Iluminato: Entrevista com a banda de Symphonic Gothic Metal

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Iluminato: Entrevista com a banda de Symphonic Gothic Metal


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Na entrevista de hoje, converso com o Pablo Ferreira, Vocalista e Guitarrista, que junto da Liz Demier (Vocal) faz um excelente trabalho no Duo Iluminato. A banda lançou ano passado o grande álbum “Reflections of Humanity” (ao final da entrevista tem um link para baixar duas músicas do disco, “Aurea” e The Last Road”). Além de discorrer sobre o referido disco, também fala do novo álbum, que logo deve estar sendo gravado por eles. Confiram o que o Iluminato tem a dizer…

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Vicente: Com apenas três anos de existência, como vocês avaliam a trajetória da Iluminato?

Pablo: Particularmente pra mim a banda passou a se oficializar com o lançamento do CD físico do Reflections of Humanity em dezembro de 2011. Os anos anteriores eu considero um grande prelúdio e ensaio do projeto que giravam em torno de completar as composições, organizar o lançamento e encontrar as pessoas certas para o projeto.

Vicente: Vocês lançaram seu primeiro disco “Reflections of Humanity”, no ano passado. Como foi a gravação dele, ficaram plenamente satisfeitos com o resultado dele?

Pablo: Sim, acredito que dentro do que podíamos fazer e sabíamos na época o trabalho foi feito com o máximo de dedicação e atenção. Hoje em dia visamos apresentar uma gravação mais ousada para o segundo disco com estratégias diferentes.

Vicente: E a resposta dos fãs foi a imaginada por vocês?

Pablo: Arrisco dizer que sim, queríamos reviver o Gothic Metal dos anos 90 com uma levada mais atual e os “reviews” citaram bandas que tivemos como referência, como o Tristania e o Cradle of Filth e também a semelhança com o metal sinfônico desta época, então acredito que atingimos os nossos objetivos. Recebemos algumas críticas por estarmos repetindo um estilo “morto” que não considero negativas, pois esse foi o nosso objetivo real... Não creio que estilos tem data de validade quando são bons de se escutar. Até hoje não canso de ouvir as músicas antigas do Metallica, e são uma década mais antigas que o Gothic Metal dos anos 90 certo? (risos)

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Vicente: O álbum em parte é baseado no filme “Rede de Intriga”, correto? De quem foi a ideia?

Pablo: Correto, a ideia foi minha. Eu queria usar citações em áudio de filmes antigos como o Theatre of Tragedy fez com “And When He Falleth” para dar uma ambiência diversificada no CD e escolhemos este filme de 1977, pois traz reflexões e críticas que são totalmente compatíveis com o tema do disco.

Vicente: Em que estágio encontra-se a gravação de seu novo disco?

Pablo: Atualmente estamos com 11 músicas prontas e selecionadas, apenas uma Demo destas músicas foi gravada, o que originalmente seria um EP, porem decidimos ir direto para o disco completo. Estamos apenas esperando mais algumas confirmações para iniciar a gravação final, não estamos com pressa, pois queremos apresentar um material de qualidade para os fãs.

Vicente: Poderiam adiantar alguma coisa sobre o nome das músicas e inclusive do álbum?

Pablo: O que posso dizer é que o tema do disco não será sobre o mundo interior do ser humano como foi o “Reflections of Humanity” e sim sobre a humanidade como um todo, as musicas vão falar sobre temas polêmicos, ocultos e censurados pelo mundo politico corrupto que domina nossa civilização atualmente. É quase que como uma expressão artística/musical sobre os incontáveis protestos acontecendo pelo mundo atualmente dirigido pelos jovens. Posso adiantar que o álbum esta muito mais agressivo, porem não perdeu as quebras que levam a momentos mais tranquilos... Nós intensificamos a distancia entre as energias pesadas e calmas do álbum, deixando os interlúdios leves mais encantadores e os pesados mais agressivos. O CD terá músicas de mais fácil digestão e outras totalmente Death Metal sinfônico.

Vicente: Já deu pra perceber qual será a principal diferença dele para o “Reflections of Humanity”?

Pablo: Sim, o “Reflections of Humanity” é um disco curto e o novo projeto é muito mais longo. O estilo não mudou, apenas intensificamos e atualizamos a fórmula usada no primeiro disco. Os guturais estão mais agressivos, as linhas de líricos mais ousados, e o instrumental esta mais complexo e bem trabalhado. As emoções passadas neste disco são mais profundas do que o “Reflections of Humanity”. Algumas pessoas ouviram o CD e em geral o preferiram ao disco anterior, sendo assim acho que estamos indo bem no nosso objetivo.

Vicente: Acho a voz da Liz com uma entonação parecida com a da Sharon do Within Temptation e também com os primórdios da Liv Kristine no Theatre of Tragedy. Elas seriam uma influência na hora de compor e criar as linhas vocais?

Pablo: Sim, a Liz Demier tem uma característica rara de conseguir fazer praticamente qualquer interpretação de voz que você imaginar, e nós exploramos isso tentando focar em uma interpretação mais leve e suave (que inclusive lembra estas cantoras que você mencionou) para contrastar com o Gutural e criar o clima de “a bela e a fera”. A interpretação no segundo disco também intensifica essa parte dos vocais, visto que os guturais estão mais agressivos e a voz feminina mais suave e sombria ao mesmo tempo. Tentamos evitar certa empolgação na voz feminina (meio Floor Jansen) para que houvesse um contraste maior entre as partes limpas e os guturais como acontecia no antigo Tristania.

Vicente: Quem ouve a música do Iluminato, sem conhecê-los, não deve conseguir imaginar tratar-se apenas de um duo. Foi difícil chegar a esse som, com belas melodias, mas sem perder o peso inerente ao estilo?

Pablo: Não acho que tenha sido difícil, talvez seja mais uma questão de foco do que de dificuldade... Nós não queríamos que o instrumental ficasse em segundo plano e as vozes em primeiro, trabalhamos com intensidade nos instrumentais para que todos eles se destacassem e agradassem o fã de forma moderada, sem romper com o objetivo do disco de trazer uma ambiência mais pesada.

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Vicente: Chegaram a pensar em tornar o Iluminato uma banda, ou pretendem que fique apenas como um duo mesmo?

Pablo: Sim, nós planejávamos desde o começo transformar o projeto em uma banda completa, porem não antes do lançamento do “Reflections of Humanity”. Queríamos primeiro consolidar nossa característica sonora em um disco lançado, para então procurar músicos que queiram seguir esta linha, as músicas já estavam praticamente prontas inclusive antes de eu conhecer a Liz Demier e juntos criamos as vozes porem com um foco já definido. Mas agora que o disco foi lançado nós já estamos a procura de novos membros, estamos apenas estudando algumas questões “geográficas” que não estão muito bem definidas antes de trazermos novidades sobre isso.

Vicente: Como avalia o cenário para as bandas nacionais nesse momento? Há mais espaço para divulgação e realização de shows, ou não houve nenhuma mudança substancial nesse sentido?

Pablo: Nos últimos anos o estado do RJ sofreu uma queda no cenário de Metal e ouvi dizer que o mesmo aconteceu no Sul, não sei como anda a cena em geral no país porem eu vejo que atualmente estão aparecendo novas oportunidades para se fazer shows pelo Brasil e confio que a cena vai voltar a ficar forte. Novas bandas boas estão aparecendo e o público novamente indo à ativa principalmente depois do Rock in Rio 2011 e do Metal Open Air e espero que em breve uma indústria especializada no estilo se solidifique nos pais. Atualmente não estamos fazendo shows, pois a Liz Demier esta nos USA e estamos trabalhando na entrada dos novos músicos no projeto e na produção do segundo disco. Por conta disso tivemos que vetar boas oportunidades de show em diversos estados brasileiros. Acredito que assim que tudo isso estiver resolvido vamos anunciar um circuito pelo Brasil e então poderemos ter uma noção melhor de como se encontra o cenário atualmente.

Vicente: Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

Pablo: Considere isto apenas minha opinião pessoal sobre como as vejo atualmente, mas com tantas bandas boas não prometo as poucas palavras (risos).

Cradle of Filth: Passou por diversas fases e atualmente tenta voltar a um estilo mais agressivo após lançar alguns CDs mais calmos. Particularmente acho que a banda esta forte e centrada e os meus discos preferidos são o “Midian” pela agressividade sombria e o “Nymphetamine” pela ambiência encantadora.

Epica: Atualmente eles estão indo pra influência mais de Death Metal… Alguns fãs não gostaram, particularmente amei a nova levada da banda. O último disco deles se tornou o meu favorito em seguida vem o “Consign to Oblivion”.

Metallica: Acho que o Metallica passou por uma tremenda crise no “St. Anger”, e se recuperou com força total no “Death Magnetic”. Acredito que a fase atual deles é a melhor desde o Black Album no começo dos anos 90 e é a minha banda favorita desde jovem.

Tristania: O Tristania pra mim é a maior banda de Metal Sinfônico que já existiu, claro que isso diz respeito ao meu gosto pessoal, mas acho que nenhuma outra banda conseguiu trazer um som tão autêntico em interpretação do jeito que eles fizeram, eles realmente vestem a roupa no palco… Infelizmente a época de ouro durou pouco e acredito que o Tristania atual é uma completa vergonha e humilhação comparado aos clássicos antigos, eles deveriam mudar o nome da banda na minha opinião para não sujarem mais ainda a grandiosidade que um dia foram. Se eles tivessem permanecido fortes como foram no começo com certeza hoje em dia seriam tão bem reconhecidos quanto o Epica.

Within Temptation: Acho que o Within Temptation teve uma fase boa até o “Heart of Everything”, apesar de lamentar que eles tenham abandonado a ambiência Gótica do primeiro disco, junto com os guturais eu os admirava até este disco, a fase atual do Within Temptation não me agrada… Eu não acho que as bandas deveriam trair suas origens desta forma, nada contra experimentar novos sons se o antigo não agrada mais os músicos, mas acho que eles deviam formar outra banda para isso. O Within Temptation pra mim morreu ali. Mas se o Metallica voltou após o surto do “St Anger”, talvez eles voltem após esta nova época de experimentos.

Vicente: Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho do Iluminato e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam no Metal nacional.

Pablo: Por conta da falta de shows já nos perguntaram algumas vezes se a banda acabou, gostaria de avisar que não e que com certeza não é por opção que estamos adiando a ida aos palcos. Nós decidimos ampliar os horizontes da banda e isso impossibilitou algumas coisas como os shows no momento. Acreditamos que estas decisões irão nos fazer chegar com força total e mais sólida em breve, e não temos planos para acabar com o projeto, muito pelo contrário. Apesar da gravação do segundo disco não estar pronta ainda, informo que já estamos compondo as músicas do terceiro CD (ou quem sabe um EP?) após o lançamento do próximo álbum. Aguardem só um pouco e logo teremos novas noticias sobre o projeto. Quem quiser adquirir o CD ou saber mais sobre a banda basta acessar o nosso site www.iluminato.com e terá todas as informações lá. Obrigado pelo espaço Vicente, abraço!

Link para as músicas Aurea/The Last Road:
http://jumbofiles.com/un8st3rs4l1b/Iluminato – Aurea-The Last Road.rar.html

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Sobre Vicente Reckziegel

Servidor público, escritor, mas principalmente um apaixonado pelo Rock e Metal há pelo menos duas décadas. Mantêm o Blog Witheverytearadream desde Dezembro de 2007. Natural e ainda morador de uma pequena cidade no interior do Rio Grande do Sul, chamada Estrela. Há muitos anos atrás tentou ser músico, mas notou que faltava algo simples: habilidade para tocar qualquer instrumento. Acredita na música feita no Brasil, e gosta de todos os gêneros, desde Rock clássico até Black Metal.

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