Hypnos: entrevista com Bronislav "Bruno" Kovarik

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Bronislav “Bruno” Kovarik (Vocais, Baixo e Guitarra), montou o Hypnos após sair do Krabathor, uma das maiores bandas de Death Metal do Leste Europeu nas décadas de 80 e 90. E nessa entrevista demonstra todo seu amor e conhecimento do gênero, mostrando ainda um profundo conhecimento do Metal em nosso país, sendo sempre sincero e fazendo dessa conversa um grande divertimento e aprendizado. Completam a banda Petr “Pegas” Hlavac (bateria) e Igor Hubik (Guitarra). Abaixo pode ser conferirido o vídeo que fizeram para a música ”Inverted”:

Vicente: Conte-nos um pouco sobre os treze anos de Hypnos. Como foi o começo da banda?

Bruno: Bem, foi muito simples. Eu estava há quatorze anos no Krabathor e quando eu os deixei em 1999, devido a diferentes pontos de vista, eu perguntei ao meu velho amigo baterista Pegas (a propósito, também ex-membro do Krabathor) para iniciar uma nova banda de Death Metal, então começamos com o Hypnos. Depois de 3 álbuns completos pela Morbid Records alemã, e muitos shows pela Europa, tivemos um período em silêncio por alguns anos, mas agora estamos de volta com um novo álbum.

Vicente: Vocês lançaram esse ano seu quarto disco completo, "Commando Heretic - Rise of the New Antikrist”. Como está a divulgação? Quando e onde foi gravado?

Bruno: Nós gravamos o álbum em Outubro / Novembro de 2011, no SHAARK estúdio (Rep. Checa), com engenheiros de som locais e Finstad Borger da Noruega. Foi mixado e masterizado mais tarde por Borger em seu estúdio TOPROOM na Noruega. Em geral, foi um trabalho bem rápido, todas as músicas estavam bem preparadas e havia um ótimo ambiente no estúdio, então precisamos de menos de 10 dias para a gravação em si. Os dois álbuns anteriores foram gravados por Harris Johns na Alemanha e ficamos tão satisfeitos que melhorou até a qualidade do nosso som. "Commando Heretic" é realmente um disco maduro, estamos satisfeitos com todos os aspectos dele.

Vicente: Além do novo álbum, vocês têm mais três: In Blood We Trust (2000), The Ride Revenge (2001), Rabble Mänifesto (2005), e alguns EP e Demos. Fale nos um pouco sobre cada um deles.

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Bruno: Nosso primeiro EP é, de certa forma, uma Demo, mas estipulou a nossa direção musical. Nós regravamos essas canções para o álbum de estréia, exceto o cover do Bulldozer, é claro.

Então surgiu o primeiro disco, “In Blood we Trust”, gravado no mesmo estúdio eslovaco onde usualmente gravávamos os discos do Krabathor, e a qualidade do som, do ponto de vista de hoje, digamos que ficou apenas regular. Mas nós estávamos cheios de energia, estávamos com apetite de gravar um disco de Death Metal com músicas que seriam fáceis de lembrar. Muitas delas ainda estão em nosso repertório ao vivo, In Blood We Trust, Lovesong, Breeding the Scum.

“The Ride Revenge” gravamos em Berlim com o nosso produtor dos sonhos - Harris Johns, apenas um ano após a estréia. A qualidade do som e as composições estão em um grande nível, também devido a termos nesse disco o grande guitarrista David M. Com este álbum, ficamos plenamente satisfeitos, até mesmo hoje em dia.

“Rabble Mänifesto” foi gravado novamente com Harris, mas a situação na banda ficou um pouco complicada, pois nosso contato principal na gravadora Morbid Records, Olaf, deixou a empresa... Queríamos gravar um álbum moderno com um toque forte de Black Metal, mas posso dizer que não fomos bem sucedidos nessa empreitada. “Rabble Mänifesto” acabou sendo um álbum de Death Metal com boa produção, onde procuramos tocar músicas mais complexas que o habitual.

“HTH” é a nossa Demo de retorno em 2010, mais tarde lançada como um MCD para o nosso retorno ao “Brutal Assault Festival”. Foi gravado realmente em um ensaio, mas soou bem e foi o nosso primeiro passo para o álbum “Heretic Commando”

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Vicente: Entre Rabble Mänifesto e Commando Heretic houve um hiato de sete anos. O que aconteceu nesse período?

Bruno: Na verdade, a banda separou-se em 2006, voltando em 2009. Eu tive de lidar com alguns problemas pessoais, tive alguns problemas para manter a formação da banda... Simplesmente a atmosfera na banda não estava certa por isso decidi encerrá-la por um certo período. Em 2009, começamos a tocar novamente e compor as músicas com Pegas e o caminhão está rodando novamente!

Vicente: Sua música é um Death Metal puro e clássico. Como você vê a cena nos dias atuais?

Bruno: Você sabe, cada período tem algo importante e você tem que conviver com isso se você quiser sobreviver. Você tem que ser melhor do que o resto. Existem toneladas de bandas em geral, um monte de boas bandas e muitos deles são grandes bandas. Tentamos ser o melhor que podemos, sempre.

Vicente: Bruno, além de Hypnos, você já tocou no Krabathor (importante banda da Rep. Checa) por mais de dez anos. Como foi a experiência, e as diferenças para o atual momento de sua carreira?

Bruno: Krabathor era “a” banda no fim dos anos 80 e inicio dos 90... Fomos um dos primeiros a tocar Death Metal na Checoslováquia e no Leste Europeu, o que também foi uma razão importante para o sucesso que alcançamos. Mas, de qualquer maneira, isso somente aconteceu porque fomos capazes de escrever boas canções, além de termos trabalhado de forma exaustiva para isso. Foram grandes momentos, mas durou o tempo que tinha de durar. O que quero dizer é que, hoje em dia, após tanto tempo, o Krabathor significaria apenas a memória nostálgica, agora há muitas bandas melhores do que nós.

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Vicente: Como está a cena na República Checa para o Rock e o Metal?

Bruno: Ainda muito boa. Minhas bandas favoritas, de nível internacional, são, por exemplo: Dying Passion, Root, Godless Truth, Brutally Deceased, Insania, Arakain, Prazsky Vyber, Silent Stream of Godless Elegy, Forgotten Silence e muitas mais. Procure conhecê-las e você verá que estou certo.

Vicente: O que vocês conhecem sobre as bandas de Rock e Metal brasileiras?

Bruno: Claro que todo mundo conhece Sepultura, Soulfly, Cavalera Conspiracy, Krisiun, Angra. Mas eu também amo Sarcófago, por exemplo, muitos anos atrás eu era grande fã dos Ratos de Porão, Vulcano, The Mist, eu me lembro do Rebaelliun, eu realmente gosto, por exemplo, do André Matos. Vocês têm um grande país, com muitas influências e, portanto, a cena também é grande. Brasil “kicks ass”, cara! (essa parte nem precisa tradução)

Vicente: Em poucas palavras, o que você pensa sobre essas bandas:

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Deicide: Eu amo os três primeiros álbuns, "Legion" é o meu preferido. Eu sei que eles lançaram dois bons álbuns recentemente, e lá está também o meu amigo Jack Owen, mas não os escuto tanto quanto no início. De qualquer forma, é uma banda original e uma influência. Glen tem, concorde ou não, uma grande personalidade e gosto da sua promoção do anticristianismo. Isso é legal.

Morbid Angel: Provavelmente o mesmo que disse sobre o Deicide posso dizer sobre eles. Além disso, fizemos uma turnê pela Europa com eles em 2000. Seu primeiro disco foi o meu álbum favorito na época. Eu fiquei feliz quando David voltou à banda, mas o tempo que estávamos à espera de novo álbum foi tão longo e o resultado é bastante controverso. De qualquer forma, eu gosto de algumas faixas mais Death Metal, mas existem outras bandas que eu prefiro ouvir hoje em dia. Mas em geral - outro ícone para glorificar!

Krisiun: Banda legal, caras igualmente legais, nos encontramos várias vezes no palco (da última vez em janeiro deste ano). Eu os admiro pelo trabalho duro de muitos anos e conquistaram o sucesso que merecem. A música é muito extrema para mim, eu tenho dois álbuns deles em minha coleção, mas é realmente demais para mim (risos).

Celtic Frost: Uma das minhas bandas favoritas de sempre. Em meados dos anos 80 eram meus ídolos absolutos, tenho grande respeito por Thomas até hoje e eu realmente amo o que ele está fazendo com o Triptykon. Ele é o cara para se ajoelhar defronte. Eu gostaria de conhecê-lo melhor, encontrei com ele 2 vezes e fiquei realmente espantado com a pessoa agradável e inteligente que é. Meu DEUS pessoal!

Marduk: Banda legal, mas também muito extrema para mim. De qualquer forma, no passado, eu realmente gostei do álbum “Panzer Division Marduk”, este é um holocausto absoluto.

Vicente: Para encerrar, deixe uma mensagem para todos os brasileiros que conhecem ou queiram saber mais sobre a música do Hypnos.

Bruno: Bem, visite nosso site oficial www.hypnos-cz.com , onde há um monte de informações sobre a banda. E, claro, confira nosso novo álbum, "Heretic Commando-Rise Of The New Antikrist", certamente encontrarão várias maneiras de baixá-lo. No caso de fazer um Download pago ou comprar nosso CD, nós e nossa empresa Einheit Produktionen apreciaríamos muito (risos).

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Sobre Vicente Reckziegel

Servidor público, escritor, mas principalmente um apaixonado pelo Rock e Metal há pelo menos duas décadas. Mantêm o Blog Witheverytearadream desde Dezembro de 2007. Natural e ainda morador de uma pequena cidade no interior do Rio Grande do Sul, chamada Estrela. Há muitos anos atrás tentou ser músico, mas notou que faltava algo simples: habilidade para tocar qualquer instrumento. Acredita na música feita no Brasil, e gosta de todos os gêneros, desde Rock clássico até Black Metal.

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