Dave Mustaine: "Nós ainda somos relevantes"

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Dave Mustaine: "Nós ainda somos relevantes"


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Dezenove anos após saírem em turnê juntos pelo "Clash of the Titans", os reis do thrash metal Slayer, Megadeth e Anthrax estão reunidos e de volta a estrada, desta vez no "Jagermeister Music Tour". Mas não se engane: nos olhos de ambas as bandas, é a "Clash of the Titans: Revisited".

Antes da noite de abertura da turnê em Dallas (EUA), Kerry King do Slayer, Dave Mustaine do Megadeth e Scott Ian do Anthrax falaram com o SPIN.com sobre o que mudou nas últimas duas décadas, uma vindoura turnê Norte-Americana com o Metallica, e o som "atemporal" das bandas.

"Eu bati cabeça o dia todo ontem só para me preparar," disse King sobre sua preparação pré-tour.

Dezenove anos é bastante tempo. Vocês ainda conseguem farrear no backstage como antes?

Kerry King: Eu bebia bastante na época e provavelmente bebo mais agora. Você só melhora com o tempo.

Scott Ian: Bem, eu não bebia naquela época - dificilmente. E agora eu meio que bebo. Então eu bebo mais hoje do que há dezenove anos atrás.

Dave Mustaine: Eu raramente bebo. A diversão, para mim, é apenas tocar com estes caras. Nós todos crescemos desde a primeira vez que fizemos a Clash tour. Quando fizemos o Big Four na Europa com o Metallica, foi legal ver coisas como, "Veja a tudo o que nós sobrevivemos. Vela o que nós criamos. Veja como nós mudamos o mundo." E começou a ficar realmente claro como nós quatro mudamos de fato a história - não apenas tocando, mas também com todo o estilo de vida que veio junto.

Como é voltar a excursionar juntos nos EUA?

Kerry King: Na Europa foi legal. Mas é um monstro totalmente diferente porque é apenas nós três. Nós já fizemos esta turnê antes, então é como uma sequência 20 anos depois. Isto é legal porque alguns fãs que estarão aqui não eram nem nascidos naquela época.

Vocês estão ficando nostálgicos?

Dave Mustaine: Não. Esta música está muito popular neste momento, e nós somos os melhores no que fazemos. Há um grupo muito pequeno nosso que toca desta forma, então quando estamos juntos, é basicamente o melhor do estilo. E para a gente dizer que isto é nostálgico fica meio bobo, é como se fôssemos o Styx ou REO Speedwagon. Nós ainda somos relevantes. Ainda temos pessoas jovens que são atraídas para a nossa música. Não é como se tivéssemos velhos bastardos vindo aqui!

Scott Ian: Nossa música de 25 anos de idade é melhor do que qualquer outra coisa. E nós a tocamos melhor do que já tocamos antes. Ela ainda abre portas e ainda derruba portas, e, além de algumas bandas nos últimos 25 anos que também conquistaram um grande sucesso e lançaram grandes discos, quem é melhor que a gente? Não estou tentando ser um cuzão quando digo isso. É no que eu realmente acredito. E há gerações de garotos que nunca tiveram a chance de ver isto - não na primeira vez. Nós estamos tocando músicas que são atemporais.

Dave Mustaine: Com os mesmos solos nelas!

Scott Ian: Sim, elas são simplesmente atemporais.

Por que saírem em turnê agora? Os rumores da rixa entre Dave e Kerry na primeira "Clash of the Titans" foram um problema?

Dave Mustaine: Nós tocamos juntos várias vezes nos últimos anos. Apenas esta é a primeira vez em que nós três tivemos calendários compatíveis para que tomássemos o mesmo caminho. E isto é legal para nós, mas não é como se tivesse algum tipo de problema nos impedindo de fazer isto. Mesmo que eu tenha dito algumas coisas ruins - e, claro, isto foi lamentável e eu corrigi as coisas [Mustaine e Kerry se desentenderam publicamente nos anos 90] - mas aquilo ainda não nos impedia de tocarmos juntos. Nós ainda reconhecíamos que seria um bom negócio para nós tocarmos juntos. Então, eu amadurecendo bastante, tornou muito mais fácil nos reunirmos e tocarmos. Mas aquilo foi naquela época e isto é agora. Estamos muito mais sábios, estamos definitivamente mais bem sucedidos, e, quando você chega a um certo nível como este, você consegue realmente sair da sua posição e olhar a sua volta e ver que você realmente ajudou as pessoas. E este é um sentimento muito bom. Sabe, um cara na Europa veio até nós e ele tinha uma tatuagem do Kerry. Suas costas inteiras eram uma enorme obra-prima em tinta vermelha, amarela e laranja - o que não fica legal na pele - e isto foi inacreditável.

Isto faz jus a você, Kerry?

Kerry King: Bem, sabe, ele disse que não estava pronta ainda. Mas ficou bom. E ele estava orgulhoso disto. E era uma porra de uma arte gigante nas costas.

Dave Mustaine: Era enorme.

[Kerry pega seu iPhone e mostra uma foto das costas do rapaz]

Kerry King: Esta é uma tatuagem grande pra cacete!

Dave Mustaine: É, isso mesmo!

Você acha que estando uns com os outros melhora a sua performance? Vocês tem que tocar em um nível maior?

Dave Mustaine: Isto me faz querer tocar melhor porque eu estou com duas bandas que eu gosto muito e que são bandas muito boas. Eu fico empolgado.

Scott Ian: Esta é a melhor forma que eu consigo descrever isto também.

Dave Mustaine: Eu poderia falar sobre isto por dez minutos tentando mostrar meu ponto, mas eu fico realmente empolgado com isto.

Scott Ian: Sim, isto definitivamente me faz querer melhorar minha performance. É ainda mais empolgante saber que eu vou estar no palco hoje a noite em Dallas com Anthrax, Megadeth e Slayer do que foi no nosso show de aquecimento na noite passada em Oklahoma City com um monte de bandas locais. Nós fizemos um ótimo show, mas há um nível de empolgação que começa hoje que, claro, eu não tive na noite passada. Estou definitivamente mais animado.

Então quem faz o melhor show?

Dave Mustaine: O melhor show que eu já vi é o do Slayer. A energia deles é além do limite. Nós tentamos tocar nosso melhor. Mas, no que diz respeito a energia e coisas do tipo, eu nunca vi ninguém fazer o que Kerry e o Slayer conseguem fazer.

Kerry King: Somos animais totalmente diferentes. Eu chamo o Megadeth de nerd metal - não no sentido pejorativo, mas eles são geeks da guitarra. Eles chutam os geeks de guitarra. Eles são muito bons no que fazem. Então você tem os geeks de guitarra que olham para nós e dizem, "Yeah, isto é pesado." Mas e as nuances dos solos e tudo mais? Para com isso, esta é a especialidade do Megadeth. Nós somos apenas nervosos e jogando e cuspindo agressão. Todas as quatro bandas (incluindo o Metallica) começaram em um lugar e se transformaram em um monstro de quatro-cabeças. Há quatro coisas completamente diferentes acontecendo.

Dave Mustaine: Mesmo corpo; quatro diferentes cabeças. É uma ótima forma de definir isto.

Qual é o melhor guitarrista nesta turnê?

Kerry King: Deve ser Dave ou Broderick.

Scott Ian: Sim, eu diria que é Dave ou o Rob da nossa banda. De um ponto de vista puramente técnico, eles são insanos. É como se eles estivessem usando uma linguagem totalmente diferente que eu nunca conseguiria ao menos aprender.

Dave Mustaine: Todo mundo é muito talentoso. A mão direita de Kerry é tão rápida e articulada. E Scott tem todas estas melodias. Todo mundo tem a sua peculiaridade. Chris Broderick é um guitarrista melhor do que eu porque ele é estudado - eu não sei os nomes das escalas ou qualquer uma dessas merdas. Eu sou autodidata, e de certa forma é isto que nos torna tão ferozes. Eu me lembro quando Kerry e eu tocamos juntos - Kerry esteve no Megadeth por um tempo enquanto não conseguíamos um segundo guitarrista - e apenas nós dois tocando juntos, foi demais. Nós éramos de mundos diferentes, mas estávamos convergindo neste novo estilo. E eu sabia que algo iria acontecer. Quando Kerry veio e nos ajudou - estes shows são lendários. Assista no YouTube. A gravação é uma merda. Mas os shows foram lendários.

Scott Ian: Você tem todos estes caras com mãos direita incríveis nesta turnê. A capacidade rítmica de todo mundo é insuperável.

Vocês se lembram quando se encontraram pela primeira vez?

Scott Ian: Dave e eu nos conhecemos em New York. Um dia ele veio até New York com o Metallica. Eles basicamente estavam vindo para viver neste barraco que também era sala de ensaios, e nós tínhamos um quarto ali e nosso manager disse algo como, "Ei, vocês podem tomar conta destes caras? Se eles precisarem de qualquer coisa, ajudem eles." Nos conhecemos ali. Eu acho que conheci Kerry em um show do Mercyful Fate no Le Moors em, mais ou menos, 1985.

Kerry King: Pode ser!

Scott Ian: Eu não me lembro.

Kerry King: Eu não me lembro quando conheci Scott. Mas, Dave, Deve ter sido quando eu fui para a audição. Ou isto ou na fábrica da B.C. Rich.

Dave Mustaine: Havia um punhado de caras ali na B.C. Rich - aquele lugar, naquela época, era um centro de festas. Eu me lembro de ter ido lá e Tony Iommi e Rick Derringer estavam lá e todos estavam farreando [faz movimento de cheirar], e eu pensei, "Woah." E para eu dizer isso naquela época? Isto é maluco. Mas eu me lembro da primeira vez que eu fui a casa do Kerry. Ele estava construindo um cinto. Kerry sentado no chão em sua casa no subúrbio, perfeitamente normal, e ele estava martelando pregos em uma peça de couro, colocando um Pentagrama ali. Eu pensei, "Que diabos está acontecendo aqui?" Isto foi maluco.

Qual o status de uma turnê Norte-Americana do Big Four?

Scott Ian: Nós todos queremos fazer isto. Com certeza. A América merece isto.

Dave Mustaine: Bem, nós tivemos o Big Three-Quarters agora.

Scott Ian: A América merece isto. Nós tocamos sete shows na Europa e você teve quatro bandas Americanas. Nós temos que tocar nos EUA.

Kerry King: O engraçado é quando você tem sua esposa e seus amigos - e eles têm que ver seu show na porra de um cinema? [os três riem].

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Sobre João Vitor Hatum de Mendonça

Nascido no interior de São Paulo em 1988, hoje graduado no curso de Bacharelado em Ciência da Computação, fanático por Rock e Heavy Metal desde pirralho, sendo, hoje, um dos responsáveis pelo site Rust In Page e criador do blog Inside Loud. A paixão pelo Rock surgiu lá pelos 10 anos de idade com um álbum do Aerosmith e, desde então, teve (e ainda tem) entre seus músicos e bandas favoritas nomes como Iron Maiden, Judas Priest, Megadeth, Rush e Van Halen. Mas, independente de rótulos e conceitos pré-definidos, seu gosto musical viaja desde o som mais pesado de um Carcass, até os experimentalismos de um Mr. Bungle e o som mais moderno de um Stone Sour, apenas ouvindo o que lhe agrada e soa bem aos ouvidos. Hoje, além de trabalhar na área de Computação e ser um 'músico' casual, despende parte de seu tempo no blog Inside Loud, em homenagem a uma de suas maiores paixões: a boa e velha música.

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