Em 07/03/2011 | Red Front: "já sabemos o que faz o sangue da galera ferver"

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Red Front: "já sabemos o que faz o sangue da galera ferver"


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O Red Front tem tudo para se estabelecer como um dos grandes nomes da nova safra metálica do Brasil. Em cerca de três anos de atividades, estrearam com o excelente “Memories Of War”, tem as manhas em fazer apresentações realmente envolventes e, inclusive, já as levaram aos palcos europeus. E Léo (voz), Marcelo (guitarra), Oscar (guitarra), Mark (baixo) e Bradock (bateria) são tão loucos que tiveram as manhas de serem presos e fichados em Londres... O Whiplash! conduziu uma divertida e conturbada entrevista com Léo e Oscar, que falaram sobre tudo o que tiveram vontade, e provaram ser politicamente incorretos – e isso significa que falam a verdade nua e crua. Confiram aí:

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Whiplash!: Olá pessoal! Vocês possuem pouquíssimo tempo de estrada, mas já deram consideráveis passos. Que tal começarmos como uma breve biografia do Red Front?

Oscar: O Red Front foi formado em 2007, em São Paulo. Nós viemos de outras bandas e estávamos insatisfeitos com elas, e aí, usando as famosas redes sociais, nós nos achamos. Por coincidência, morávamos muito próximos uns dos outros, na zona oeste: Barra Funda, Santa Cecília e região.

Oscar: Marcamos de tomar uma cerveja para trocar umas idéias, e como nossos gostos musicais são bem similares, lógico que cada um tem a sua preferência por determinada banda, mas no geral é muito parecido, gostamos do bom e velho Heavy Metal!!! E começamos a ensaiar.

Léo: Depois de alguns ensaios nós percebemos que essa brincadeira estava ficando muito legal e resolvemos levar essa zona a sério, se é que isso é possível! Uahuahhaa!

Whiplash!: “Memories Of War” arrebatou merecidos elogios pela mídia especializada. Como criadores, qual o diferencial deste debut em relação a tantos outros álbuns de Heavy Metal extremo liberados por aí?

Oscar: Eu sempre curti quando a guitarra fala junto com a música (tipo, o riff que você ouve uma vez e consegue cantarolar, e que não sai da cabeça). Em minha opinião, hoje em dia as bandas se preocupam muito em soarem extremas demais e acabam perdendo um pouco desse feeling. Então, sempre que vamos fazer uma música, nos preocupamos em ter essa característica, não adianta ser extremo e não dizer nada. É como diz nosso batera: ‘... guitar is feeling, drums is instinct, and rock'n' roll is life’!

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Whiplash!: “Memories Of War” foi produzido em seu Home Studio e mixado e masterizado no famoso estúdio Mr. Som. O Red Front está satisfeito com o áudio geral, ou teriam mudado algo se pudesse?

Oscar: Isso mesmo, o nosso CD foi gravado no meu home studio. Eu resolvi montar o meu próprio estúdio, pois sempre que ia gravar em estúdios ‘mais acessíveis’, nunca o resultado ficava legal e ainda por cima gastávamos uma grana. Aí resolvi juntar uma grana e fazer uma viagem ‘moambeira’ pro Paraguai (minha segunda nação, hehehehe), vocês não imaginam a diferença de preço que os equipamentos têm em relação ao Brasil.

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Oscar: Estamos muito satisfeitos com o resultado, mas sabemos que para um próximo CD podemos melhorar muito, pois enquanto fui gravando, fui aprendendo a usar os programas de áudio. O Mr. Som entrou justamente como uma forma de aperfeiçoar e melhorar o som, e como uma escola para futuras gravações. Para o próximo disco teremos melhores equipamentos também, compramos muita coisa na Europa (tô me tornando executivo de fronteira) e vamos colocar em prática para a próxima gravação. Espero que saia tudo da forma que imaginamos!

Léo: Como o Oscar disse, o “Memories Of War” foi um aprendizado. Você pode observar isso não só no nosso processo de gravação, mas também na composição das músicas. Em algum momento ainda estávamos buscando nossa identidade musical, por isso algumas faixas podem soar bem diferentes, agora já sabemos o que faz o sangue da galera ferver e o próximo CD vai ser bem focado nisso!

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Whiplash!: Assim como a música, suas fotos promocionais também seguem uma linha bastante agressiva. Mas, apesar dos estereótipos típicos do Heavy Metal, o Red Front faz questão de que o público se divirta. Já temos a iguaria ‘gelatina Red Front’, entregue pelas sempre incríveis garotas durante os shows, bonecos e camisetas esculachando bandas emos... O que mais vêm por aí?

Oscar: Ahahahahahha, Realmente, gostamos dessa putaria toda. Fazemos isso, pois além de tocar, gostamos de nos divertir no palco e fora dele também, e queremos que o público se divirta com a gente. Quer coisa mais legal que ouvir um Metal, encher a cara, ver umas gostosas e ainda ‘malhar’ um emo de tabela? Depois do sucesso da ‘gelatina Red Front’, estamos querendo lançar a ‘Pizza Red Front’ com ‘orégano transgênico’! Ehehehehe, pena que o Brasil não é como a Holanda, ficamos mal acostumados.

Léo: Nossa maior intenção é fazer a galera curtir o show tanto quanto a gente, sempre estamos pensando qual vai ser a próxima palhaçada pra fazer a galera vir junto com a gente, afinal todos aqui seguem o estilo Metal Putão de ser uahauhaua

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Whiplash!: Pois é, vocês acabaram de voltar da ‘Third War Tour – European Assault’. Daria para traçar um panorama de como é a realidade do cenário europeu?

Oscar: Caracaaa, mano, é muitoooo diferente!!! Na Europa a coisa acontece de verdade!!! A galera comparece em peso (para se ter ideia, tocamos para casa cheia em plena segunda-feira, com menos 10° C e neve). A galera também consome muito os produtos da banda (camiseta, CD, bottom, etc). Outra coisa a se destacar é o valor que eles dão às bandas autorais. Quando a gente anunciava que ia tocar um cover de Slayer ou Pantera, a galera gritava que não queria ouvir covers, e sim as músicas do Red Front. Infelizmente no Brasil é o contrário, o público agita e prestigia muito mais com cover do que com as músicas próprias da banda...

Whiplash!: Dito isso, que adaptações seriam viáveis para se aplicar aqui no Brasil, no sentido de nossas bandas emergentes terem maior visibilidade?

Oscar: Acho que tudo começa com o público. Se o público comparece para assistir shows de bandas autorais, o dono do bar abre mais espaço e, consequentemente, os grupos terão mais visibilidade. Infelizmente, na prática, não funciona dessa forma e o que impera no Brasil ainda é a cultura da banda cover.

Léo: O que o Oscar disse é a verdade, tudo depende da galera, se o público apoia e vem junto com as bandas nacionais, a cena se fortalece em conjunto.

Whiplash!: E o que rolou com os produtores de Londres, para vocês não conseguirem tocar por lá?

Oscar: Tivemos um problema para entrar na Inglaterra, pois, mesmo com todos os documentos, os policiais da fronteira não quiseram deixar a gente entrar. Aí eles resolveram ligar para o promotor do show... O problema é que, mesmo com esse promotor sabendo que iríamos entrar na Inglaterra, e que ligaríamos caso tivéssemos algum problema, ele resolveu desligar o celular (e a ligação era somente para os policiais confirmarem se realmente tínhamos o show marcado, já que estávamos com todos os documentos necessários).

Oscar: Aí os policiais não conseguiram falar com ele e começaram a desconfiar que pudéssemos estar querendo entrar ilegalmente no país, ou algo do tipo. Começaram a revistar a gente e o carro, só que tínhamos vindo da Holanda, e na Holanda, meu amigo, a maconha é legalizada e muitoooooo boa, hehehe. Aí tivemos que fazer o nosso estoque de cigarrinho de artista para o resto da tour. Só que esquecemos de esconder a verdinha e na revista os policiais encontraram. Moral da história: ficamos presos por 10 horas, fomos interrogados, passamos um medo da porra de ser deportados e no final fomos liberados, mas com o passaporte impedido de entrar na Inglaterra por cinco anos.

Oscar: Esse promotor era brasileiro, e sim, acho que foi sacanagem, pois a meu ver ele não queria que a gente entrasse no país, pois os caras da banda HeadBanger entraram (eles tem livre acesso à Inglaterra, já que são europeus) e não puderam fazer o show, porque, quando chegaram no bar, descobriram que ele estava fechado e não tinha nenhum show marcado. Enfim, realmente, de boa fé que ele não podia estar. E no outro show, que era com um produtor inglês, tudo ocorreu bem e os caras do HeadBanger fizeram a apresentação sem maiores problemas.

Léo: Infelizmente esse foi um dos problemas da tour, o Red Front carrega a bandeira de banda mais azarada do mundo e na Europa essa praga não nos deixou, o jeito foi ficar em Calais dois dias mofando enquanto esperávamos os caras do HeadBanger voltar da Inglaterra e depois correr para Holanda pra repor o estoque de cigarrinho de artista!

Whiplash!: Seu diário de viagem está ótimo. Grandes histórias e boas amizades surgindo ao longo da tour. Qual o momento que o Red Front considera como o mais bacana nessa aventura toda?

Oscar: Tivemos ótimos momentos nessa viagem, mas os que mais se destacaram foram os shows lotados (lógico, hehehe), o nosso som estar tocando na rádio nacional da França, belgas viajando 200 km para assistir de novo o show do Red Front, tocar de cueca num frio de - 5°C, ser convidado quase todo dia pelas pessoas da plateia para tomar cerveja de graça depois dos shows (lá, quando eles gostam, fazem questão de te levar pra tomar umas brejas), ser convidado para tocar num grande festival europeu. Enfim, foi muito legal as amizades e os contatos que fizemos.

Léo: Eu gosto de falar que essa foi a grande viagem da minha vida, corremos mais de nove mil quilômetros pela Europa, tomamos no cu algumas vezes, mas no fim nos divertimos demais e tive a sorte de fazer tudo isso com meus quatro irmãos de banda.

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Whiplash!: Pô, ia te perguntar exatamente isso... Sei que suas apresentações são meio loucas, mas o que deu para tocarem só de cuecas lá na Polônia, com a temperatura abaixo de zero?

Oscar: Ehehehehe, essa foi foda mesmo, aconteceu em Warsaw, capital da Polônia! Estávamos conversando com os caras da banda HeadBanger e comentamos que no Brasil a gente tinha tocado de cueca uma vez, pois tínhamos feito uma aposta com uns amigos de outra banda. Aí eles falaram que a gente estava mentindo, que duvidavam e o caralho a quatro. Foi quando eles desafiaram a gente a tocar de cueca novamente... Aí, como nunca estamos sóbrios, aceitamos o desafio.

Léo: Fica a dica, não dê pano pra maluco, ainda mais quando esses malucos somos nós! uahuahauauhua

Oscar: Tocamos de cueca num frio lascado e por sorte não espantamos a galera, hahahaha. Muito pelo contrário, a galera ficou doida de ver a merda que a gente estava fazendo e não nos deixava sair do palco, ficavam pedindo mais músicas e tudo! Tem as fotos no nosso site se quiserem dar uma olhada (www.redfront.com.br), mas vale lembrar que o volume na cueca estava pequeno, pois estava frio, normalmente tem mais conteúdo, ahahahahha!

Nota do editor: os diários infames do Red Front podem ser lidos nos links abaixo:
http://metalmedia.com.br/newspress_br/?p=3262
http://metalmedia.com.br/newspress_br/?p=3141
http://metalmedia.com.br/newspress_br/?p=3440

Whiplash!: (Depois dessa, confesso que a vontade de encerrar a entrevista é grande, mas como fui eu quem perguntou, então vamos lá...). E os planos para 2011?

Oscar: Ahahahaha! Realmente não foi uma cena bonita de se ver! Os planos são continuar com a tour no Brasil (temos shows agendados em SP, nordeste, sul, centro-oeste, etc), realizar alguns shows nos países vizinhos (Paraguai, Argentina, etc), lançar um CD de tributo (essa vai ter a participação de outras bandas, quem tiver interesse pode entrar em contato com a gente), fechar parceria com empresas relacionadas à música (marcas de guitarras, amplificadores, cordas, etc) e aproveitando os frutos da Europa, fazer uma tour pelos EUA, que provavelmente vai rolar no fim do ano ou no começo de 2012. Além disso, vamos abrir para o Destruction no Carioca Club, em São Paulo, dia 23/04.

Léo: Ah agora vamos lutar pela legalização da maconha no Brasil! Acho que voltamos meio mal acostumados...

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Whiplash!: Certo, pessoal, vamos ficando por aqui... O espaço é do Red Front para as considerações finais, ok?

Oscar: Aaaah, que pena, estava gostando! Ehehehhe... Primeiramente eu gostaria de agradecer ao Whiplash! e ao Ben Ami pelo espaço e pela força que vocês dão, não somente ao Red Front, mas a todo o Metal nacional. Vocês estão de parabéns pelo trabalho! Queria convidar a todos os headbangers do Brasil a comparecer a um show nosso e fazer parte dessa grande zoeira que a gente faz, todos estão convidados a tomar a gelatina Red Front (feita de cachaça e vodka). É de graça, é só chegar e pedir pra gente ou às lindas meninas que ajudam a distribuir essa delícia. Estão convidados a ‘malhar’ o emo com a gente também e, para todos que comparecerem, a gente garante um CD-demo de presente. É a nossa forma de dizer obrigado por prestigiar o Red Front.

Léo: Bom, valeu Ben, valeu Whiplash!, por todo espaço e força que vocês vem dando ao Red Front, acho que o Oscar já falou tudo, se você tem curiosidade de nos conhecer é só aparecer em um show que com certeza a zona vai estar armada com a gente!! Se der, adicionem a gente no Orkut, FaceBook e em todas essas redes sociais que existem hoje em dia, assim poderemos manter contato com maior facilidade. Queria mandar um abraço pra minha mãe, minha irmã, meu tio, minha tia Adelaide lá de Taubaté, que eu não vejo há um tempão, um beijão pra Xuxa e pra Sacha!

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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