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Megadeth: "Sou um sobrevivente", diz Dave Mustaine

Postado por Daniel Molina | Fonte: Rust In Page |

Em dezembro de 2011, Steven Rosen, do site Ultimate-Guitar.com, entrevistou Dave Mustaine. Confiram abaixo alguns trechos da conversa.

Ultimate-Guitar.com: Quando você remixou os oito primeiros do MEGADETH você teve algum insight do seu próprio legado?

Mustaine: Foi legal pode ouvir novamente todo aquele material. Foi preciso reviver aquilo e as vezes foi ruim ter que voltar aqueles momentos que tinham sido dificeis. Algumas partes nem quis reviver. Fiz algumas coisas, e outras coisas que os outros caras fizeram, que tornaram momentos dificeis porque perdemos o foco. Não tínhamos roteiro.

Ultimate-Guitar.com: Mas tinha mais momentos positivos do que negativos?

Mustaine: Sempre há mais momentos bons do que ruins. Eu disse em "Loved To Death" que eu me lembrava mais do momentos ruins do que dos bons momentos, e isso é da natureza humana. Você se lembra mais do ruins do que dos bons, mas isso não quer dizer que tivemos mais ruins do que bons. Apenas gravitamos sobre essas coisas. É como quando você envelhece e começa a comparar cicatrizes. Eu participei do programa do Eddie Trunk, "That Metal Show" e Rex Brown e Vinny Appice participaram do mesmo episódio e todos estávamos falando de mágoas e coisa do tipo. E eu disse, "O que é isso? 'M*A*S*H'?" Quero dizer, foi assim - um bando de veteranos que foi para o campo se doou para fazer músicas para os nossos fãs. As vezes você não percebe quanto isso pesa em você.

Ultimate-Guitar.com: Na sua autobiografia, "Mustaine: A Heavy Metal Memoir", há muitas fotos, mas você quase nunca está sorrindo. Porque?

Mustaine: Deixa eu te dar uma imagem mental: Você está assistindo um desse programas sobre vida selvageme você ve aquele deserto dourado e uma gazela correndo, e logo atrás da gazela tem um leão. O leão está sorrindo?

Ultimate-Guitar.com: Você é o leão?

Mustaine: Sou um sobrevivente que persegue o que precisa para continuar vivendo. Nós tivemos muita oposição da indústria por conta do nosso estilo e das escolhas que fizemos. Nós tivemos nossos próprios problemas que ocorreram porque dissemos "NÃO" para algumas pessoas que quiseram trabalhar com a gente e essas pessoas depois falavam "Esse cara é um cretino" e inventavam toda uma história, quando tudo tinha sido um simples não. Lembro que estávamos fazendo teste para guitarristas e um cara apareceu e foi muito hilário. Ele fez o teste e não passou dai ele foi e disse para as pessoas que ele tinha escrito a "Wake Up Dead", que está no nosso segundo álbum ("Peace Sells…But Who's Buying?"). Nós estavamos fazendo o teste para o "Rust In Peace", então ele estava atrasado dois álbuns, pois já tinhamos feito o "Peace Sells" e "So Far, So Good… So What!". Há tanta gente esquisita no mundo e você começa a fazer esses teste e percebe como os músicos são bem peculiares.

Ultimate-Guitar.com: No livro você escreveu sobre como foi tocar com METALLICA, SLAYER e ANTHRAX no primeiro show do "Big Four" de 16 de junho de 2010. Foi tipo exigir o que era seu?

Mustaine: Não havia o que exigir porque em essência daria impressão que estava perdendo algo. Fomos amigos por um tempo e quando seguimos caminhos diferente musicalmente - Kirk Hammett não estava no meio e Robert Trujillo também não — foi por um motivo. O motivo não ficou claro para mim na época. Fiquei chateado com aquilo e acho que tinha a ver com o fato do álcool afetar meu julgamento. Todos bebíamos, mas uma coisa é certa, sempre fomos amigos. Acho que isso que tornou tudo mais dificil, quando você gosta mesmo de alguém, e é forçado a se separar, você meio que tenta justificar tudo ou esconde que tomou um pé na bunda. Não ha animosidade e nem precisamos dar explicações. Somos amigos e tudo aquilo ficou no passado.

Ultimate-Guitar.com: Várias músicas foram ressuscitadas no álbum "TH1RT3EN". O álbum é uma volta às épocas musicais do "Countdown To Extinction" e "Rust In Peace"?

Mustaine: Em partes, sim. Quanto se tem o mesmo time, vai ter um pouco daquilo ali, mas também há algo novo nele. Com a volta do David Ellefson, até certo nível, o baixo é o mesmo, mas não é. Dave trabalhou bastante nesses oito anos que ficamos separados porque eu sei como ele é bom - consigo ouvir alguém tocar e dizer se é uma fraude ou não. Sabia como era o estilo do Dave quando nos separamos. Ele era muito bom, e fazia parte da liga dos intocáveis. Dai ele voltou e quando ouvi ele tocando e pensei, "Nossa, cara, ele melhorou muito em vários aspectos." Ele está mais maduro, mais agressivo e fiquei empolgado. As músicas soaram renovadas. Quando você toca em estúdio é de um jeito dai você cai na estrada e se afasta daquilo. Você acelera aqui, desacelera ali, esquece uma parte ali e toca uma a mais ali. Quando ele voltou e estávamos tocando as músicas eu pensava, "Droga, parece que estamos no estúdio." Foi fantástico.

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Sobre Daniel Molina

Nascido em 79, professor de inglês e tradutor. Conheci o metal e suas várias vertentes através de um amigo do meu irmão no final dos 80, onde em 89 acabei me deparando com Megadeth dentre os vinis que estava ouvindo e foi amor à primeira ouvida, uma paixão que dura 20 anos. Apaixonado por thrash metal, especialmente Bay Area e East Coast mas também aficcionado por NWOBHM, Hard e Death. Com o passar do tempo percebi que o rótulo é o que menos importa e sim o tipo de música que nos agrada, mas apesar de tudo, thrash sempre acima de tudo. Já trabalhei com vários sites, cobrindo shows e fazendo entrevistas mas sempre tocando a Rust In Page por amor ao Megadeth, e hoje além de dedicação total ao meu trabalho salvo bastante do meu tempo para manter a página rolando firme e forte e mantendo os Droogies brazucas informados.

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