Rhyme: Entrevista com a banda de Rock italiana

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Rhyme: Entrevista com a banda de Rock italiana


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Uma boa surpresa e um possível grande futuro. Isso é o que pode ser dito do som e da banda italiana Rhyme, que mesmo com pouco tempo de estrada, já lançou um belo disco e excursionou com grandes nomes do Rock mundial. A banda é formada por Matteo “Teo” Magni (Guitarra), Vinny Brando (Bateria), Gab Gozzi (Vocais) e Riccardo “Rik” Canato (Baixo), estes dois últimos que concederam a entrevista.

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Vicente – Inicialmente, conte-nos um pouco sobre os quatro anos de existência do Rhyme.

Gab: A banda foi fundada em 2008 por Rik (baixo) e Téo (guitarra). Depois de algumas mudanças de formação, eu entrei na banda em 2010. Logo depois da minha entrada, decidimos mudar o baterista, e nós contratamos dois amigos nossos para os shows e para gravar o nosso álbum de estréia, enquanto aguardávamos o cara certo para o trabalho. Nós encontramos esse cara, Vinny, em janeiro de 2012, e agora podemos dizer, com certeza, que somos o Rhyme.

Rik: As pontes que precisamos queimar iluminaram o caminho que nos levou a Gab e Vinny. Não é tão fácil de encontrar em nosso país músicos que compartilham desta forma apaixonada de viver da música. Levou um longo tempo e muito esforço, mas, desde o início, queríamos uma banda, não um projeto de estúdio. E aqui estamos nós.

Vicente – “Fi(r)st” foi lançado no ano passado. Como foi a gravação do mesmo, e a distribuição agradou a banda?

Gab: O nosso álbum de estréia, "fi(r)st" foi lançado em janeiro de 2011, através de nossa gravadora italiana, Bagana Records. Com a nossa decepção, pudemos contar, pelo menos, com uma distribuição na Europa, embora o álbum esteja disponível na sua forma digital no iTunes, Amazon e todas as principais plataformas digitais on-line. Gravamos no estúdio pessoal de Teo, o Magnitude em Seregno, perto de Milão, exceto a bateria, que foi gravada no Parque Alari Studios, perto de Milão também, em julho de 2011. A mixagem ficou a cargo do conhecido produtor Fabrizio Grossi (Glenn Hughes, Steve Vai, Slash entre outros) em Los Angeles e a masterização foi gerida por Tom Baker (Papa Roach, Buckcherry, Alter Bridge). Nós tínhamos expectativas muito altas sobre este registro, mas o mundo "faça você mesmo" pode ser muito difícil e frustrante às vezes.

Vicente – E como foi a reação dos fãs?

Gab: a reação dos fãs foi realmente muito boa, na Itália, mas especialmente na Europa Oriental. Estamos confiantes na nossa capacidade de "entregar" as músicas ao vivo, e as pessoas sentem isso. Você não pode esperar ser amado por ninguém, mas acho que tivemos um bom início. Nós conseguimos construir uma base de fãs na Rússia, Polônia, Ucrânia, Itália, até mesmo nos EUA.

Rik: Melhor do que as nossas expectativas nos EUA e Europa Oriental. Mas, para ser honesto, as coisas estão indo bem também na Itália, tivemos uma virada na festa de lançamento do "Fi(r)st" em dezembro de 2010, na frente de um monte de gente, nós pulamos para outro nível a partir desse ponto, e ainda me lembro daquela noite como uma das minhas favoritas.

Vicente – “Step Aside” é uma grande música, com muitas variações nos vocais e um instrumental forte e pesado. Como foi a composição desta música em especial?

Gab: A composição de “Step Aside” (e de basicamente quase todas as outras músicas) foi feita por Rik e Teo em cerca de 10 minutos (risos)! O riff saiu, a melodia saltou e palavras vieram após isso. Foi o processo clássico e impecável. Eu nem estava na banda na época.

Rik: Foi uma loucura, eu disse: "Teo, escute aqui" e comecei a tocar o riff principal: em 10 minutos tínhamos o Single para o álbum, por causa de seu talento e porque eu sou apenas um grande sortudo! Algo semelhante aconteceu com outra música do próximo álbum, mas desta vez eu estava apenas brincando no meu baixo tocando uma espécie de "riff de aquecimento" quando ele disse "ok continua tocando, nós temos...” Mas esta é outra história, para a entrevista seguinte, meu amigo (risos).

Vicente – É difícil descrever o som do Rhyme. Essa foi a intenção da banda desde o princípio, não prender-se a nenhum estilo?

Gab: Rik e Teo lidaram com a composição, eu não acho que eles tinham uma direção muito clara a seguir naquele momento. Muitas músicas foram idéias que foram escritas a muito tempo, antes da formação da banda. Eles montaram essas idéias e quando eu entrei, eu tentei adicionar o meu próprio toque às composições. Posso dizer que a principal influência é o rock moderno americano, nas veias do Alter Bridge e Papa Roach eu creio. Eu não tive tempo suficiente para realmente me conectar com as músicas de alguma forma. Aprendi na estrada, tocando ao vivo.

Concordo com você, que muitas variações estão presentes em "fi(r)st”, para que assim ele pudesse realmente surpreender ou confundir o ouvinte. Você é o juiz! O próximo disco irá “pregar” um estilo mais definido e maduro com certeza.

Rik: Foi bom, uma grande experiência, quero dizer, nós tínhamos músicas que escrevemos aos 16 anos, algo assim, então quando nós começamos a escrever coisas novas, éramos jovens, mas ao mesmo tempo velhos. Foi tudo muito instantâneo, e o próximo disco não será diferente neste sentido.

Vicente – Qual acredita ser a principal diferença entre “Fi(r)st” e o EP “Rhyme”?

Gab: Eu acho que a principal diferença é que Rhyme "não foi" o Rhyme na época que o EP foi gravado. Eu não estava, Vinny não estava, a mentalidade da banda não estava suficientemente desenvolvida, mas eu acho que é bastante compreensível para uma banda que dava os primeiros passos no mundo da música. É engraçado porque, apesar de nós amarmos “Fi(r)st”, nós realmente sentimos que ele não representa o que somos nesse momento. Ele representa o ponto de partida da nossa banda.

Rik: Bem, o EP foi, na minha opinião, um bom trabalho de alguns rapazes de 20 e 22 anos de idade. Mas não é 100% Rhyme. Conseguimos algum público na Itália e EUA, com isso serviu o seu propósito.

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Vicente – Um novo álbum em breve?

Gab: Sim, um novo álbum está vindo, e vai explodir suas cabeças, com certeza. O processo de composição está praticamente concluído, e posso dizer honestamente que este é um grande álbum. A composição foi feita por cada um de nós afinal. A qualidade das músicas e as letras estão em um nível totalmente novo na minha modesta opinião. Nossa formação está sólida pela primeira vez e você pode sentir isso.
Estamos começando as gravações no próximo mês e teremos o produto concluído até o final de Outubro. Mais uma vez vamos gravar no estúdio pessoal de Teo, o Magnitude, exceto a bateria, que vamos gravar no Zeta Factory Studios em Carpi.
Encontramos uma nova e surpreendente gravadora desta vez, o que vai garantir que o disco tenha uma distribuição muito maior e mais ampla. Os detalhes serão revelados em breve, assim, fiquem ligados roqueiros.

Rik: Eu estou tão orgulhoso do que está vindo com o segundo “bebê”, musicalmente e liricamente. Pela primeira vez falamos sobre o que está acontecendo com essa crise mundial, com personagens diferentes. É uma espécie de cura espiritual, uma forma de partilhar de nossas dores, dúvidas e medos. Somos o espelho. Isso influenciou a música, com certeza, eu não vou dizer "este é o melhor disco que fizemos", mas eu estou muito orgulhoso, mais do que eu pensei que eu estaria.

Vicente – Vocês fizeram alguns shows com várias e grandes bandas de Rock em quase toda a Europa, e uma turnê de apoio ao Papa Roach. Como foi essa experiência para vocês?

Gab: Tivemos grandes experiências no último ano e meio: nós voamos para os EUA para tocar no incrível Rocklahoma 2011, que contou com bandas como Staind, Seether, Papa Roach, Whitesnake e muitas outras. Então fizemos uma mini turnê de apoio ao Papa Roach na Europa Oriental e posso dizer que a experiência mudou a minha percepção sobre o que significa tocar em frente de uma incrível e selvagem multidão. As pessoas estavam lá pelo Papa Roach é claro, mas nós conseguimos capturar a sua atenção e o resultado foi inacreditável. Conquistamos fãs para todo o sempre, e os caras do Papa Roach foram incríveis, caras realmente gentis! Recebemos muitos elogios deles também, e queremos que isso seja um ponto de partida.

Rik: Não posso deixar de mencionar nosso show em Varsóvia, com o Misfits, outro bom momento em nossa Polônia amada, onde temos uma base real de fãs, fazendo-nos sentir como rockstars. Com este disco eu acho que nós vamos pegar a estrada em Dezembro como atração principal em pequenos clubes, em vez de apoiar shows grandes, mas vamos ver... Nunca se sabe. Minha melhor lembrança é ainda a de Varsóvia, no último show com o Papa Roach. Inesquecível.

Vicente – Como está a cena roqueira na Itália hoje em dia?

Gab: se você quer Rock na Itália, você tem que estar preparado para comer m-e-r-d-a praticamente o tempo todo. A cena está lá, mas os canais de promoção são tão m-e-r-d-a quanto os chamados "caras das grandes gravadoras". Novas realidades são totalmente ignoradas. Nós temos muitas bandas boas, mas na Itália, há uma grande falta de conexão entre elas. Temos medo uns dos outros e há a tendência de falar merda um do outro. Isso é porque as novidades italianas são totalmente ignoradas. É realmente complicado, apesar de que o cenário parece estar mudando um pouco!

Rik: De acordo, nada mais a dizer. Fazer música e promovê-la é meu trabalho atual na Itália, eu vejo isso todo dia, é frustrante, mas motiva, ao mesmo tempo: você pode tentar mudar.

Vicente – O que conhecem do Rock brasileiro?

Gab: Eu, pessoalmente, não sei muito sobre a cena Rock brasileira: eu conheço Angra e Sepultura, é claro (risos), mas eu realmente gostaria de ir tocar no lindo Brasil... Talvez o Rock in Rio (risos). A multidão é incrível!

Rik: Uma das minhas lembranças mais fortes de criança é essa fita que eu tinha, era o show do Queen no Rock In Rio '85. Fiquei completamente encantado com o desempenho do Freddie, John, Roger e Brian, como era habitual, mas o que mais me chocou foi a multidão. Tenho certeza que você sabe exatamente do que eu estou falando. Eu costumava fingir estar doente para ficar em casa e assistir a fita várias vezes.

Vicente – Quais são as suas principais influências?

Gab: Chris Cornell, Glenn Hughes, Layne Staley, Brent Smith, Paul Rodgers, John Farnham, Steve Lee, Myles Kennedy, The Offspring, Stevie Wonder, Pantera, Audioslave

Rik: Dor, Vida e compaixão, com certeza. Alice in Chains, Metallica, Queen, Savatage, eu estou no clima do Metal do sul, como Pantera, BLS, profundamente com Neil Young, Bruce Springsteen, Bob Seger e artistas como Jeff Buckley e o meu querido Nick Drake, que alma.

Vicente – Em poucas palavras, falem um pouco sobre as seguintes bandas:

Alter Bridge:

Gab: É uma grande banda, ótimo primeiro disco, e um super cantor.

Rik: Um primeiro disco incrível, e uma obra-prima o segundo, mas perdeu o seu caminho com ABIII, é triste e espero que voltem mais forte.

Papa Roach:

Gab: Banda incrível ao vivo grande, e grandes hinos compostos.

Rik: Uma banda real ao vivo, amigos e caras profissionais, se eu pudesse gostaria de lembrar algo sobre a festa em Varsóvia!

Soundgarden:

Gab: Cantor imbatível.

Rik: Eu prefiro o Chris Cornell com o Audioslave e Temple of The Dog. Grande banda de qualquer maneira.

Rhapsody of Fire:

Gab: Eu costumava ouvi-los quando eu era criança. Não é meu estilo, mas eles inventaram um estilo de Power Metal e são os melhores a fazê-lo no mundo.

Rik: Não é a minha música, mas eu os respeito como uma banda italiana que já tocou em todo o mundo.

Alice In Chains:

Gab: Um grande clássico da década de 90... Paixão, melancolia, um super guitarrista, cantor único, em seguida, cantor incrível agora. Composições inacreditáveis.

Rik: Nirvana era seminal e o último evento histórico no Rock n’ roll, mas na minha opinião AIC é a maior banda da era Grunge, agora de volta com o melhor álbum da década passada, mesmo sem o Senhor Layne Staley.

Vicente – Enfim, deixem uma mensagem para todos os brasileiros que conhecem ou gostariam de conhecer muito mais sobre o Rhyme.

Gab: Muito obrigado por esta entrevista. Fiquem atentos, sigam-nos tanto quanto possível, que queremos muito tocar no seu incrível país! Nos chamem como vocês puderem e nós iremos! O novo álbum vai ser uma bomba-relógio!

Aqui está um link para todo o nosso álbum de estréia "fi (r) st":
http://www.soundcloud.com/rhyme-4

E nossa página oficial FB:
http://www.facebook.com/rhymeband

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Sobre Vicente Reckziegel

Servidor público, escritor, mas principalmente um apaixonado pelo Rock e Metal há pelo menos duas décadas. Mantêm o Blog Witheverytearadream desde Dezembro de 2007. Natural e ainda morador de uma pequena cidade no interior do Rio Grande do Sul, chamada Estrela. Há muitos anos atrás tentou ser músico, mas notou que faltava algo simples: habilidade para tocar qualquer instrumento. Acredita na música feita no Brasil, e gosta de todos os gêneros, desde Rock clássico até Black Metal.

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