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Dorsal Atlântica: Depois do fim... revive a lenda

Postado por Écio Diniz | Fonte: Pólvora Zine |

Uma notícia há pouco publicada nas redes sociais da internet fez não somente a mim, mas vários headbangers Brasil afora estufarem os olhos. Esse anúncio tratava-se da provável volta aos palcos e ao estúdio de uma das pioneiras bandas e lendárias do Metal nacional, a DORSAL ATLÂNTICA. É evidente que o brilho deste retorno refletiu muito em fãs da banda, que não tiveram a oportunidade de vê-la ao vivo. Ao mesmo tempo despertou o nariz empinado e torcida de cara de várias pessoas. Para nos falar sobre todos esses aspectos, bati um papo com o sempre carismático, e ao mesmo tempo enigmático, Carlos Lopes (Carlos Vândalo).

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Pólvora Zine: Carlos, comece nos contando o que levou a decisão desta reunião.

Carlos Lopes: O amor dos fãs.

P.Z: Explique melhor como funciona a campanha que vem sendo feita para colaboração coletiva para o lançamento de um novo disco da Dorsal.

Carlos: Crowdfunding é um sistema de realização de projetos, financiado pelas pessoas, sem intermediários. O apoiador investe um valor no projeto e recebe em troca a realização de ver o sonho se tornar realidade e de forma coletiva. Um novo disco da DORSAL ATLÂNTICA com formação original pode se tornar realidade em 2012, através desse mesmo financiamento coletivo. A data limite é 10 de JUNHO de 2012. Se até essa data, se o valor total de 40 mil reais não for arrecadado, o CD não será produzido. Desse valor 27,5 % são do imposto de renda e 12% do site CATARSE. O restante está subfaturado e cobre os gastos com ensaios, gravação, mixagem, masterização, prensagem, arte, pagamento dos técnicos e entrega dos digipacks pelo correio com os demais brindes. Por exemplo, a nova edição do livro GUERRILHA! com capa dura e letras prateadas, custa, a unidade, quase 100 reais e não colocamos um centavo em cima. Esse é o valor de um livro de luxo feito em quantidade limitada.

O APOIADOR receberá em primeira mão o novo CD da DORSAL ATLÂNTICA, em formato digipack, gravado pela formação original, separada há 22 anos. Os valores de contribuição cobrem todas as despesas relativas à gravação e prensagem do novo CD da DORSAL ATLÂNTICA. As diversas opções de investimento estão disponíveis no site CATARSE.ME.

http://catarse.me/pt/projects/659-projeto-novo-cd-da-banda-de-metal-dorsal-atlan...
http://dorsalatlantica.com.br/

P.Z: Como é pra você retornar com a formação clássica da banda (que gravou os álbuns “Antes do fim”, “Dividir e conquistar” e “Searching for the light”), que conta com seu irmão, Cláudios Lopes, e o batera Hardcore?

Carlos: Emocionante, apenas isso. É parte do meu DNA.

P.Z: Por um tempo, notava-se digamos que uma resistência quanto você falar sobre a Dorsal, e seu envolvimento estava bem integralmente com o MUSTANG (banda de Rock and roll que Carlos fundou após o fim da DORSAL ATLÂNTICA). Quais os motivos o faziam ter tal posição?

Carlos: Estou fazendo o que os fãs me pediram, o que os fãs me pedem há 12 anos. Mas tudo é negociado, shows por enquanto não, então optei por um disco de inéditas, um disco feroz calcado no passado e mirando o futuro da música pesada no Brasil. Apenas cedi ao encanto dos fãs, ao pensar primeiro neles e não mais em mim, mas também pedi uma contrapartida: o investimento. Se a DORSAL faz tanta diferença na vida de milhares, esses mesmos milhares devem se erguer, trabalhar conjuntamente para ver esse sonho se realizar.

P.Z: O livro Guerrilha que conta a história não somente da Dorsal, mas do início da cena Metal e underground brasileira, foi um marco em termos de lançamento do gênero. O livro dá uma visão clara de como é difícil viver firme e com dignidade na cena. O que você acha do livro e qual a importância dele?

Carlos: Provavelmente o livro se transformará em um longa metragem, já estou conversando sobre isso com um produtor desde o ano passado. O relançamento do livro virá junto à campanha do CD da DORSAL. Se o CD não for lançado, o livro também não será. E essa nova versão do GUERRILHA! é muito especial: capa dura recoberta por simulação de couro negro, papel interno couchê 150 gramas e título impresso em letras prateadas em hot stamping. O livro só será lançado se a campanha do CD da Dorsal for vitoriosa.

P.Z: Outro bom presente dado aos fãs da banda, sobretudo, os mais novos, foi o relançamento do “Antes do fim” em CD (intitulado “Antes do fim depois do fim”) e também do “Ultimatum”, que inclusive, recentemente está tendo relançamento em vinil, que ficou a cargo do Leon (Manssur “Necromaniac”, vocalista e líder da banda carioca APOKALYPTIC RAIDS). Deve ter sido um trabalho árduo estes relançamentos (sobretudo o “Antes do fim”, que você regravou as músicas), mas recompensador?

Carlos: O Antes do Fim de 2005 acabou de ser relançado em digipack e o Ultimatum em LP através do Leon Manssur. Trabalhoso, eu não diria, mas caprichado. Todos os meus trabalhos, sejam musicais ou literários, são extensões da minha criatividade, da minha alma e também por causa disso, não podem ser leiloados. Ou fazemos o melhor , o mais criativo, ou de nada valerá tanto esforço, tanto amor. Em 2005, eu e o baterista do MUSTANG, Américo Mortágua, regravamos o Antes do Fim para que o disco voltasse ao mercado. O disco foi feito com a mesma sonoridade rústica, e com todo o comprometimento para fazer o melhor e assim foi feito. Gosto mais da versão de 2005 do que a de 1986, apesar de compreender que são incomparáveis.

P.Z: Vou aproveitar para pegar o gancho da pergunta anterior, e gostaria de saber se você pretende relançar o “Alea Jacta Est” e “Straight”, que hoje são muito difíceis de encontrar para comprar.

Carlos: É um acordo entre gravadora e autor. Se nos procurarem, a gente conversa.

P.Z: Ao retornar com a DORSAL ATLÂNTICA, provavelmente você terá uma agenda bem cheia. Não fica difícil para você conciliar isso com as atividades do MUSTANG?

Carlos: Difícil é conciliar tudo, não só as bandas. Minha vida não é só música, ela é uma parte importante de mim, de quem sou, mas não é a única coisa. Posso fazer tudo o que puder, seja com música ou literatura, desde que haja cabeça, tempo e verba.

Sobre a volta: A DORSAL não voltou, ela deve gravar um CD, caso o apoio dos fãs seja maciço. Show é uma outra história, depende dos promotores. Para corroborar cito o caso do Maranhão: fomos convidados para sermos os headliners de uma noite do 'Metal Open Air', tendo como abertura para a Dorsal Atlântica, as bandas Exodus e Anthrax. Muitos diriam sim, eu disse não porque não havia cachê. Muitas bandas pagam para abrir shows internacionais, pagam para tocar, eu nunca fiz isso. Mas essa verdade é minha, é nossa, é única e não pode ser provada, pois caráter não se prova.

P.Z: A quantas está a composição das músicas para o novo disco? O que poderemos esperar dele?

Carlos: Não gosto de prometer, porque antes de tudo promessa pode vir a ser fato, mas ainda não é. A inspiração para o novo trabalho vem dos nossos primeiros trabalhos entre 1986 e 1990, ou seja, a fase da banda com o trio que pode vir a gravar o novo CD. As músicas estão sendo escritas há dois meses, desde que o projeto foi pensado.

Meu Filho me Vingará (sobre Euclides da Cunha), Stalingrado (sobre a vitória dos russos contra os nazistas), Operação Brother Sam (sobre o golpe de 1964 e a reação americana contra a esquerda brasileira), Jango Goulart, Eu Minto, Tu Mentes, Todos Mentem, O Retrato De Dorian Gray, Corrupto Corruptor, Colonizado / Entreguista, A Invasão Do Brasil, 168 Bpm, Imortais.

P.Z: Diga-nos como você tem encarado as críticas raivosas e negativas de alguns que torcem a cara para a volta da banda?

Carlos: Só me preocupo com os nossos fãs, com quem nos apoia, com quem nos ama.

P.Z: Você disse na entrevista a Roadie Crew, que não pretendia fazer shows com este retorno. Mas você não acha que seria um bom presente para os fãs fiéis da banda, sobretudo, a geração mais nova e os apoiadores?

Carlos: A campanha foi criada para um CD que está sendo financiado pelos fãs. Este é o novo disco da banda que o público pediu insistentemente durante 12 anos que voltasse. O CD não deixa de ser uma volta, mas marca algo maior: o retorno da maior banda de heavy metal do país. Eu farei a minha parte que é criar um disco inesquecível que renovará e relembrará quais são as reais fundações do metal brasileiro. O público que nos der a mão será recompensado de muitas formas, uma delas, e a mais recente é que a última faixa do disco é um hino escrito em homenagem aos fãs da DORSAL, as pessoas mais especiais de todo o planeta.

P.Z: Carlos, boa sorte e sucesso com seus planos. É evidente que será uma revitalização para o Metal brasileiro o retorno da DORSAL ATLÂNTICA. O espaço está livre para você deixar uma mensagem aos fãs e todos que apoiam e apoiaram a banda.

Carlos: Nada é mais importante do que ver esse CD pronto neste momento. Se o valor não for arrecadado até 10 de JUNHO e não julho, não há plano B para nós, nem para a DORSAL. Dependerá do público ver essa página virada ou não, dependerá do público nos mostrar que o socialismo, a grande ferramenta da internet, é real e não a “violência”.

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Sobre Écio Diniz

Graduado em Ciências Biológicas, é aficcionado por literatura, filmes épicos e de terror, e ocultismo. Curte rock and roll e vertentes do metal como Tradicional, Thrash, Death, Grind e Black Metal. Já participou com vocalista de várias bandas de Brutal Death Metal e atualmente está engajado no projeto de uma nova banda deste estilo. Suas bandas preferidas são: Iron Maiden (1° lugar), Dorsal Atlântica, Sarcófago e Black Sabbath.

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