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Nile: contando bolas de golfe para sobreviver

Traduzido por Carlos Almeida | Fonte: Metalsucks |

O site Metalsucks entrevistou recentemente Karl Sanders, líder e fundador do Nile. Acompanhe alguns trechos da conversa:

Como você ficou tão interessado em Egiptologia?

Foi sempre um interesse pessoal. Nos primeiros anos da banda estávamos em dúvida. Para onde vamos com isso? Qual direção vamos tomar? Eu meio que disse a mim mesmo "o que eu gostaria de ouvir de uma banda chamada Nile?" Eu já estava interessado egiptologia e pensei que seria muito mais interessante do que toda essa bobagem de Satã. Parecia um tema real e honesto para se levar a uma linguagem musical.

Há muitos fãs do Nile que se interessam a fundo pelo o que há por trás das letras ou eles se importam apenas com a música?

Há muitas pessoas que ficam fascinadas e querem aprender mais. Há até mesmo pessoas que entraram para a faculdade ou para algum curso. Então eles escrevem cartas pedindo ajuda com a lição de casa, o que é sempre engraçado. Eu diria que a grande maioria dos fãs do Nile estão dispostos a levar as coisas pelo seu valor nominal e apenas apreciá-las como metal. E eu acho que você pode apreciar a música e ouvi-la apenas como metal.

Qual foi a carta ou e-mail mais engraçado que você recebeu de um estudante?

[risos] Houve uma vez que um estudante escreveu e me pediu ajuda para fazer uma dissertação. Eu disse que não, eu não iria fazer o trabalho por ele. Recebi uma carta cerca de um mês depois de seu professor da faculdade comparando o trabalho do aluno com as liner notes do encarte de um álbum do Nile [risos]. Claro, o professor achou o plágio engraçado e pensou que eu iria gostar de saber sobre isso. O estudante acabou ficando com um C, por pelo menos ter tido a criatividade de roubar de um lugar interessante.

O Nile agora é viável o suficiente para que você possa viver somente da banda durante o ano todo?

Na época (do álbum) "In Their Darkened Shrines" nós saíamos em turnê por um mês e voltávamos para casa também por um mês e repetíamos isso. Depois de um tempo eu ia ao escritório do meu chefe e ele já sabia o que estava por vir. Ele sabia que eu iria pedir um tempo de folga para fazer uma turnê. Depois de várias de vezes pode-se dizer que ele começou a pensar: "Porque eu não contrato outra pessoa? Por que ficar tendo dor de cabeça com esse filho da puta?" Ficou realmente difícil encontrar empregos que nos permitissem fazer turnês como queríamos. Finalmente nós decidimos ficar só com as turnês e fazê-las bem o suficiente para esperançosamente voltar para casa com dinheiro no bolso.

No que você trabalhava?

Primeiro, eu dirigia uma empilhadeira em um armazém. Na época do “In Their Darkened Shrines” eu fazia gestão de estoque para uma fábrica de bolas de golfe. Contar bolas de golfe é uma insanidade. Eu realmente nunca quis ser algum tipo de contador meia-boca.

No armazém havia algo como seis milhões de caixas de bolas de golfe. Elas foram mudadas de um depósito para outro. Mas eles não fizeram essa mudança de uma forma organizada. Foi como um trabalho de detetive por dois anos; “onde estão 150 caixas de bolas de golfe?”. Era um armazém enorme com montes de bolas de golfe. Era um trabalho louco. Você tinha que diferenciar uma caixa da outra. Eu tinha toda uma equipe para me ajudar a fazer essa merda.

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