Omfalos: a arte inovadora da transcedência!

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Omfalos: a arte inovadora da transcedência!

Postado por Écio Souza Diniz | Fonte: Pólvora Zine

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Oriunda da região de Brasília, a banda OMFALOS tem se destacado nos últimos meses na cena do Metal Extremo, com o lançamento de seu debut álbum “Idiots savants”, que nos apresenta uma proposta diferente do que normalmente é oferecido na área do Black metal. E o que a princípio pode parecer somente uma empolgação momentânea, ledo engano, realmente realizaram um trabalho excepcional neste lançamento. Os idealizadores da OMFALOS Thormianak (MIASTHENIA) e Zé Misantrope (CABRUNCO, ex-RED OLD SNAKE) vieram ao Pólvora Zine para nos falar melhor a respeito de tudo isso.

Pólvora Zine: Primeiramente, digam-nos como se deu a concepção de “Idiots savants

Thormianak: Eu já tinha algumas músicas que não cabiam na MIASTHENIA e estava buscando um projeto para poder utilizá-las. No final de 2008 conheci o Misanthrope, e começamos a conversar a respeito de montar um projeto, no qual fosse possível explorar um som diferente do que praticávamos em nossas bandas. Neste processo de arranjo das músicas acabamos acrescentando muitas coisas, e elas foram tomando elementos da personalidade dele que levaram as músicas para um rumo bem distinto. As letras foram escritas em um momento bem tumultuado de nossas vidas e acabam por refletir nossas personalidades à época.

P.Z: Na região de vocês há bandas de Metal Extremo de grande importância no cenário nacional como a LUXÚRIA DE LILLITH, VULTOS VOCÍFEROS, MIASTHENIA, FLORESTAS NEGRAS, CORAL DE ESPÍRITOS (que na verdade foi formada por sul-mineiros), entre outras. Como tem sido a recepção do público ao OMFALOS por aí? E em âmbito nacional?

Thromianak: Está sendo bem aceito, apesar de não ser exatamente o mesmo público destas bandas supracitadas. O nosso som acabou por atingir pessoas que não são bem fãs apenas de Black Metal, mas pessoas que curtem Hardcore, Grindcore, Industrial, Gótico e outras. Acho que até um certo ponto, nós ousamos e tentamos fazer música que transitasse por estes estilos sem necessariamente se apegar a nenhum deles. Acho que essa bastardização do nosso som nos permitiu, por exemplo, estar em diversos catálogos de distros de hardcore, o que até pouco tempo era impensável no Brasil.

P.Z: Quem teve a ideia da arte gráfica e como ela surgiu? Achei a ideia ótima. Foi com objetivo de propor algo meio abstrato mesmo?

Misanthrope: O conceito da OMFALOS é uma coisa bem ampla. Além da música somos influenciados por diversas formas de arte como a pintura, performances, filmes, literatura. Por todo nosso trabalho não é difícil encontrar referências a estas mídias, e a capa não poderia ser diferente. Somos bastante influenciados por este conceito de arte mais vanguardista de pintores como Pollock, Mondrian, Basquiat, Matisse, Kadinsky, Airkan Marasky e outros, que são capazes de evocar sentimentos muito fortes em suas obras. Como eu também sou artista gráfico, tentei fazer uma pintura que se assemelhasse à intensidade de nosso disco, mas sem nos prender a nenhum clichê pertinente ao Black Metal. A pintura, por ser abstrata, permite que cada um transfira suas vivências e referenciais pra interpretá-la a seu modo. Ficamos muito satisfeitos com essa capa e acredito que nossos próximos lançamentos terão uma parte gráfica ainda melhor elaborada.

P.Z: A introdução com ‘Que bonito és un entierro’ (baseada na música do filme Fando y Lis, produzido por Alejandro Jodorowsky, que é uma obra prima do cinema surrealista) foi algo diferente e inusitado para o estilo, mas se encaixou perfeitamente ao contexto da OMFALOS. O que levou-os a optar por este tema de abertura?

Misanthrope: Como disse antes, nós temos influências bem diversas. Tentamos pintar imagens com nossos sons, e certamente essas imagens que tentamos criar são muito influenciadas pelo trabalho do Jodorowsky. O filme Fando Y Lis é algo que mudou a minha vida, tem muita sensibilidade e ainda assim é uma obra brutalmente intensa, assim como tudo que tencionamos fazer com nossas músicas. Considerando isso, era inevitável ter uma homenagem a este grande mestre que me influencia tanto. É um filme bem abstrato (surpresa!) e que eu recomendo muito que todos os leitores do Pólvora Zine corram atrás para assistir.

Imagem

P.Z: Quem ouve “Idiots savants”, percebe que a proposta central é o Black metal, mas há presença de elementos do Death, Industrial e até do Gótico. Quais são as principais influências de vocês?

Thormianak - Minhas influências são: VOIVOD, MAYHEM, ALIEN SEX FIEND, CELTIC FROST, SISTERS OF MERCY, ROOT, YOUNG GODS, RAMONES…

Misanthrope: FAITH NO MORE, DIAMANDA GALÁS, EINSTÜRZENDE NEUBAUTEN, ULVER, BAUHAUS, KING DIAMOND, entre outros.

Thormianak - De maneira geral somos influenciados por muita gente inovadora, mas não buscamos imitá-los e sim tentar fazer um trabalho que seja tão revolucionário quanto os deles.

P.Z: Algo que quero entender vindo de vocês é o seguinte: o álbum tem um diferencial porque ao mesmo tempo que é altamente experimental, ou seja, tem vários elementos no seu todo, tem uma consistência muito forte, que procura mostrar os conflitos mais intensos na mente humana como depressão, insônia, síndrome claustrofóbica e do pânico, entre outras. Tudo isso é mostrado em músicas acessíveis, curtas, e mais fáceis de assimilação (exemplo da progressiva ‘Bipolar affective disorder’, e o clima sombrio e melancólico de ‘A failed experiment in fitting into this world’), fazendo com que nisto vocês tenham traçado um caminho contrário ao de muitos trabalhos de Black metal. A intenção de vocês foi justamente promover essa acessibilidade, essa assimilação para o ouvinte, ou foi algo desproposital, que ocorreu naturalmente?

Thormianak - Tudo isso foi cuidadosamente planejado. Acho que fomos muito sensíveis nessa parte de timbres e captação de instrumentos. As músicas em si são brutais e tem muitos elementos, mas este cuidado com os arranjos faz com que as partes mais complexas e intensas soem bem naturais, sem que nada fique fora de seu lugar. Além disso, o disco possui um fluxo bem definido: começa bem rápido e intenso e vai progressivamente ficando mais lento e dramático. Não podemos deixar de mencionar o magnífico trabalho de Caio Duarte na mixagem e masterização de nosso álbum.

P.Z: Vocês concordariam se “Idiots savants” fosse denominado como uma “Ópera Extrema”, pela sua diversidade sonora, artística, mas que trata basicamente de um assunto central: o sofrimento humano?

Misanthrope - Tem suas similaridades, mas nosso som não tem uma rigidez conceitual de álbuns como “Operation Mindcrime” (Nota P.Z: um álbum clássico da banda de Hard/Heavy QÜEENSRYCHE) ou o “Abigail” (Nota P.Z: Um dos grandes clássicos do Heavy metal lançados pela banda KING DIAMOND). As músicas não são interdependentes e apesar de termos esse aspecto mais teatral, eu não acredito que esse termo seja lá muito propício para nós.

P.Z: Quais são os álbuns que mais ouviram e foram fundamentais no desenvolvimento de vocês como compositores?

Misanthrope: Essas listas são muito complicadas. Neste disco em específico eu estava tentando não ouvir nada de Black Metal pra não acabar plagiando algo inconscientemente. Na época eu estava ouvindo muito estes aqui:

EINSTÜRZENDE NEUBAUTEN - Tabula Rasa
THROBBING GRISTLE - 20 Jazz Funk Greats
BJÖRK - Post
GODFLESH - Streetcleaner
NICK CAVE AND THE BAD SEEDS - From Her to Eternity
SWANS - Children Of God
KILLING JOKE - Absolute Dissent
KING DIAMOND - The Graveyard
MELVINS - Bullhead
PETER GABRIEL - I

São todos trabalhos bem diferenciados e mesmo não ficando lá tão explícito na minha performance, essas bandas me influenciaram bastante na hora de gravar meus vocais. Mas todo mundo que eu citei ali na pergunta anterior sobre as influências, também fez um estrago enorme na minha vida enquanto compositor.

Thormianak: Minha lista na época era:

KILLING JOKE - Absolute Dissent
MAYHEM - De Mysteriis Dom Sathanas
ALICE IN CHAINS - Dirt

Dentre essas eu destaco o ALICE IN CHAINS e O KILLING JOKE que me influenciaram muito na composição dos climas de “Idiots Savants”.

P.Z: Há divulgação da banda no exterior? Como tem sido a resposta lá fora?

Thormianak - Nosso selo tem trabalhado muito em divulgação no exterior. Já temos distribuição na Europa, EUA e Japão e estamos trabalhando muito nessa parte. Enviamos o CD pra diversas revistas no exterior e até agora a resposta tem sido bastante positiva.

P.Z: O que vocês acham da atual cena Extrema mundial e do Metal de forma geral?

Misanthrope - Existem muitas bandas boas se propondo a fazer um som diferenciado, seja no Brasil ou no exterior. Claro que existe muita banda estagnada vivendo do passado. Mas estas novas realmente valem a pena ouvir. Destaco bandas como o FACADA, TEST, NOALA, D.E.R., MYTHOLOGICAL COLD TOWERS, DYNAHEAD, THE BLACK COFFINS, DEFY. Pena que estas bandas não recebem o reconhecimento devido da parte dos fãs e da imprensa em geral.

P.Z: Nas suas opiniões, o que torna um álbum de Metal Extremo um diferencial? Quais elementos vocês acham cruciais para um trabalho bem feito?

Thormianak - Acho que o que mais faz diferença é o sentimento. Muitas bandas se focam mais na agressão pura e simples, e esquecem do lado de intensidade emocional. Os discos que mais me cativaram sempre tiveram essa aura em seu som.

P.Z: Segundo consta a bateria ficou a cargo de Dale Nixon. De qual país ele veio? Como surgiu esta participação e quem cuida desta parte aqui no Brasil?

Misanthrope: Dale Nixon é um pseudônimo usado por diversos músicos da cena Hardcore da Califórnia para ocultar os nomes reais de session members. Muita gente já usou esse pseudônimo antes como Greg Ginn do BLACK FLAG, DAVE GROHL do Nirvana quando gravou a batera do disco solo do BUZZ OSBORNE e o Brian Baker do MINOR THREAT quando gravou as guitarras do disco “Four On The Floor” do DOG NASTY. A situação toda é que tivemos um baterista contratado pra gravar o disco. Ele o fez muito bem, mas ele prefiriu não tocar conosco ao vivo. Perguntamos a ele se podiamos fazer essa brincadeira e ele topou sem problemas, aproveitamos a deixa pra fazer uma referência interna a esta verdadeira “lenda” do Hardcore. Quem toca conosco ao vivo é o Victor Lucano, baterista do DEVICE.

P.Z: Realmente, vivendo e aprendendo. Por mais anos de conhecimento e afeição que tenho com a cena do punk/hardcore, crust, etc., não lembrava deste lance. Além da consistente divulgação do álbum que vem sendo feita, quais são os planos para este novo ano que se inicia?

Thormianak - Estamos gravando um videoclipe para ‘Funeral Dirge For My Sanity’ e ainda estamos planejando nosso show de estreia. Ao vivo contamos com a ajuda de membros de bandas como MIASTHENIA, VULTOS VOCÍFEROS e FINAL TRÁGICO. Nosso segundo disco já está praticamente pronto e com certeza sairá no segundo semestre de 2012.

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Sobre Écio Souza Diniz

Graduado em Ciências Biológicas e pesquisador na área de Ecologia e Evolução vegetal, sempre foi aficionado por leituras sobre o mundo do Rock/Metal. Além do metal, tem como paixões filmes de terror e épicos. Já participou como vocalista de várias bandas de Death/Grind, mas como nenhuma vingou se encontrou melhor em redigir matérias, fundando há alguns anos atrás o Pólvora Zine. Colabora também com vários sites especializados e com a revista Roadie Crew. Suas bandas preferidas são Iron Maiden, Black Sabbath, Dio, Dorsal Atlântica, Candlemass e Sarcófago.

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