
Entrevista feita com Rafael Ghislandi (Vocal e Guitarra) e Rafael Tizatto (Guitarra), onde falam sobre o recém lançado “Abused". além disso, fazem uma geral da carreira do grupo. Completam a banda Thiago Tigre (Baixo) e Guilherme Letti (Bateria). Saibam mais sobre o Death Metal sem fronteiras do Neófito…
Vicente: Vocês têm quase duas décadas de existência. Como avaliam a trajetória da banda até este momento?
RAFAEL GHISLANDI: Em duas décadas tudo que você pode imaginar tem seus altos e baixos, inclusive uma banda. Mas a trajetória da Neófito é marcada pela dedicação de todos os músicos que já passaram por ela, e se confirma com nossa formação atual. O gosto pela música e a vontade de criar sonoridades únicas é o alicerce da Neófito. Independente das modificações que ocorrem no meio musical hoje em dia, somos focados em passar ao nosso público a energia que possuímos em cima do palco no meio de um show, e isso é o que faz valer a pena, ver à cara de satisfação de nossos fãs a cada música que tocamos.
Vicente: O EP “Abused” foi lançado recentemente. Como está sendo a reação do público?
RAFAEL TIZATTO: Ótimo! Fizemos o show de lançamento em Lages/SC no dia 05/06/2012 (http://www.youtube.com/watch?v=MB3EKiflAws), a recepção do público foi excelente, também estamos conquistando boas resenhas deste material nos blogs e revistas.
Vicente: Ficaram plenamente satisfeitos com o resultado obtido?
RAFAEL GHISLANDI: Sim, conseguimos passar nesse EP a atual fase da banda que é excelente.
Vicente: Na música “No One Hear your Screams” vocês utilizaram uma espécie de sitar, correto? De quem foi a ideia de utilizar um instrumento incomum na música mais extrema nacional?
RAFAEL GHISLANDI: Correto, utilizamos um sitar indiano. A mistura de instrumentos sempre foi um diferencial nas nossas músicas, e utilizar um instrumento com uma sonoridade única junto com o peso das guitarras é algo fascinante que todos da banda curtem, então essas inclusões e ideias nascem naturalmente, e fica difícil dizer quem exatamente teve a idéia.
Vicente: Além disso, a música “The World is Crashing Down” é uma bela introdução feita ao piano. Sempre foi o desejo de vocês incorporar o máximo de outros elementos a sua música?
RAFAEL GHISLANDI: Com certeza, a inclusão de novos instrumentos, muitas vezes não convencionais para o estilo de música que tocamos, faz com que o músico aguce ainda mais o seu ouvido, e assim podemos nos aventurar em outros campos musicais e descobrirmos muitas coisas possíveis de se criar. A mistura de instrumentos em nossos sons faz parte de nossa história, no primeiro CD "Eternal Suffering" também utilizamos um clarinete junto ao peso das guitarras.

Vicente: Qual a principal diferença entre o EP e o disco “Eternal Suffering” (Este trabalho foi relançado em 2010 - porém gravado em 1996)?
RAFAEL GHISLANDI: O CD “Eternal Suffering” foi gravado em 1996 e na época estavam na banda outras pessoas que também traziam suas influências para nossas composições, e para o EP “Abused” é a mesma coisa, novos integrantes, novas influências musicais, cada integrante tem suas experiências musicais de anos de estrada e tudo isso conta para que cada trabalho da Neófito seja algo inesperado, sem perder a linha base das composições que é o Death Metal. No princípio a Neófito tinha muita influência do Metal dos anos 80 e principalmente 90, hoje em dia não se perdeu isso, pelo contrário, somamos nossas experiências na música e ritmos atuais com o som do passado.
Vicente: Apesar do som do Neófito possuir alguns “traços” do Sepultura anos 90 no novo EP, a banda em momento algum abandona o Death Metal mais clássico. É difícil encontrar esse equilíbrio?
RAFAEL GHISLANDI: Não. Basta ter a mente aberta e trabalhar os estilos musicais seguindo nossos sentimentos.
Vicente: Quais são as suas principais influências?
RAFAEL TIZATTO: Cada um de nós agrega algo novo na banda, o Thiago Tigre traz algo mais Rock’n Roll, eu escuto mais Metal Extremo e Punk/HC, Ghislandi tem mais influencias do Death/Thrash anos 80/90 e o Guilherme escuta ritmos brasileiros e também World Music, além do Metal é claro.
Vicente: Vocês são de Santa Catarina, porém fizeram shows por outras regiões do Brasil. Qual considera a maior diferença entre cada região em nosso país?
RAFAEL GHISLANDI: Já tocamos em várias regiões e a única diferença é que, em cada local, a forma de interação e união das pessoas que curtem esse estilo de música é único, é algo particular de cada cidade, umas mais unidas outras mais “na deles”, porém todos sempre nos receberam muito bem, e nós retribuímos com nossa raça e nosso som em cima do palco para todos curtirem ao máximo aquele momento.
Vicente: Vocês participaram da seletiva Wacken Metal Battle/SC ano passado. Como foi essa experiência?
RAFAEL TIZATTO: Fomos selecionados pela Roadie Crew para participar, foi bacana mostrar nosso som ao pessoal que estava lá e ao ''Júri'', recebemos muitos elogios nessa noite.
Vicente: Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:
RAFAEL TIZATTO:
Sepultura: Um dos maiores representantes do Brasil e da nossa cultura no mundo, fazer abertura para o Sepultura em 2011 foi a realização de um sonho para a Neófito.
Korzus: Fizermos encerramento do show deles em SC no ano passado. Thrash Metal fiel ao estilo.
Cannibal Corpse: Aula de Death Metal - Mestres!
Nervochaos: Tocamos com eles em 2010, acredito que seja a banda do underground nacional com mais estrada e experiência. Som porrada.
Carcass: Sempre foram originais adicionando novos elementos ao Death Metal, saindo do Grindcore até o Death’n Roll. F-O-D-A!
Vicente: Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho do Neófito e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam no Metal nacional.
RAFAEL TIZATTO: Agradecemos a todos os amigos e colaboradores da Neófito, que sempre nos acompanham em shows e participam da divulgação da banda conosco.
Acessem e Curtam nossa página no facebook: facebook.com/neofitometal, lá também estão disponíveis alguns vídeos ao vivo e links para download do nosso novo material. Abraços!

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Servidor público, escritor, mas principalmente um apaixonado pelo Rock e Metal há pelo menos duas décadas. Mantêm o Blog Witheverytearadream desde Dezembro de 2007. Natural e ainda morador de uma pequena cidade no interior do Rio Grande do Sul, chamada Estrela. Há muitos anos atrás tentou ser músico, mas notou que faltava algo simples: habilidade para tocar qualquer instrumento. Acredita na música feita no Brasil, e gosta de todos os gêneros, desde Rock clássico até Black Metal.
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