John Myung: o baixista do Dream Theater fala!

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John Myung: o baixista do Dream Theater fala!


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Alguns artistas ficam felizes ao falar de seus trabalhos com qualquer um que pergunte; outros preferem ficar calados e deixam a música falar por eles. O baixista do Dream Theater, John Myung, definitivamente faz parte do último grupo. Ele é um dos dois únicos membros fundadores que ainda estão no grupo (sendo o outro John Petrucci); as intricadas e harmonicamente ricas linhas de baixo de Myung são o alicerce das composições épicas do Dream Theater, e suas raras contribuições líricas, como a música “Breaking All Illusions”, do último álbum da banda, “A Dramatic Turn of Events”, acrescentam emoção ao conteúdo da música. Nós recentemente perguntamos aos fãs de qual artista da Roadrunner eles mais gostariam de ler uma entrevista, e Myung foi um dos primeiros nomes a aparecer. Então nós o pegamos pelo telefone mesmo, enquanto o Dream Theater estava em Minneapolis em sua atual turnê norte-americana, e agora você pode ler a transcrição de nossa conversa abaixo.

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Roadrunner Records: Fale sobre o seu contrabaixo – o que um de seis cordas te oferece que um de quatro cordas não o faz?

John Myung: Bem, ele oferece mais habilidade para harmonizar uma linha ou uma idéia, torná-la um pouco mais acordal, com um som mais preenchido, e também serve para alcançar notas mais altas para harmônicos e coisas do tipo. Você consegue um pouco mais de cor das cordas extras. Não é que eu não goste do de quatro cordas, é apenas o fato de que eu posso fazer mais coisas com o de seis. Ele oferece mais em termos de estar apto a tocar coisas como numa guitarra, mas da perspectiva do baixo. E o baixo com que eu estou tocando é algo que está ficando muito melhor com o passar do tempo. Eu comecei trabalhando com o Music Man no começo do Systematic Chaos, e daquele período até agora, tenho passado bastante tempo com os instrumentos que eles têm feito para mim e fazendo as mudanças com relação ao peso do corpo , dimensão do braço, espaço entre-cordas, e há sempre trabalho a ser feito nessa área, mas recentemente eu recebi um deles que tem um acabamento em madeira natural na traseira do braço, e nós mudamos o braço para termos um pouco mais de área de superfície e torná-lo um pouco mais confortável ao tocar, para mim. E até hoje, é o baixo com o melhor som. Então é algo que tem se desenvolvido, mas acho que é isso. Acho que onde estou hoje é provavelmente onde melhor eu poderia estar. Ao menos é como eu me sinto agora.

RR: Esse contrabaixo é um modelo com sua assinatura?

JM: Não, é só um baixo que eles fizeram para mim. A idéia de assinatura não é algo que eles vinculam às suas linhas de baixo. Mas eu tenho muita sorte por eles serem bastante prestativos e com a mente aberta por ouvirem o que eu tenho a dizer, por trabalharem comigo em um alto nível de customização para que eu tenha um instrumento com um ótimo som e para que as pessoas que queiram fazer essas pequenas mudanças para tornar o instrumento ainda melhor.

RR: O que fez você escolher o contrabaixo ao invés de outros instrumentos, e do que você gosta mais em ser um baixista numa banda?

JM: Sabe, essa é uma ótima pergunta. Para mim, foi tipo... Eu tipo que acabei ficando com o baixo, sabe? Meus amigos precisavam de um baixista, então eu peguei e comecei a tocar... E aí eu percebi que eue gostava disso. Então foi tipo uma descoberta, eu não sabia na verdade que eu iria querer exercer a profissão. Foi algo que eu experimentei e realmente gostei e me dediquei a isso. Sei lá, eu apenas me identifiquei com esse instrumento mais que com qualquer outro. Gosto de tudo nele. Gosto do som, do que você tem que fazer para ser bom nele, da disciplina por trás do instrumento e coisas do tipo. Mas isso é um lance de personalidade. Cada um tem um chamado na vida, eles encontram seus propósitos, e as coisas com as quais as pessoas tendem a ter uma química, elas se dedicam a isso. Então é isso, eu acho.

RR: Você toca com os dedos ao invés de tocar com uma palheta. Por quê?

JM: Bem, eu sou um grande fã do Steve Harris (do Iron Maiden), do Geddy Lee (do Rush) e do John Entwistle (do The Who), mas também sou fã do Yes e Chris Squire toca com palheta, então, sei lá, eu apenas me sinto mais conectado em vários âmbitos. Não acho um jeito mais fácil que o outro, apenas que a gente toca do jeito que se sente melhor. Não que eu não goste de palheta, eu gosto de palheta e do que ela tem a oferecer, e tento usá-la às vezes se a parte a ser tocada seja algo com a qual eu possa tocar com palheta, é algo que eu me obrigo a fazer porque eu gosto da resposta sonora dela. Mas a razão de eu tocar com os dedos ao invés de tocar com palheta está mais para o que eu estou tocando, parece mais com o que eu deveria estar fazendo, e eu também acho que pode ser uma grande parte daquilo que a maioria dos baixistas que os quais me relaciono no que tange ao tocar com os dedos. Mesmo ao tocar harmônicos e coisas do tipo, Jaco (Pastorius) me iniciou nisso, e é tudo coisa para qual você realmente precisa usar os dedos, ao menos do jeito que você o aborda, e eu aprendi muito com o Jaco. Então devido ao fato de muitos baixistas nos quais eu me espelho e dos quais eu aprendi e são inspiração para mim tocarem com os dedos, isso pode ter algo a ver com o fato de eu tocar com os dedos também.

RR: Como é sua rotina de prática e como ela tem se alterado ao longo dos anos? Quanto você aprendeu na escola de música ainda se aplica, décadas depois?

JM: Bem, há coisas que aprendi na escola que ajudam a explicar o que nós fazemos, mas não é algo no qual eu necessariamente me atenho. Para mim, acho que ser criativo é apenas tocar, tocar constatemente, e chegar num ponto onde você sente que chegou naquele nível, tipo: “Beleza, tudo até agora foi barulho, mas, por alguma razão, nesse momento, acho que o som tá bem legal, então vou começar a gravar”. Então é mais se alimentar da disciplina física, da forma do instrumento, e ser criativo com ele, fazer algo concreto com ele e colaborar como banda, fazer parte do time e servir de inspiração um para o outro, e trabalhar no mesmo nível. É assim que funciona para mim, de verdade.

RR: Qual foi sua inovação, sua descoberta mais recente como baixista, seja em termos de técnica ou abordagem filosófica ao tocar?

JM: Bem, você sempre tipo que percebe coisas, mas acho que uma coisa importante que eu percebi recentemente é que você tem que investir muito tempo em algo, e do tempo que você investiu, talvez 10 ou 20 por cento disso é realmente especial e bom. Então é muito relativo; se você pratica esportes ou é um músico ou um escritor ou um engenheiro, qualquer que seja sua área de atuação, há definitivamente uma metodologia diária que precisa estar em vigor, e ao você vivê-la, você aparece com coisas novas, mas muita coisa tende a ser apenas barulho. No momento, você pode pensar que aquilo está realmente bom, mas aí eu escuto de novo e é tipo: “É... Não é tão legal quanto achei que era”. Eu percebi que o negócio é passar pelo fator barulho, passar pelo terreno mais sujo e tentar atravessar e alcançar mais claridade e uma melhor criatividade. Então é por isso que é bom ficar por cima e próximo ao seu instrumento. É fácil para mim porque é o que eu faço para viver, então é algo que você tem que incorporar, mas estou começando a ver aspectos diferentes disso e como isso funciona no mundo real. Você aparece com algo que você acha muito bom, e então você percebe no dia seguinte que não é tão bom, e aí você pensa: “O que há de errado”? Bem, é um processo, então basta trabalhar mais. Você tem que criar 300 coisas e talvez três delas sejam realmente boas. Então trata-se de perceber contra o que você está e o porquê de você ter investido seu tempo nisso.

RR: Você contribuiu com a letra da música “Breaking All Illusions” no novo álbum – a primeira vez que você fez uma letra desde 1999. O que te inspira a fazer letras ao invés de música?

JM: Bem, eu tenho algumas inspirações – eu tinha algo que sentia bastante latente sobre o que eu queria colocar no papel, mas o desafio é tornar isso musical, em termos de como se encaixa na melodia, e então essa foi uma boa experiência, conversando continuamente com o John (Petrucci). John é bastante consciente, melodicamente falando, e mais uma vez, você está de volta ao estágio onde você tem algo no papel e precisa ser lapidado. Mas somente sou motivado a fazer algo assim se eu sentir que tenho algo que é bom o bastante. Tenho escrito muta coisa e eu tipo que tenho esquentado tudo em banho-maria, todas essas palavras e mensagens. Eu fiquei muito feliz com o resultado do trabalho – o jeito que o James (LaBrie) cantou e tudo mais. Foi um daqueles momentos, deixou de ser barulho e se transformou em algo realmente bom e foi parte de algo realmente especial.

RR: Você é um dos dois membros fundadores restantes – como é seu relacionamento criativo com John Petrucci após todos esses anos? Como vocês dois compoem ou tocam juntos; vocês têm uma linguagem musical única entre vocês?

JM: Claro, quer dizer, há uma química confortável e as pessoas com as quais eu toco me inspiram. É ótimo estar tocando com as pessoas com as quais eu trabalho. Mas sobre a química, é claro que sim. Temos trabalhado juntos por um longo período de tempo, e quando você está naquele momento, trabalhando em algo, é quase como se você fosse multitarefa trabalhando na mesma coisa, mas tudo o que está acontecendo está relacionado à mesma coisa, então é muito legal. Não sei se você chamaria isso de estilo, está mais para química e relação e apenas colher os resultados do que fizemos.

RR: Como baixista do Dream Theater, você teve um papel especial em ajudar a integrar o Mike Mangini no som do grupo? Com que velocidade vocês dois conseguiram um entrosamento e, da perspectiva de um baixista, que tipo de baterista ele é?

JM: Ele é bastante exigente sobre manutenção dos valores e do respeito – falamos sobre isso o tempo todo, onde ele me fala das coisas importantes que aprendeu, e isso é uma das coisas em que eu adoro quando toco com ele. Ele diz: “Uma das coisas mais importantes que eu aprendi foi quando um dos meus professores me disseram: ‘Por que você está com pressa? Por que você está batendo nisso? Dê a cada nota 100% de valor e não invada o espaço do outro. Não Faça isso’.” E isso é uma das coisas mais difíceis de se fazer na vida, é saber seus limites, pensar no todo e flutuar nesse nível. Então é realmente legal tocar com alguém que tem esse nível de respeito por isso. Torna as coisas um pouco mais confortáveis para mim, e eu estou percebendo pequenas coisas, como ouvir um pouco mais o som, está um pouco mais entrosado. Então eu não me vejo trazendo ninguém para dentro da banda. Vejo mais como ele sendo um cara legal e um baterista incrível, e sendo realmente complementar no que está rolando.

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Sobre Kako Sales

Mineiro de Januária, baterista autodidata, cresceu em ambiente familiar ligado à música popular e erudita. Seu pai chegou a fazer pequenas turnês com bandas da Jovem Guarda como tecladista no fim da década de 70. Aos 10 anos, iniciou os estudos de teoria musical e piano clássico. Teve o primeiro contato com o mundo do metal ao escutar o CD Angels Cry do Angra, aos 15 anos. Desde então tem se dedicado a conhecer, colecionar e difundir o melhor do metal brasileiro e mundial. Graduado em Letras/Inglês, principalmente por influência da língua-mãe do rock, tem como principais ícones do metal as bandas Angra, Symphony X, Dream Theater e Opeth.

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