Em 1990 a banda de Heavy Metal de Arlington chegou ao sucesso com sua estreia em um grande selo fonográfico, COWBOYS FROM HELL, que colocou em evidência a guitarra pirotécnica de “Diamond” (depois “Dimebag”) Darrell Abbott e os vocais arrebatadores de Phil Anselmo. Pouco mais de uma década depois, a banda teve um rompimento particularmente feio, largamente devido a tensões em torno do vício em heroína de Anselmo. Muito pior estava por vir: em 2004, enquanto Darrell e seu irmão, Vinnie Paul, baterista do PANTERA, estavam se apresentando com sua nova banda, o DAMAGEPLAN, um fã enlouquecido assaltou o palco e atirou e matou Darrell.
À ocasião do vigésimo aniversário de Cowboys, a gravadora Rhino lançou uma edição expandida do disco com dois ou três CDs, assim como uma caixa de 85 dólares no formato do estado do Texas e uma edição superlativa de 100 dólares. Vinnie Paul, de 46 anos, divide seu tempo entre Arlington e Las Vegas, onde ele ficou “muito amigo de [o comediante] Carrot Top e [o mágico e comediante] Amazing Johnathan e toda a nata do entretenimento de lá”:
Antes de ‘Cowboys From Hell’, vocês eram uma típica banda glam de metal dos anos oitenta – vocês tinham o cabelo arrepiado, as calças justas, a maquilagem – e daí nesse disco seu som ficou mais pesado e seu visual mais sombrio. Qual mudança veio antes? O visual ou o som?
Vinnie: "Foi uma combinação. O MEGADETH ligou pra Dimebag e basicamente ofereceu o mundo pra ir tocar guitarra pra eles, mas ele os recusou. E daí a gente pensou, 'Wow, a gente tem que fazer algo aqui pra tornar essa banda algo especial'. Nossos lançamentos independentes estavam meio que imitando as bandas que escutávamos na época, então basicamente dissemos, 'Vamos nos livrar dessas roupas mágicas – elas não tocam música por nós. Vamos tirar isso tudo'. Nós estávamos prontos pra fazer algo novo – manter as raízes caipiras que tínhamos do Texas mas levá-las a um novo nível".
O que você quer dizer por suas “raízes caipiras”?
Vinnie: "Meu pai era um músico de Country, então tínhamos David Allan Coe e muito mais música country rolando pela casa o tempo todo. Se você pegar o riff dessa canção, 'Cowboys From Hell' e analisa-lo, é quase um riff caipira: dekka dekka dekka dekka dekka dekka dekka dek. A gente só pegou esse espírito e colocou essa máquina de heavy metal por trás dele".
Você e Darrell chegaram a ter uma banda com Coe por algum tempo, o Rebel Meets Rebel. Como foi que isso rolou?
Vinnie: "Coe estava tocando no [famoso bar e restaurante mexicano] Billy Bob’s uma noite, e Dome viu o show e realmente amou o cara. Ele ficou na fila depois do show pra pegar um autógrafo e apertou a mão de Coe e disse, 'Hey. Cara eu toco nessa banda chamada Pantera. Eu realmente adoro o que você faz'. E Dime deu a ele nosso DVD, e mais tarde naquela noite, quando Coe estava viajando pra próxima cidade, ele apareceu. Ele não tinha ideia de quem era Pantera, e ficou chapado. Ele ligou pra Dime no dia seguinte e disse, 'Porra, eu coloquei esse DVD, cara, e eu me senti como assistisse aos Beatles. Temos que nos encontrar e escrever algumas canções'!”
Eu sei que quando o Pantera se separou havia muita mágoa entre você e Phil Anselmo. Vocês tiveram que lidar um com o outro de algum modo pra lançar essa reedição?
Vinnie: "Nah, nah. Eu fiz tudo que eu podia pra me certificar de que seria tão bom quanto pudesse ser, e ele contribuiu com a parte dele, e eu acho que fizemos justiça aos fãs por serem parte disso".
Em seus agradecimentos no encarte, Anselmo fala muito sobre como vocês são ótimos, como se ele estivesse querendo deixar o passado pra trás. Mas eu seus agradecimentos você dá uma alfinetada de leve nele, escrevendo, “Phil era muito diferente na época – muito honesto e aberto em suas letras.” Eu devo concluir que vocês não vão fumar o cachimbo da paz?
Vinnie: "Essa é uma excelente conclusão. Eu vou deixar assim".
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Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.
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