Hellsakura: você precisa ter o veneno no sangue, entende?

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Hellsakura: você precisa ter o veneno no sangue, entende?


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Atitude: essa palavra se aplica perfeitamente ao que o Hellsakura representa. Tendo como base a capital paulista e com cerca de cinco anos de estrada, o trio já lançou splits e EPs, tocou pelo Japão e agora está marcando sua estreia em disco com “Bloody To Water” através da Tumba Records. E novos trabalhos já estão saindo do forno! O Whiplash! conversou com a simpática e versátil mentora Cherry, veterana na cena cultural da região em um bate papo muito divertido sobre Rock´n´Roll, Heavy Metal extremo, Japão e até moda. Confiram aí:

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Whiplash!: Olá Cherry. Considerando que você é a mentora, poderia falar um pouco de sua ligação com o Japão e o que a inspira, para o leitor melhor se situar na proposta do Hellsakura?

Cherry: Olá Ben! Minha inspiração vem de várias coisas ao redor da vida e da morte. O Japão talvez represente a vida, sou de família japonesa vinda de Kumamoto e Tóquio, e o brasileiro está bem próximo dessa cultura e de tantas outras que existem por aqui! Pessoas vieram de vários lugares do mundo tentar uma vida nova no Brasil após II Guerra Mundial, não é?

Cherry: O Hellsakura significa ‘o contraste’ e a banda começou com meu encontro com Napalmer em um estúdio, então eu o chamei para fazer um som! ‘Hellsakura’, traduzindo literalmente, temos: Hell (inferno) Sakura (flor de cerejeira - que significa prosperidade). Conversando sobre isso com o Piotr do Vader, ele me perguntou “... você acha então que o inferno é prosperidade?...”. Eu respondi: “... não, estamos falando em contraste, bem e mal, vida e morte, certo e errado...”.

Cherry: Mas temos que ter a mente livre e poder imaginar o que quiser, portanto, façam isso!

Whiplash!: “Bloody To Water” é um belo fruto do underground ao mesclar o Punk Rock com o Heavy Metal, e faixas como “Distorted Mirror”, “Bombs Away”, “Leave My Skull” e “My Motorhead” são exemplos disso. Já deu para sacar o feedback do público perante este primeiro disco?

Cherry: Obrigada pelo ‘belo fruto’! Estamos sempre sentindo a energia do público e das pessoas, o que muda muito de lugar para lugar! Realmente, antes de iniciar as sessões de ensaio com Napalmer e Pitchu, fico trancada no meu estúdio com as guitarras, cachorros, my poison e um programa de áudio plantando sementinhas...

Whiplash!: Vocês participaram do ‘Setembro Negro’ ao lado de Morbid Angel, Belphegor e Ragnarok, nomes consagrados do Heavy Metal extremo. Como aconteceu de se encaixarem em um festival com uma proposta tão distinta da música do Hellsakura? E a recepção dessa platéia, geralmente mais radical?

Cherry: Muito simples, a Tumba Records está lançando nosso disco e felizmente a data encaixou perfeitamente com o momento! Ficamos muito honrados em participar da festa de 10 anos do Setembro Negro e tocar com Belphegor, Ragnarok e Morbid Angel!

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Cherry: Vocês sabem, uma banda que está abrindo um evento desse porte não pode perder tempo, tem que estar com tudo pronto e tocar um set curto e grosso, mas quando começamos as portas estavam abrindo e o público entrando, inesquecível ! Foi tudo muito rápido e ainda tínhamos a Tumba Records, o Ragnarok e o Serpenth curtindo o Hellsakura... Tínhamos que dar o melhor! wahahh helllll kill!!!

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Whiplash!: Inclusive, foi uma boa jogada a inclusão de músicos de estilos tão diferentes para participarem de “Bloody To Water”. Até o próprio Serpenth (Belphegor) solou! Como rolou a participação dele, do Doni (Matanza) e da Mayra, do The Biggs?

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Cherry: Foi tudo espontâneo! O Serpenth conhecia nosso som, e ele mandou uma mensagem dizendo “...Hey, vi que o Hellsakura está escrevendo um novo álbum! Gostaria de participar!...”. Achei muito legal e mandei uma rough demo de ensaio com dois sons: uma era a “Distorted Mirror” e outra, a “Bombs Away”. Mas disse que a primeira música seria cool para ele fazer o guitar solo, pois soaria bem diferente do que já conhecia do som dele como baixista do Belphegor. Conseguimos encaixar o tempo e agenda de todos e mandei depois os tracks para gravar a guitarra. Foi uma conexão bem legal!

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Cherry: O Donida é um compositor e guitarrista (Enterro e Matanza) que admiramos muito, além do seu trabalho com ilustração! Já tínhamos conversado muito sobre bandas do leste europeu que gostamos, então a “Very Dark Sunday“ se encaixava perfeitamente. Ele foi pro estúdio e disse que não queria fazer solo, queria gravar a base também! Dissemos: ‘douzooo’ (sirva-se).

Cherry: A Mayra tem um potencial incrível como baixista (Biggs & Human Trash) e adoro o vocal dela, que é muito roots. Ela é muito rock! Meu sonho é ter todos juntos no palco em um show!!

Whiplash!: O Pompeu e o Heros Trench (Korzus) estão produzindo e ajudando na definição do som de muitas bandas aqui do Brasil – a dupla já é parte da história. Cherry, como é trabalhar diretamente com eles?

Cherry: Sim, eles são a dupla do estúdio Mr Som. Lá tem uma sala incrível, o som fica grande por natureza, não só por programas de áudio, etc. O que é mais legal é que eles são muito metal e ótimos músicos, não enxergam só a parte técnica de uma produção... A gente começa a gravar com o Pompeu, que tira o melhor da banda na hora de gravar os takes e depois passamos tudo para o guitarrista Heros, adoro mixar com guitarristas, whaha, a gente se entende muito bem \\m/.

Whiplash!: O baixista Napalmer fez um belo trabalho ao ilustrar “Bloody To Water”. Ainda que bem ‘suja’, a temática é claramente oriental. Qual o conceito por trás desses personagens em combate, afinal?

Cherry: o Napalmer explica: “... são duas criaturas mutantes vindas de um mundo movido a urânio... Na verdade, não sabemos se estão em combate ou se estão juntos combatendo alguma coisa, é nonsense como a maioria do material que produzimos, apenas mostramos os dois extremos, o bem e o mal...”.

Cherry: Você não pode julgar um furacão ou tsunami como culpados de um desastre, mas julgamos a energia nuclear como um mal fútil e desnecessário que deveria ter acabado nos anos 80. A temática oriental foi uma influência forte, sem dúvida, mas o Napalmer sempre trabalha bem livre, com várias técnicas e estilos.

Whiplash!: Como rolou o convite para você fazer a trilha sonora do Tokyo Fashion Festa, que aconteceu em julho passado em São Paulo? O que os presentes escutaram na ocasião?

Cherry: Foi um convite da Fundação Japão, que me apresentou para o embaixador da moda de Tóquio, Nichi Kashihara, que é o mentor desse projeto e também da marca Madame Killer. Eu escrevi a trilha com sons que eu já tinha composto e outros sons novos especiais para trilha, em japonês e inglês, como a versão ‘jap’ para ”Cherry Bomb”, por exemplo.

Cherry: O Tokyo Fashion Festa é um evento realizado em Tóquio, Nova Iorque e agora em São Paulo. A idéia do Kashiharasan é unir a cultura jap através de estilistas japoneses na linha gothic, Lolita, kimonos, rock, street, etc, e com som ao vivo, tornando o desfile vivo e mais excitante. Enquanto as modelos estão em cena, você está ali tocando... Tudo pode acontecer e temos que estar preparados para algum improviso!

Whiplash!: Falando em eventos extra-musicais, poderia explicar melhor a história e as expectativas do Hellsakura e sua parceria com a empresa norte-americana Manic Panic?

Cherry: Fui indicada pelo site RiceBurner Fm e a Manic Panic entrou em contato, perguntando “... Mas esse azul do seu cabelo é o nosso?...”. Eu disse “... Sim, esse é o meu very atomic blue...”. A história da marca é interessante, elas estão situadas em NY e fazem parte da cena musical de lá! Adoro as tintas de cor ácida que elas produzem e o make up também!

Whiplash!: O Hellsakura já lançou um split com a banda japonesa Kamisori e o EP “Sakura Fubuki”. Sei que está para sair do forno mais um split chamado “Tropical Mud”. Poderia dar mais detalhes acerca deste trabalho? E, pelo jeito, nada de lançamento brasileiro desse registro, certo?

Cherry: Tenho muitas saudades dos Kamisori boys. Quando eu vi eles chegando no primeiro show do Hellsakura em Tóquio, me senti muito bem! Gostaria de trazer eles para tocar no Brasil um dia... O split vinil “Tropical Mud” será lançado com o Darge, que é atualmente uma das bandas mais produtivas na cena japonesa, no momento o material está na fábrica e mal posso esperar! A artcover desse material também está matadora, foi desenhada pelo jap Shyunsuke.

Cherry: Esse lançamento é uma parceria com nosso selo no Japão, a “Karasu Killer”, com a “Grind Block” (Itália) e uma nova distro brasileira chamada “Hiroxima Records”. Aqui no Brasil, eu e a Hiroxima distro vamos distribuir o material!

Whiplash!: Considerando a facilidade de acesso que você possui com o Japão, há planos de uma turnê por lá?

Cherry: Sim, e em breve, breve!! Mas primeiro teremos datas na França e Alemanha, estaremos lançando um split CD com a banda alemã Insonnia através do selo francês Mass Prod.

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Whiplash!: Você fez algum barulho com o extinto Okotô... O que você vê de tão diferente entre a cena underground desta época e a dos dias de hoje?

Cherry: No tempo do Okotô aprendi muito! A diferença é que hoje é tudo mais fácil, mas você precisa ter o veneno no sangue, entende? Senão não serve para nada ter uma banda!

Whiplash!: Cherry, o Whiplash! agradece pela entrevista e deseja boa sorte na divulgação de “Bloody To Water”. O espaço é seu para os comentários finais, ok?

Cherry: Eu, Napalmer e Pitchu agradecemos pelo seu apoio e o da Whiplash!. Desejamos muito rock para vocês!

Cherry: Agradecemos também os nossos parceiros durante esses quatro anos: Tumba Recs (Br), Karasu Kille (Jp), Hiroxima Recs (Br), Mass Prod (Fr), Grind Block (It), Pearl Brasil, Manic Panic (Usa), Sick Mind (Br), Crysis Recs (Malaysia), Ataque Frontal (Br), Playtech (Br).

Contato:
http://www.hellsakura.com
http://www.myspace.com/hellsakura

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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