Eclipse Hunter: Prog Metal direto da Rússia

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Eclipse Hunter: Prog Metal direto da Rússia


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Quem não conhece o Eclipse Hunter deveria ir atrás de mais informações, pois trata-se de uma grande banda de Progressive Metal russa. Além disso, foram muito solícitos desde o início, pois não é tão simples concordar em dar uma entrevista para um site do Brasil, sem qualquer conhecimento da língua Portuguesa. Mas André Osokin, tecladista e líder do Eclipse Hunter, mostrou-se um cara muito legal, falando da cena russa, e ainda mostrando algum conhecimento do nosso Brasil. Completam a banda Alexander Yurov – vocals, Dmitry Trofimov – baixo, Eugene Zhamoydik – bateria e Sergey Isaenko – guitarras (que deixou a banda no mês passado). Com a palavra, André Osokin…

Vicente: Conte-nos um pouco sobre a trajetória do Eclipse Hunter

André Osokin: Eu formei a banda com meu amigo de longa data Tim em 2004. Nós fazíamos Jams juntos, tentando encontrar membros permanentes, escrevendo músicas que nunca chegamos a tocar ao vivo (exceção de Decisions do novo disco, que foi reescrita durante as gravações). Nosso primeiro show foi em Moscou, em 2006, quando a banda finalmente começou a soar verdadeiramente como uma banda (apesar de agora perceber que tecnicamente não era uma maravilha). Após acharmos um novo vocalista em 2007 começamos a gravar nosso primeiro álbum “One”, que foi lançado em 2009 e apresentou vários convidados. Tivemos uma grande mudança na formação, mas mesmo assim começamos a gravar o segundo álbum que se tornou o “Unlimited Edition”, lançado no ano passado.

Eu penso que já nos colocamos como uma banda respeitável aqui na Rússia, talvez não como as lendárias bandas top daqui (como Aria, Epidemia ou Black Obelisk), mas bastante popular. Infelizmente, ainda não fizemos nenhuma turnê fora da Rússia, mas espero quebrar essa “maldição” num futuro próximo.

Vicente: Sobre o novo disco, Unlimited Edition, lançado ano passado. Como foi a divulgação do mesmo? Quando e onde ele foi gravado?

André Osokin: A recepção do disco foi um misto de sentimentos. Muitos fãs e até mesmo alguns novos ouvintes ficaram desapontados, pois esperavam ouvir uma música inspirada no Power Metal, como no álbum “One”. Outros gostaram da ideia de desenvolvermos nossa direção musical e responderam de forma calorosa. Eu inclusive ouvi que Changes e Someday fizeram algumas pessoas chorarem (sim, nem mesmo eu acreditei nisso). Enfim, estou feliz com as críticas e respostas que obtivemos, pois foram justas e honestas acima de tudo. Mesmo porque eu já esperasse que o “Unlimited Edition” tivesse uma maior exposição, visto que foi feito para um público maior que o anterior.

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Vicente: Além do novo disco, vocês lançaram também One (2009), e um Single e EP. Conte-nos um pouco sobre cada um deles.

André Osokin: “One” foi a primeira tentativa de trazer para as pessoas uma música vinda do coração. Podem-se notar certas influências de Power e o clássico Heavy Metal (que foram escritas nos primeiros anos de existência da banda), conjuntamente com o Prog e Symphonic Metal. Obviamente você tem que ouvir ele, pois se trata tão somente da minha opinião.
Heartbreaker é um Single digital, lançado em promoção ao novo disco, contendo uma versão reduzida da faixa-título, a música Lullaby e um mix instrumental de nossa música mais popular do primeiro disco, chamada Fading.

E o EP Lost Symphony? Bem, ele contém versões mais cruas de Freedom e Lost Symphony, gravadas com nosso vocalista anterior em 2007, além de uma versão instrumental de Eternally.

Vicente: Todas as músicas e letras são escritas por você, e o som tem uma grande participação dos teclados. Este foi o propósito desde o inicio do Eclipse Hunter?

André Osokin: Bem, o fato de eu escrever a maioria das músicas provavelmente é por que tenho muito tempo para isso (risos). Na verdade, muitas faixas do “Unlimited Edition” foram escritas antes do “One”, mas quando fomos gravar, surgiram ideias dos outros membros, e estou realmente feliz por isso. Acredito que eles irão mostrar suas habilidades de composição no próximo disco de uma maneira mais ampla. E sim, de fato, os teclados têm um grande papel em nossa música, mesmo por que é meu principal instrumento. E muitos gostam desse “monte de teclados” em nossas músicas.

Vicente: Em seus shows, quais são as músicas que o público sempre pede que toquem?

André Osokin: Algumas músicas mais antigas, I’ll Never Forget e Fading, e outras mais recentes, como Heartbreaker e Changes. Mas, você sabe, cada um tem sua música favorita, então tentamos tocar tudo quanto é possível, deixando as “menos favoritas” de fora do nosso set.

Vicente: Como está a cena musical na Rússia, tanto para o Rock quanto para o Metal?

André Osokin: Horrível. Refiro-me à música Pop local, visto que a União Soviética destruiu o amor pelo Rock estrangeiro (que foi banido oficialmente antes do fim dos anos 80). Mesmo após a queda da União Soviética, a maioria do povo continuou a consumir aquela porcaria (acredite, é ainda pior que o Pop normal), restando poucos que continuam a curtir a música de qualidade. Creio que por isso o desenvolvimento de nossos músicos ainda é muito lento. As bandas estão tentando tocar coisas que são similares a outras bandas que tentam soar como outras e assim continuadamente. Minha opinião é que você deve fazer algo diferente se quiser crescer, e existem poucas bandas aqui que são realmente boas no que fazem.

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Vicente: O que vocês conhecem do Rock e Metal no Brasil?

André Osokin: Eu sei que os fãs brasileiros são os mais loucos do mundo! E realmente quero experimentar esta atmosfera amigável e calorosa que seu povo transmite durante os shows. Minha banda favorita daí é o Angra, e realmente curto a mistura de Power e Progressive Metal e gêneros latinos que incorporam em seus sons.

Vicente: Em poucas palavras, o que você acha destas bandas:

Pink Floyd: Uma das minhas favoritas no estilo Prog/Psychodelic Rock. Foi uma banda única e realmente decente. Alias, tocamos Great Gig In The Sky no último show e foi um sentimento maravilhoso tocá-la ao vivo.
Anathema: Eu realmente amo essa banda e também tocamos Fragile Dreams em alguns shows. Sua música é uma mistura de beleza e luminosidade, sinceridade e bondade.
Deep Purple: Outra das minhas bandas favoritas de Hard Rock, apesar de não ser um super fã. Mas quando escuto a frase “Classic Rock”, isso significa Deep Purple para mim.
Arkona: Eu ouvi que esta banda tornou-se muito popular nos Eua e Europa, porém eu nunca gostei de Folk Metal com “rosnados” femininos.
Dream Theater: Tem sido uma das minhas 5 bandas favoritas a muitos anos já. Preciso dizer que eles são uma fonte de inspiração em todos os sentidos. Tocamos Wait for Sleep em nosso primeiro show e mais algumas vezes após.

Vicente: Quais as maiores influências do Eclipse Hunter?

André Osokin: No inicio, Dream Theater, Sonata Arctica, Royal Hunt, Edguy, Nightwish, Artension e Genesis, que me influenciaram na composição do material mais antigo. O novo material tem uma vibração de grupos como Deep Purple, Pain of Salvation, e um pouco de Porcupine Tree e Opeth.

Vicente: Para finalizar, deixe uma mensagem para todos os Brasileiros que conhecem ou querem conhecer mais do som do Eclipse Hunter.

André Osokin: Um viva para todos os brasileiros apaixonados pela música! Eu espero que um dia tornemo-nos populares em seu país, e, com sua ajuda, sejamos convidados a tocar para todos vocês. Cuidem-se, sejam felizes e aproveitem a companhia um dos outros. Seus amigos russos, Eclipse Hunter!

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Sobre Vicente Reckziegel

Servidor público, escritor, mas principalmente um apaixonado pelo Rock e Metal há pelo menos duas décadas. Mantêm o Blog Witheverytearadream desde Dezembro de 2007. Natural e ainda morador de uma pequena cidade no interior do Rio Grande do Sul, chamada Estrela. Há muitos anos atrás tentou ser músico, mas notou que faltava algo simples: habilidade para tocar qualquer instrumento. Acredita na música feita no Brasil, e gosta de todos os gêneros, desde Rock clássico até Black Metal.

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