Sacrificed: vocalista mulher não significa vertente gótica

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Sacrificed: vocalista mulher não significa vertente gótica


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Desde 2006 o mineiro Sacrificed vêm experimentando e testando seu Heavy Metal, e agora está estreando com “The Path Of Reflections” através da Shinigami Records. Mesclando o tradicionalismo do estilo com um clima todo contemporâneo, este é um disco que pode vir a atrair as atenções de um público bastante amplo. O Whiplash! conversou com a vocalista Kell Hell, o guitarrista Diego e o baixista Bruno para saber mais sobre mais este nome emergente de nossa cena underground. Confiram aí!

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Whiplash!: Olá pessoal. O Sacrificed está lançando seu primeiro álbum, “The Path Of Reflections”. Que tal a banda se apresentar para os leitores conhecê-los melhor?

Diego Oliveira: Olá! A Sacrificed surgiu em Belo Horizonte (MG) no ano de 2006, e era um projeto chamado ‘Metalbreath’, que tinha o intuito de executar canções do Metallica. Eu, meu primo Gustavo e o Gabriel, respectivos ex-baterista e ex-baixista, nos unimos então para essa tarefa. Sempre tivemos um amor muito grande pela música e uma amizade forte, isso acabou nos empurrando para as composições próprias.

Diego: Com a entrada do Vítor e o Fabrício, demos os primeiros passos ainda como Sacrifice. Após várias mudanças de integrantes e uma alteração no nome, a atual formação conta comigo (guitarra), Kell Hell (voz), Leonardo Rizzi (guitarra), Bruno Bavose (baixo) e Thales Piassi ( bateria).

Diego: A cena mineira é repleta de bandas de altíssima qualidade, então trabalhamos muito para conseguir algum destaque e um dia chegar ao (por enquanto) sonho de viver de música no Brasil. Sacrificed representa para nós a luta para alcançar seus objetivos, as coisas que você deixa para trás por algo maior, o trabalho intenso que já passou e que ainda passará, o sacrifício e o sacrificado.

Whiplash!: “The Path Of Reflections” é uma estreia muito expressiva, e canções como “Red Garden”, “Soulitude” e “Before A Dream” transmitem uma forte atmosfera contemporânea, mas sem se afastar do tradicionalismo do Heavy Metal. Como equilibrar estas características durante o processo de composição?

Diego: Acredito que chegamos nesse resultado simplesmente por manter nossa mente aberta. As ideias vão chegando e no final não nos limitamos a tocar coisas que são apenas confortáveis para nós e que sempre escutamos, mas algo diferente, algo novo, no final você tem um pouco dos dois. Eu cresci escutando Metallica e Megadeth, porém sempre escutei bandas novas, “The Path of Reflections” nasce dessa junção de influências.

Bruno Bavose: Realmente, “The Path Of Reflections” tem uma atmosfera bem peculiar apesar de utilizar muitos elementos já conhecidos. Acredito que esse equilíbrio foi algo natural ao processo de composição, pois, apesar do Diego compor a maioria das canções, todos incorporaram muito bem suas influências, que são bastante ecléticas. Nossas músicas trazem desde levadas melódicas até passagens de Thrash e Death. Nossa intenção é sair da mesmice e criar algo mais rico em ritmos e melodias.

Whiplash!: Diego e Vitor formam uma dupla muito eficiente nas guitarras, com riffs de grande impacto. Quais suas influências, pessoal?

Diego: Eu e o Vítor temos gostos muito parecidos. Escutamos muito bandas americanas como Lamb of God, Killswitch Engage e All that Remains, além dos grandes Metallica, Megadeth e Dream Theater. Além deles, cito também os suecos do Arch Enemy.

Diego: Todas essas bandas têm em comum os riffs marcantes e furiosos que tiveram um impacto muito forte na nossa maneira de compor. No primeiro CD você quer soar como os seus heróis da guitarra (risos), conosco não foi diferente. Víamos um riff e falávamos: “Cara, eu quero que no nosso álbum tenha um momento assim, um riff que faça o pessoal desmaiar de tanto bater cabeça”

Whiplash!: “The Path Of Reflections” possui inúmeros detalhes e timbres que foram muito bem selecionados. Afinal, até onde o produtor Renato Kojima influenciou na sonoridade final do disco? Tudo fluiu bem em estúdio?

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Diego: Houve dois momentos distintos na nossa gravação: a pré-produção e a produção, feitas com o Renato (Rosa Ígnea) e a gravação das guitarras, mixagem e masterização feitas com o Allan Wallace e André Márcio (Eminence). Esses dois momentos são decorrentes do cuidado que tivemos em tentar soar o melhor possível dentro dos recursos que possuíamos.

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Diego: O álbum demorou quase um ano e meio para ficar pronto, pois cada detalhe, cada timbre foi tirado com muito cuidado. Eu fiz questão de acompanhar cada detalhe, coproduzindo com o Renato. O Renato foi decisivo para o resultado que chegamos no CD, ele é um cara que transborda musicalidade, sempre com ótimas idéias, cortando o que realmente não precisava, acrescentando detalhes e acompanhando sempre a execução para que saísse o mais exato possível.

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Diego: Com o pessoal do Eminence também foi muito tranqüilo. Devido à grande experiência dos caras, restou apenas ajeitar os detalhes para eles colocarem a cereja em cima do bolo.

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Diego: Como somos grande amigos, tudo foi muito tranqüilo, o resultado no fim foi esse, um material que a cada vez que se escuta encontra detalhes novos.

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Whiplash!: Infelizmente, pelo fato de terem a Kell Hell como vocalista, muitos associam o Sacrificed à cena gótica. Que providências vocês tem tomado para corrigir essa distorção e passarem a imagem correta do que realmente são?

Kell Hell: Isso realmente acontece. O simples fato de a banda ter uma vocalista mulher já faz com que muitas pessoas presumam, apressadamente, que somos uma banda gótica, com um som parecido, por exemplo, com o do Nightwish, Epica e After Forever. Embora se trate de excelentes bandas, essa comparação definitivamente não corresponde à realidade, e as pessoas só se dão conta disto depois que realmente escutam nossas músicas e vêem o nosso show. De qualquer forma, não é tão fácil corrigir essa distorção, procuramos manter nossa identidade no figurino, na postura em cima palco, etc. É preciso ter em mente que uma vocalista mulher não é sinônimo da vertente gótica do metal. Apagar estigmas e tabus da cabeça das pessoas não é uma tarefa tão simples. Temos tentado! (risos)

Whiplash!: É inegável que boa parte do público eleva uma garota bonita ao status de ‘sex simbol’ antes de a considerarem uma verdadeira cantora, e inúmeras bandas não se importam em usar isso em seu benefício. Como isso funciona no Sacrificed?

Kell Hell: É ótimo que este assunto tenha surgido à tona. Bom, primeiramente não sou bonita o suficiente para dizer que a ascensão da banda está ligada à minha imagem. Quem dera! (risos) Mas compreendo que a figura feminina e todo o simbolismo por detrás dela é capaz de captar uma parte do público. No Sacrificed, primamos pela qualidade da música acima de tudo; por mais demagoga que esta frase possa soar, ela é a realidade. Para mim, Raquel Reis, ser reconhecida por uma ‘suposta’ beleza, e não pela minha voz seria uma grande humilhação. Odiaria se isso acontecesse, e sou a primeira a não desejar isso. Seria o equivalente a um atestado de incompetência. Obviamente, ninguém quer estar feio nas fotos e vídeos (risos), mas a beleza está longe de ser a prioridade. Prefiro ser lembrada como uma ‘cantora competente’ do que como uma ‘mulher bonita’. Afinal, qual é o mérito da beleza?

Whiplash!: Ainda que a Shinigami Records já houvesse disponibilizado o álbum “Terrorism Alive” do Dorsal Atlântica, é com “The Path Of Reflections” que este selo se inicia com o lançamento de uma banda novata. Como o Sacrificed se sente diante disso? São pouquíssimas as bandas que conseguem assinar um contrato para distribuição hoje em dia...

Diego: Sabendo das dificuldades que o mercado fonográfico passa hoje em dia, ainda mais no Brasil, ficamos muito surpreendidos em conseguir o apoio do Willian (Shinigami Records). Pouquíssimas bandas hoje em dia conseguem contratos com gravadoras e saber que a Shinigami está entre as principais do país nos motiva a continuar o nosso trabalho de uma maneira fenomenal.

Bruno: É um privilégio muito grande conseguir chamar atenção de um selo como a Shinigami. Lutamos dia e noite para conseguir um selo que valorizasse nosso trabalho e realmente tivesse coragem de trabalhar com uma banda “de primeiro CD”. Acredito que isso foi também conseqüência de tanto trabalho duro e incansável, onde a todo o momento estamos estudando nossas derrotas e conquistas para aperfeiçoar os resultados.

Whiplash!: Vocês já tiveram a oportunidade de tocar ao lado do Eluveite e The Agonist, que possuem estilos bem diferentes do Sacrificed. Como foi essa experiência, principalmente se levarmos em conta que muitas vezes a plateia não tem muita paciência com as bandas de abertura?

Diego: O Eluveitie foi em nossa cidade natal, Belo Horizonte. Como foi nossa primeira apresentação ao lado dos gringos, estávamos muito nervosos, além de muitos problemas que tivemos com a produção do evento. Porém quando subimos no palco, tudo isso se foi, a receptividade do público foi ótima e fizemos um grande show, apesar da exaustão de tudo. Já o show com o The Agonist teve um gostinho especial, pois todos nós somos fãs da banda de longa data. Eu mesmo acompanho o trabalho deles desde o primeiro CD e quando fomos escolhidos pra abertura, a vontade foi de dar um beijo na Dilma! (risos).
Viajamos horas para chegar ao show, enfrentando sol e chuva e quando começamos a tocar a recompensa não poderia ser melhor: o público insano cantando e pulando junto com a banda e o melhor ainda, no final ter os caras do próprio The Agonist elogiando o seu trabalho, foi uma das nossas maiores conquistas, sem dúvida.

Bruno: Tocar com duas bandas internacionais de peso como Eluveite e The Agonist foram experiências que vamos levar para o resto da vida. Trabalhar com bandas que tem anos de estrada e fizeram turnês em todo o mundo, nos ensinou muito sobre organização, foco, presença, postura e dezenas de outros fatores que levam uma banda a se diferenciar.

Whiplash!: Que balanço vocês fariam acerca da “Tour Of Reflections”? Tem conseguido vender discos, recepção do público e as próximas datas agendadas?

Bruno: Acredito que, de uma forma geral, a “Tour Of Reflections” está sendo um tanto quanto satisfatória. Estamos com uma média de três a cinco shows por mês. Cidades como Cataguases, Presidente Olegário, Lagoa Santa, Sete Lagoas, e claro, nossa cidade natal Belo Horizonte fazem parte da Tour. Novas datas estão sendo fechadas para os estados de SP e RJ, dentre outros locais! A ideia é que a "Tour of Reflections" atinja o máximo de cidades possíveis, por isso pretendemos aumentar bastante o número de shows para 2012. Em breve estaremos em sua cidade (risos).

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Whiplash!: Seria ótimo vê-los aqui no sul! Pessoal, o Whiplash! agradece pela entrevista e deseja boa sorte na divulgação de “The Path Of Reflections”. O espaço é de vocês para algum comentário final, ok?

Bruno: Bom, gostaria de agradecer muito ao portal Whiplash! pela oportunidade de falarmos um pouco sobre nosso recente trabalho. Nos vemos no palco!

Diego: Apareçam nos shows, comentem com os amigos, acessem os canais especializados, comprem os CDs, apoiem as bandas nacionais, nós precisamos de vocês!

Kell Hell: Antes de mais nada, gostaríamos de agradecer o Whiplash! pelo espaço e pela oportunidade. Também gostaríamos de agradecer a galera que curte o nosso trabalho e que está sempre presente em nossos shows, nos incentivando. As conquistas que alcançamos até aqui também são fruto do apoio destas pessoas. Esperamos que gostem do nosso álbum, “The Path of Reflections”, pois ele foi feito com muita dedicação e esmero. Ouçam e curtam, galera! Vocês são o Sacrificed!

Contato:
http://www.sacrificed.com.br
http://www.myspace.com/sacrificedbrazil
http://www.facebook.com/pages/Sacrificed/256732177688787?sk=...

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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