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Derek Riggs: no início Eddie não tinha nada a ver com Metal

Por Gabriel Costa | Fonte: MetalSucks |

O guitarrista e vocalista Justin Foley, da banda THE AUSTERITY PROGRAM, conduziu em 2010 para o site MetalSucks uma entrevista com o artista Derek Riggs, autor das mais clássicas capas de discos do IRON MAIDEN. Confira abaixo alguns trechos da conversa.

Justin Foley: Uma das pessoas que trabalham no nosso site contou uma história sobre como ele viu a capa de Killers quando tinha dez anos e sentiu-se incontrolavelmente atraído por ela, dizendo, “Era como pornografia.” Isso é engraçado para mim, porque é verdade – o desenho mexia inevitavelmente com você, e era obviamente mau, mas também por causa dos incontáveis pôsters do Eddie que já dividiram espaço em paredes com Heather Locklear ou Pamela Anderson. Então, como você vê a sua vida como pornógrafo?

Derek Riggs: [Risos] “Oh, eu não era parte disso. Eu só fiz um desenho e o resto daquelas coisas não tiveram realmente a ver comigo. Desde a primeira coisa que desenhei, foi tudo uma resposta lógica ao que eu via ao meu redor naquela época. É engraçado que você mencione pornografia, porque parte da minha motivação foi uma reação ao que eu via nas bandas de hard rock. Todas elas tinham artes tediosas com mulheres seminuas e era tudo realmente uma bosta. Eu queria desenhar alguma coisa com culhões. Não havia nada como o que eu fazia na época.”

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Justin Foley: Eu dou uma olhada no arco geral de coisas que você fez com a banda, desde as coisas iniciais, mais cruas, como “Killers”, até a arte altamente concentrada em “The Trooper” ou “2 Minutes to Midnight”, até a piração total na época de “Seventh Son...” ou “Clairvoyant.” Como você vê esse desenvolvimento? Ou eu estou inventando isso?

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Riggs: “Bem, o que o IRON MAIDEN fazia era porque eles liam um livro ou viam um filme. Eles viam algo e depois escreviam uma canção a respeito. Mas eu estava sempre tentando fazer com que os álbuns fluíssem de um para o outro. [As capas] São mais do que só um monte de desenhos. Tem uma linguagem visual, simbólica, que é compartilhada por diferentes lançamentos. [Ri] Claro, eu fiz com que o MAIDEN achasse que eram eles que estavam fazendo isso. Mas os postes, por exemplo, continuaram lá de um álbum para o outro, E os fãs sabiam disso. Eles vinham aos shows com bandeiras com a minha assinatura, ou até com desenhos dos posters.”

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[subitamente fala mais sério] “Você vê, isso é onde morávamos nos anos 1970. As cenas naqueles primeiros lançamentos... Londres era um buraco após os anos 70. Havia milhões de desempregados, e isso é muito para um país como a Inglaterra. Partes de Londres estavam completamente arruinadas. Os lugares na capa dos discos eram lugares onde eu costumava morar. Eu morava no Finnsburg Park — hoje em dia está na moda —, e os edifícios estavam literalmente caindo aos pedaços. Estavam cheios de invasores. E essa era a minha vizinhança."

"E foi de lá que as bandas britânicas de punk rock vieram. Era um monte de garotos a quem disseram que eles não eram nada, nunca prestariam para nada, nunca seriam nada. Isso era o que estava acontecendo naqueles primeiros desenhos do Eddie. Não tinha porra nenhuma a ver com heavy metal. O IRON MAIDEN disse apenas, 'Dê um cabelo mais comprido a esse punk e nós o usaremos.'

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"Mas é claro, a razão pela qual o Eddie acaba caindo aos pedaços é que eu estava entediado naquele ponto.”

Justin Foley: Sério? Eu acho que as últimas coisas que você fez com o Eddie, o cérebro dele saindo, o surrealistmo de “The Clairvoyant,” essas são as coisas mais impressionantes de todas.

Riggs: “Bem, tem muita coisa acontecendo naquelas imagens. Há a continuidade, há as coisas que o MAIDEN queria que eu colocasse, há eu tentando coisas novas... se você seguir apenas uma linha de pensamento, suas pinturas vão ser uma bosta. Tem que ser mais complicado que uma linha de pensamento.”

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Justin Foley: As coisas que eu li dizem que você terminou as coisas com o IRON MAIDEN e seguiu em frente. Isso incluiu dar Eddie a eles sem maiores alegações. Como você vê essa decisão?

Riggs: Bem, provavelmente não foi a decisão de negócios mais esperta, mas eu realmente não liguei. Eu não conseguia trabalhar com os empresários deles, e na verdade ainda não consigo. Naquele ponto, simplesmente havia ser tornado doloroso demais continuar aquilo. Eu havia tido o suficiente. Havia tanta merda envolvendo “Fear of the Dark”. Eu simplesmente disse “Esqueça, tive o bastante. Quero dizer, eles me deram algum dinheiro. Mas os direitos sobre o personagem não foram comprados ou vendidos, — então isso ainda está flutuando por aí. Mas o negócio é que eu havia tido o bastante. Foda-se. E eu não faria mais nada com o Eddie, então porque não deixá-lo com eles?”

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Justin Foley: Você podia tê-lo mantido refém, certo? Você não deixou dinheiro na mesa ao não ser um cuzão?

Riggs: “Bem, eu fiz algumas pinturas para eles desde então. Mas eles me pediram para assinar outro contrato com eles. Inicialmente parecia tudo certo, mas então eu pensei melhor. Olha, você pode ter um diretor de arte que quer ver seis versões diferentes de alguma coisa porque tem dez anos de idade. Mas eu já posso te dizer — “Isso não vai funcionar”. Ficar de sacanagem com diferentes opções... quando eu te digo que não vai funcionar, não vai funcionar. E eu entrei no ramo da arte para fazer boa arte, não para satisfazer um diretor de arte com merda entediante.”

“Sério, eu já fiz zumbis. Nesse ponto, é assim, “Como você quer o seu zumbi? Você quer uma cidade em chamas por trás ou relâmpagos? Você o quer cozido ou frito?”

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Sobre Gabriel Costa

Carioca, jornalista por profissão e roqueiro de nascença, Gabriel teve o primeiro contato direto com o rock and roll ao ouvir o álbum de estreia do Black Sabbath em um velho vinil de seu pai. Garoto do século 20, nascido em 1984, é absolutamente fascinado por tudo o que envolve o estilo, da música à mitologia. Canta na banda Six Pack Wonder, escuta de Backyard Babies a Strapping Young Lad, ama The Wildhearts e segue fielmente os ensinamentos de Lemmy e Danko Jones. Escreve no Twitter em http://twitter.com/gabrielccosta.

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