda não podemos revelar. Mas garanto que será loucão!
Guitar Talks - Obrigado pela entrevista! Gostariam de deixar um recado aos fãs do Matanza e leitores do Guitar Talks?
Maurício Nogueira - Valeu aí! E vamos tocar guitarra direito por ai com muita barulheira, distorção e volume no talo! Abraços!
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Crysthian Gonçalves, 19 anos, estudante de Jornalismo na FMU, vocalista e guitarrista da banda de rock alternativo Vontrap, fã de boa música como os ídolos Rolling Stones, Queen e Red Hot Chili Peppers, é administrador e entrevistador do site entrevistas Guitar Talks onde apresenta conversas com grandes bandas da cena musical.
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