Calvary Death: Death Metal arrasador e com honestidade

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Calvary Death: Death Metal arrasador e com honestidade

Postado por Écio Souza Diniz | Fonte: Pólvora Zine

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O Death Metal mineiro tem características que mostram que banda que está tocando é brasileira: rápido, agressivo, blasfemo e autêntico são os melhores termos que o definem. Em meio às bandas do gênero que colocaram o nome de nosso país na lista de berço do Metal extremo, está a Sul-mineira CALVARY DEATH, que prima por um som de ótima qualidade e originalidade, sendo que fora uma das pioneiras do estilo por aqui. Hoje, eles estão de volta aos palcos com seu novo álbum, “Serpent”, realizando shows furiosos e para nos falar melhor sobre este novo momento vivido pela banda, o baixista/vocalista Rudy de Souza veio ao Pólvora Zine, se mostrando um cara humilde e de postura consciente no Underground.

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Pólvora Zine: Fala Rudy, como vai? O CALVARY DEATH, que no início se chamava TÚMULO DE FERRO, começou em uma época em que a cena extrema, assim como o movimento do Metal no Brasil, estava se formando e juntamente com SARCÓFAGO, VULCANO, entre outros, firmaram este cenário nacional. Como foi este princípio de tudo, os shows, o fato de ser uma banda pioneira? Quem teve inicialmente a idéia de montar a banda e qual o motivo levou a adotar um nome em português?

Ruddy de Souza: Quando vinha de minha cidade natal.., passei a morar em Itaúna-MG, próximo a BH e juntamente com Roberto Vinicíos e César, concluímos o TÚMULO DE FERRO. Logo gravamos uma demo, pois já tínhamos bagagens das bandas anteriores e tudo era novo, contatos do que rolava no momento como VULCANO, SEPULTURA, SARCÓFAGO, DORSAL . O nome em português foi uma ideia que agradou a todos quando vi em um muro de funerária escrito Túmulo... dai TÚMULO DE FERRO.

P.Z: Vocês foram também a primeira banda do estilo a alcançar projeção nacional, e com isso foram abrindo os caminhos para a banda. Fale-nos como ocorreu está conquista de espaço no Underground.

Ruddy: Confesso que no inicio eu era mais louco na forma de trabalhar com a banda, e sempre que podia eu ia a BH e mostrava algo ao João que é empresário e dono do selo Cogumelo. Queríamos estar na maioria dos shows que rolavam em BH e interior, daí não dávamos chance de alguém ficar sem falar algo de nossa banda na época. Sempre havia algo para mostrar. Assim, chegou a hora de “vinilizar” e a cogumelo fechou conosco nosso primeiro contrato .

P.Z: Quando vocês saíram de sua terra natal (Itauna-MG) e foram para São Paulo, como foi a recepção do público paulistano e quais foram as maiores dificuldades encontradas?

Ruddy: São Paulo era o ponto de partida, porém, tinha que ter força para permanecer presente em um lugar de competitividade como era lá. Entretanto, eu não estava com a banda em formada e devido a isto, foi mais difícil e acabei voltando para Itaúna, onde consegui fazer o que queríamos em Minas .

P.Z: Depois de muita luta, em 1994 vocês lançaram o debut “Jesus, intense weeping”. Quais foram as maiores batalhas até lançá-lo e como foi a recepção inicialmente?

Ruddy: Muito bom ter feito o disco , melhor ainda foi ter o “Jesus intense Weeping” relançado na mesma época pela Osmose França em CD, com bônus e mostrar uma obra animalesca à nação metálica Brasileira e estrangeira.

P.Z: “Jesus, intense weeping” também teve destaque no mercado externo, sobretudo o Europeu. Fale-nos um pouco sobre isto e como era este tipo de mercado naquela época, as dificuldades que bandas daqui enfrentavam para conseguir alcançar este público em específico. O que representou para vocês esta conquista?

Ruddy: como disse: realizar um disco é na verdade o começo de uma nova jornada. A idéia sempre é manter todos cientes de que sempre estamos fazendo algo, de que estamos com CD novo ou uma nova demo. Sempre procuramos expor o nosso trabalho a lugares onde falam a respeito da banda , ou a lugares onde ela é pouco conhecida.

P.Z: As composições de "Jesus, intense weeping" são bem estruturadas, tendo como bons destaques o vocal, um gutural voscíferado, e a bateria, que se apresenta como um tanque de guerra. Deste modo, o CALVARY DEATH não perde em nada para bandas que à época já tinham uma grande legião de seguidores, como DEICIDE, MORBID ANGEL, IMPALED NAZARENE, entre outras. Quais foram os caminhos seguidos musicalmente que permitiram estreiar com um disco bem gravado, consistente e rígido no que diz respeito à Death metal?

Ruddy: No “Jesus intense weeping”, queríamos soar como uma banda com maior poder de fogo literalmente, pois na época quem tinha banda, acredito que a maioria tinha fome de ter de que fosse devastadora. Afinal, o Black e Death Metal, eram os estilos mais expressivos e não ficamos para traz. Um álbum tosco literalmente, cruel. Já no “Serpent” estávamos com toda ira para fazê-lo, que por isso demorou tanto. Eu tive um grande satisfação, pois pude trazer músicas de 87/90 que havíamos deixado fora do primeiro álbum e daí tem estilo Oldschool e também algo mais moderno e bem diversificado.

P.Z: O set list de Jesus é inpecável, tendo como exemplos a pegada certeira de ‘Sacred with blessed’ que abre o disco já dando premissa do que virá em seguida, 'Scum' (mais técnica, não menos brutal), ‘I’m spiring’ (com riffs cortantes e ácidos), ‘Spiritual suffocation’ (com suas partes mais cadenciadas), ‘Jesus, intense weeping’ (com notável destaque para o baixo). Tudo isso fez com que o disco fosse homogêneo e diverso ao mesmo tempo. Este resultado ocorreu naturalmente ou já era um padrão pretendido para as composições?

Ruddy: Sim, foi uma pretensão, pois tivemos inspiração do “Altar of Medness” do MORBID ANGEL. Ouça lá a seqüenciadas músicas, como dá prazer em escutar o disco todo. Algumas vezes, temos que dar um fôlego após umas porradas para que o indivíduo possa a ouvir a próxima ....hehehehe.

P.Z: Após o lançamento e divulgação do primeiro disco, a banda gravou uma demo, que foi chegar a público somente em 2002 e após isto cessou as atividades. Quais fatores foram cruciais para que isso ocorresse?

Ruddy: Na verdade não são todos membros que falam a mesma linguagem “do querer seguir a atitude é primordial”, e quando isto começou a acontecer, acabou saindo o batera e logo sai o guitarrista também. Acertar é algo que leva tempo e aqui é o Brasil, rola de tudo. Esta espera é um pouco lenta, mas tem que ter paciência, pois o tempo não nos para!!!

P.Z: Finalmente, após um hiato de 15 anos desde o lançamento do primeiro disco, a banda retornou de forma triunfal com o lançamento de seu segundo disco, “Serpent” (2009), lançado pela Cogumelo Records. Conte-nos como se deu este retorno e como está sendo estar novamente na ativa?

Ruddy: Há muito já estávamos fazendo o CD, o contato estava ativo com a gravadora, visto que havíamos feito o DVD 25 anos da cogumelo e aí, foi só questão de tempo.

P.Z: O “Serpent” mostra que o CALVARY DEATH retornou fazendo jus a sua história, através de composições fortes e mais complexas e diversas. Como ocorreu o processo de criação do disco?

Ruddy: Como falei tem musicas de quando surgiu o TÚMULO DE FERRO, outras mais recentes, por isso ele é diversificado. Sempre tivemos e damos tempo para elaborar e gravar um bom disco, pois é para ficar na historia .

P.Z: Como foi dito anteriormente, há grandes e diferenciadas composições em “Serpent” como ‘Hell’ (uma intro perfeita para o estilo que tocam e uma das melhoras que já ouvi), ‘Serpent’ (que já chega arrasando quarteirão), ‘Antichrist’ (música densa e com aparência de Death metal brasileiro), 'The funeral' (com um começo soturno e arrastado), ‘Betrayer’, ‘Crucial moment’, entre outras. Visto esta diversidade do disco, qual é ponto alto dele pra você?

Ruddy: O ponto alto é mesmo a realização pessoal. Tudo que esta ali foi feito com dedicação, frase por frase que compõe o álbum é dedicada a um amigo que se foi, a respeito do que passei, do período em que estive por mais de um ano e meio no Hospital e pelo que o metal representa para mim.

P.Z: Se compararmos “Serpent” com “Jesus, intense weeping”, vemos claramente uma evolução na sonoridade da banda, por exemplo, explicita no vocal, que hoje alterna mais o gutural com rasgado, e na qualidade técnica das músicas. Embora, sejam épocas distintas, qual a maior e mais importante evolução alcançada pra você? Comparando os dois discos, qual deles você apontaria como o melhor e o que o faz ter essa percepção? O que os bangers poderiam esperar de um novo disco sucessor dos citados?

Ruddy: Bem, o diferencial é causado pelo tempo, novos membros, atitude de um pais reformulado que nos dá novas idéias, a atitude da nova geração, que na verdade não me interessa tanto, sou mais preso ao metal 80’ e inicio de 90. Pra mim ambos os álbuns, são uma grande expressão no metal .

P.Z: Analisando pelo ângulo de que muitas bandas das antigas retornaram e ainda estão retornando a ativa, e o anseio do público por uma cena regada a metal mais oldschool, como andam os shows ultimamente? O que você acha da cena atual em detrimento da época em que a banda se firmou?

Ruddy: Bandas que estão retornando como BENEDICTION, SADUS, NUCLEAR ASSALT, entre outras, estão aí por amor ao metal e dinheiro apenas como conseguência. Acredito que tais bandas estão tendo mais valor hoje do que antigamente. Afinal, elas nem vinham ao Brasil e agora elas são bem mais remuneradas e se divertem mais. A cena atual é legal, pois há muitos moleques, escutando de tudo no Rock, falam e sabem bem das bandas de Black metal e tudo do gênero, mas são um pouco preguiçosos quando o metal extremo pede para comparecer a eventos, devido a abraçarem mais bandas de fora. Até parece que são carentes de ídolos.

P.Z: Vocês estão divulgando seu segundo disco, também estão construindo o site oficial da banda, quais são os planos para a banda agora? Podemos esperar um vídeo/DVD, possíveis shows aqui no Sul de Minas?

Ruddy: Fizemos o “Serpent” e estamos divulgando o DVD que fizemos nos 25 anos da Cogumelo, mas ainda não saiu , tocamos com Marduk agora em abril e fizemos uma gravação disponível na internet pelo youtube e myspace da banda. O plano agora é divulgar o CD e o próximo será Metal furioso, inclusive já tenho algumas musicas prontas .

P.Z: Rudy, valeu aí pela entrevista e toda sorte possível pra vocês. O espaço fica aberto se pra você mandar uma mensagem aos Deathbangers.

Ruddy: Um abraço vida longa e honestidade ao metal. É Bom para Alma !!!!

Ruddy: Calvary Death Death Metal Rules!

Para saber mais sobre a banda acesse:

http://www.myspace.com/calvarydeathbr
http://www.calvarydeath.co.cc/

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Sobre Écio Souza Diniz

Graduado em Ciências Biológicas e pesquisador na área de Ecologia e Evolução vegetal, sempre foi aficionado por leituras sobre o mundo do Rock/Metal. Além do metal, tem como paixões filmes de terror e épicos. Já participou como vocalista de várias bandas de Death/Grind, mas como nenhuma vingou se encontrou melhor em redigir matérias, fundando há alguns anos atrás o Pólvora Zine. Colabora também com vários sites especializados e com a revista Roadie Crew. Suas bandas preferidas são Iron Maiden, Black Sabbath, Dio, Dorsal Atlântica, Candlemass e Sarcófago.

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