Hangar: mostrando que a cena nacional ainda tem força

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Hangar: mostrando que a cena nacional ainda tem força


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O Hangar dispensa maiores apresentações e, apesar de 15 anos de trajetória, pode-se considerar que é uma das mais importantes bandas do cenário nacional. Realizei esta entrevista com Nando Mello e Aquiles Priester, onde falam sobre a carreira, e demonstram que, quando alguém se propõe um objetivo, pode sim alcançá-lo, mostrando que a cena nacional ainda tem força.

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Vicente - Após 15 anos de uma bem sucedida carreira, qual a avaliação que fazem da trajetória do Hangar?

Nando Mello – Acredito que tudo aconteceu ou está acontecendo no seu devido momento. Para chegarmos até 2012 tivemos que passar por todas as experiências como uma banda iniciante de 1997 até 2001, por exemplo. A grande diferença é que sempre vivemos tudo com muita intensidade. O nível de exigência entre nós mesmos sempre foi muito grande e talvez isso tenha contribuído bastante para chegarmos 15 anos depois ainda vivos na cena.

Aquiles Priester – Num momento em que a maioria das bandas está reclamando da falta de shows, temos problemas para encaixar tudo que queremos fazer na nossa agenda. Somos muito gratos a todos os nossos fãs que nos dão forças para seguir adiante. A nossa história ainda está no começo... Agora que estamos realmente nos divertindo... O pior já passou.

Vicente - O mais recente disco de inéditas da banda é o “Infallible”. Como foi a gravação do mesmo, rolou tudo como esperavam?

NM – Muita gente achava que não superaríamos a saída do Nando que foi antes da gravação. Eu me lembro que nem tivemos tempo para lamentar, saímos direto de uma situação ruim e 10 dias depois estávamos em um sítio compondo o CD. O que era para ser uma crise acabou sendo uma benção. Eu acho que o “Infallible” foi um disco de transição. Conseguimos direcionar a banda para um público bem maior com composições que de certa forma eram diferentes dos outros CDs, principalmente no formato.

AP – Acho que foi o disco mais espontâneo da nossa carreira. Marca bem a época que estávamos vivendo e isso nos deu músicas que já viraram clássicos no nosso repertório. Ampliamos muito o nosso público e não perdemos o que temos de mais importante na nossa essência: o poder das nossas apresentações ao vivo.

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Vicente - E o retorno dos fãs, foi o esperado por vocês?

NM – Com certeza. O “Infallible” aconteceu na época que recebemos o ônibus da banda da empresa Selenium, hoje Harman. Tivemos então o privilégio de ter o nosso PA, nosso backline completo em cada show. De abril de 2010 até hoje foram mais de 170 eventos. Em um cenário de Brasil isso quer dizer muita coisa. Eu acho que além do disco ser muito bom, conseguimos visitar lugares que antes nunca haviam visto um show legal de Metal. A Infallible Tour foi um marco na nossa história e na história do Metal nacional, eu não tenho dúvida disso pelos números e pela inovação que o Hangar levou a cena.

Vicente - Qual acredita ser a principal diferença de “Infallible” para os discos anteriores do Hangar?

NM – Cada disco representa uma época. O Infallible está direcionado ao público de Metal, porém sob uma nova perspectiva. Acho que o nosso público consegue absorver bem mais do que o simples Metal tradicional. Por isso gravamos uma música com o Roupa Nova em português chamada “Mais Uma Vez”, composição de Flávio Venturini e Renato Russo. Também fizemos uma leitura para “39” do Queen que ficou maravilhosa. Músicas como “Time to Forget”, “Solitary Mind” e “Dreaming of Black Waves” viraram hits em nossos shows e não possuem o peso de “A Miracle in My Life” ou “Some Light to Find My Way” por exemplo. A proposta do “Infallible” foi concebida para dar certo e o resultado foi obtido.

AP – O disco tem climas diferentes e isso pode ser percebido na mixagem e também na forma que tocamos as músicas. Criamos músicas que até então não tinham sido apresentadas no nosso repertório e isso deixou nosso show muito mais completo e com muito mais dinâmica.

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Vicente - Após “Infallible” vocês lançaram o álbum com o sugestivo nome de “Acoustic, But Plugged In”, e recentemente o DVD “Haunted by Your Ghosts in Ijuí”. Conte-nos um pouco sobre cada um destes registros.

NM – Tocávamos o set acústico desde 2008, então tínhamos bastante experiência. Poucas pessoas se deram conta que antes de gravar o “Acoustic, But Plugged In!” já havíamos feito 25 shows completamente acústicos. Isso vem da origem de cada músico, ainda antes de formar o Hangar. Aquela coisa de bar, de compor a música com o violão e a voz ali na sala de casa. Pegando o conceito do “Infallible”, eu posso dizer que o “Acoustic” de uma certa maneira pode ser até uma continuação. Essa nossa insistente busca por levar o Metal adiante, criar novas alternativas fez com que chegássemos até o CD nesse formato. O disco acabou sendo o de maior vendagem do Hangar em tão pouco tempo. Levou o nível de popularidade da banda a outro patamar. Engraçado, um CD que não tem guitarra ou bumbo duplo. Acho que isso comprova a minha teoria de que o público de Metal gosta de música boa, não importa se tem ou não guitarra com distorção. A gravação do DVD foi uma consequência natural. Marcamos um show na cidade de Ijuí e eu tive a ideia de gravar o show com umas duas câmeras para um futuro clipe do acústico. Na mesma hora o Aquiles falou, “não, vamos gravar com várias pra fazer um DVD”. Liguei para o Fábio Mariani de Ijuí, que era o organizador do show e ele topou na hora. Foi uma noite mágica e agora podemos liberar as imagens para que todos possam ver.

AP – Para ser bem sincero, o DVD “Haunted by your Ghosts in Ijuí-RS” será um marco para o Metal nacional, pois tenho certeza que ele vai nos colocar em lugares onde jamais estivemos e mais pessoas terão acesso à nossa música na sua mais pura essência, a canção. A produção está excelente, o som impecável e a quantidade de material do DVD também é outro fator muito importante. O público vai ter acesso a todo o nosso material acústico que foi captado numa noite mágica, onde Ijuí se mostrou o lugar mais que perfeito para a gravação de um DVD de Metal, mesmo que acústico... (risos).

Vicente - Haunted by Your Ghosts inclusive é a música inédita que consta nestes lançamentos. Como foi a composição desta música em particular?

NM – A composição de uma música é algo muito particular. Quem faz a música à acha sensacional, mas somos cinco caras na banda então temos que chegar a um consenso porque o que pode ser legal para um, para outro é muito comum. “Haunted by your Ghosts” foi um caso típico de ideia de um e suor de todos. A melodia e ideia principal veio do Aquiles e eu notei que resto da banda não entendeu a primeira proposta. Quando solfejamos alguma coisa geralmente usamos alguns intervalos que estamos acostumados. Quando ouvi a primeira interpretação do Aquiles na hora eu já peguei o violão. Não era uma sequência comum de intervalos e apresentava até algumas inversões. Depois de “decifrado” esse primeiro enigma o restante foi fácil, pois todos se engajaram para que ela tivesse o formato que conhecemos. Para mim a “Haunted” tem uma imagem de um “novo” Hangar, ao mesmo tempo pesado, Metal, mas com um pouco de modernidade e atualidade.

AP – Outra coisa que as pessoas têm notado nessa nossa fase acústica são as letras e a “Haunted by your Ghosts” tem uma letra muito forte e muito inspiradora. Quem não cria um monte de problemas antes de pelo menos entender o que está acontecendo? Essa letra fala sobre o trabalho em equipe, que podemos e devemos confiar em quem está junto para realizar um sonho. Que apesar de nossas diferenças, sabemos o que é melhor para nosso futuro e que todo mundo às vezes se pega assustado pelos seus fantasmas. No entanto, podemos ir adiante e fazer com que isso seja apenas uma lembrança, como algo que já foi superado e nos mostrou outras possibilidades maiores.

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Vicente - O cenário nacional vive um período conturbado, com algumas trocas de “farpas” e críticas via imprensa. Vocês consideram que a cena nacional realmente piorou, ou tudo é uma questão de ponto de vista, de fazer um trabalho sério e o mais profissional possível?

NM – Eu acho sinceramente que se existe um estrago somos todos culpados e ao mesmo tempo as pessoas responsáveis por tentar reverter o quadro. Falando da minha banda eu poderia dizer que eu não entendo como até hoje os maiores meios de comunicação da nossa cena nunca mandaram alguém cobrir uma viagem do Hangar no Infallibus. Uma matéria mostrando como se “faz” Metal no Brasil, na estrada, montando e desmontando tudo. Uma tour de verdade com todo o equipamento, mostrando os detalhes, desde a contratação de um show até o lado do contratante e o público. Dai você abre a revista ou o site e só vê matéria de bandas gringas traduzidas por nossos “correspondentes”. Por outro lado você vê algumas bandas levando um show ruim, caro e muitas vezes sem o compromisso de dar retorno a cidade ou contratante que está levando a sua banda para um show. Muitas vezes encontramos contratantes falidos que pagaram muito caro para uma banda de nome ir até a sua cidade e fazer um lixo de show. Talvez o menos culpado seja o público. O público está ali havido pelo show legal, pela camiseta, pela revista e pelo site. Ele recebe a informação, filtra e vai atrás, só que se a informação não chegar ou for distorcida ele é o prejudicado. Ai está a grande vantagem das redes sociais que queiram ou não promovem um boca a boca que ajuda a divulgação das verdades, seja ela boa ou ruim sobre qualquer acontecimento da cena. Não tenhamos pena do Metal, ele esta ai e existem pessoas que o querem como o Hangar e as mais de 80 cidades que visitamos nos últimos dois anos e meio.

Vicente - Qual a sua maior influência, aquele que o levou a querer ser um músico profissional?

NM – Influência mesmo foram às pessoas que me convidaram para a primeira banda em 1989. Não sabia nem o que era um baixo. Antes de tocar eu curtia todas aquelas bandas tradicionais dos anos 70. Led Zeppelin para mim era o máximo. Depois vieram o Deep Purple, o Yes e o Rush. Tem sempre aquele primeiro show, que no meu caso foi de uma banda chamada Câmbio Negro de Porto Alegre. Vi esses caras tocando “Smoke on the Water” e “Neon Knights” em uma época em que não havia nem instrumentos importados nas lojas. Foi o máximo. Agora profissional mesmo foram meus colegas de banda Eduardo Martinez, Aquiles Priester e Fábio Laguna, eles me levaram ao profissionalismo.

AP – Desde 1986, quando ouvi pela primeira vez a música “Caught Somehwere in Time” do Iron Maidem eu sabia o que queria ser. Agora todos os detalhes dessa história de um garoto de 15 anos que morava em Foz do Iguaçu (longe demais das capitais) e que ser tornou o Aquiles Priester de hoje, está na minha biografia oficial “Aquiles Polvo Priester – De Fã a Ídolo” e vocês podem encontrar no meu site oficial. É muita coisa para escrever numa entrevista e talvez nem todos queiram ler... (risos). Nesse livro está a maior prova de amor ao metal que eu poderia mostrar a alguém. E de quebra, está toda a história do Hangar também, pois sem essa banda o Aquiles Priester não existiria...

Vicente - Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

Dio: Mestre, dois dos meus discos preferidos são “Rainbow Rising” e “Heaven and Hell”

Symphony X: Escutei bastante o disco de 97, gosto do vocal.

Dream Theater: A banda que pra mim sintetizou tudo o que eu gostava dos anos 70, Yes, Rush. Letras inteligentes e abordagem moderna nos instrumentos. Minha banda favorita.

Judas Priest: Nada a declarar, nunca gostei.

Rush: Junto com o Yes e Dream Theater as minhas preferidas. Gênios.

AP – Gosto de todas as bandas citadas, e só colocaria mais duas nessa lista, Iron Maiden e Journey.

Vicente - Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho do Hangar e apostam no Metal nacional.

NM – Agradeço pelo apoio que temos recebido ao longo dos anos e estaremos sempre tentando levar essa bandeira junto com vocês.

AP – Muito obrigado Galera do Metal! Temos uma dívida eterna com vocês. Em Novembro desse ano vamos realizar o 2º Hangar Day e vamos dar mais chances para os novos talentos.

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Sobre Vicente Reckziegel

Servidor público, escritor, mas principalmente um apaixonado pelo Rock e Metal há pelo menos duas décadas. Mantêm o Blog Witheverytearadream desde Dezembro de 2007. Natural e ainda morador de uma pequena cidade no interior do Rio Grande do Sul, chamada Estrela. Há muitos anos atrás tentou ser músico, mas notou que faltava algo simples: habilidade para tocar qualquer instrumento. Acredita na música feita no Brasil, e gosta de todos os gêneros, desde Rock clássico até Black Metal.

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