Candlemass: entrevista com o baixista Leif Edling

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Candlemass: entrevista com o baixista Leif Edling

Traduzido por Alcides S. Maia Júnior | Fonte: Doommantia

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Por: Ed Barnard

Candlemass é uma influente banda Sueca de Doom Metal formada em 1984 por Leif Edling (baixo), seu líder e compositor. A banda é originária de Estocolmo. Após lançarem cinco álbuns e excursionarem extensivamente nos anos 80 e começo dos anos 90, o Candlemass se separou em 1994, mas decidiram se reformular a banda três anos depois. Após uma nova separação em 2002, o Candlemass foi reformulado em 2004 e continuou a gravar e tocar desde então, o que nos leva a 2012 e seu novo álbum Psalms For the Dead. A banda teve uma carreira muito diversificada. Leif Edling começou a banda com o vocalista Johan Längqvist, o guitarrista Mats Mappe Bjorkman e o baterista Matz Ekström. Seu primeiro álbum Epicus Doomicus Metallicus (1986) é considerado um clássico do Doom. Längqvist porém gravou somente esse álbum com o Candlemass. Messiah Marcolin o sucedeu como frontman e se juntou à banda para seu segundo lançamento, “Nightfall”, em 1987. Dois novos membros apareceram nesse álbum, o guitarrista Lars Johansson e o baterista Jan Lindh. Os dois álbuns seguintes foram “Ancient Dreams (1988)” e “Tales of Creation (1989)”. Em 1990, a banda lançou um álbum ao vivo, simplesmente chamado de “Live”. Pouco depois uma divergência entre os membros da banda resultou na saída de Messiah Marcolin.

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Thomas Vikström entrou na banda e gravou o álbum “Chapter VI” em 1992, mas em 1994 a banda anunciava a separação. Contudo em 1997/98 Leif recrutou uma nova formação e a banda gravou o álbum “Dactylis Glomerata”. Em 2002, ex-membros do Candlemass se reuniram. Eles fizeram alguns shows que tiveram uma ótima aceitação e lançaram outro álbum ao vivo. Outros álbuns lançados pela banda reformulada foram versões remasterizadas de “Epicus Doomicus Metallicus”, “Nightfall”, “Ancient Dreams” e “Tales of Creation”. Um DVD chamado “Documents of Doom” também foi lançado. A banda estava trabalhando em um novo álbum e gravou algumas novas canções enquanto procurava uma gravadora, novas divergências surgiram, resultando em uma segunda separação. Nesse período, Leif Edling começou um novo projeto, Krux, com Mats Léven antigo vocalista do Abstrakt Algebra e dois membros do Entombed. Uma segunda reunião da banda aconteceu em 2004 e a banda ganhou um Grammy pelo seu álbum homônimo lançado naquele ano.

Em 2007, o Candlemass encontrou em Robert Lowe um novo vocalista, que gravou com a banda seu nono álbum King Of The Grey Islands. Em 31 de março de 2007, o Candlemass celebrou seu vigésimo aniversário. Para comemorar, o vocalista original Johan Längqvist apareceu ao vivo com a banda pela primeira vez. O evento foi gravado para um DVD. O Candlemass começou a trabalhar no seu décimo álbum de estúdio em 2008. A intenção era chamá-lo de “Hammer of Doom”, mas eles o renomearam para Death Magic Doom porque o nome coincidia com um festival alemão de mesmo nome. O lançamento do álbum estava programado para 27 de Março, mas foi adiado para o dia 3 de Abril de 2009. Em Outubro de 2011, o Candlemass assinou com o selo austríaco Napalm Records, que lançará seu último álbum de estúdio Psalms for the Dead e então aqui estamos.

Eu me sinto honrado de ter a chance de entrevistar Leif Edling, então espero que gostem...

Primeiramente, obrigado pela chance de conduzir esta entrevista, muito obrigado e parabéns pelo novo álbum, em minha resenha eu escrevi que eu acho que esse é o melhor álbum da banda desde o álbum “From The 13th Sun”. O que acha disso?

Obrigado, eu estou feliz que você tenha gostado! Nós estamos muito orgulhosos com o álbum e particularmente eu acho que é um dos melhores álbuns que nós fizemos! Não é fácil superar “Death Magic Doom” mas nem mesmo tentamos isso, eu acho que fizemos um bom trabalho. O álbum contém tudo o que o Candlemass é, e não há uma só canção ruim nele!

Eu li uma vez que o processo de gravação de “King Of The Grey Islands” foi via FTP o que soa como um processo realmente complicado de se levar em frente, mas então vocês se reuniram na Suécia para o álbum “Death Magic Doom”. Como foi o processo de gravação deste álbum?

Eu o escrevi por cerca de 5 meses antes que nós começássemos o processo de pré produção em Outubro. Nós ensaiamos no mesmo estúdio em que nós gravamos o álbum (Bauman Audio Media), então nós pudemos escutar à boas gravações dos ensaios, o que ajuda quando você ainda está escrevendo e arranjando as canções. Então nós começamos a gravar em dezembro por três semanas e quase mais um mês em Janeiro para a mixagem. Robert esteve na cidade por dois meses, então eu tive bastante tempo para trabalhar com ele nos vocais.

Na minha resenha eu escrevi que o novo álbum parece ter um forte elemento emocional. Você sente que isso é verdadeiro, e se concorda, você acha que pensar na separação alimentou essa emoção?

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Não sei, talvez “Psalms For The Dead” tenha um forte elemento emocional, algum tipo de sentimento épico nele. Mas algumas das canções são sobre despedidas o que talvez seja natural em nosso último álbum. Eu gosto da vibração do álbum, ele tem uma certa atmosfera.

Falando na separação da banda. Você tem algo mais a dizer? Em que pé está a separação da banda, é grandioso vocês se despedirem com um grande álbum, mas também é triste pensar em quantos grandes álbuns poderiam ser gravados.

Nós não estamos nos separando, é só nosso último álbum. Nós não podemos continuar para sempre, gravando e gravando. Em algum momento ao longo do tempo você tem que parar e a hora é agora, antes que comecemos a lançar álbuns medianos e perder o respeito que nós ganhamos durante os anos. Mas nós ainda tocaremos ao vivo e faremos turnês, então ainda não vamos desaparecer.

Muitas pessoas, incluindo eu, citam o Candlemass como a mais importante banda de Doom Metal Tradicional dos últimos 25 anos e uma das mais influentes bandas de metal desde o Black Sabbath. O que você acha disso e se isso pressiona a banda para criar algo especial a cada vez que grava um álbum?

Não há pressão quando nós gravamos. Somente a que vem de nós mesmos. Nós não lançamos um álbum que não esteja no nível daquilo que nós fizemos no passado. “Death Magic Doom” por exemplo foi muito elogiado pelos nossos fãs. Então realmente nós trabalhamos duro para fazer as coisas funcionarem. Um álbum do Candlemass leva de 9 a 12 meses da ideia ao produto final! As coisas são como são. Seria mais fácil para nós (e para mim) se fosse só 3 a 6 meses. Mas ele tem que ser melhor do que bom, então a pressão está em nós e em mim para manter o nível. Eu acho que nós fizemos isso com “Psalms”.

O que a banda planejou em relação à separação? A banda está embarcando em uma daquelas turnês mundiais sem fim, que tantas bandas terminam fazendo ou fará alguma poucas datas? E a propósito, há qualquer chance de shows nos Estados Unidos?

Nós temos a esperança de excursionar com o Angel Witch no Outono e estou certo que estaremos conversando sobre excursionar na próxima Primavera. O álbum está atrasado, então nós perdemos todos os festivais do verão, o que é uma droga, então nós estamos concentrados no Outono, Primavera e Verão do próximo ano. Eu tenho certeza que nós visitaremos os Estados Unidos brevemente no futuro.

Quais são os seus sentimentos quanto ao cenário da música mundial em termos de performance? Tantas bandas deixaram os Estados Unidos de lado para se focar em turnês somente na Europa. Os Estados Unidos é realmente um lugar tão horrível para se excursionar? Parece que não há incentivo para excursionar por este país a menos que você seja o Iron Maiden ou algo dessa magnitude.

Bem, se você não é o Opeth ou algo nesse nível, é difícil excursionar pelos Estados Unidos por conta própria. Em nossa última turnê pelos Estados Unidos nós tínhamos um bom público em 75% das cidades, mas alguns shows foram ridículos, com pouco público. Talvez nós não sejamos populares em todas as cidades, as coisas são como são, mas alguns locais não anunciam nossos shows e não é fácil colocar digamos 300 pessoas nas ruas para nos divulgar. Mas nós amamos os Estados Unidos e gostaríamos muito de voltar. Talvez um bom pacote com 3 ou 4 bandas legais de heavy metal!

Quando você olha para a história da banda desde os primeiros dias, o que você vê como o grande ponto de virada na carreira da banda?

O progresso que tivemos com “Nightfall” após o estouro de “Epicus”, o Festival Dynamo Open Air em 1998 quando nós fomos as superestrelas da noite, o Grammy pela reunião no álbum branco de 2005. O volumoso sucesso com “Psalms For The Dead” ha ha ha!

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Eu li que ao menos um ou dois membros da banda realmente não se interessam pela cena de Doom Metal e do mainstream e não gastam muito tempo escutando outras bandas tocando estilos similares. Eu acho que sendo verdade, isso ajudaria a manter a identidade da banda em um certo grau. Então, se vocês não estão sendo influenciados por outros tipos de metal, de onde vem a inspiração (musicalmente falando)?

Lars gosta e escuta principalmente o Hard Rock e o Blues dos anos 70, embora Jan não siga a cena Doom atual, ele ama metal e Pentagram e escuta muitas coisas pesadas como Priest, Rammstein, Sabbath, Queensryche, Manowar, etc. Os grandes metalheads no Candlemass são Mappe e eu, nós vamos assistir a shows frequentemente. Acho que Mappe viu Nifelheim e Vulcano a alguns dias, eu eu fui ver Jex Thoth na última noite! Mas em geral as influências do Candlemass são Venom, Sabbath, Anvil, Angel Witch, Pentagram, Trouble, Warlord, Rainbow, Uriah Heep e um pouco do Accept no começo.

É correto dizer que a cena Doom Metal é uma cena “lenta” de muitas maneiras. Algumas bandas podem levar anos entre o lançamento de seus álbuns, enquanto algumas bandas dificilmente tocam ao vivo. Eu sei que no Candlemass houve algumas circunstâncias que impediram certas coisas de acontecer no passado, mas o Candlemass já tinha um planejamento a respeito de lançamentos e turnês ou vocês fazem as coisas do jeito que vocês acham que devem?

Nós tentamos planejar as coisas com um ano de antecedência. Você precisa de um pouco de planejamento, mas obviamente você não pode não saber o que vai acontecer no futuro. Um novo álbum leva um ano da ideia ao produto final, então é muito complicado se planejar. Mas quando você vai gravar, você precisa sentar e pensar, hmmm, o que vai acontecer a seguir? Certamente estamos planejando para o Outono. Temos a esperança de excursionar na Europa com o Angel Witch

Fora do Candlemass há o Solitude Aeturnus, projetos solo e outros projetos de bandas que a maioria das pessoas pode não conhecer. Você pode esclarecer os leitores sobre o que todos os membros da banda estão fazendo e o que eles planejaram para o futuro, especialmente se o Candlemass se separar.

Eu não faço ideia cara. Talvez Lars termine seu álbum de blues, Robert talvez gravará com o Solitude Aeturnus, ele e John Perez tem trabalhado por anos. Mas desde que o Candlemass esteja na ativa, eu realmente não sei. Eu não tenho outros planos além de continuar fazendo isto até que as pessoas não queiram mais nos ver.

Você tem alguma expectativa específica para o álbum “Psalms For The Dead”? Você quer algo específico com este álbum que você não tinha antes?

Sim, excursionar por lugares que não estivemos antes, como Austrália e Japão. Isso seria tão legal, ir para lá e levar o circo do Doom à cidade.

De volta ao novo álbum para mais uma pergunta. Pessoalmente quais sãos os destaques do álbum? Quais são suas faixas favoritas e você pode explicar sobre o que elas falam?

Eu amo todas as canções do novo álbum! Mas agora eu estou escutando a faixa título, que me dá arrepios pela maneira como ela se transforma. É linda e pesada, e tem uma certa atmosfera épica nela. Eu amo o órgão nela e os vocais de Robert estão incríveis! Fala sobre sobre partida e o que você pode levar com você quando você morre. Eu também estou dando muita atenção a “Prophet”. Talvez em razão da velha escola da velocidade e da dupla harmonia de guitarras do metal nas partes do meio. É uma grande faixa de abertura para este álbum! É sobre os falsos profetas. Nós estamos envoltos por eles.

Eu acho que todas as perguntas foram feitas exceto por mais uma, só por diversão. Você tem algum momento divertido na história da banda que você poderia nos contar?

O estúdio Flippers, talvez? O dono do estúdio não permitia qualquer sapato no seu brilhante estúdio, então nós tivemos que colocar chinelos. Chinelos muito coloridos, vermelho, azul, amarelo, rosa, verde. Nada muito Doom, he he. Acho que alguém daria um tiro em nós por estes chinelos, meu amigo.

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Sobre Alcides S. Maia Júnior

Conheceu o rock ainda moleque através do futebol, ao escutar We Are The Champions do Queen, a partir daí foi conhecendo diversas bandas clássicas como Black Sabbath, Deep Purple, Pink Floyd, Led Zeppelin, Rainbow, Judas Priest, Iron Maiden, Candlemass, entre outras.

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