Cruscifire: "Nunca houve dúvidas quanto ao futuro da banda"

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Cruscifire: "Nunca houve dúvidas quanto ao futuro da banda"


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Há décadas que o Brasil possui tradição em termos de Heavy Metal extremo, e essa é uma característica que está longe de perder seu fôlego. O Cruscifire, oriundo de Atibaia (SP), construiu boa reputação com suas demos e, mesmo com a insistente instabilidade de sua formação, os irmãos Angelotti – Vitor (voz e baixo) e Caio (guitarra) – nunca deixaram de confiar no potencial da banda.

Assim, agora o pessoal está estreando com "Chaos Season", um honestíssimo trabalho de Death Metal que mostra como o Cruscifire cresceu em termos de composições. Atualmente, a banda é completada por Victor Nabuco (bateria) e Murillo Romagnolie (guitarra). O Whiplash! aproveitou o novo disco para conversar com Victor, um cara que revelou a paixão por sua música. Confiram aí:

Whiplash!: Olá pessoal! Ainda que o Cruscifire já tenha alguns anos de estrada e tocado bastante por aí, que tal um breve histórico, desde sua fundação, para o leitor conhecê-los melhor?

Victor: Primeiramente, gostaria de agradecer pela oportunidade e pelo interesse no Cruscifire! Bom, iniciamos a banda no início de 2004, em Atibaia, interior de São Paulo. No início, montamos a banda apenas para tocar covers de bandas como Slayer, Sepultura, Cannibal Corpse, Napalm Death, etc. Mas, depois de um tempo, começamos a compor nossas próprias músicas e lançamos nossa primeira demo em 2005, chamada “Sick World”. Após isso, continuamos fazendo vários shows e tocando com diversas bandas nacionais.

Victor: No final de 2007, lançamos um EP chamado “A New Bloody Day”, e em 2009 começamos a gravar o nosso primeiro CD. Terminando a gravação, procuramos por algum selo ou parceria para lançá-lo, mas como não houve interesse, liberamos “Chaos Season” em dezembro de 2010 de forma independente. Atualmente estamos trabalhando em sua divulgação e agendando shows com nossa nova formação.

Whiplash!: Vocês vêm conquistando seu espaço desde a demo “Sick World” (05), inclusive tendo a possibilidade de tocar fora do estado de São Paulo. Nada mal! Mas, apesar de toda a receptividade, sua história é marcada pela frequente troca de músicos. A que vocês atribuem este fato?

Victor: Na verdade, as constantes mudanças na formação nunca foram resultado de algum problema pessoal entre os integrantes, na maioria das vezes foram problemas de disponibilidade. Às vezes isso era causado pela distância de onde a pessoa morava, ou disponibilidade para ensaios, shows, etc. Sempre tentamos manter certo ritmo de ensaios e shows, então para alguns integrantes ficava, de certa maneira, difícil para acompanhar esse ritmo.

Victor: Alguns integrantes, no início da banda, também saíram por causa dos estudos, já que éramos muito novos na época, como foi o caso do baixista Victor Pulschen, que gravou a demo “Sick World”. Ele saiu, pois ia se mudar para São Paulo, para fazer faculdade, e hoje já está formado e é piloto. Houve outros casos também como o Junior, que tocava baixo conosco em 2006 e que não queria mais tocar metal. Hoje ele toca em outras bandas de estilos como jazz, MPB e várias outras coisas. O Ricardo, que tocou bateria com a gente durante mais tempo, saiu devido a problemas pessoais.

Whiplash!: Em função dessa instabilidade, podemos dizer que o ano de 2007 passou em branco para o Cruscifire... A ideia seria uma estreia em disco acontecendo neste ano, mas a situação chegou ao ponto dos irmãos Angelotti irem tocar com o Corporate Death. Como você analisa esse período, passado todo esse tempo?

Victor: Na época, estávamos sem baterista e, apesar de procurarmos bastante por alguém interessado, estava realmente difícil encontrar. Fizemos alguns shows com bateristas de outras bandas, mas não estava dando muito certo. Então eu e meu irmão decidimos dar um tempo, em termos de shows, até encontrar alguém realmente interessado, ao invés de ficar tocando com bateristas diferentes.

Victor: Nessa mesma época surgiu a oportunidade de tocarmos com o Corporate Death. Foi uma fase muito legal e acredito que ficamos quase um ano tocando na banda. Apesar de boa, foi uma época um pouco confusa para nós, pois estávamos passando por alguns problemas pessoais e já estava ficando difícil ter que viajar nos finais de semana para ensaiar com eles, já que os integrantes moram em outra cidade.

Victor: Nesse meio tempo, o nosso baterista Ricardo demonstrou interesse em voltar para o Cruscifire e então reativamos a banda. Mas, apesar de tudo, foi uma época muito boa para nós, pois aprendemos muitas coisas tocando com o Corporate Death e, hoje em dia, ainda somos muito amigos.

Whiplash!: Pois bem, foi somente em 2008 e 2009 que vocês passaram a se dedicar à composição e gravação de "Chaos Season". Como rolou todo esse processo? Ainda havia dúvidas quanto ao futuro do Cruscifire?

Victor: Começamos a compor material para o CD entre 2008 e 2009, como você disse. Foi um processo muito bom, pois ensaiávamos constantemente e todos sempre trazendo novas ideias para as músicas. Após compor o material, começamos a gravar, em meados de 2009, no nosso próprio local de ensaio. Foi uma fase que exigiu muita dedicação, pois tínhamos que dominar o equipamento de gravação sem ter muita experiência e tocar as músicas da melhor maneira possível. Aprendemos muitas coisas nessa época, e acredito que levaremos para sempre como banda.

Victor: Respondendo sua pergunta, para mim e meu irmão nunca houve dúvidas quanto ao futuro da banda. Apesar dos altos e baixos, sempre mantivemos o foco no Cruscifire e sabíamos que cedo ou tarde encontraríamos os integrantes certos e lançaríamos nosso CD. Tenho certeza que isso ainda é só o começo para nós.

Whiplash!: “Sick World” e “A New Bloody Day”, liberadas respectivamente em 2005 e 2007, foram os registros que antecederam sua estreia em disco. O quanto vocês sentem que evoluíram para a concretização de "Chaos Season"?

Victor:Ouvindo as nossas demos e comparando com o "Chaos Season", acredito que é fácil perceber alguma evolução na banda. Apesar de ter boas músicas nas demos, nós apenas tocávamos aquilo que conseguíamos na época, só tentando soar o mais rápido e brutal possível. No CD, nós já tivemos um foco maior, sabíamos exatamente o que queríamos e como iríamos soar antes mesmo de começar a compor as músicas, então foi algo mais planejado.

Victor: O nosso processo de criação não mudou tanto, mas acredito que com o tempo nos tornamos músicos um pouco melhores do que na época da demo. Então tudo o que gravamos hoje em dia acaba se tornando um reflexo dessa evolução. Mas tenho certeza que ainda não chegamos nem perto de onde queremos chegar, como músicos de Death Metal. Temos muito que evoluir ainda.

Whiplash!: Victor, seu gutural é excelente! Suas linhas vocais na abertura "A Letter For My Enemy" me pegaram de surpresa na primeira vez que ouvi. Quais são suas influências, afinal?

Victor: Muito obrigado pelo elogio, fico realmente agradecido! Na verdade, eu nunca tento copiar algum vocalista em específico, tento fazer meu vocal de uma forma natural e que me agrade, tentando variar entre o gutural normal, algo mais rasgado e alguns ‘pig squeals’. Acredito que assim conseguirei um dia criar uma identidade, pois acho que essa é a meta principal de qualquer vocalista.

Victor: Para citar algumas influências, sempre curti muito o vocal do George Fisher do Cannibal Corpse, do Glen Benton do Deicide, Frank Mullen do Suffocation e do David Vincent do Morbid Angel, que para mim são os melhores vocalistas de Death Metal de todos os tempos. Também curto vários vocalistas nacionais, como o Marcus D´Angelo do Claustrofobia, Vitor Rodrigues do Torture Squad e Alex Camargo do Krisiun, que são grandes influências para mim. Atualmente também tenho ouvido vocalistas de gore/grind. Acho que tem muitas coisas interessantes que eles fazem e que enriquecem bastante o gutural.

Whiplash!: Marcelo HVC fez um trabalho bastante tenso para a capa de "Chaos Season", totalmente Metal. Até onde vocês, como banda, influenciaram no resultado final desta ilustração?

Victor: Conhecemos o trabalho do Marcelo por intermédio de um grande amigo nosso, chamado Miguel, lá de Campinas (SP). Quando vimos suas ilustrações, sabíamos que seria a pessoa certa para fazer a capa do nosso CD. Ele nos apresentou alguns trabalhos que acreditava ter alguma relação com a nossa proposta e escolhemos a que mais nos chamou a atenção. Ele fez algumas mudanças, de acordo com nossas solicitações, até chegar ao resultado final.

Victor: Gosto muito dessa ilustração e acredito que, de certa forma, ela representa o nosso som e a nossa proposta. É algo brutal e caótico, cheio de detalhes. Enfim, ele é um excelente artista e acredito que trabalharemos com ele novamente.

Whiplash!: Atualmente, há um debate curioso na cena brasileira, que culminou com a tentativa de unir o público headbanger investindo em uma data comemorativa, chamada 'Dia do Heavy Metal Nacional', inclusive arrecadando assinaturas para oficializá-la em 13 de novembro (dia do lançamento do primeiro disco de Heavy Metal brasileiro, o LP homônimo “Stress”). Qual sua opinião sobre isso tudo?

Victor: Acompanhei esse movimento através de notícias na internet, inclusive pelo site Whiplash!. Sou completamente a favor dessa ideia, acho que favorece muito a cena nacional de diversas maneiras. Qualquer forma de reconhecimento do metal nacional é válido. Muitas pessoas batalham para fazer a cena crescer, e acredito que isso é algo que fortalece ainda mais o metal nacional. Mas, apesar de tudo, isso só trará resultados se houver a união. Independente do estilo de metal que a pessoa curte ou toca, estamos todos juntos. Só reclamar não vai levar ninguém a lugar nenhum.

Whiplash!: Há alguns anos tive a oportunidade de conversar com o pessoal do Claustrofobia e, em determinado momento, ele se referiu à vocês de forma bastante afetuosa, como sendo os 'moleques' do Cruscifire. Ele mostrava orgulho de uma nova geração se dedicando ao metal extremo... Alguns de vocês estavam recém saindo da adolescência, e como foi dividir os palcos com o Torture Squad ou Korzus, nomes já estabelecidos na cena underground?

Victor: Lembro quando dividimos pela primeira vez o palco com o Claustrofobia: foi no lançamento de nossa demo em 2005, e o Executer também tocou no mesmo dia. Para nós aquilo foi um sonho realizado, pois já éramos fãs do Claustrofobia e do Executer há bastante tempo, e adorávamos ir aos shows deles. Então dividir o palco com aquelas bandas, que tanto curtíamos, foi demais!

Victor: Lembro que, depois do show, eles vieram falar conosco e disseram que curtiram o nosso som e eles acabaram mostrando nossa demo para vários amigos. Isso nos trouxe muitos frutos. Somos eternamente gratos a eles e devemos muito do que conquistamos. Acabamos dividindo o palco com o Claustrofobia diversas outras vezes e as mais memoráveis foram em Goiânia, em 2006, onde o Subtera também tocou; e no Hangar 110, em São Paulo, junto com o Confronto. Foi muito foda. Em outro show também fui convidado para cantar uma música com eles, foi demais!

Victor: Com o Torture Squad não foi diferente, tocamos com eles várias vezes e inclusive fomos convidados para um ensaio. Vimos o ensaio deles antes de uma turnê europeia e foi demais. Guardaremos esse momento sempre conosco. É sempre muito gratificante dividir o palco com bandas que somos fãs, foram momentos muito especiais para nós.

Whiplash!: Pois bem, atualmente o Cruscifire conta com um novo baterista e também com um segundo guitarrista. Novo álbum, nova formação... Dito isso, qual o principal foco de vocês nesta fase?

Victor: Nosso foco principal agora é divulgar ao máximo "Chaos Season", que acabou de sair, e fazer o máximo de shows possível. Essa nova formação é a melhor que já tivemos, todos são 100% dedicados ao Cruscifire e as coisas rolam de uma maneira muito tranquila. Já estamos compondo novas músicas com essa formação e são as melhores músicas que já fizemos, estamos realmente empolgados!

Whiplash!: Ok, pessoal, o Whiplash! agradece pela entrevista e deseja boa sorte na divulgação de "Chaos Season". Um discão! O espaço é de vocês para os comentários finais...

Victor: Bom, queria agradecer novamente pelo espaço, sempre fomos leitores assíduos do Whiplash!, então ter uma entrevista nossa no site é realmente uma honra! Gostaria de lembrar a todos os que quiserem conhecer o nosso som, ou entrar em contato, que basta acessar os nossos links nas redes sociais como MySpace, Facebook, Orkut, Twitter ou mandar um e-mail pra gente: [email protected] Quem quiser adquirir o "Chaos Season", também é só entrar em contato! Muito obrigado Ben e Whiplash!

Contato: www.myspace.com/cruscifire

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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