Dead Fish: 20 anos de estrada em DVD ao vivo

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Dead Fish: 20 anos de estrada em DVD ao vivo


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O principal representante do hardcore brasileiro completou recentemente vinte anos de história e o DVD “Dead Fish 20 Anos Ao Vivo” – gravado no Circo Voador (Rio de Janeiro) no ano passado – chegará às lojas em breve para comemorar a data. O DEAD FISH conquistou certa notoriedade no Brasil após gravar o álbum “Zero e Um”, em 2004. No entanto, o novo é o que deve firmar definitivamente o nome da banda no cenário nacional e internacional e o show de lançamento do registro está marcado para o dia 14 de junho, no Opinião, em Porto Alegre. A entrevista realizada abaixo com o vocalista Rodrigo Lima foi comandada por Gabriela Cleveston Gelain para o programa de rádio Santa Demo 800 AM (http://ufsm.br/santademo), de Santa Maria (RS). O Whiplash.net reproduz a conversa na íntegra.

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Eu vi o “Fanzineiros do Século Passado – Parte II”, documentário do Márcio Sno em que tu dá depoimento. Tu diz que os vinte anos de hardcore foram mais do que a tua faculdade, da qual metade foram os fanzines. Eu queria saber o que tu tem para falar destes vinte anos. Que lições tu tirou disso?

Rodrigo Lima: Como eu venho de uma família que todas as pessoas se formaram na faculdade, era um requisito e, paralelamente a eu estar na faculdade, eu já estava em um cenário de música. Com o tempo, eu fui percebendo que estar na cena hardcore era um crescimento muito grande. Eu sempre estava em um lugar diferente, com pessoas diferentes, que pensavam diferente. Essa troca me fez crescer muito mais rápido do que algumas pessoas que estavam ali na faculdade, na torre de marfim, estudando a coisa na teoria. Eu acho que muito do cenário de punk e hardcore torna a vida acadêmica uma coisa meio enfadonha, porque você acaba aprendendo tudo muito na prática. A coisa é muito mais na pele, muito mais intenso.

Essa visão que tu tem do cenário independente, tu falou em algumas entrevistas que aqui no Brasil tem extremos: ou a coisa funciona de uma maneira, ou seja, muito bem, ou ela se perde. Queria saber qual a visão que tu tem depois de 20 anos nesta trajetória com o DEAD FISH.

Rodrigo Lima: A nossa sorte ou nosso azar nestes vinte anos é que a gente saiu de um extremo e foi para outro. Isso nem todo ser humano consegue suportar, não é algo que individualmente as pessoas consigam suportar, porque você acaba vendo tudo e vendo que tudo tem prós e contras, tudo tem altos e baixos, tudo tem gente boa e gente ruim. Eu acredito que no independente, a questão da inocência e de ser mais coração talvez torne a coisa mais intensa e até mais relevante. Mas o que acontece é a falta de recurso e a falta até de cabeça. A nossa geração era uma geração que tinha um pouco menos de informação, então muitas vezes o independente pecava em coisas bobas, nessa coisa do diálogo não fluir mais rapidamente. Eu acho que o DEAF FISH é um pós-doutorado nestes dois extremos. E o melhor: ele conseguiu criar um meio para si, conseguiu criar um caminho só da banda. É um caminho que acaba sendo “surfar” a onda do que é punk e hardcore, saber entender a mídia de massa. A gente nunca soube usar muito bem essa mídia, mas a gente já entende mais ou menos do que se trata.

Querendo ou não, o underground é um mercado, um mercado mais sincero, que não visa o lucro e talvez ele se perca por aí muitas vezes.

Rodrigo Lima: E até às vezes não visa a perpetuação. Eu acho que se as pessoas no meio independente tivessem mais esta visão e soubessem dar as mãos umas para as outras, independente de estilo... Eu falo isso há vinte anos, é chatíssimo, eu mesmo não suporto mais falar isso! Você consegue criar um meio. Eu acho que a intenção primeira do FORA DO EIXO era isso, conseguir dar as mãos para um mercado que é muito prolífico no Brasil inteiro. Só que a gente não tem esta capacidade ainda. Não sei se é porque a gente é sul-americano, não sei se é porque a gente é menos educado, não sei se a gente é egoísta demais, não sei se é porque a gente não tem nada e qualquer coisa a gente se apega demais. Não consigo explicar direito não.

Eu queria relembrar um pouco o “Faces do Terceiro Mundo”, aquela coletânea que contava com DEAD FISH, STREET BULLDOGS, REFFER e NOÇÃO DO NADA, que este ano está fazendo dez anos. Eu li que tu falou que deveria sair um LP desta coletânea, há alguma possibilidade?

Rodrigo Lima: Acredito que exista a possibilidade,mas a gente precisa correr muito atrás! Até porque existem ex-integrantes e uma banda chamada STREET BULLDOGS que tem um vocalista extremamente chato, talvez tão mais chato do que eu! A gente tem que pedir autorização para todas as bandas, para todos os ex-integrantes e achar alguém que prense uma coisa que fique bonita. É um longo trabalho. Talvez seja igual ao DVD de vinte anos do DEAD FISH, que saiu no vigésimo primeiro ano (risos).

O DVD deveria ter saído no final do ano passado não é?

Rodrigo Lima: Deveria ter saído em dezembro, mas a gente só conseguiu arrumar a gravação para novembro.

Porque foi escolhido o Circo Voador no Rio de Janeiro para ser gravado o DVD?

Rodrigo Lima: Na verdade calhou de ser o Circo Voador porque a gente sempre teve apresentações muito boas lá. O cara que está empresariando a gente é do Rio de Janeiro e conhecia o pessoal do Circo. O local tem uma representação para a música, para o rock brasileiro muito grande, assim como o Opinião tem para vocês [de Porto Alegre]. Eu acho que o Circo Voador é importante para um cenário amplo do rock brasileiro, e aí surgiu a oportunidade e nós falamos: “nossa, seria clássico, seria lindo!”. As pessoas do Espírito Santo estão morrendo de raiva porque a gente não foi comemorar os vinte anos onde a gente nasceu, mas a gente não tinha como reunir duas mil e tantas pessoas lá, fazer uma imagem boa, com uma equipe legal, sem ter que pagar muito por isso.

Eu acho que as pessoas do Espírito Santo deveriam entender isso.

Rodrigo Lima: Capixaba não costuma entender isso muito não. Capixaba é meio tosco igual a mim, assim. (risos) Mas beleza, depois a gente vai lá. Estamos com um projeto de fazer um filme para o ano que vem e o show maior vai ser lá.

Eu queria que tu falasse um pouco do lançamento do DVD. Como as pessoas vão poder adquirir?

Rodrigo Lima: Vai ter na Spider Merch e vai ter no site da Deckdisc, que vai distribuir o DVD. Mas no dia do show de lançamento em Porto Alegre, é só no local do show que vai ter. A gente vai pegar os DVDs três dias antes, então Porto Alegre vai sediar o show de lançamento do DVD do DEAD FISH no Brasil. Os gaúchos provavelmente serão os primeiros a adquirirem. Depois, acho que dois dias depois, já vai ter na internet, né? (risos) Mas as pessoas em Porto Alegre vão ser as primeiras a comprar. Vai ter uma página online, mas isso só entra uma semana ou oito dias depois do lançamento, depois de sair da fábrica.

E como vai ser o DVD? Ele só tem o show ou também conta com depoimento de ex-integrantes destes vinte anos?

Rodrigo Lima: Não, o DVD é o dia [do show]. A gente só falou sobre o dia 11 de novembro de 2011, sobre o show no Circo Voador. E a gente gravou entrevistas, dias depois falando sobre a banda. É uma coisa bem geral, já que a gente quer lançar um filme com quatro ou cinco shows, em quatro capitais do Brasil que a gente está a duras penas escolher. Aí sim a gente vai falar da história, contar as histórias antigas, colocar vídeos antigos, etc.

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Eu queria saber se tu tem alguma dica de banda, filme ou algo recente que tenha visto.

Rodrigo Lima: Poxa, eu sou um velhinho chato. Eu acabei ontem de ver um filme do Martin Scorsese que se chama “Mean Streets” (1973), que é um livro também e talvez seja o primeiro filme do Robert De Niro. Eu recomendo para todo mundo. É um filme engraçado, ao mesmo tempo em que é trágico. Bandas eu recomendo as bandas daí [Rio Grande do Sul], o pessoal da CAMPBELL TRIO.

Ouvi falar que eles (CAMPBELL TRIO) abrirão o show de vocês. É verdade?

Rodrigo Lima: Sim! Eles vão abrir a nosso pedido. Foi pedido nosso, a gente quis que eles abrissem.

Eu já fiz esta pergunta há dois anos atrás, quando te entrevistei para o meu fanzine (http://subterraneidades.wordpress.com/2011/10/27/40/), mas eu vou perguntar novamente. Quais foram os principais escritores que te motivaram a escrever as letras do DEAD FISH?

Rodrigo Lima: Escritores? Cada disco tem uma influência. Eu acho que o “Zero e Um” (2004) tinha muito daquela literatura situacionista, Hakim Bey, Umberto Eco. “Um Homem Só” (2006) talvez seja um resgate de umas coisas chatas do Nietzche. Eu não tenho muito orgulho desse CD. Já no “Contra Todos” (2009) eu tava lendo muita gente de São Paulo, estava lendo Oswald, Mário de Andrade, Roberto Piva, já estava focado em uma literatura mais local. A gente não pode deixar de falar das bandas também, né? Acho que desde o “Um Homem Só” o PROPAGANDHI é a banda que mais influencia a gente.

Eu queria que tu deixasse um recado para os nossos leitores. Fale o que quiser!

Rodrigo Lima: Ah cara! Eu vou lançar uma frase de tio chato. Eu queria que a tua geração, que as pessoas que tem a idade de vocês, despertem. Não se percam muito no mundo virtual, comecem a fazer algo mais real. Apesar de ser mais chato, apesar de ter que lidar mais com as pessoas, é algo que lá na frente vai ser muito mais relevante do que suas conversas na internet. Façam! Façam bandas, façam selos, estudem, façam alguma diferença. É isso.

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Sobre Gabriela Cleveston Gelain

Gabriela Cleveston Gelain é zineira nas horas vagas (No Make Up Tips Zine), estudante de jornalismo e colabora na @SIRVASE. Faz um programa de rádio chamado Santa Demo 800 AM com sua amiga Luciana Minuzzi (ao vivo) com ênfase no rock, hardcore, metal e vertentes, do mainstream ao underground. Também faz parte de um grupo de pesquisa em recepção e consumo cultural.

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