Exhumed: em entrevista para o Polêmico Rock

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Exhumed: em entrevista para o Polêmico Rock

Postado por Plínio Alves | Fonte: Polêmico Rock

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O Polêmico Rock conversou com Matt Harvey (guitarrista/ vocalista do Exhumed) sobre influências, shows no Brasil, dentre outros assuntos. Confiram a entrevista logo abaixo.

Polêmico Rock - Fala pessoal, é realmente um prazer e honra estar aqui entrevistando uma banda como o Exhumed. Quais são as expectativas em tocar no Brasil?

Matt Harvey - Nós estivemos esperando por um longo tempo para tocar no Brasil, então nós estamos loucos para fazê-lo. Nós mal podemos esperar para chegar aí e dar uma dose letal de Gore Fucking Metal! Eu também espero achar uns LP`s raros do Chakal e Sextrash enquanto estivermos aí.

Polêmico Rock - Vocês conquistaram um jeito único de fazer música, e é por isso que o Exhumed possui um importante nome dentro da cena musical. Enfim, vocês são os ícones do Gore Metal. Como você se sentem perante a este fato? Eu posso supor que seja uma grande honra para vocês, certo?

Matt Harvey - Cara, eu realmente não paro para pensar como nós somos vistos dentro da cena, ou qualquer coisa. Eu apenas tento me focar no que fazemos, e assim fazê-lo intensamente, o máximo que nós podemos. O fato é que as pessoas querem ver nossos shows. Estou realmente lisonjeado e me sinto sortudo pelas pessoas quererem escutar e apreciar o nosso barulho.

Polêmico Rock - Falando sobre influências, me diga algumas bandas ou elementos que os influenciaram.

Matt Harvey - Cara, nós passamos por tanta coisa diferente ao longo dos anos, mas resumidamente eu acredito que as coisas mais antigas da Erache, o Thrash alemão, canadense e da Bay Area, todos os Crossover dos anos 80, Powerviolence, a toda nova onda do Metal britânico (New Wave Of British Heavy Metal). Nós meio que tentamos a tocar e “esguelar” algo como o Iron Maiden faria (risos). Nós realmente pegamos influências de todos os lugares. Uma das bandas favoritas são: Napalm Death, Carcass, Terrorizer, Entombed, Carnage, Extreme Noise Terror, Death/Mantas, Possessed, Autopsy, Obituary, Massacre, Exodus, Slayer, Slaughter, Infernal Majesty, Razor, Sacrifice, Metallica, Vio-Lence, Cryptic Slaughter, Siege, Venom, Onslaught, Bolt Thrower, Infest, Deep Wound, Larm, Deep Purple, Sodom, Kreator, Protector, Godflesh, Neurosis, Coil, Killing Joke, Swans, Fear Of God (Suíça), B.G.K, D.R.I, Dismember, Forbidden, Testament, Sacrilege B.C, The Accused, Angel Witch, Diamond Head, Thin Lizzy, Blue Oyster Cult, Led Zeppelin, UFO, Tank, Raven, está tudo aí cara! E nós escutamos muitos outros tipo de música também; recentemente eu tenho apreciado muitas bandas do estilo My Bloody Valentine, The Smiths, The Chameleons, The Cure, Cocteau Twins, Catherine Wheel, Mogwai, Hammock, Joy Division, This Will Destroy You, Air, Talkdemonic, Godspeed You!, Black Emperor, Sonic Youth, Dinosaur Jr, Guided By Voices, The Flaming Lips, e toneladas de outras coisas. Eu realmente mudo de estilo no dia a dia – eu também escuto muita música country, assim como Psych/Garage Rock, Hair Metal dos anos 80, Lounge, Glam dos anos 70, Proto-Punk, Industrial, Surf Music, enfim, eu pego idéias de tudo quanto é lugar. Embora quando o Exhumed começou a compor, tudo é devidamente filtrado para manter o foco no que fazemos, e não dispersar-se em várias direções.

Polêmico Rock - O Exhumed está fazendo música desde os primórdios da década de 90. Portanto, vocês possuem experiência dentro do ramo musical. Me fale um pouco sobre as influências internas ou externas, que tenham influenciado o Exhumed de uma forma ou positiva, ou negativa, ao longo da carreira de vocês.

Matt Harvey - Cara, você sabe, há muito tempo atrás passamos por muitas coisas diferentes. Acredito que a época das fitas cassetes foi a época que realmente alimentou nosso “fogo” de início. Nosso objetivo no começo era fazermos uma ‘demo-tape’, para depois comercializá-las com as bandas. Porém, acho que a direção tomada pelo Death Metal em meados de 93/94 foi um pouco desanimador para gente. Queríamos a continuar ouvindo discos no estilo “Symphonies Of Sickness” ou “Mentally Murdered”, mas tudo foi mudando e se transformando no que é conhecido como Brutal/Technical Death Metal. Então nós meio que fomos para outros estilos, como a cena Grindcore, ou escutando um monte de coisas de Thrash Metal, o que meio que ajudou a forjar o som que nós fazemos hoje. Internamente, quando nós éramos muito jovens, nós queríamos estar afastados de tudo que estivesse a nossa volta. Nós nunca tivemos muitos equipamentos de qualidade, ou mesmo não praticávamos pra valer nossos instrumentos, digo, nunca fazíamos as lições musicais, nunca saíamos com outras bandas, ou mesmo fazia planejamentos para melhorar nosso som. Queríamos tipo surgir do nada e ser nós mesmos. Isso definitivamente tornou nosso progresso lento inicialmente, mas com vontade e determinação fomos capazes de encontrar nossa própria abordagem e abraçar todos os nossos materiais dos nossos discos favoritos e descartar o que deveria ser descartado. Nós éramos muito puristas naquela época. A nossa sorte foi ter um bom relacionamento com a Relapse Records por todos esses anos, o qual eles nos ajudaram estando conosco e nos auxiliando com muitas decisões a respeito de como estar em uma banda “real” (risos).

Polêmico Rock - Nós temos agora o “All Guts No Glory”, o último disco de vocês, que é excepcional por sinal. Como os fãs reagiram a este disco ao redor do mundo? Como foi a repercussão do disco no geral?

Matt Harvey - Parece que nós tivemos ótimas resenhas por aí, algo que é realmente novo para nós. Nossos discos ou possuem resenhas muito ruins ou resenhas muito boas, e desta vez parece que tivemos quase que somente resenhas boas, o que é muito bom. Os jovens parecem ter gostado do trabalho. Mas nós não nos focamos muito nisso quando estamos escrevendo as canções, apenas escrevemos as melhores canções que poderíamos assim como as tocar da melhor forma possível. Aconteceu de nos unirmos muito bem desta vez, o que nem sempre acontece (risos).

Polêmico Rock - A banda esteve inativa por alguns anos. Que motivo levou a isso?

Matt Harvey - Por uma série de coisas. Pessoalmente, eu acho que depois que os caras que tocaram em “Anatomy is Destiny” saíram da banda, ficou realmente difícil de manter o novo line-up da época estabilizado. Com o tempo as coisas começaram a se unir novamente, mas não havia mais aquele sentimento da época, o que acabou tornando algo realmente desanimador. Parece que eu estive fazendo turnê por muitos anos, mas tudo estava muito estagnado. Parece que nós estávamos sempre fazendo o mesmo tipo de show, e sempre pelo mesmo tipo de dinheiro, e exceto entre mim e o Wes, o line-up não estava interagindo como deveria, além de eu estar de saco cheio de Brutal Technical Death Metal. Me senti como se nós não estivéssemos mais fazendo parte da cena naquele momento, e eu estaria preparado para dar uma pausa em tudo. Eu realmente pensei que o Exhumed não faria mais nada depois disso. Mas o longo tempo nos mostrou que isso poderia fazer sentido novamente, e nós estaríamos aptos a chegar com tudo de novo facilmente e fazer um novo disco, o qual estamos realmente felizes e encorajados.

Polêmico Rock - Como acontece o processo de composição das canções, no âmbito instrumental?

Matt Harvey - Bom, quando nós decidimos fazer este último disco, eu estava morando no Havaí e Wes estava vivendo na Califórnia, então nós íamos escrever todo o material separadamente e depois trocaríamos emails com as demos um com o outro. Finalmente, foi algo muito bom começar a fazer um novo disco com ele, pois no passado, eu seria o cara que que faria 75% a 95% de um disco completo. No entanto, com o Wes ficou 50% e 50% pra cada um. Nós realmente estivemos engajados em uma boa competição, empurrando as idéias um para o outro para fazer músicas cada vez mais legais, o que tornou um processo realmente inspirador para ambos. Na verdade, nós escrevemos vinte e duas músicas, gravamos quinze, mas somente onze foram para o trabalho final. Então acabou sendo um processo prolífico e também divertido. Quando eu retornei a Califórnia, nos reunimos, fizemos os arranjos de modo a deixar tudo bem enxuto para quando fossemos para o estúdio. Este foi o nosso processo de composição – pegar o máximo que podíamos dos lugares e posteriormente deixar só o essencial; tudo de melhor, e sem mesmisse.

Polêmico Rock - No âmbito das letras, como acontece este processo de composição? Que elementos te influenciam a compor?

Matt Harvey - Antigamante eu escrevia um monte de letras e depois eu tentava encaixar nas músicas que viriam depois. Por este motivo existem muitos vocais e letras em “Anatomy is Destiny”. Então no “All Guts No Glory” eu não trabalhei em nenhuma letra até que eu tivesse um pedaço de música pronta pra eu trabalhar em cima. Realmente esta difícil de achar coisas para escrever músicas depois de todos esses anos, embora o Gore tenha se expandido tanto. Eu tento apenas pegar isoladamente o conceito singular de cada canção. Uma vez que surge uma idéia para o título da música na minha cabeça, fica mais fácil desenvolver uma canção a partir dali. Eu ainda gosto e prefiro usar meu próprio esquema de composição: com rimas, trocadilhos, frases em fracês, aforismos distorcidos e ironizados, o qual consigo me divertir escrevendo música, assim como cantá-las.

Polêmico Rock - “Garbage Daze Re-Regurgitated” é um disco de cover completamente insano. Como isso aconteceu? De quem foi a idéia de fazê-lo?

Matt Harvey - Bom, eu pensei que, uma vez que tínhamos um novo baterista no line-up, Matt Connell, esta seria uma boa maneira de aproximar o novo integrante. O Mike Beams, nosso antigo guitarrista, também estava afastado do grupo por quatro meses, desde a última etapa da turnê do “Anatomy is Destiny”. Portanto, não se encontrava preparado para gravar um novo disco. Então, eu acho que seria o melhor para os dois mundos. Eu escolhi todas as canções deste disco e as enviei a Matt Connel, então começamos a partir daí. Ele era um cara um pouco mais Brutal Death Grind, então eu queria que ele entrasse mais em sintonia com a proposta do Exhumed, o qual tem muita influência de Punk e Rock and Roll tradicional. Por isso nós fizemos uns covers que podem parecer um pouco estranhos, mas isso foi divertido. Mike já estava longe de toda a coisa que estava acontecendo para voltar, então chamei Wes e ele fez um ótimo trabalho. De qualquer forma, eu e Wes estamos muito mais “na mesma página” musicalmente falando, o que de fato acabou sendo um ponto positivo.

Polêmico Rock - Você acha que a internet é uma ferramenta que ajuda a divulgar o nome da banda, ou você acha que é algo que atrapalha o mercado musical? Me dê sua opinião de uma forma geral, e dentro do contexto do Exhumed.

Matt Harvey - Cara, eu acho que as pessoas só querem escutar música. Não importa se você procura isso em uma loja, ou em um tocador de fitas ou mesmo clicando em um botão de mouse, tudo isso é um ponto positivo para os músicos. Eu não estou nesse ramo para descobrir como ganhar dinheiro com o comércio de discos, todo dinheiro que a gente faz é na estrada, tocando nos shows, então isso não muda muito o nosso dia a dia. Acho que se seu disco é realmente legal e as pessoas acreditam no que você esta fazendo, eles irão comprar o disco, e o mais importante, irão aos shows comprar cervejas e apoiar a cena.

Polêmico Rock - Me conte alguma história bizarra ou engraçada que aconteceu com vocês durante alguma turnê. Eu posso imaginar que existem muitas histórias, afinal, estamos considerando vinte anos de carreira.

Matt Harvey - Cara, sim, existem mais do que muitas! Minha história favorita na verdade aconteceu em 2004 quando estávamos na europa em turnê com Ceplalic Carnage e Inhume. Nós estávamos no mesmo vôo de Denver para Bélgica com Cephalic Carnage. Então, começamos a festejar imediatamente. Bebemos durante todo o vôo, fomos expulsos da sala pela aeromoça, e depois quando chegamos na Bélgica nós fomos para o fundo de um bar, derramando nossas bebidas, o que acabou resultado em Mike Beams dançando em cima de uma mesa. Por fim, veio um policial e nos expulsou do bar. Isso só foi o primeiro dia da turnê.

Polêmico Rock - Por favor, deixe um recado para os fãs de Exhumed, e para aqueles que irão testemunhar essa banda matadora ao vivo.

Matt Harvey - Mal podemos esperar para chegar no Brasil e festejar com esses maníacos! Estejam preparados para um completo massacre holocausto de Gore Fucking Metal! Eu sei quem somos ...

Polêmico Rock - Muito obrigado por esta oportunidade, de poder fazer esta entrevista, eu torno a repetir: é um grande prazer e honra tê-los aqui, uma banda que eu costuma escutar quando era mais jovem (e ainda escuto), e agora ver vocês aqui em minhas páginas. Espero que vocês possam conquistar cada vez mais fãs ao redor do mundo. Muito obrigado! Horns Up!

Matt Harvey - Muito obrigado por esta entrevista e pelo apoio cara! Nós realmente apreciamos isso. Fazer trabalhos que as pessoas ainda desejam ouvir anos depois, sempre foi o nosso objetivo, portanto, muito obrigado pelas amáveis palavras! Nos veremos no Brasil dentro de poucas semanas, então prepare seu pescoço e seu fígado cara!

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Sobre Plínio Alves

Plínio Alves, formado em Administração de Empresas, blogueiro nas horas vagas. O primeiro contato com o Heavy Metal se oficializou aos 11 anos de idade com um um CD do Nirvana, "Nevermind". Depois deste marco, a paixão pela música pesada se desencadeou de forma bem natural e prazerosa. Dois anos depois, estarrecido com o som pesado e provocador de bandas de Death e Black Metal, se tornou um fã de carteirinha do estilo. Embora seja fã de estilos específicos, declara ter afinidade com qualquer rótulo musical dentro do Heavy Metal, sem preconceito algum. Duas bandas que resumem sua vida: Alice in Chains e Deicide. Os demais textos do autor podem ser vistos no blog Polêmico Rock.

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