Vultos Vocíferos: satanismo para demonstrar liberdade

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Vultos Vocíferos: satanismo para demonstrar liberdade


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Muitos podem não aceitar o fato, mas geralmente são as bandas de Heavy Metal extremo as mais comprometidas com a cultura underground. E é nesta esfera que o Vultos Vocíferos atua há mais de uma década. Aproveitando o lançamento de seu segundo álbum, “Sob a Face Oculta”, o whiplash.net conversou com a horda de Brasília sobre os mais diversos tópicos, geralmente respondidos com o radicalismo típico da velha geração. Confiram aí!

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Whiplash.Net: Saudações… Passaram-se seis longos anos entre o debut “Ao Eterno Abismo” e “Sob a Face Oculta”. O que o Vultos Vocíferos andou fazendo neste período?

Vultos Vocíferos: Tocando em alguns eventos, compondo e ensaiando. Passamos por um período de ensaios e criação com novos integrantes, mas nada que viesse a paralisar as atividades da banda. Não temos pressa de lançar trabalhos seguidamente, optamos por trabalhar bem as músicas e fazer um bom trabalho de estúdio. As bandas que ficam se apressando em lançar algo novo sempre fazem merda e acabam perdendo a identidade.

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Whiplash.Net: “Sob a Face Oculta” é um disco muito digno em sua proposta. Como você o compararia com o que foi feito em “Ao Eterno Abismo”?

Vultos Vocíferos: O “Sob a Face Oculta” segue a mesma proposta do CD “Ao Eterno Abismo”, seguindo a linha do Black Metal extremo. Talvez a diferença esteja na melhora e na qualidade das gravações. Outro ponto a ser destacado foi o lançamento por três selos independentes: Misanthropic Recs, Mutilation e Eterno Abismo Recs, o que tem ajudado a melhorar divulgação e patrocínio nos trabalhos da banda.

Vultos Vocíferos: A evolução é inerente à experiência, ou pelo menos deveria ser assim. A banda já completará 13 anos de existência, com o mesmo Black Metal brutal e tentando melhorar a qualidade de gravação a cada novo trabalho.

Whiplash.Net: A imagem que ilustra “Sob a Face Oculta” ficou espetacular. Ainda que a ilustração já diga muita coisa, existe algum significado por trás de sua concepção?

Vultos Vocíferos: Realmente a capa ficou muito boa. Ela foi idealizada pela banda, dentro do contexto da letra da música “Sob a Face Oculta do Baphomet”. Foi criada pelo cara (Warleson – Dark New Age) do primeiro selo que iria lançar o CD. Ele foi contratado pela banda para fazer o trabalho da capa e devidamente pago para isso.

Whiplash.Net: Satanismo, anti-cristianismo, anti-religião, anti-vida, anti-humano... Em função de tantas vertentes gerando confusões entre os leigos, qual seria a real essência da ideologia Black Metal?

Vultos Vocíferos: Falar de ideologia é complexo, já que conhecemos headbangers do Brasil inteiro e em cada lugar que vamos percebemos algumas alterações na forma de pensar. Mas acho que o pensamento que é comum a todos e que deve prevalecer é que religião é uma merda e que todos devem ter um pensamento crítico a tudo o que a mídia escrota tenta nos enfiar goela abaixo.

Whiplash.Net: No caso do Vultos Vocíferos, as letras são de louvor às entidades do folclore cristão como Lúcifer, Satanás, Baphomet e por aí vai. Até onde essas ‘crenças’ prevalecerão com as constantes evidências de que as divindades são meras criações da própria mente humana?

Vultos Vocíferos: Odiamos qualquer tipo de idolatria e piração em torno de religiões. Utilizamos o satanismo como forma de demonstrar liberdade e abominação a qualquer tipo de igreja cri$tã, que se aproveita dos imbecis que a seguem. Usamos algumas metáforas para transmitirmos a mensagem e o sentimento de ódio que sentimos com relação a isso.

Whiplash.Net: Os blackbangers defendem seus ideais com unhas e dentes, muitas vezes entrando em conflito com a nova geração e a forma como esta absorve o Heavy Metal. Como avaliaria isso e quais os benefícios que esse extremismo poderia gerar para o underground?

Vultos Vocíferos: Hoje em dia vivemos um dilema: a facilidade de divulgação pela internet e, ao mesmo tempo, a falta de seleção do público ao ouvir este mesmo material. Atualmente é fácil encontrar até lançamentos de demo-tapes e vinis copiados para mp3 na internet.

Vultos Vocíferos: Quando lançamos nosso CD, uma semana depois já tinha filhos da puta disponibilizando para download em blogs. Essa facilidade acaba deixando de lado aquela mística que existia quando uma banda lançava algo, aquela dificuldade em conseguir materiais tornava o headbanger mais comprometido com a cena, já que selecionava melhor o público. A união era maior, a galera frequentava mais os shows para conhecer as bandas.

Vultos Vocíferos: Hoje em dia a molecada fica o dia inteiro na frente do computador baixando mp3 e não vai aos shows porque têm medo do que vão encontrar lá ou o pai não deixa. O papel da internet é importante, principalmente para divulgação das bandas, por outro lado ela também pode prejudicar. Devemos ter cuidado com o uso exacerbado e errôneo deste meio de comunicação. O radicalismo infelizmente está em baixa nas gerações novas. Mas nem tudo está perdido, vemos muita gente nova em show que acabou incorporando o extremismo dos mais velhos e estão dando continuidade à ideologia underground.

Whiplash.Net: No encarte de “Sob a Face Oculta”, vocês deixaram bem claro sua posição em relação à Dark New Age Productions. Em sua opinião, como deveria ser a relação entre uma banda de Heavy Metal e os selos que estão inseridos em um sistema capitalista?

Vultos Vocíferos: Bom, isso é complicado. As bandas que optam por selos maiores e famosos, às vezes tem que obedecer ao que o selo determina, com o objetivo de lucro. Muitas vezes mudam o seu som e estilo para que o selo consiga lucrar. Isto é uma merda e as bandas que se sujeitam a isso são mais merdas ainda. Não são poucos os casos em que vimos isso acontecer, acho que nem precisamos citar o nome das bandas.

Vultos Vocíferos: No nosso caso, fazemos parcerias com selos de pessoas que conhecemos e confiamos. Não temos nenhum interesse financeiro, por isso o relacionamento é fácil com os selos, que antes de tudo são nossos amigos. Quando fomos fazer a parceria com a Dark New Age não conhecíamos pessoalmente o responsável, só tínhamos ouvido falar. Nosso erro foi esse. Seriedade e comprometimento são atributos que não são fáceis de achar. Não fizemos contrato e acabamos levando prejuízo, juntamente com o Canis Lupus da Misanthropic Recs. Mas o mundo dá voltas e é pequeno, uma hora vamos esbarrar com este indivíduo num beco destes. Temos uma parceria excelente com o Canis Lupus da Misanthropic, com o Tulula da Mutilation e com o Fernando Extremo da Eterno Abismo Recs, pois são nossos amigos de muito tempo.

Whiplash.Net: Enquanto músico, como você avalia a atual cena Heavy Metal no Brasil? Parece que está cada vez mais difícil para as bandas autorais terem a garantia de um público razoável em suas apresentações...

Vultos Vocíferos: Como citado acima, a molecada prefere ficar fazendo download de mp3 e ver shows pelo youtube ao invés de conhecer a banda em shows. Isso acaba com a cena underground. Vemos organizadores se esforçando para fazer shows com bandas de outros estados, fazendo esta integração nacional, tão importante para a interação entre os bangers de todo o país, no entanto vemos shows com poucas pessoas. Mas ainda preferimos tocar para 100 pessoas que curtem realmente do que tocar para 1000 cuzões.

Whiplash.Net: Falando nisso, pelo jeito foi péssima sua experiência com a organização do show do Dark Funeral... O que rolou por lá?

Vultos Vocíferos: Na verdade, o que rolou foi uma confusão que culminou na desistência das bandas de abertura em tocar. Um erro provocado pelo amadorismo da produção e pelo desrespeito e soberba por parte de toda equipe de som da banda Dark Funeral e seus integrantes. Ficamos sabendo em cima do palco que não havia amplificadores para as bandas de abertura, somente para a banda principal. A proposta da equipe de som foi que ligássemos as guitarras direto na mesa, o que foi recusado.

Vultos Vocíferos: Quanto ao Dark Funeral, os caras já vinham com um histórico de babaquices na turnê pelo Brasil (inclusive cancelando o show no Rio de Janeiro porque o hotel não era quatro estrelas). Aqui em Brasília não foi diferente, só que aqui as bandas de abertura se recusaram a tocar diante dos ataques de estrelismo destes babacas. Já tínhamos tocado com eles em 2001 aqui em Brasília, mas a formação do Dark Funeral era outra e não houve problemas. A formação de agora foi contagiada pelo estrelismo e deu sorte de não levar porrada da galera daqui. Só o guitarrista deles que tomou uma lata de cerveja na cara pra ficar esperto durante o show.

Whiplash.Net: É indiscutível que o Black Metal se estenda para muito além da música propriamente dita, pois envolve a convicção e atitude dos integrantes de uma horda. Polêmicas à parte, mas o que vocês acham de o Black Metal, tal como o conhecemos hoje, ter se desenvolvido do puro marketing promovido pelo Venom nos anos 80?

Vultos Vocíferos: Não podemos negar a influência de bandas mais antigas como Venom, Celtic Frost, Hellhammer, Bathory entre outras. Se foi puro marketing, acho que o problema é deles. O importante foi que a ideologia se formou e se firmou no cenário underground. Marketing foi utilizado até por bandas mais atuais como Deicide. Glenn Benton disse que cometeria suicídio aos 33 anos, que matava animais em sacrifícios, etc, e na verdade sabemos que era puro marketing para promover a banda. Vamos negar a influência que a banda teve no início dos anos 90?

Whiplash.Net: De maneira alguma. Ok, pessoal, o whiplash.net agradece pela entrevista desejando boa sorte ao Vultos Vocíferos na divulgação de ”Sob a Face Oculta”. O espaço é de vocês para os comentários finais.

Vultos Vocíferos: Agradecemos ao Whiplash.Net pela entrevista. Quem tiver interesse em adquirir o nosso CD, pode entrar em contato com a Misanthropic Recs (DF), Mutilation Recs (SP) e Eterno Abismo Recs (MT) ou no nosso e-mail [email protected] A todos os leitores: mantenham a cultura underground acesa, prestigiem os shows de bandas reais e não se influenciem por modismos de internet e mídia escrota.

Contato:
http://www.myspace.com/vultosvociferos

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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