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Vince Neil: "Queria ter a voz do Dio ou do Coverdale!"

Traduzido por Nacho Belgrande | Em 06/10/10 | Fonte: Site da Revista Time
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A conceituada revista norte-americana TIME entrevistou, para sua edição online de 4 de outubro de 2010, o vocalista do MÖTLEY CRÜE, Vince Neil, sobre sua recém-lançada autobiografia (sem previsão de lançamento em português). O que segue é uma tradução do texto publicado online.

De todas as bandas de hard rock dos anos 80, talvez nenhuma tenha resumido o excesso daquela década como o Mötley Crüe. O vocalista Vince Neil, o baterista Tommy Lee e o baixista Nikki Sixx e o guitarrista Mick Mars vestiam lycra com estampa de oncinha, foram promíscuos e tomaram tanta droga que Sixx uma vez foi declarado legalmente morto devido a uma overdose. Eles também faziam música. Nove anos depois da autobiografia coletiva do grupo, The Dirt, Neil veio com Tattos & Tequila: To Hell and Back with One of Rock's Most Notorious Frontmen, um apanhado de memórias que detalha o que ele diz com seu lado da história. O livro lida abertamente com as falhas de Neil, incluindo suas falhas como marido e seu papel num acidente de carro em 1984 que matou seu amigo Razzle Dingley. Neil falou com a TIME sobre a banda, os anos 80 e garotas, garotas, garotas.

TIME: O que diferencia o MÖTLEY CRÜE das outras bandas daquela era?

Vince: Naquela época, qualquer dinheiro que fazíamos – que não era muito - nós investíamos de volta na banda, com produção de palco. Como colocar fogo no Nikki - nenhuma outra banda fazia esse tipo de coisa. Nós sempre fomos do lema “entrada de $10, dê a eles um show que valha $100.”

TIME: Você e Axl Rose e David Lee Roth todos tem esse timbre agudo e alto. O que influenciou isso?

Vince: É apenas o jeito que minha voz sai. Nada que eu possa fazer quanto a isso. Eu queria ter uma voz como a do Dio ou do David Coverdale, mas eu não tenho.

TIME: Então por que você acha que as pessoas não cantam mais daquele jeito?

Vince: As bandas mudam. A geração diferente de bandas nos anos 90, eles estavam escrevendo músicas em notas diferentes. Isso muda a maneira que você as canta.

TIME: Como você se sente em relação ao grunge? Há muitas pessoas fãs de ‘hair metal’ que não curtem o grunge de modo algum.

Vince: Bem, era algo novo quando apareceu. Eu particularmente não gosto do estilo. Eu sou um cara de espaços grandes. Eu acho que como cantor você tem que correr pra todo lado e tentar animar a plateia. O estilo deles é ficar lá e tocar – sem show, de fato. E isso me deprimia.

TIME: Há uma frase que abre o livro: se você lembra dos anos 80, você não estava lá. Como eram os anos 80, nas partes que você lembra?

Vince: Bem, é a mesma coisa que diziam dos anos 60. O engraçado é que sempre foram as pessoas que estavam no começo da casa dos 20 anos nos anos 60 que diziam isso, e as pessoas no começo da casa dos 20 anos nos anos 70 diziam a mesma coisa. Eu estava no começo dos meus 20 anos nos anos 80. Eu acho que se você está com vinte e poucos anos, você não vai lembrar de nada.

TIME: Exatamente. Mas pros anos 60, nós geralmente decidimos sobre o que foi aquela década: direitos civis, Vietnam, hippies. Os anos 80 ainda não estão definidos.

Vince: Era uma cena. Eu nasci e fui criado em Los Angeles e de repente toda a cena musical explodiu em Hollywood. E fomos privilegiados o suficiente para sermos uma das bandas jovens que estavam em ascensão naquele tempo. Era uma cena legal. As ruas estavam cheias de caras que estavam em bandas ou queriam estar em bandas, e com mulheres que queriam encontrar um cara que parecesse estar numa banda. Então era divertido pra todo mundo.

TIME: Você diz no livro que seu lance favorito sobre ser um astro do rock é que você pegou um monte de garotas. É uma avaliação justa?

Vince: É a única razão pela qual homens entram na música – porque você pega mulheres e pela cerveja de graça. Não era sobre ser famoso ou algo do tipo. Você quer se dar bem e você quer se embebedar.

TIME: Há um velho provérbio que diz: seja lá o que você faria se tivesse um milhão de dólares é o que você deveria fazer com sua vida. O que você faria da sua vida se você tivesse toda a cerveja e a mulherada que você teve como rock star?

Vince: No momento, eu ainda amo estar numa banda e eu ainda curto cantar. Mas naquela época? Se você tivesse me perguntado isso quando eu estava no ensino médio, eu teria dito, “Eu vou apenas me deitar na praia – me dê as mulheres e a cachaça.”

TIME: No livro, você menciona que iria querer abrir uma loja de jet skis.

Vince: Alguém me perguntou o que eu estaria fazendo se não fosse astro do rock. Eu disse que eu seria o cara que aluga os jet skis pra você. Quando estou na praia num resort e tem aqueles caras fazendo isso, eu fico pensando, “que emprego legal.” A única coisa no mundo com a qual você tem que se preocupar é se aqueles jet skis estão funcionando ou não. Ter uma vida com esse tipo de problema? Isso seria muito legal.

TIME: Você é bem distante do resto do Mötley Crüe, mas você ainda é o frontman da banda e você ainda excursiona com eles o tempo todo. Como é que isso funciona?

Vince: Ainda somos uma família. Nós ainda, basicamente, amamos uns aos outros. Foi uma decisão de negócios de minha parte. Quando eu estava – dependendo da maneira que você olhar pra coisa – despedido ou pedi demissão da banda [em 1992], eu era uma parte do Mötley Crüe S/A e eu escolhi não voltar praquilo [em 1997]. Eu olhei pra mim mesmo como um agente livre num time de futebol. Eu não tinha que me preocupar com decisões corporativas. Tudo que eu tinha a fazer era aparecer e cantar.

TIME: Em 2005, você participou dum reality show no VH1 sobre passar por cirurgia plástica. Não muitas pessoas da sua geração foram tão abertas quanto a isso. Por que você foi?

Vince: Eu estava num ponto da minha vida onde eu não estava fazendo nada. Eu lembro de receber uma ligação, eu estava sentado numa piscina no [hotel], bebendo – o que eu tinha estado fazendo pelos últimos meses anteriores – ganhando peso e não fazendo nada produtivo. E a ligação [pra fazer o show] veio e eu pensei, “Talvez esse seja o fogo no rabo que eu estava precisando.” E funcionou. Não foi nada pra se envergonhar

TIME: Seu livro tem um final feliz. Se você não está indo de encontro ao pôr do sol, é pelo menos mais estável e mais maduro. Mas desde que você o escreveu você se divorciou e teve problemas com a lei. [Neil foi preso por dirigir alcoolizado em junho]. Você acha que isso contradiz a mensagem no final?

Vince: Não, porque você está ouvindo apenas um lado da história em coisas que aconteceram na minha vida recentemente. Até que você corra atrás de todos os fatos e tal, você não pode ir por eles. As coisas tem sido ótimas na minha vida – exceto por eu estar me divorciando. Isso é o principal.

TIME: Eu acho que você não pode reescrever o fim do livro, mas há algo que você diria de maneira diferente agora?

Vince: Quando você faz parte de um casal e vocês ficaram juntos por 10 anos, as coisas acontecem. Eu não vou dizer, “Oh, eu tenho um livro saindo, então não podemos nos separar.” Ou “Segurem o livro! Vamos reescrever umas coisas aqui.” Você não pode fazer isso. É a vida.

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.

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