Minuto HM: entrevista com Dani Nolden, da Shadowside

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Minuto HM: entrevista com Dani Nolden, da Shadowside

Press-Release postado por Eduardo Bianchi Rolim | Fonte: Minuto HM

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O Minuto HM abre novamente espaço para a banda Shadowside e traz abaixo a ótima entrevista exclusiva concedida pela Dani Nolden ao blog. Tenho que antecipar que fiquei muito impressionado com a qualidade das respostas e a visão de Dani, não só musicalmente, mas sobre “o todo” que envolve o trabalho de uma banda de sucesso. Vale lembrar que já falamos desta banda por aqui em algumas oportunidades, primeiramente em janeiro/2011, e depois quando o Shadowside teve a oportunidade de abrir o show do Iron Maiden no Rio de Janeiro, também em 2011, quando infelizmente perdemos a oportunidade de vê-los nas DUAS noites – vale lembrar também que trata-se do fatídico show que a grade do Iron Maiden caiu na desorganizada (para nem entrarmos neste assunto) Arena HSBC. A banda teve a chance, entretanto, de se apresentar tanto no domingo quanto na segunda. Sem mais delongas, vamos que vamos:

1) Minuto HM: Como surgiu a banda? Quais as influências gerais dos músicos e como vocês gostam de trabalhar durante as gravações neste sentido?

Dani Nolden: Nossas influências são todas e nenhuma ao mesmo tempo, se é que isso é possível (risos). Realmente não há como dizer que somos influenciados por essa ou aquela banda, porque cada integrante da Shadowside gosta de coisas completamente diferentes e nunca conseguiríamos encontrar uma banda favorita em comum entre todos nós. Sempre tem algo que ao menos um não suporta (risos). Mas nós abraçamos essas diferenças musicais, porque consideramos que isso é parte do que torna o Shadowside interessante e foi exatamente assim que a banda começou. Começamos com a ideia de explorar a música, explorar ideias e criar heavy metal de todas as maneiras que achamos que soa bem, que é divertido tocar e ouvir, sem pretensão alguma, exceto a de gravar um CD demo e mostrar para as pessoas para ver o achavam do que estávamos aprontando (risos). Desde o início da carreira, estávamos em busca do que fizemos hoje, tanto o resultado quanto a forma de trabalhar que encontramos no Inner Monster Out. Fizemos tudo juntos, todos nós demos ideias e modificamos todas as músicas. Eu e Raphael chegamos ao estúdio com metade das ideias iniciais cada um, porém nenhuma das demos que nós mostramos no início da composição do Inner Monster Out é igual ao que acabou chegando ao álbum. Nós permitimos que as influências e personalidades diferentes de cada um de nós fizesse parte de todas as músicas e adoramos o resultado. É um trabalho que todos nós gostamos, todos nós fizemos parte dele.

2) Minuto HM: Falando em influências, quais artistas e bandas, individualmente, ajudaram na formação musical de cada músico da banda?

Dani Nolden: Eu não posso falar pelos rapazes, mas tudo começou para mim com Queen, pois aos 8, 9 anos de idade, eu os escutava todos os dias. Depois aos 12 passei para o Hard Rock com bandas como Skid Row e isso acabou me levando ao Heavy Metal, com Iron Maiden, Judas Priest. Esses são provavelmente os grandes responsáveis por eu ter me apaixonado por rock e metal, e são sem dúvida alguma aqueles que mais me influenciaram quando eu estava começando a cantar. Tudo que eu queria quando comecei a dar meus gritos era soar como esses caras (risos).

3) Minuto HM: Logo no início de 2011, o Minuto HM já estava abrindo espaço para o Shadowside e acompanhando o trabalho de vocês. Como está sendo trabalhar agora tanto com o mercado europeu, quanto asiático e norte-americano? O aclamado Inner Monster Out está ajudando a alavancar também os trabalhos mais antigos?

Dani Nolden: Muito obrigada pelo espaço! Nós sempre trabalhamos bastante com o exterior, acho que a maior novidade agora para nós é o mercado asiático, onde tínhamos pouquíssima experiência. Porém, antes da gravação do Inner Monster Out, já tínhamos muita atividade fora do Brasil, havíamos feito várias turnês nos Estados Unidos e passado por 19 países europeus, alguns sozinhos, em outros com o W.A.S.P.. Mas sem dúvida o ponto alto da nossa carreira é agora, com o Inner Monster Out e eu acredito que ele acaba colocando em evidência toda a carreira da banda, pois os fãs que estão chegando agora querem conhecer o que fizemos até hoje. Agora com a internet, os fãs descobrem o set list, baixam as músicas que sempre tocamos, cantam junto e compram todos os CDs após o show (risos). O fã de Metal sempre vai atrás da discografia toda quando gosta de uma banda, o relacionamento de um fã com as suas bandas favoritas é algo muito especial.

4) Minuto HM: Como funciona a mecânica de composição e gravação de material da banda?

Dani Nolden: Qualquer um de nós que tem uma ideia a apresenta ao restante da banda e então modificamos essa ideia até que ela se torne uma música com a cara da banda, que agrade a todos nós. Cortamos partes, criamos partes novas, modificamos estruturas, riffs, melodias… nada é responsabilidade exclusiva de qualquer um de nós e todos nós podemos dar palpite em tudo. Eu acho divertido trabalhar dessa forma, pois o processo de composição nunca se torna um fardo… sabemos que se ficarmos sem ideias para uma música, temos os outros membros para ajudar a terminá-la. Dessa forma nossas ideias estão sempre renovadas, pois um acaba inspirando o outro, sem métodos ou fórmulas pré-estabelecidas. Durante a gravação na Suécia, ficamos focados no álbum 24 horas por dia, 7 dias por semana. Gravamos durante o inverno europeu, então você deve imaginar como estava frio demais para nós brasileiros, ainda mais para Raphael e eu, criados na praia (risos). Estávamos em uma área industrial, nada turística, então nossa vontade era de trabalhar nas músicas o tempo todo. Como estávamos literalmente morando no estúdio e ficamos lá por 3 semanas, era comum encontrar ao menos duas pessoas trabalhando a qualquer hora do dia… muitas vezes alguém não conseguia dormir e ia gravar às 4h da manhã. Foi uma gravação confortável, sem pressão, tivemos tempo para experimentar ideias e fazer o trabalho sem medo de ficar sem tempo. Sem contar que, como cantora, não tem algo melhor que levantar da cama, tomar o café da manhã e ter apenas que abrir a porta do estúdio para começar a gravar. Era como cantar na minha própria casa, sem qualquer desgaste e senti que todos nós rendemos muito mais. Claro que também tínhamos Fredrik como nosso guia o tempo todo, mas a possibilidade de morarmos no estúdio durante o mês de gravação fez com que tudo fluísse muito melhor do que nos nossos trabalhos anteriores.

5) Minuto HM: Sobre o cenário do metal no Brasil: como você avalia o atual momento? E, aproveitando, o que vocês podem compartilhar conosco sobre o fiasco do Metal Open Air este ano?

Dani Nolden: Estamos vivendo o melhor momento do cenário no Brasil, na minha opinião. Nunca tivemos um número tão grande de boas bandas, de locais com boa estrutura para tocar, de público engajado e que realmente gosta das bandas. Eu não vejo mais um público que diz apoiar o metal nacional apenas porque é nacional… eu vejo hoje fãs de verdade, daquele que realmente gosta da banda, que compra tudo que pode, não só para apoiar, mas porque tem prazer em ter CDs, camisetas da banda da qual ele é fã. Vejo as pessoas cantando cada palavra das músicas nos shows, lotando casas, esgotando ingressos… sinceramente não tenho do que reclamar. Vejo cada vez mais organizadores de eventos levando banda e público a sério, entendendo que não é porque é “underground” que precisa ser feito de qualquer jeito. Acho que o Metal Open Air ensinou a todos o que não fazer (risos). Sobre esse evento, apenas sugiro que quem pagou ingresso não desista de procurar seus direitos.

6) Minuto HM: O Shadowside já tem em seu curriculum tocar para diferentes públicos e abrir para bandas de altíssimo nível, como Nightwish, Helloween, Primal Fear, Shaman e até mesmo para o Iron Maiden. O que vocês podem contar destas experiências?

Dani Nolden: É sempre interessante dividir o palco com outros artistas, mas não existe qualquer experiência parecida com a de ser a banda de abertura do Iron Maiden, especialmente quando essa banda precisa ser aprovada por eles. Nós somos uma banda bebê perto deles, tudo que conquistamos até hoje obviamente não chega aos pés da carreira deles, e mesmo assim fomos tratados com extremo respeito, sem limitações no som, com permissão da equipe deles para entrarmos mais tarde no palco já que a abertura dos portões havia atrasado e eles queriam que tocássemos já com a casa cheia. Foi realmente uma honra tocar no mesmo palco que eles. Ser a banda de abertura é sempre um desafio, porque você nunca sabe como o público vai reagir. Você tem 5 minutos para convencer as pessoas de que vale a pena prestar atenção durante aqueles 45, 60 minutos que você vai tocar antes deles decidirem que é melhor ir beber (risos). Felizmente nunca tivemos problemas ou reações ruins em todas as aberturas que tivemos, muito pelo contrário. Quando estávamos começando, fizemos uma boa base de fãs tocando com artistas como Helloween e Nightwish. Hoje nosso trabalho seja talvez um pouquinho mais complicado, pois além do desafio de conquistar quem ainda não nos conhece, temos a responsabilidade de agradar a quem já é fã. No início, não tínhamos responsabilidade alguma, pois se a coisa não funcionasse, teríamos apenas que parar tudo e mudar de nome (risos).

7) Minuto HM: Nos últimos anos, percebeu-se um grande aumento no número de mulheres em shows de metal no país. Quais fatores você acredita que influenciaram neste sentido e, falando especificamente sobre você, as mulheres também acabam se “identificando” mais em algumas oportunidades com a banda?

Dani Nolden: Eu acredito que sim. Penso que as bandas com mulheres na formação fizeram com que outras meninas e mulheres percebessem que o estilo não é apenas para homem. Quando comecei a ir a shows, e depois a fazer shows com o Shadowside, eu percebia que a presença feminina em shows com mulheres no vocal era muito maior. E aos poucos isso fez com que elas abrissem a mente pra todo o Heavy Metal. Há 10 anos atrás, meninas não gostavam do que era “pesado demais”. Existiam exceções, é claro… como eu mesma (risos). Mas a maioria gostava do que era mais bonito, mais delicado. Hoje o peso não é mais um problema, foi uma questão de costume, de conhecer e se apaixonar pelo estilo. Isso acaba gerando mais bandas com mulheres nas suas formações… logo mulher em banda e no meio do público não vai ser mais surpreendente. Acredito que já não é mais tão surpreendente assim, mas será tão corriqueiro que não será mais necessário descrever uma banda pelos “vocais femininos”.

8) Minuto HM: Como foi a participação da banda no “11th Annual Independent Music Awards“? Como foi representar o país nesta premiação e quais os benefícios que vocês estão tendo desde então?

Dani Nolden: Eu nos inscrevi em segredo e sinceramente não esperava que chegaríamos entre os 5 finalistas, por isso nem contei para os caras. Quando soube que éramos finalistas, avisei a eles e foi como jogar uma bomba no colo deles pois eles nem sabiam que estávamos participando (risos). É uma honra podermos representar o Brasil dessa forma, é uma premiação muito importante com jurados ainda mais importantes como Keith Richards e Ozzy Osbourne. Vencermos este prêmio é mais um degrau que subimos, de forma muito mais especial que poderíamos esperar ou querer, já que veio através do público. Os fãs deram esse prêmio para nós, que já foi dado à bandas como Lacuna Coil há alguns anos atrás. Nós estamos muito surpresos, acho que aos poucos estamos percebendo como o número de fãs que nos segue está crescendo. Nenhum de nós imaginava que tínhamos chance de vencer, especialmente porque algumas bandas realmente grandes estavam competindo, como o Asking Alexandria. Para nós, a vitória deles era praticamente certa. Lembro que na última semana de votação, os organizadores do Independent Music Awards enviaram um e-mail à todos os finalistas, avisando que o tempo para que os fãs votassem estava acabando e que todos deveriam fazer suas últimas campanhas… como nós não acreditávamos que tínhamos chance, acabamos deixando de lado, pois não queríamos encher o saco dos fãs por algo que não conseguiríamos vencer… e então para nossa surpresa, o e-mail de anúncio dos vencedores chega dizendo: “…e o vencedor da categoria álbum de Metal/HardCore é… SHADOWSIDE!”. Eu achei que era um daqueles e-mails falsos, para roubar senhas, essas coisas… só acreditei quando vi no site (risos). Tudo isso significa que avançamos um pouquinho mais, pois muita gente importante como Ozzy Osbourne e Keith Richards, além de renomados profissionais da indústria musical, fizeram parte desse concurso, além do prêmio ser em forma de divulgação extensa nas rádios, em distribuição para milhares de pessoas de um CD com músicas de todos os vencedores. É provável que isso resulte na maior turnê pelos Estados Unidos que já fizemos até hoje, especialmente porque antes de vencermos, também alcançamos a 9ª posição entre as bandas de Metal e Hard Rock mais tocadas nas rádios dos EUA, de acordo com o CMJ. As coisas estão acontecendo bem rápido, mas isso apenas significa que temos ainda mais trabalho pela frente. Porém, estamos felizes por termos a oportunidade de representar o país e estarmos recebendo um apoio fantástico dos fãs. Se perdêssemos, apenas o fato de estarmos na final já nos abriu muitas portas e resultou em uma exposição enorme para nós nos Estados Unidos. É bem provável que façamos nossa maior turnê norte-americana até hoje, por causa disso. Nosso público por lá aumentou muito depois do lançamento do Inner Monster Out. Ainda estamos processando esta informação (risos).

9) Minuto HM: Como a banda está planejando seus próximos passos, considerando um cenário de 5 anos?

Dani Nolden: Faremos turnês e mais turnês, sem dúvida alguma! Nós raramente planejamos tão distante assim. Temos planos até final de 2013, que incluem shows no Brasil, Europa e Estados Unidos. Quando terminarmos isso ou durante essas turnês, começaremos a pensar em um novo álbum. Só então vamos ver onde isso vai dar. Nossa única vontade a longo prazo é fazer álbuns cada vez melhores. Temos como objetivo nunca lançar um material que não seja superior ao anterior então não temos pretensão de lançar 4 álbuns em 5 anos, por exemplo. Pode ser mais um, podem ser mais cinco. Desde que eles nos permitam continuar levando nossa música pelo mundo e pelo Brasil todo, estaremos felizes.

10) Minuto HM: Para terminar, gostaríamos de deixar o espaço em aberto para qualquer mensagem ou recado para os leitores do Minuto HM e fãs.

Dani Nolden: Muito obrigada ao Minuto HM e a todos os fãs que sempre nos deixam palavras de apoio nas redes sociais, espero que todos tenham curtido o Inner Monster Out e continuem incomodando seus vizinhos com o CD no volume máximo (risos). Estamos fazendo vários shows pelo Brasil então fiquem ligados na agenda do nosso site pois estaremos em breve perto de vocês. Nos vemos na estrada!

Minuto HM: Agradecemos imensamente pela oportunidade e desejamos muito sucesso à banda!

Dani Nolden: Obrigada por tudo!

Para ver a matéria original, inclusive com links dos assuntos mencionados na entrevista e fotos, acesse o Minuto HM.

http://minutohm.com/2012/09/02/minuto-hm-entrevista-dani-nol...

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Sobre Eduardo Bianchi Rolim

Paulistano, nascido em 1982, bacharel em Sistemas de Informação pelo Mackenzie e pós-graduado em Administração de Empresas (CEAG) pela FGV. Tem como paixão as bandas Iron Maiden e MetallicA, mas é fã de rock e metal internacional em geral. Alguns hobbies são: acompanhar o time do coração, Corinthians; doente por Back To The Future e Indiana Jones; viajar; Playstation; jogar o eterno Duke Nukem 3D. Carros em geral e F1 em especial. Tudo que pode ser relacionado à tecnologia (software e hardware). Ama os velhos receivers valvulados e aquelas maravilhosas caixas pesadas e potentes. Fã do Whiplash desde os primórdios. Criador e administrador do Minuto HM (www.minutohm.com), o blog da família do Heavy Metal (Twitter: @minutohm).

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