Apocalypse: Sensação de dever cumprido no Rock Progressivo

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Apocalypse: Sensação de dever cumprido no Rock Progressivo

Por Maicon Leite | Fonte: Wargods Press

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Na estrada há quase três décadas, a banda APOCALYPSE recebeu recentemente dois troféus da maior premiação da música gaúcha, o “Prêmio Açorianos de Música”. Um dos prêmios foi pela arte do DVD comemorativo “The 25th Anniversay Box Set” e a outra, bastante especial, pelo “conjunto da obra”, algo realmente gratificante. O tecladista Eloy Fritsch contou como tudo aconteceu e ainda falou sobre outros assuntos, desta que é a maior banda de Rock Progressivo do Brasil.

O Apocalypse recebeu recentemente dois troféus no “Prêmio Açorianos de Música”, a maior premiação da música gaúcha. Como foi ser indicado para o melhor projeto gráfico, do DVD comemorativo “The 25th Anniversay Box Set” e também receber mais um troféu, pelo “conjunto da obra”, de seus quase trinta anos de estrada? Ficou a sensação de dever cumprido e o devido reconhecimento?

Eloy Fritsch – Ficou a sensação de reconhecimento. Acho que esse prêmio está diretamente relacionado ao volume e à qualidade do trabalho que realizamos em todos esses anos de Apocalypse. Essa qualidade vem sendo potencializada pelo empenho daqueles que permanecem no projeto. A Menção Especial é algo diferenciado que muitos poucos músicos recebem. No dia ficamos muito emocionados e gratos pela distinção conferida ao nosso projeto musical. O prêmio de melhor design gráfico foi muito comemorado também. As capas dos nossos CDs sempre foram destaque no passado, e, novamente, renderam um prêmio muito bonito. O Gustavo Demarchi está de parabéns duplamente, primeiro pela grande performance vocal nos CDs e DVDs e segundo por ter criado uma arte que valorizou ainda mais o Box Set de 25 anos e que resultou nesse merecido troféu.

Apocalypse recebendo a Menção Especial em 09-05-2012 – Da esquerda para a direita: Chico Casara, Gustavo Demarchi, Eloy Fritsch, Ruy Fritsch, Rafael Schmitt, Chico Fasoli e Fábio Schneider

Para que haja entendimento dos leitores, o “Prêmio Açorianos de Música” é voltado à música em geral, e ter o Apocalypse como representante do Rock Progressivo e Rock em geral foi um marco. Ao seu ver, falta mais espaço para o estilo dentro da mídia não especializada e de mais setores da música?

Eloy Fritsch – Falta muito espaço. Existe uma distribuição desigual de oportunidades para os grupos de rock progressivo em relação ao restante da música brasileira. Também existe bastante preconceito das pessoas em relação àquela música que não contempla os padrões estipulados pela moda e os modelos de canção de 3 minutos de duração e refrão implantados pela indústria fonográfica mundial. A mídia veicula o que teoricamente resulta em mais audiência para tentar vender mais espaço comercial. De vez em quando um grupo “alternativo” se destaca mais na sua linha de trabalho e aparece um pouco mais para outros públicos através de veículos de comunicação convencionais. Mas nadar contra a maré é muito difícil e a maioria desiste antes do meio do caminho. São raros os casos dos grupos que conseguem alguma projeção já que isso também depende de muito investimento.

E como foi o recebimento dos troféus? Creio que tenha sido um momento marcante para vocês, não é mesmo?

Eloy Fritsch – Nós tínhamos recebido o Troféu Vasco Prado na passagem dos 25 anos do Apocalypse quando tocamos para mais de 2 mil pessoas em Passo Fundo, no encerramento da Jornada Nacional de Literatura. Aquela vez também foi muito emocionante. Passados três anos, com nova formação, o Apocalypse recebe o Prêmio Açorianos! Então foi novamente um momento especial em nossas vidas e que nos deixa muito orgulhosos. Ano passado tocamos com orquestra e coral nossas músicas e lançamos o Box Set. Foram fatos que provavelmente apresentaram nossa música de outras maneiras e abriram a cabeça de algumas pessoas que talvez não esperassem tanto de um grupo alternativo que toca rock progressivo. Acho que esse prêmio também mostra que os grupos de rock podem um dia chegar lá. Tínhamos um sonho de guri de montar uma banda, tocar, fazer uma música bem legal e um dia gravar discos, tocar no exterior, receber prêmios pelo nosso projeto. Acho que estamos no caminho certo.

Entrega da Premiação para Melhor projeto gráfico – Gustavo Demarchi – foto: Shaiane Dartora

O último trabalho de estúdio da banda, “2012 Light Years From Home”, foi lançado como complemento do BOX e ao que me parece os fãs tem curtido. Esta decisão de lança-lo junto com o DVD foi uma escolha acertada?

Eloy Fritsch – Acreditamos que sim porque não lançamos um disco de estúdio desde 2003 quando fizemos o CD Refúgio. O 2012 Light Years from Home é o nosso primeiro CD de estúdio que o Gustavo canta as letras em inglês. Nós tínhamos composições que precisavam ser registradas naquele momento de motivação e inspiração. Mas pensamos que um novo CD talvez não tivesse o mesmo impacto de um Box Set completo para marcar os 25 anos de Apocalypse. Então concordamos em fazer o projeto do Box Set mesmo correndo o risco da banda rachar ao meio. O volume de trabalho foi absurdo! Fazer um novo álbum, produzir um DVD, um livro, resgatar um CD ao vivo que ainda não havia sido lançado e ainda trabalhar todas as fases da produção de um Box Set. Tudo isso com prazo porque nosso projeto estava sendo financiado por lei municipal e precisávamos encerrar tudo conforme o cronograma estipulado. O CD foi justamente o projeto mais musical porque as outras gravações já haviam sido registradas em anos anteriores. Fiquei muito feliz com o resultado sonoro do CD 2012 Light Years from Home. Foi um trabalho difícil. À medida que avançávamos nas composições percebemos que nem todos estavam gostando e tinham a motivação necessária. A banda rachou e integrantes deixaram o Apocalypse. Isso foi um banho de água fria no ânimo daqueles que estavam se doando ao projeto para fazer o melhor possível. Depois de um tempo assimilando as mudanças na formação conseguimos acertar os ponteiros com os novos músicos para finalizar o projeto do CD de estúdio e do Box Set. Quase que não conseguimos terminar porque foi muito difícil mesmo! Ainda bem que somos persistentes e temos muito amor pelo que fizemos. Isso nos ajudou a vencer os vários desafios desse projeto.

CD 2012 Light Years from Home

Um fato curioso em relação a carreira do grupo, é o fato de até pouco tempo atrás cantarem em português. De vez em quando vejo alguém comentar isso, alguns preferem a fase em português, já outras pessoas acham benéfico para o Apocalypse cantar em inglês. Foi uma mudança e tanto! Hoje em dia, passado alguns anos, como vocês analisam este fato?

Eloy Fritsch – Acho natural que um grupo que é conhecido no exterior no meio progressivo, já tenha tocado nos USA e lançado CDs no exterior cante em inglês. Não vejo problema algum. Nada impede que futuramente o Apocalypse venha a fazer um novo disco em português.

6 – “Last Paradise”, presente no DVD que compõe o Box, está tendo uma boa visibilidade na internet. A filmagem de "Last Paradise" contou com a participação especial de músico e ator Hique Gomez, do Tangos & Tragédias. Esta participação ficou um tanto quanto inusitada. Como rolou o convite para que ele participasse do show? Pretendem repetir este feito?

Eloy Fritsch – Na verdade já repetimos. Ele tocou novamente na gravação do DVD The 25th Anniversary Concert registrado no DVD que acompanha o Box Set. A música Last Paradise precisava de um violino para fazer a melodia principal e o solo final e convidamos o Hique Gómez que gostou muito da música e topou. O Hique é um ator e músico muito carismático, uma pessoa maravilhosa. Foram momentos muito felizes. Tudo foi registrado no CD The Bridge of Light em 2006 e este ano esperamos lança-lo em DVD.

Ruy Fritsch, Hique Gomez e Gustavo Demarchi na gravação do DVD The 25th Anniversary Concert – foto: Shaiane Dartora

O Apocalypse está chegando a três décadas de serviço prestado ao Rock Progressivo. Muitos álbuns foram lançados, alguns shows no exterior, mudanças de formação, etc. Hoje em dia, se você fizesse uma análise dessa produtiva carreira, quais seriam os fatos negativos e positivos que se destacam nesta trajetória? Existe algo que você mudaria?

Eloy Fritsch – Prefiro lembrar dos fatos positivos: quando vencemos os festivais, gravamos o primeiro LP, lançamos o primeiro CD, tocamos nos USA, no Rio de Janeiro, gravamos nosso primeiro DVD, tocamos com a orquestra e recebemos as homenagens. A vida é tão curta que as conquistas merecem ser valorizadas e lembradas por todos como fruto da nossa união como banda e da nossa persistência em prol da música autoral e de qualidade.

Apocalypse, Orquestra e Coral – 2011 – foto: Maicon Damasceno

Eloy, obrigado pelo tempo cedido. Deixe sua mensagem aos fãs da banda e aos leitores do Whiplash, e se possível, liste seus cinco discos favoritos de todos os tempos, não importando o gênero. Algo mais a ser dito?

Eloy Fritsch – Esse período de homenagens que vivemos me fez redigir uma longa carta de agradecimentos que desejava ler na entrega do Troféu Açorianos de Música. Mas, infelizmente, na cerimônia, o tempo de agradecimento é muito curto e não foi possível ler. Naquele momento precisei improvisar rapidamente um agradecimento geral. Então gostaria de aproveitar a oportunidade e listar essas pessoas incríveis que nos ajudaram muito e foram parceiros em muitos momentos marcantes do Apocalypse. Então o Apocalypse gostaria de agradecer muito a Musea Records, nossa gravadora na França e seu diretor: Bernard Gueffier, as nossas gravadoras no Brasil: Rock Symphony, FreeMind, Sonhos e Sons, Tratore. Aos admiradores e incentivadores do Apocalypse: Dário Axelrud, Rodrigo Wernek, Gustavo Ávila, André Daudt Bordinhão, Zé Augusto Sacks de Campos, Fagundes, Mauro Machado, Selestino, Marcos Zambon, Marcos Trojan, César Lanzarini, Carlos Alberto Vaz Ferreira, Jair, Leonel Longhi, Alexandre Moretto Ribeiro e ao Apocalypse Fan-Club – obrigado Bruno e Cândido, Aos produtores Eliton Tomasi – Som do Dahrma, Leonardo Nahoum, Flávio Bastos Nunes, Peter Renfro, Gerhard Wessel, Edu Coelho, Maicon Leite, Marcos Abreu, Cláudia Boettcher, Vera Vergo, Paulo Cabral. Ao Financiarte – Lei de Incentivo à Cultura de Caxias do Sul, Jorge Brittes e a Coordenação de Música de Porto Alegre. Aos nossos parceiros na música: Hique Gomez, Gilberto Salvagni, Orquestra e Coral de Caxias do Sul. Aos ex-integrantes Chiquinho, Chico, Magoo Wise, Neno, Alberto Rasia, Guto Basso, Zezinho da batera, e a todos os incentivadores da nossa música. Nossas famílias, nosso pais, pelo amor, dedicação, ajuda e aos grupos de rock que nos ensinaram a tocar: YES, PINK FLOYD, QUEEN, GENESIS, URIAH HEEP, ELP, KANSAS, JETHRO TULL, MARILLION E JOURNEY.

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Sobre Maicon Leite

Nascido no ano que o mundo viu surgir "Battle Hymns", do Manowar, Maicon Leite foi apresentado ao Heavy Metal com sete anos de idade, através de seus primos e posteriormente pela revista BIZZ. Hoje escreve para diversos meios de comunicação no Brasil, além de contribuir fortemente para o underground com seus festivais (Atomic Night, Ladies in Metal e Thrashback) e divulgação através de sua assessoria de imprensa (Wargods Press). Iniciou sua trajetória com o fanzine Monsters of Rock, ainda na época em que se trocavam fitas K7 pelo correio e dezenas de cartas diariamente. Em 2001 começou a colaborar com a revista Roadie Crew, e desde então vem somando em seu currículo várias entrevistas, resenhas e matérias em geral. Também foi editor do site Metal Attack, colaborou com o site HeavyRS, e atualmente escreve para as revistas Hell Divine e Lucifer Rising, além do site www.baronshell.com. Também faz um programa semanal de rádio chamado Atomic Night, na rádio web Shock Box. Outro projeto em andamento é um livro que contará a história do som pesado do Rio Grande do Sul, em parceria com um amigo. Curte da música clássica ao Black Metal, e tem como bandas preferidas Sepultura, Hirax, Sacred Steel e atualmente e para todo o sempre, Ghost.

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