Amorphis: os reis do "melodeath" falam ao Whiplash.Net

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Amorphis: os reis do "melodeath" falam ao Whiplash.Net


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O Amorphis faz parte daquela profícua safra finlandesa do final dos anos 80 e primeira metade dos 90 ao lado de bandas como Funebre, Impaled Nazarene e Sentenced, dentre outras. Assim como diversos outros nomes, passaram boa parte de sua discografia falando sobre a história de Väinämöinen, personagem principal no folclore da Finlândia, mesclando o lirismo característico daquela cultura a sonoridades que variaam do death metal ao hard rock setentista. Com a proximidade do segundo show deles em território nacional, a Whiplash.Net foi bater um papo com o tecladista Santeri Kallio para saber do momento atual e o que nos aguarda no evento marcado para o comecinho de fevereiro.

Colaborou Juliana Negri

Whiplash.Net - Esa Holopainen (guitarra), Tomi Koivusaari (guitarra) e Jan Rachberger (bateria) iniciaram a banda em 1990, época em que o AMORPHIS dispunha de um direcionamento musical diferente do atual, eu diria mais denso e sombrio. Ao longo dos anos o estilo mudou, incorporando outras sonoridades e estéticas. Após 10 álbuns, diversos vídeos, singles e EPs, qual o papel da banda no cenário musical de hoje? Vocês ainda precisam enquadrar-se em um segmento?

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Santeri Kallio – Às vezes denominamos nossa música de “melodeath”, ou death melódico se preferir. Nos últimos anos temos composto o que seria uma mistura de tudo o que já fizemos, desde a pegada brutal dos primeiros dias, passando pelas memórias progressivas de “Elegy” (1996) e “Tuonela” (1999), até algo do hard rock. Sim, eu creio que “melodeath” é uma boa definição para nos enquadrar, apesar de que generalizar o que fazemos é besteira. Ao longo do tempo experimentamos e, por vezes, criamos acidentalmente nossas canções de forma única. Quer saber? Somos “melodeath” finlandês! (risos)

Whiplash.Net – Pela diversidade no novo álbum, "The Beginning Of Times", onde o encaixamos? É um daqueles trabalhos feitos para alcançar novos seguidores ou manter os já catequizados?

Santeri Kallio – Sempre tentamos fazer o melhor que podemos. Logicamente esperamos agradar novas pessoas, apesar do propósito ser, definitivamente e sem surpresas, não perdermos os que já conquistamos (risos). Mas tem uma coisa, costumamos compor para nós mesmos na esperança de que outros apreciem. Se não for o caso, então não estaremos – nós e fãs – no mesmo barco e inevitavelmente seguiremos por caminhos diferentes (risos).

Whiplash.Net – Há vocais femininos no mais recente disco, algo que já pudemos observar em “Eclipse” e “Silent Waters”, lançados em 2006 e 2007, respectivamente. Quando vocês sentem que uma canção em particular “pede” por algo assim?

Santeri Kallio – Curtimos adicionar novas cores aos nossos trabalhos, especialmente ao final do processo de gravação. Desta feita encontramos uma garota muito bonita que estava na cabine ao lado da nossa no estúdio, cantando (nota do redator: o nome da moça é Netta Dahlberg, também finlandesa). Também soubemos ali que era esposa do dono do local. Pensamos em dar um toque em um par de músicas que tínhamos em mãos e pedimos que ela fizesse algumas coisas. O resultado foi excelente! Dali experimentamos mais algumas outras ideias com a garota e só melhorou. O resultado está aí para quem quiser curtir.

Whiplash.Net – O line-up do AMORPHIS tem se mantido estável há quatro álbuns, o que é um recorde para a banda. Quais os prós e contras disso? Vocês sentem que são os caras certos no lugar certo?

Santeri Kallio –Não há nada de negativo com isso, meu caro (risos). Falando sério, no momento temos uma formação totalmente disposta a levar essa banda para frente em 100%. Nenhum de nós tem problemas com álcool ou por falta de motivação, por exemplo. E, creio, ninguém está a fim de sair tão cedo do AMORPHIS (risos). Damos-nos bem, todos respeitam os espaços individuais e não nos levamos tão a sério ao ponto de colocar em risco nossa carreira. Adoramos esse lance de fazer música e sair em turnês, cara. Por sorte, temos diversos compositores no grupo, o que nos dá uma amplitude ímpar.

Whiplash.Net – Em dezembro do ano passado li em uma agência de notícias que a banda lançou um aplicativo para celulares da Nokia, iPhone, Android e Facebook. Aquilo me fez pensar sobre a relação do AMORPHIS com as novas tecnologias e, lógico, a Internet. Já é possível analisar o feedback dos fãs? Aproveite e nos conte de quem partiu essa ideia.

Santeri Kallio – Adoramos as redes sociais e sempre postamos novidades, data de shows e outras merdas lá (risos). Este aplicativo nos pareceu uma boa ideia e foi trazida por uma empresa responsável por maluquices assim. Diversas bandas têm usado desse artifício e resolvemos pegar nossa fatia do bolo. Só o tempo dirá se realmente agregará algo tornando-se mais um canal entre o AMORPHIS e nossos fãs. Talvez apenas o Facebook fosse suficiente? Quem sabe. Particularmente acho ótimo experimentarmos novos caminhos e, definitivamente, uma boa dose de criatividade não faz mal a ninguém.

Whiplash.Net – Sendo assim, fica evidente que a banda enxerga mais benefícios do que prejuízos vindos com o advento da Internet, especialmente nesse quesito de interação com o público.

Santeri Kallio – Então, todos têm uma opinião sobre algo, mesmo que desconheçam os meandros daquele assunto. Há sempre aquela pequena parcela de pessoas que tentam fazer seus pontos de vista parecer importantes quando na verdade não são. Isso irrita. Penso que é bacana discutir com os fãs sobre música e ouvir deles suas impressões acerca de nossas músicas, mas não estou muito interessado em conselhos sobre como compor meu material ou ficar me justificando e pedindo desculpas por não agradar a todos. Pode soar rude, mas é o que penso.

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Whiplash.Net – Vamos mudar de assunto e falar do álbum comemorativo "Magic & Mayhem - Tales From The Early Years", que celebra os 20 anos da banda. Por que regravar alguns clássicos ao invés de, por exemplo, remasterizar toda discografia e lançar um box especial?

Santeri Kallio – O que fizemos basicamente foi selecionar nossas favoritas dentre o material mais antigo. Tentamos diversas outras, que acabaram não ficando como desejávamos. Lembro-me inclusive de termos ensaiado “Warriors Trail” e “Weeper on the Shore” (nota do redator: do debut “The Karelian Isthmus”, editado em 1992, e do já citado “Elegy”, respectivamente), mas acabamos deixando-as de lado. Para a banda este registro foi muito bacana e nos divertimos muito fazendo-o. Conseguimos celebrar nosso aniversário de 20 anos em grande estilo, sem maiores estresses. Tudo deu certo: timing, produção, musicalidade. Tudo! E antes que eu me esqueça, também quero que esse box especial citado por você veja a luz do dia em um futuro próximo (risos).

Whiplash.Net – O vocalista Tomi Joutseno uniu-se ao AMORPHIS em 2005 mas, antes disso, já declarava-se fã da banda. Como foi aquele processo de seleção que os levaram a escolhê-lo? Também gostaria de saber o que há na banda hoje com o Toni que não existia sem ele, musicalmente falando.

Santeri Kallio – Acredita que o achamos por acidente? Saca aquela expressão “por detrás da moita” (risos)? Olha, se não o tivéssemos encontrado, provavelmente o AMORPHIS hoje seria uma daquelas bandas de jazz formada por bêbados ou teríamos nos tornado um grupo instrumental de música esquizóide. Saca o Ozric Tentacles (outra nota do redator: Também conhecido como The Ozrics, trata-se de uma banda instrumental inglesa, meio psicodélica/space rock, a qual já editou singelos 28 álbuns(!), e vendeu milhões de cópias no mundo inteiro. Sim, nós pensamos o mesmo, caríssimo leitor: “Como assim?”)? Então, seria mais ou menos aquilo ali que passaríamos a tocar. Por conta de o nosso país ser tão pequeno acabamos trombando com o Tomi. Até recebemos material de candidatos fora da Finlândia, mas não rolou química.

Whiplash.Net – A banda veio ao Brasil pela primeira vez no dia 12 de setembro de 2009, quando tocaram ao lado do também finlandês CHILDREN OF BODOM. Várias pessoas à época afirmaram que o show teria sido ainda melhor se o AMORPHIS estivesse sozinho, especialmente pela curta duração do set, com apenas doze músicas. Já o próximo, agendado para 5 de fevereiro, contará apenas com vocês. Os fãs notarão quais diferenças?

Santeri Kallio – Deixe-me dizer que estamos mega ultra blaster empolgados em voltar ao Brasil! Tocaremos muito mais canções e teremos uma qualidade melhor de som. Espero que tenhamos mais espaço no palco também (risos). Teremos ainda um backstage mais amplo e cinco vezes mais cerveja. Pessoalmente sei que irei tomar muitas caipirinhas (risos). Queremos ver todos lá. É tão bom estar de volta!

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Alemanha, país onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar um Scum do Napalm Death, seguido de Substance do New Order ou Black Celebration do Depeche Mode, daí viajar no tempo com Stormbringer do Deep Purple, se acabar ao som do Bounded By Blood do Exodus e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo. Simples assim.

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