Children Of The Beast: sem intenção de ter carreira própria

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Children Of The Beast: sem intenção de ter carreira própria


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Children of the Beast, a banda brasileira cover do Iron Maiden reconhecida pelo próprio grupo inglês, se apresentou no Sun Rock Festival, em João Pessoa/PB, nos dias 11 e 12 de setembro. Conversamos com alguns integrantes a respeito da carreira e do grande reconhecimento por parte do público.

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Como surgiu a ideia de criar uma banda cover do Iron Maiden?

Piotr: A ideia surgiu da vontade de ver as músicas que eu tanto gostava ao vivo. Como na época o Iron Maiden raramente vinha ao Brasil, eu comecei a querer tocar as músicas e encontrei outros caras tão fãs quanto eu dispostos a fazer o mesmo.

Sérgio: Foi bem natural. O primeiro clipe que vi do Maiden foi “Aces High” e fiquei hipnotizado. Pensei: “Um dia quero ser como esse cara”... Aí começava a cantar e a imitá-lo em casa. Depois vieram as bandas de escolas com amigos e estamos aqui até hoje.

A ideia inicial era atingir o reconhecimento que a banda tem hoje?

Piotr: De jeito nenhum! A ideia inicial era tentar tocar as músicas o mais fielmente possível, e, se desse para fazer uns shows, ótimo. O “sonho” era poder entrar em uma van com a banda e equipamentos e fazer um show fora de São Paulo. Pelo jeito, conseguimos muito mais do que isso.

Sergio: Bom, primeiramente é com muito orgulho e satisfação que recebemos a informação de sermos o Cover Oficial do Iron na América Latina segundo a própria Donzela. É um trabalho que reproduzimos há muito tempo (17 anos). Acho que a estrada é onde aprendemos e melhoramos. Já tocamos em várias cidades, com muitas personalidades da cena nacional e internacional inclusive em jams sessions com Andre Matos, Shaman, Hangar, Angra, Kiko Loureiro, Hugo Mariutti,, Aquiles Priester, Paul Di’Anno, Roy Z, entre outras feras. Nunca pensamos que iríamos chegar tão longe, pois encarávamos como um hobby, uma curtição apenas, mas hoje em dia somos muito procurados e pensamos agora como uma banda, um trabalho de verdade e levamos nosso tributo reproduzido com total fidelidade a todos os fãs do Maiden.

Com tantas mudanças no line up, o grupo pensou em parar em algum momento?

Piotr: Isso nunca. A paixão pelo Iron Maiden é maior do que qualquer integrante que entre ou saia da banda. A banda já tem uma identidade própria, independente de quem toque nela. Claro que com o passar dos anos, o reconhecimento e tal, os músicos que entravam eram cada vez melhores, e hoje estamos com a nossa melhor formação, com certeza.

Sergio: Nunca, pois os fundadores da banda estão até hoje, os verdadeiros pilares do grupo continuam. Piotr que a criou em 1993, e depois com a minha chegada em 99, e logo após o batera Eric Claros. A banda passou por muitas formações e agradecemos todas as pessoas que passaram pela família Children. Foram “anos dourados” para nós. São 17 anos tocando Maiden.

Como foi feito o primeiro contato com o Iron Maiden?

Piotr: Bom, todas as vezes que eles vinham ao Brasil eu ia nos hotéis e ficava à espera de algum integrante que aparecesse para tentar trocar uma idéia. Também em viagens ao exterior sempre os caras me viam por ali enchendo o saco (risos). Mas em 1996 acho, eu e um outro integrante original da Children ficamos hospedados no mesmo hotel que a banda, e conhecemos todos lá dentro, inclusive o empresário Rod Smallwood, que simpatizou com a gente e nos colocou para cantar a música “Heaven Can Wait” ao lado do mestre Steve Harris, e depois de volta ao hotel, fomos reconhecidos e ficamos no bar com a banda tomando umas e dando boas risadas. A partir daí, nos encontramos todas as vezes que eles se apresentam por aqui e em turnês fora do país também.

Como ocorreu a situação em que o Nicko McBrian usou a bateria da Children of the Beast?

Piotr: Isso foi em um workshop que ele fez na Cultura Inglesa, onde ele usou essa bateria que temos hoje, só que uma versão reduzida dela, para mostrar algumas técnicas a alguns poucos e felizardos fãs (eu estava lá, claro), e após alguns anos, nosso baterista Eric Claros acabou adquirindo essa bateria, agora numa versão completa, e é a que usamos hoje nos shows.

Recentemente, a banda divulgou um comunicado sobre a confusão que o apresentador Fausto Silva causou. O que aconteceu e quais foram as consequências?

Piotr: Ah, não foi nada demais. Ele errou a pronúncia do nome da banda. Ao invés de falar Children of the Beast, ele falou Children of the Best, só que repetiu isso várias vezes, então recebemos muitas mensagens criticando ele, mas até que foi bom, para firmar bem em todos o nome da banda. Foi um assunto muito falado na época por todos os fãs de Iron Maiden.

Sergio: Na verdade ele trocou o nome BEAST por best, só isso. As consequências foram um tanto quanto engraçadas e conturbadas de certa maneira, pois teve gente que se aproveitou disso. Mas isso é outra história.

Em 2011 o Iron Maiden deve voltar ao Brasil uma vez que o próprio vocalista, Bruce Dickinson, declarou no show do Rio de Janeiro que tinha essa intenção. Existe a possibilidade de vocês abrirem os shows da turnê no país?

Piotr: Não, nenhuma. Primeiro porque somos uma banda cover, sem intenção de ter uma carreira própria, com músicas autorais e tal. E depois porque os próprios integrantes não gostariam de ter alguém tocando as musicas deles antes deles entrarem no palco. Mas eles podem ir assistir a gente tocar em algum bar em um dia de folga ou após o show, como aconteceu da última vez que estiveram aqui, onde toda a equipe de produção do show e a filha de Steve Harris, Lauren Harris, que estava abrindo os shows, assistiram uma apresentação nossa no Manifesto Bar, em São Paulo.

Além de “The Number of the Beast”, que música a banda não pode deixar de tocar nos shows?

Sergio: “Hallowed Be Thy Name” e “Run to the Hills”.

Piotr: Ah, “Fear of the Dark” é sempre pedida, “The Trooper” não pode faltar, “Wrathchild”, “Iron Maiden”, “Run to the Hills, são tantas.

Qual é o melhor álbum do Iron Maiden na opinião de cada um?

Piotr: Gosto muito dos dois primeiros, com o Paul Di’Anno, onde a banda era bem crua e natural, e, depois, com Bruce, meu preferido é o Powerslave e o Live After Death.

Sergio: Como vocalista, acho que o máximo de técnicas do Bruce está no Piece of Mind, mas gosto de todos os álbuns e se você reparar existe uma diferença vocal em todos os discos, e a principal mudança, explorando um estilo diferente, já acontece em "No Prayer for the Dying".

Agradecemos pela entrevista e deixem uma mensagem para os fãs. Esse espaço é de vocês.

Piotr: Obrigado a todos por esses anos todos de apoio, de shows lotados, de mensagens de carinho, e de contato com os fãs/amigos que fizemos na estrada tocando aquilo que mais gostamos e é ainda melhor compartilhar essa emoção com vocês. Continuem indo nos shows, nos prestigiando, pedindo músicas, porque estaremos sempre em viagem para tocar em todas as cidades que tiverem fãs do Iron Maiden querendo nos ver.

Sergio: Digo que brincamos de “bancar” nossos ídolos. É um trabalho de interpretação que fazemos com muito tesão e dedicação e que só persiste por causa do público que é parte fundamental disso. Valeu galera! Nos vemos na estrada!
UP THE CHILDRENS! UP THE IRONS!

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Sobre Monica Fontes

Mônica Fontes - Carioca, nascida em 1968, vive no Rio de Janeiro e é tradutora de inglês e espanhol. Apaixonada por música, leitura e cinema, começou a ouvir rock aos 13 anos, já tendo presenciado grandes shows e eventos desse gênero. Além do rock, também se interessa por outros estilos, como o Pop e MPB. Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath, Pink Floyd, U2 e Guns N'Roses são algumas de suas bandas preferidas, sem deixar de prestigiar as excelentes bandas e artistas nacionais. Acessa o Whiplash há alguns anos e começou a colaborar por gostar de traduzir os diversos assuntos relacionados no site.

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