Em 12/01/2012 | Unearthly: Demônios acabando com cervejas da Polônia

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Unearthly: Demônios acabando com cervejas da Polônia


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Com o lançamento de “Flagellum Dei”, o carioca Unearthly se posiciona como um dos mais promissores representantes do Heavy Metal Extremo da atual cena underground brasileira. O Whiplash.Net conversou com Felipe Eregion (voz e guitarra) e M. Mictian (baixo) para saber detalhes da gravação do novo álbum na Polônia, contato para tocarem no Metal Open Air e muitos outros tópicos interessantes. Confiram aí!

Whiplash.Net: Saudações, pessoal. Primeiramente, parabéns pelo novo álbum, está matador. Mas, voltando ao passado: que tipo de retorno concreto o Unearthly obteve, considerando que “Age Of Chaos” tenha sido lançado oficialmente em diversos continentes?

Eregion: O “Age Of Chaos” serviu como um cartão de visita que mostrou o nosso trabalho a um público diferente, isso fez com que algumas portas se abrissem em termos de negociação com agências (tour booking), gravadoras, lojas, patrocinadores, dentre outros. Hoje temos um canal mais aberto para distribuição e vendagem fora do Brasil.

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Whiplash.Net: Nunca ficou realmente claro o motivo de Eregion ter anunciado a saída – e retorno – do Unearthly em 2009, principalmente após um disco tão forte como foi o "Age Of Chaos". Passado todo esse tempo, vocês estariam dispostos a abrir o jogo de vez?

M. Mictian: Aquela foi realmente uma época ruim, tinha uma divergência entre Arawn (antigo guitarrista), Mauro Morg (ex-baterista) e o Eregion. Isso foi se acumulando e chegou ao ponto do Arawn e Mauro Morg pedirem para eu tirar o Eregion da banda, já que Arawn queria tocar guitarra e cantar.

M. Mictian: Na verdade eu fiquei no fogo cruzado, tentei de várias formas uma conversa amigável com todos, na época eu realmente não queria que ninguém saísse da banda e durante toda essa discussão que acontecia há vários dias Eregion acabou deixando a banda.

M. Mictian: Mas, na verdade, não era do meu agrado que ele ficasse de fora, pois tenho uma amizade sólida, somos mais que amigos ou simplesmente membros da mesma banda. Eu deixei que se passasse algum tempo para a poeira baixar e retornei os contatos com Eregion e ele decidiu que voltaria ao Unearthly; mas a sentença de Arawn e Mauro Morg era que eles não ficariam na banda com Eregion, e então eles saíram.

Whiplash.Net: Ainda que seja uma evolução natural, “Flagellum Dei” soa realmente diferente de “Age Of Chaos”. O que vocês tinham em mente antes de começar a compor e até onde o retorno do guitarrista Renan Ribeiro (Hatefulmurder) definiu essa linha sonora?

M. Mictian: Renan Ribeiro é um grande amigo e um ótimo guitarrista, mas ele não teve nada a ver com o “Flagellum Dei”, ele ficou alguns meses fazendo alguns shows com o Unearthly, antes da volta do Vinnie Tyr para a banda, mas foi somente isso. O disco foi todo escrito por esta formação que o gravou e pensamos em fazer algo ‘maior’, melhor que o “Age Of Chaos”.

M. Mictian: O Eregion e Vinnie Tyr estavam com ótimas idéias de arranjos, algo bem avançado em relação ao disco anterior. Juntamos tudo isso e fomos compondo e fazendo uma pré-produção no home studio do Eregion; fazíamos audições do que já tínhamos escrito e se tinha algo que não nos agradava, mexíamos, mudávamos até chegar a um senso comum entre todos. Foi assim que escrevemos o “Flagellum Dei”, nós não fizemos simplesmente um amontoado de riffs e montamos as músicas, trabalhamos cada música com detalhes para chegarmos aonde queríamos.

Whiplash.Net: Também é impossível não mencionar o desempenho do baterista Rafael Lobato, muito técnico e as sutis inserções de música regional brasileira deram um tom bastante intrigante a algumas canções, como é o caso de “Black Sun”. Até onde vocês se permitiram experimentar em “Flagellum Dei”?

Eregion: Já tínhamos ideias de explorar uma ‘brasilidade’ maior nas músicas. No “Age Of Chaos” havia algumas inserções, mas queríamos mais, algo mais nítido, e um dos principais responsáveis por isso foi o Vinnie, que a todo momento nos pedia para fazer essas inserções, e ninguém melhor que o Rafael, que é maranhense, para colocar essa pegada nordestina característica única da sonoridade brasileira.

Whiplash.Net: E como foi a experiência em gravar na Polônia? Estúdio, cultura, tudo diferente! E sem falar que contaram com Wojtek Slawek Wieslawski, produtor que já trabalhou com importantes nomes do Heavy Metal Extremo. Até onde Wojtek orientou o rumo de “Flagellum Dei”?

Eregion: Em termos musicais ele não influenciou em nada, não modificou nenhuma música, nenhum riff nem nada. Mas os dois irmãos nos deram uma aula no método de gravação, que foi o principal fator, o que fez toda diferença de fato. A forma como se palheta na guitarra, a forma de captação e execução da bateria, ainda mais para mim que trabalho com produção e gravação, foi uma master class de primeira, me ensinaram tudo sobre os prés amplis e compressores, microfonação, etc, sobre gravação.

Eregion: Fora isso, a estadia na Polônia foi algo realmente muito diferente do que estamos acostumados, o povo MUITO civilizado e educado, um silêncio extremo nas ruas... Apesar de todo civismo, eles tem um pouco de receio quanto a estranhos e estrangeiros, então o primeiro contato sempre é quase hostil, mas depois se transformam em seu amigo e fica tudo bem, como aconteceu conosco, que nas primeiras semanas, sempre que saíamos do estúdio depois da sessão de gravação, íamos tomar umas cervejas e sempre acabávamos tomando várias, e isso assustava as pessoas, mas no final acabamos ficando amigos de todos. Mas antes, num dia o vocalista da banda Northen Plague foi nos visitar no estúdio por que ouviu na rua que tinha uns ‘demônios brasileiros’ acabando com as cervejas da cidade e assustando os moradores locais (risos), achamos muita graça disso, e acabou que o Wojtek e o Slawek ficaram nos ‘zoando’ com isso.

Whiplash.Net: Algumas resenhas já traçaram paralelos entre "Flagellum Dei" com o Behemoth, banda também produzida pelo próprio Wojtek Slawek Wieslawski. Esse tipo de comparação chega a incomodar vocês?

M. Mictian: Talvez algumas pessoas que fazem este tipo comparação não tenham as referências reais de nosso novo álbum, que está com elementos tribais e músicas regionais, detalhes bem diferentes. Algo que também gere alguma comparação com o Behemoth talvez seja os timbres de guitarra e baixo, por ser tratar do mesmo produtor, e o nosso visual que, mesmo assim, são armaduras um pouco semelhantes às usadas também por Dimmu Borgir, Dark Funeral, Amon, etc. Ou seja, não é algo exclusivo do Behemoth.

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Whiplash.Net: Ainda que ofereçam estruturas melódicas bem mais complexas e uma temática que vai para além do simples ataque às religiões organizadas, a mídia continua atribuindo ao Unearthly como sendo Black Metal. Esteticamente, vocês concordam com esse tipo de rótulo?

M. Mictian: O Unearthly é um pouco de quase todos os estilos de metal, mas acho que nos últimos tempos diversificamos mais e colocamos mais claramente outras influências. Há uma grande alquimia, a nossa ideologia é a mesma do começo de nossas carreiras, mas ficar o tempo todo falando de ‘Satanás’ até pra nós mesmo fica chato, e então colocamos temas que de alguma forma te leva ao anti-cristianismo, que mostra nossa animosidade para com a igreja sem ser um tema direto, mas que te leva a isso.

Whiplash.Net: Hoje em dia é natural a participação de músicos gringos em discos de bandas brasileiras, como é o caso de Steve Tucker (Morbid Angel) cantando em “Osmotic Haeretic”, de seu novo álbum. O público realmente curte esses convidados, mas e nos bastidores, como funciona isso? A coisa foi na camaradagem ou existe algum tipo de ‘tabela’ de preços, quem banca os custos disso?

M. Mictian: Bom, se existe alguma ‘tabela’, o Steven Tucker não usou conosco (risos). Steven é um cara que conheço há algum tempo pela internet e sempre trocamos informações e idéias; e um dia quando estávamos com nosso álbum pronto, eu o convidei para participar e ele achou interessante, já que ele mesmo sempre elogiou nossa música. Foi tudo muito simples, mesmo porque nunca gastamos um ‘níquel’ sequer para tocarmos com bandas gringas, e nem mesmo para alguém participar em nossos discos.

Whiplash.Net: A relação entre vocês e a Atmostfear Entertainment parecia ser frutífera, mas em setembro o Unearthly rompeu pelo fato de não estar recebendo o pagamento de sua parte nas vendas dos CDs nos EUA e Europa. Afinal, que lições tiraram deste episódio?

M. Mictian: O que acontece é que fizemos nossa parte do acordo e eles não cumpriram a deles, é bem simples. É difícil saber quem é honesto ou não, mas estamos tentando ficar de olhos mais abertos e buscando referências, no mais é bola pra frente, ‘o jogo é de campeonato’. No momento, aqui no Brasil a Shinigami Records lançou o álbum em formato digipack e até agora fazem um trabalho muito bom de divulgação e distribuição. Fazem o que foi acordado, então está tudo bem.

Whiplash.Net: O Unearthly é um dos nomes confirmados para tocar no Metal Open Air do Maranhão. Será um evento importantíssimo, mas você saberia dizer quais os critérios adotados para a seleção das bandas brasileiras? Afinal, como rolou sua participação?

M. Mictian: Nós trabalhamos com a Sacrilegious Prods aqui no Brasil e começamos a trabalhar na Europa, Austrália e Estados Unidos com a Deadsets. São eles quem agendam nossos shows, então fica tudo a cargo deles. Eu creio que, pelo que o Unearthly representa em seu trabalho contínuo e pelo fato de estarmos lançando um álbum novo no momento; o Unearthly não é uma banda que vive de um álbum lançado anos atrás, estamos sempre lançando algo novo, seja um álbum ou um vídeo clipe, etc. Essa é a melhor maneira de mostrar o quanto seu trabalho vale e eu tenho certeza que isso tenha sido um dos critérios que nos levou a sermos contratados para o Metal Open Air.

Whiplash.Net: A capa de “Flagellum Dei” está entre as mais atraentes que vi nos discos nacionais de 2011. Mas, considerando que Eregion seja um designer gráfico muito eficiente, qual o motivo por optarem em trabalhar com Darius Illianov desta vez?

Eregion: A arte, na verdade, foi toda desenvolvida com parceria e concepção do nosso amigo e tatuador Edu Nascimentto. Eu dei apenas alguns toques finais, pois na verdade não estou mais trabalhando focado nesse nicho, agora meu foco é gravação e produção de bandas. Então, como conhecemos o Dariusz na Polônia e ele propôs a desenvolver o trampo, e gostamos muito da primeira prévia que ele nos mandou, fechamos com ele.

Eregion: A ideia da arte da capa era ser sempre simples e direta, mas que tivesse aqueles detalhes sutis para as pessoas irem descobrindo aos poucos, a presença de elementos como o sagrado coração de Cristo, envolto em arame farpado na mão de uma ‘mulher-papa’, com a boca costurada, isso tudo tem um conceito muito profundo, no âmago da igreja católica, e a parte do encarte interno é como se fosse a transformação dela no que de fato é por dentro.

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Whiplash.Net: Ok, o whiplash.net agradece a atenção de vocês e deseja boa sorte a todos! O espaço é do Unearthly para os comentários finais...

M. Mictian: Saudações a todos do Whiplash.Net, muito obrigado pela força, sempre ‘estamos juntos’.

Eregion: Nós que agradecemos o espaço e a oportunidade, esperamos pintar por aqui mais vezes.

Contato:
http://www.myspace.com/unearthlycommando

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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