Azorrague: Profissionalismo à serviço do Death Metal

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Azorrague: Profissionalismo à serviço do Death Metal


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Em mais uma entrevista exclusiva, desta vez conversei com Fernando Frogel, Baixista e Vocalista da banda Azorrague. Completam a Banda Gabriel Castro (Guitarra), Douglas Renato (Guitarra), e Elton Ganzert (Bateria). Numa conversa séria e muito esclarecedora, Fernando fala do inicio do Azorrague, dos planos futuros e sobre o cenário musical nacional.

Vicente: Inicialmente fale um pouco sobre a trajetória do Azorrague.

Fernando: O Azorrague nasceu no dia 13/07/2007. Jacques, que era vocalista até então, já havia tocado comigo numa banda de Black Metal chamada Evilwar entre 1999 e 2004. Nesta gravamos os álbuns Unholy March e Evilwar. Após nossa saída perdemos o contato. Então, em 2007, quando Jacques converteu-se ao cristianismo, soube através de um amigo em comum que eu também havia me convertido uns anos antes. Assim, ele me procurou e retomamos a amizade. Através do Jacques conheci o Elton (baterista) em julho/07. Resolvemos então nos juntar para “fazer um barulho” junto com um guitarrista que não permaneceu. Assim nasceu o Azorrague, com a proposta de fazer um Death Metal, mas buscando sempre uma mistura com o Thrash Metal e alguma coisa do Black Metal. Em 2008 gravamos um EP de 3 músicas com pouquíssimos recursos financeiros. Entramos em estúdio para gravarmos o “Die with Us” no segundo semestre do ano de 2009.

Após a gravação, ainda antes do lançamento, contamos com a entrada na banda de um segundo guitarrista, o Douglas Renato. Também houve a saída do Jacques (vocal). Este saiu por motivos particulares. Sendo assim, acumulei os vocais junto com o baixo. A formação atual é: Fernando Frogel (baixo e vocal), Gabriel Castro (guitarra), Elton Ganzert (bateria) e Douglas Renato (guitarra).

Nesses anos fizemos apresentações pela região sul e sudeste apenas. Neste ano já estamos pré-produzindo em estúdio as músicas novas para um novo álbum que pretendemos lançar ano que vem.

Vicente: Seu primeiro disco completo, “Die with Us”, foi lançado em 2011. Como foi a gravação do mesmo? O resultado final foi satisfatório?

Fernando: Entramos no estúdio em meados de agosto de 2009. Foi um processo lento, pois é caro e fizemos tudo com recursos próprios. Além disso, queríamos alta qualidade na gravação, mixagem e masterização. Então o tempo que levasse não importaria, desde que ficasse com uma alta qualidade, dentro do que tínhamos disponível. Quem produziu o álbum foi o Karim Serri (Seven Angels). A masterização ficou a cargo do Pompeu (Korzus) e o encarte quem fez foi o Firás (Spirit´s Breeze).

Buscamos nessas 12 músicas trazer tudo aquilo que gostamos de ouvir. Peso, velocidade, riffs, melodias, solos, junto com um excelente trabalho de mixagem e masterização. Ficamos muito satisfeitos com o resultado final, principalmente por tratar-se de um primeiro CD.

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Vicente: E o retorno dos fãs, foi como esperava?

Fernando: Quem tem comprado o álbum, ou ouvido algumas faixas no MySpace, tem gostado muito e nos dado um ótimo retorno. Estamos bem satisfeitos, pois os comentários positivos sempre se voltam para os pontos onde mais tomamos cuidado durante todo o processo de composição e produção do álbum.

Vicente: Qual você acredita ser a principal diferença deste disco para o EP “Lies Empire”, gravado lá no início da banda em 2008?

Fernando: Tudo. O EP foi apenas um registro para as pessoas saberem o que esperar quando ouvissem o nome Azorrague naquela época, uma vez que a banda não tinha nada gravado. Para citar uma como principal diferença, diria que o investimento. Gastamos muito com o “Die with Us” e praticamente nada com o EP.

Vicente: O som do Azorrague é um Death Metal mais clássico. Como você enxerga a cena hoje em dia para o estilo?

Fernando: Death Metal, principalmente na linha que exploramos, é um som que tem um público muito específico. A cena ainda tem muita gente que já curtia e apoiava nos anos 90 e o pessoal mais novo. As bandas têm variado bastante nas composições. Muita gente trouxe novos elementos e ideias. Acho que poucas bandas têm buscado manter esse estilo mais clássico do Death. Talvez os mais apaixonados pelos anos 80 e 90. Mas creio que o estilo ganhou muito em termos de variação e porque não dizer qualidade também.

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Vicente: Para quem não sabe, o Azorrague é uma banda de temática cristã. De onde surgiu este nome? E já encontraram alguma resistência do pessoal mais “mente fechada”?

Fernando: Algumas traduções da Bíblia, as mais antigas, trazem esse nome em João 2:15. Era um instrumento de tortura utilizado na Roma Antiga. Uma espécie de chicote com oito tiras de couro, onde em cada ponta tinha um instrumento que cravava na pele e rasgava. Mas também pode significar açoite. Jesus usou um Azorrague para expulsar os vendedores do templo na passagem citada. Tiramos o nome daí.

Sobre resistência, sim. Enfrentamos bastante, não só por sermos uma banda cristã de Death Metal, mas pelo meu passado e do Jacques dentro do Black Metal. Além do Evilwar, o Jacques também foi vocalista do Murder Rape. Enfrentamos aqui em Curitiba, ou mesmo na internet. Ano passado encontrei umas pessoas da cena, ou próximas, no show do Cannibal Corpse aqui, do Slayer também. Os caras sempre fazem um teatrinho, mas não passa disso. Fato é que, na verdade, não me incomodo nem um pouco. Falando sinceramente, não estou nem ai. Até dou risada com a postura dos caras. Faço aquilo que tenho convicção e, acima de qualquer um, meu maior interesse é o de agradar a Deus e fazer aquilo que Ele tem me colocado para fazer. Quem curtir o som, quiser ouvir, beleza. Quem quiser criticar, xingar, etc, estamos ai também.

Vicente: Apesar de ser uma banda relativamente recente, vocês investem numa estrutura profissional com site onde oferecem produtos e todos os detalhes da banda. Sempre foi essa intenção, ser o mais profissional possível, dentro dos recursos disponíveis?

Fernando: Dentro dos recursos disponíveis, sim. Gostaríamos de muito mais, oferecer mais coisas, gravar um disco por ano, viajar o Brasil todo tocando, América e até outros países. Mas nossa realidade não difere da grande maioria. Fazemos o que podemos e esperamos que mais portas se abram para podermos ir além. Agora, excelência, profissionalismo, amor e dedicação são o que todos devem buscar, se um dia quiserem algo mais.

Vicente: Como está a agenda de shows? Acredita que o cenário para as bandas nacionais está melhor que alguns anos atrás, ou nada mudou?

Fernando: Temos alguns convites para o segundo semestre, mas as datas ainda não estão firmadas. Porém, estamos trabalhando nas novas composições e na pré-produção do novo álbum. Acho que o cenário sempre foi carente de profissionalismo por parte da maioria dos organizadores, bem como o apoio às bandas. Estou desde 1997 tocando e, sinceramente, não vi melhora. Vi alguns organizadores mais interessados em apoiar as bandas, em fazer bons festivais com bons equipamentos e boa estrutura pra galera. Mas também vi muitos fazendo as bandas pagarem para ir tocar, colocando péssimos equipamentos no palco e uma estrutura (se é que pode se chamar assim) precária pra galera. Enfim, dificilmente veremos uma mudança nesse quadro, pelo menos nos próximos anos.

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Vicente: Quais são as suas principais influências?

Fernando: Ah cara, anos 80 e 90. As bandas que influenciam o Azorrague em termos de som são Deicide, Slayer, Cannibal Corpse, Mortification, Carcass, Sepultura, Testament, Megadeth, Behemoth, Sinister, e por ai vai.

Vicente: Em poucas palavras, o que acha das seguintes bandas:

Deicide: Para mim é a banda mais perfeita de Death Metal. Não curto as idéias do Glen Benton, suas letras. Mas a sonoridade da banda é perfeita.

Mortification: Acho que no cenário das bandas cristãs, ao lado do Stryper, é a primeira que vem à cabeça. Steve Rowe é um exemplo de pessoa e superação para quem conhece a história da vida do cara. A banda tem ótimos álbuns também. Talvez um dos maiores álbuns da história do Death Metal, “Scrolls of the Megilloth”.

Eterna: No Brasil, acho que é uma das maiores referências de bandas cristãs, ao lado do Stauros. Eterna deve ser motivo de orgulho por ser do Brasil e pelo trabalho que realiza. Ótima banda!

Cannibal Corpse: pude ir ao show deles aqui em Curitiba ano passado. A cada novo álbum os caras surpreendem. São muito técnicos, mas sem perder o feeling. É uma banda que tenho ouvido muito ultimamente. Uma das minhas favoritas.

Carcass: outra da minha lista de favoritas. É uma banda que variou bastante, mas gosto muito de todos os álbuns. Acho o Necroticism e o Heartwork duas obras primas.

Vicente: Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho do Azorrague e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam no Metal nacional.

Fernando: Contamos mais do que nunca com o apoio de vocês e ajuda na divulgação. Fazemos o que fazemos porque está no nosso sangue. Amamos isso e isso é a nossa vida.
Quem não conhece, visitem o nosso myspace e ouçam o som: www.myspace.com/azorrague. Visitem o site também: www.azorrague.com.br e nosso Facebook. Entrem em contato com [email protected] ou [email protected]

Galera, apóiem a cena nacional. Vão aos shows, ajudem comprando material das bandas. Nossa cena depende da nossa união.

Nós também estamos com o nosso CD à venda. Basta nos contatar para ter mais detalhes.

Deus os abençoe e obrigado pelo apoio!

A você também Vicente. Obrigado pelo espaço, apoio ao Azorrague e principalmente a nossa cena.

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Sobre Vicente Reckziegel

Servidor público, escritor, mas principalmente um apaixonado pelo Rock e Metal há pelo menos duas décadas. Mantêm o Blog Witheverytearadream desde Dezembro de 2007. Natural e ainda morador de uma pequena cidade no interior do Rio Grande do Sul, chamada Estrela. Há muitos anos atrás tentou ser músico, mas notou que faltava algo simples: habilidade para tocar qualquer instrumento. Acredita na música feita no Brasil, e gosta de todos os gêneros, desde Rock clássico até Black Metal.

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