O movimento indie vem revelando uma série de bandas no underground brasileiro. As propostas nacionais do gênero, que não parecem preocupadas em investir somente no rock alternativo, mostram a sua abrangência ao incluir sonoridades mais clássicas, que remetem às décadas de sessenta e setenta. Nessa onda, os paulistas do SOULSTRIPPER apresentam no seu primeiro disco, intitulado “As Garotas e Todos os Problemas que Vem com Elas”, um rock básico e eficiente, mas com uma pegada típica do passado. Nessa entrevista, Bruno (vocal e guitarra) conta mais sobre a história da banda.

Em atividade desde 2005, apenas no ano passado a banda soltou o seu primeiro álbum, intitulado “As Garotas e Todos os Problemas que Vem com Elas”. Conte-nos um pouco mais sobre a carreira do SOULSTRIPPER.
Bruno: Apesar dos seis anos de banda, a história é bem curta. Isso por que nós vivíamos entrando em férias ou acabando com a banda! (risos) A banda teve algumas formações iniciais (ainda com baixistas), mas tomou sua forma mesmo sem baixo comigo (guitarra/vocal), Chico (bateria) e Luka (guitarra). Foram cinco ótimos anos com essa formação. Nós gravamos um EP, um CD virtual e um CD completo. Várias viagens, histórias e mais de 150 shows. Em 2010 o Chico saiu da banda e entraram o Jonas para o lugar dele e o Franco no baixo. Desde então está mantida essa formação.
As duas faixas da demo “As Nossas Primeiras Músicas...” não fazem parte do repertório de “As Garotas e Todos os Problemas que Vem com Elas”. Por que?
Bruno: Nós temos um EP com seis músicas de 2005 que fizemos somente 1500 cópias. Acho que nem a gente tem alguma cópia por aqui (risos). Desse CD regravamos a “rock&rollzinho”. “As Nossas Primeiras Músicas...” foi só uma maneira de colocar o SOULSTRIPPER no Trama Virtual e algumas músicas que queríamos.
Embora possamos dizer que a sonoridade do SOULSTRIPPER remete ao rock n’ roll básico dos anos setenta, vocês caracterizaram o som como “um jeito de conseguir garotas”. Como isso é possível?
Bruno: Porque é exatamente isso que sempre foi. Nós começamos muito garotos (ainda somos!) e em uma pequena cidade do interior, não pretendíamos fazer sucesso, ganhar dinheiro ou fazer carreira. Nós só queríamos garotas! E para isso, nada melhor que fazer rock, não é?! Já que o rock dos anos sessenta e setenta era um gosto que tínhamos em comum, acabou sendo assim. Foi muito natural, não acordamos um dia e pensamos “vamos fazer uma banda desse jeito”.

Bruno: Muitas e muitas dificuldades. Exatamente por isso foi um longo período de gravação. Foi de acordo com nossa disponibilidade de tempo e de grana. Qualquer dinehro que conseguíamos em algum show, já corríamos para o estúdio gravar. Mas tivemos o apoio de pessoas como o Renato Napty, que facilitou bastante o processo de gravação e produção. Apesar de muito trabalho, o final é muito gratificante.
A formação que gravou o disco ainda não contava com um baixista fixo. De que forma isso influenciou o trabalho de vocês na época?
Bruno: Na verdade, na época em que foi gravado o CD não tínhamos baixista nenhum! (risos) O CD é inteiro gravado sem baixo. Juro! A banda sempre foi formada por duas guitarras e uma bateria. Uma das guitarras com o timbre mais grave e encorpado. Somente no final do ano passado que entrou um baixista na banda. Certamente isso vai trazer varias mudanças nas próximas criações e gravações.
Depois que o SOULSTRIPPER concluiu “As Garotas e Todos os Problemas que Vem com Elas”, vocês imediatamente passaram a pensar em um próximo registro ou acham que o processo de composição precisa de um intervalo maior?
Bruno: Nós passamos muito tempo em estúdio para gravar esse CD, sabíamos que iria demorar um bom tempo até voltarmos de novo. Logo que pensamos em voltar para gravar, a banda teve “férias” e mudanças na formação. Bom, agora já faz um pouco mais de um ano do lançamento do CD. Então já estamos escrevendo coisas novas. Pô, é sempre bom juntar os caras e criar um som.
Como está sendo a repercussão de “As Garotas e Todos os Problemas que Vem com Elas”? Vocês chegaram a enviar cópias do álbum para o exterior?
Bruno: Está sendo ótima! Desde o inicio deixamos o CD inteiro para download gratuito em vários lugares na internet e todos os dias tem muita gente nova baixando o som. O tempo todo nós tropeçamos em comentários e em reviews sobre o CD, o que é muito importante pra gente. Já aproveitamos para avisar, quem quiser o CD, é só mandar o endereço completo para contato@soulstripper.com.br que nós mandamos de graça! Infelizmente não mandamos nada para o exterior ainda. Temos que fazer isso!

No Whiplash!, as músicas “Minha Melhor Namorada” e “Baby o Amor Está tão na Moda!” foram apontadas como os maiores destaques do disco. Os fãs concordam com essa opinião? E vocês?
Bruno: Nós com certeza concordamos. Mas por motivos óbvios as garotas preferem “Bonitinha, Né? Fiz para Você” e “Não Trocaria um Sorvete de Flocos por Você”. E se elas gostam... (risos)
Embora possua um conceito bem simples, o trabalho gráfico do disco é excelente, sobretudo para uma banda independente. Como que vocês amadureceram as ideias nesse quesito?
Bruno: As idéias vêm do mesmo modo que criamos o nosso som. As garotas têm que gostar e tem que ser rock. A capa do CD passa muito bem a ideia, está ali com letras grandes! Não tentamos grandes novidades. Dá para ser simples e criativo sempre.
Como são os shows do SOULSTRIPPER? A banda guarda alguma surpresa para as apresentações ao vivo?
Bruno: Quem gosta do nosso som precisa ir a algum show. É tudo mais rápido e divertido (e garotas sempre têm garotas). É ali que a gente se dá bem. Tem surpresas em todo show, nada combinado, simplesmente acontece.
Com a banda vê o cenário underground brasileiro? O fato do SOULSTRIPPER ser uma banda do interior de São Paulo prejudica alguma coisa?
Bruno: Prejudica por ter uma menor divulgação e se você está buscando viver disso. Mas por outro lado, sempre houve lugares para tocar. As bandas, os produtores e o público se ajudam muito. Só que agora tudo mudou, não só no interior, na capital também. Entre 2004 e 2008, nós tivemos uma época muito legal para o underground. Hoje não é a mesma coisa. Os pequenos produtores, que eram importantes para o crescimento da cena, estão sumindo. As novas bandas têm que pagar cotas para conseguir algum showzinho para poucas pessoas. Isso atrapalha o surgimento de bandas e de lugares de qualidade.

É interessante ver como vocês aproveitam os recursos disponibilizados pela internet. O repertório da banda, praticamente inteiro, pode ser baixado na página do Last.FM de vocês. Como vem sendo a repercussão de “As Garotas e Todos os Problemas que Vem com Elas” na web?
Bruno: A internet é 50% da banda. Por ser do interior, ela é o único lugar que nos deixa de igual para igual com as bandas de grandes centros. A gente recebe e-mails do Tocantins ao Rio Grande do Sul. Isso para nós é surreal, faz tudo valer à pena. Então disponibilizamos sempre todo nosso material grátis na internet. É o único jeito de estar perto de quem curte o nosso som de longe.
O que os fãs do SOULSTRIPPER podem esperar da banda em 2011?
Bruno: Sons novos! Depois de quase um ano e meio sem lançar nada, vamos ao menos lançar dois singles. Ah, e um clipe, que já está na fase final de edição. Pretendemos voltar aos shows. Em maio a gente já deve estar bagunçando em algum lugar por aí.
Obrigado pela entrevista. Deixo esse último espaço para as considerações finais de vocês.
Bruno: Uma coisa que podemos afirmar com convicção sobre a banda é que a gente se diverte para caralho fazendo isso! Quem quiser conhecer o rock n’ roll dos caipiras aqui é só acessar www.soulstripper.com.br. Para entrar em contato para shows contato@soulstripper.com.br. Valeu Whiplash!
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Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.
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